28 de julho de 2003

Travessia do Parque Nacional da Serra da Bocaina - Trilha do Ouro + Pico Tira Chapéu - Relato com dicas

Esse é um relato da travessia do Parque Nacional da Serra da Bocaina que eu completei em 4 dias no inverno. Ela é muito conhecida pelo nome de Trilha do Ouro e se inicia em São José do Barreiro/SP e termina no bairro de Mambucaba em Angra dos Reis/RJ, cruzando de norte a sul o Parque Nacional. Normalmente se faz essa caminhada em 3 dias, ficando em pousadas ou campings ao longo da travessia.
Minha pretensão inicialmente era somente fazer a travessia da Serra da Bocaina, mas como tinha acabado de ler 2 relatos do Sérgio Beck que descreviam a travessia e um outro a subida do Pico Tira Chapéu, não pensei 2x. 
Como o início da trilha do Pico é próximo da portaria do Parque, resolvi emendar uma caminhada na outra. Primeiramente subiria o Tira Chapéu em um único dia, para depois no dia seguinte seguir para a travessia da Bocaina.
Seriam 4 dias de caminhada exaustiva, mas as belas paisagens da Serra da Bocaina compensariam o esforço.
Alguns meses antes de fazer essa travessia, o Sergio Beck (famoso montanhista) tinha lançado a Revista "Aventura Já", que estava no seu quarto número. E a matéria de capa do número 2 da pequena revista era sobre a travessia da Bocaina. 
Por ser um leitor assíduo de seus livros e revistas, me interessei por essa caminhada.
Porém ele usou uma rota não-oficial para acessar o parque, encontrando a trilha oficial pouco depois da portaria, evitando passar por ela.
Mas não queria entrar no parque pelo mesmo lugar, por isso fui atrás também de informações que me ajudassem a fazer a travessia passando pela portaria principal do Parque, solicitando autorização.
Tanto do relato do Beck, quanto de outros trilheiros que fizeram a travessia oficial, diziam que essa caminhada era tranquila e sem receio de se perder. 
Já para a trilha do Pico Tira Chapéu, o relato tinha saído na Revista de Número 4 e depois de imprimi-lo, levei para a viagem.


Fotos acima: na base da Cachoeira do Veado, já quase no final da travessia e o Pico Tira Chapéu



Fotos e croquis: Clique aqui

Tracklog para GPS da caminhada ao Pico do Tira Chapéu: Clique aqui

Tracklog para GPS da Travessia da Serra da Bocaina: Clique aqui




Com bastante antecedência, enviei a solicitação de autorização (obrigatória) ao Parque para iniciar a travessia no início de Julho e depois liguei confirmando se tinham recebido. Estava tudo ok.
Um problema de se chegar na cidade de São José do Barreiro (onde se inicia essa travessia) é a escassez de ônibus. 
Saindo de SP somente a empresa Pássaro Marrom faz esse itinerário, mas não é todo dia que ela faz esse percurso, por isso a melhor alternativa é seguir de Sampa até Guaratinguetá/SP e de lá até São José do Barreiro.
E com isso só fui chegar na cidade no início da tarde de uma Sexta-feira.
Quanto a hospedagem, já tinha uma indicação da Pousada da D. Maria que fica junto da Igreja Matriz e segui para lá. É uma pousada simples e pequena, mas perfeita para passar a noite.
Depois de acomodado no quarto, saí para procurar algum transporte até o alto da Serra da Bocaina, onde está a portaria do Parque e também comer alguma coisa.
Fiquei sabendo que sempre tem algum veículo que sai ao lado da Igreja Matriz, mas é para grupos grandes, mas eu estava sozinho naquele dia e com isso não encontrei ninguém para me levar até o alto da serra.
Pode ser que em algumas pousadas eles indicam, mas no meu caso tive subir até o alto da serra na caminhada mesmo.

10 de agosto de 2002

Travessia da Serra Fina que levou 6 dias - Serra da Mantiqueira - Relato com dicas

Tudo começou depois daquela propaganda em cima da Pedra da Mina que apontava o lugar como 4º maior ponto do país em uma medição que depois foi ratificado pelo IBGE no Projeto Pontos Culminantes
Naquela época chegar ao topo da Pedra da Mina era quase que obrigatório para quem curtia montanhismo e eu fui lá conferir se a Pedra era tudo isso mesmo. 
Com o relato do montanhista Sérgio Beck em mãos, que tinha sido publicado no livro Caminhos da Aventura, pretendia fazer a tradicional travessia em 4 dias, iniciando na Toca do Lobo e terminando no Sitio do Pierre.
Alguns dias antes liguei para vários contatos em Passa Quatro para agendar o transporte da cidade até a Toca do Lobo e já acertar os valores, mas desisti depois de ter ouvido o quanto queriam cobrar, inviabilizando qualquer tentativa. 
Por estar sozinho, já imaginava que os preços não seriam baixos - deixei no final do relato vários telefones de contatos em P4 e Itamonte.
Com isso não me restou outra opção, senão o de seguir o mesmo roteiro do Sérgio Beck (vir da Rodovia até a Toca do Lobo na caminhada).


Foto acima: na trilha com a Pedra da Mina ao fundo 



Fotos + croquis + mapas: clique aqui 



No final de Julho embarquei num ônibus na Rodoviária do Tietê em direção à Passa Quatro/MG, saindo às 07:00 hrs. 
Ele segue pela Via Dutra e depois sentido Cruzeiro para só então subir a Serra da Mantiqueira. 
Logo que ele passa um monumento na divisa SP/MG e uns 7 Km depois, pedi para descer no Bairro do Pinheirinho e a cerca de 4 Km antes de chegar em Passa Quatro. 
O local exato é esse: clique aqui e próximo do trevo tem uma placa sinalizando Rota Serra Fina.
Início da caminhada da Serra Fina
Cheguei aqui pouco antes das 12:00 hrs e junto da Rodovia sai uma estrada de terra do lado direito e segue em direção da Toca do Lobo. 
Da Rodovia até o lugar são quase 3h30min e não é fácil encontrar água de boa qualidade nesse trecho, por isso pegue água nas primeiras casas ou traga na mochila.
A estrada vai seguindo por entre pastagens e com o Sol a todo momento castigando. 
Logo na primeira hora vão aparecendo algumas bifurcações à direita e à esquerda, mas a estrada principal é fácil de identificar e é só seguir por ela.

7 de outubro de 2001

Pedra do Rodamonte - Ilhabela/SP - Relato e dicas

Esse relato é bem velhinho e nem quis publicá-lo porque nas 2x que tentei chegar no topo da Pedra não consegui. 
Mas revisando alguns arquivos que mantinha comigo, resolvi postar aqui no blog para mostrar as dificuldades que tive para tentar chegar no topo da Pedra do Rodamonte, em Ilhabela.
A Ilha sempre foi um dos meus lugares preferidos para fazer caminhadas e aproveitar as suas praias, principalmente na parte sul onde as que são voltadas para o continente são as melhores por serem tranquilas, sem ondas, limpas e propícias para mergulhos. 
Frequentava sempre as Praias Grande, Curral e Veloso e por terem campings próximos, a hospedagem não era tão cara.
Da Praia do Veloso, que é uma das últimas praias do sul da Ilha, sempre ficava curioso de uma enorme pedra que emergia no meio da mata atlântica em um dos pontos mais altos da ilha: a crista onde se localiza os Picos São Sebastião e o Papagaio. 
De acordo com a carta topográfica, o nome era Pedra do Rodamonte. Parecendo tão próxima, atiçou a minha curiosidade e por isso nas minhas férias de Janeiro coloquei como objetivo chegar ao topo dela. 



Foto acima a poucos metros da Pedra do Rodamonte



Fotos

1ª vez: clique aqui
2ª vez: clique aqui


Pico do Baepi
Tinha também a intenção de subir o Pico do Baepi e uma parte da trilha eu já conhecia bem.
E no primeiro final de semana de Janeiro saí de Sampa em direção a Ilhabela e fiquei no Camping Palmar. Depois de deixar as minhas coisas na barraca, segui para o Pico do Baepi somente com uma pequena mochila de ataque. 
A caminhada é por trilha bem íngreme, mas foi bem tranquila e sem problemas de navegação
Na descida segui para o sul da Ilha e próximo da Praia do Curral perguntei a alguns moradores sobre como chegar na Pedra do Rodamonte. 
Me diziam que o acesso até lá é próximo da trilha que leva até a Cachoeira do Veloso. 
Uma parte da trilha, na verdade, era só seguir alguns canos de captação de água que descem do alto da serra, mas fui alertado que ela estava em desuso a muitos anos, por isso achei melhor só pesquisar sobre a trilha e depois voltar mais preparado.
Com algumas informações valiosas obtidas com os moradores, marquei de voltar alguns meses depois para tentar chegar no topo dela.

28 de julho de 2001

Pico da Bandeira - Parque Nacional do Caparaó - No topo do 3º maior pico do país - Relato com dicas

No ano em que adquiri uma motocicleta zero km, planejava fazer uma pequena ou até uma média viagem de no máximo 1 semana saindo da cidade de São Paulo. Como estava chegando época de inverno, o litoral estava fora de questão, já que não compensava ir para as praias e não aproveitar. 
Outra opção eram as montanhas, mas qual escolher. Depois de muito estudar, resolvi então seguir de São Paulo até o Parque Nacional do Caparaó (divisa MG/ES) para subir o Pico do Bandeira, considerado o terceiro maior do país. 
Era unir o útil ao agradável (uma viagem interessante, seguida de uma caminhada dentro do Parque).
Para os preparativos, liguei no Parque Nacional para saber as condições de reserva do camping e até tinham vagas, mas pensando um pouco melhor alguns dias depois, achei que a barraca e acessórios só iriam aumentar a bagagem e por isso desisti dela. 
Achei melhor ficar em pousadas. Liguei em algumas da cidade de Alto Caparaó (MG) e a que eu escolhi foi a Pousada do Rui, localizada junto a uma Igreja em um dos pontos mais altos da cidade.
Como pretendia ficar na pousada e entrar e sair do parque no mesmo dia não me preocupei em levar muita coisa. 
A data escolhida foi Julho, por ser uma época perfeita para viagens de moto.
Consegui alguns dias de folga no trabalho, arrumei algumas peças de roupa e coloquei em uma pequena mochila, prendendo-a na moto. Eu não tinha ainda um bauleto. Fui comprar alguns anos depois.
No livro Caminhos da Aventura, do Sérgio Beck, ele relata essa subida ao Pico da Bandeira e claro, tirei cópias dessa parte do livro e levei na mochila. 
Fiz uma pesquisa na internet para ver qual o melhor trajeto para se chegar lá e encontrei vários, mas pela segurança preferi seguir pela Via Dutra até Volta Redonda e depois BR-393, sentido Vassouras e Além Paraíba.
O trajeto que eu escolhi era o mais curto e contando com as paradas, calculei que levaria entre 10 e 12 horas de viagem.


Foto acima: entardecer no topo do Pico da Bandeira



Fotos, algumas coordenadas de GPS + mapa de acesso ao Parque: Clique aqui
Tracklog para GPS da trilha até o topo do Pico da Bandeira: Clique aqui


No dia anterior liguei na Pousada do Rui e fiquei sabendo que a mesma estava vazia, então fui sem fazer a reserva.
Sem previsão de chuvas e com promessa de tempo bom, saí de Sampa por volta das 07:00 hrs da manhã e fui seguindo pela Rodovia Ayrton Senna e só caí na Via Dutra já próximo de Taubaté e com isso evitei um bom trecho da Via Dutra que é cheia de caminhões.
Nesse trecho, o zíper da minha jaqueta quebrou e para dar um "jeitinho" tive que pegar o zíper da minha luva.
Como estava próximo de Aparecida, não pensei 2x e fiz uma pequena parada na cidade para comprar uma outra luva e aproveitei para visitar a Basílica.
De volta à Via Dutra, por volta das 10h30min, já estava entrando no Estado do RJ e o tempo continuava muito bom.
Passei por Itatiaia, Resende e logo depois da cidade de Barra Mansa, existe uma saída da Via Dutra, com placas apontando as cidades de Volta Redonda e Barra do Piraí.
Saí da Dutra aqui e segui por uma Rodovia que é a BR 393, passando por um pequeno trecho urbano de Volta Redonda e seguindo as placas de Barra do Piraí, Vassouras e Três Rios. Esse é um trecho muito ruim, já que a Rodovia ainda não estava duplicada e o movimento de caminhões é intenso.
Em vários trechos pego uma ou outra subida de serra e já próximo de Paraíba do Sul, antes das 14:00 hrs paro em um restaurante para almoçar e evito comida gordurosa, já que poderia provocar uma indigestão (a gente nunca se sabe). Em 30 minutos estou de volta à Rodovia. 
Depois de passar por Paraíba do Sul e já próximo de Três Rios, vou contornando a cidade pela direita e logo depois de passar o trevo, chego na BR 040 (que segue do Rio de Janeiro para Juiz de Fora) e aqui sou obrigado a pegar um trecho de uns 200 metros  no sentido RJ para depois sair da Rodovia e seguir as placas indicando Salvador, Sapucaia e Além Paraíba à esquerda.
Aqui é um trecho com inúmeras curvas e sou obrigado a reduzir bastante a velocidade, já que estava correndo acima de 100 Km/h. 
O que é legal aqui é o Rio Paraíba do Sul que segue à esquerda, paralelamente à Rodovia por um longo trecho.
Quando chego no trevo de Além Paraíba, cruzo o Rio Paraíba do Sul e aqui estou de volta a BR 116, agora já entrando no Estado de MG. 

20 de abril de 2001

Travessia Itaguaré x Marins que terminou durante a noite, sem lanternas e sem água - Relato e dicas do perrengue

Era a minha primeira incursão pela região do Marins e logo de cara resolvi fazer a travessia Marins-Itaguaré, mas no sentido inverso, entrando pelo Pico do Itaguaré.
Como era uma semana de recesso na faculdade por causa da Semana Santa, consegui também algumas folgas no meu trabalho e com isso tinha uma disponibilidade de alguns dias para fazer essa travessia. Estava indo para lá com a pretensão de fazer essa travessia em no mínimo 3 dias, sem correria. Quem também resolveu embarcar nessa comigo foi o Sérgio (amigo de faculdade e de trilhas).
Para essa trilha só estava levando o relato do Sérgio Beck (famoso montanhista) publicado no livro Caminhos da Aventura que iria ser nossa referência, mas na dúvida resolvi ligar para o Maeda do CEC (Centro Excursionista de Campinas). Foi ele, junto com o pessoal do CEC que abriu essa travessia no início da década de 90 e fuçando na Internet achei o telefone dele e num bate papo perguntei sobre como estava a trilha e a minha intenção de fazer a travessia.
Mesmo dizendo que ia ser minha primeira vez lá, o Maeda falou para eu ficar sossegado, já que a trilha estaria bem demarcada.


Na foto acima, o Pico do Itaguaré visto da travessia.



Fotos, croquis e coordenadas geográficas: clique aqui

Tracklog para GPS da trilha do Pico do Marins: clique aqui



Nosso objetivo era chegar no topo do Pico do Itaguaré no primeiro dia e no dia seguinte realizar a travessia até o Marins e talvez esse tenha sido nosso erro.
Início da caminhada próximo da Rodovia
No dia combinado, encontrei o Sérgio na Rodoviária do Tietê por volta das 07h30min e embarcamos em direção à Passo Quatro/MG no ônibus das 08:00 hrs (um pouco tarde, mas era a única opção).
Depois que terminamos a subida da Serra da Mantiqueira, passamos ao lado de um Monumento que fica bem na divisa SP/MG e daqui para frente a estrada ainda passa ao lado de um posto de gasolina à esquerda e depois de seguir no plano por uns 5 Km, pedimos para descer (esse acesso fica pouco mais de 1 Km antes de chegar no Bairro do Pinheirinho - o primeiro de Passa Quatro).
Serra Fina ao fundo
Aqui existe uma estradinha que desce à esquerda em direção ao Bairro de Caxambú (pertencente a Passa Quatro). 
Saltamos aqui por volta das 12:00 hrs e ainda tínhamos um trecho de descida até um pequeno vale e lá embaixo cruzamos uma linha férrea e iniciamos uma caminhada pelo plano passando ao lado de uma pequena igrejinha.
Finalizado esse trecho do Bairro, acaba a alegria e iniciamos a longa subida íngreme que vai nos levando serra acima. 
A todo momento olhava para trás para ver como o Sérgio estava aguentando a subida e sempre ouvia dele as mesma palavras: “tô animado.....tô animado.....” .