12 de dezembro de 2019

Relato: Perrengue na ½ Trilha do Telégrafo – De Paraty até Ubatumirim

Era a 5ª vez que caminhava nessa região e alguns trechos dessa trilha já eram bem familiares. 

Nas outras 4x eu estava em busca da Trilha do Corisco (trilha histórica que liga Paraty até Picinguaba, em Ubatuba) e numa dessas incursões encontrei trechos da Trilha do Telégrafo, que liga Paraty até o Bairro de Ubatumirim. E isso ficou na minha cabeça como uma trilha a ser finalizada, mas o tempo foi passando e deixei de lado. Até que pouco mais de 1 ano atrás, troquei várias mensagens com a Emanuele (montanhista do Rio de Janeiro), dizendo que pretendia fazer essa trilha, mas devido ao meu trabalho não pude acompanhá-la.

Com a ajuda de um morador local, o grupo teve sucesso na empreitada e com isso ela disponibilizou o arquivo de GPS dessa trilha no site wikiloc. Agora estava fácil e só me faltava encontrar alguma data com clima favorável e alguns dias de folga no trabalho para fazer essa trilha, mas na Natureza as coisas não são tão fáceis assim. Não é à toa que a última cidade do litoral norte de SP recebe o apelido de Ubachuva. 

O relato abaixo é sobre os problemas que tive nessa trilha e as consequências da minha teimosia que quase me levou para um hospital.



Foto acima, no marco de concreto da divisa RJ/SP




Vídeo com depoimentos ao longo da caminhada: clique aqui


Fotos dessa caminhada: clique aqui


Naquele mês de Novembro peguei 15 dias de férias e fiquei quase 1 semana no sul da Bahia, só curtindo algumas praias de Arraial D´Ajuda e Trancoso. E quando retornei, ainda restavam 5 dias antes de voltar a trabalhar, então dava para fazer uma bela caminhada de vários dias. O problema de planejar uma caminhada é sempre o clima. Fazer trilha com chuvas pode se tornar um perrengue daqueles e uma perda de tempo. Na minha lista tinham várias opções para os últimos dias das férias e todas relativamente próximas de São Paulo, mas a previsão de chuvas me fez desistir de algumas delas. E depois de consultar vários sites de previsão do tempo, escolhi a Trilha do Telégrafo, ligando Paraty até Ubatuba pela Serra do Mar. A logística é tranquila e achei melhor ir de ônibus. 

No meio da semana, embarquei durante a noite no Terminal Tietê em direção à Paraty, chegando ainda de madrugada na cidade e na mesma Rodoviária peguei o primeiro circular para o Bairro do Coriscão, por volta das 05h30min da manhã. 

Ponto final da linha Coriscão

O trajeto foi rápido e pouco depois das 06:00hrs já desembarcava no ponto final da linha.  

Nos sites de clima que eu tinha pesquisado, diziam que exatamente naquele dia a chuva iria acabar, já que estava chovendo a vários dias naquela região. Eu confiei, mas quando desci do ônibus caia uma leve garoa, que não era um bom sinal. Uma espessa neblina também cobria a região e segui como planejado. Coloquei a minha capa e iniciei a caminhada em direção ao alto da serra seguindo pela estrada, que de agora em diante era de terra. 

Estrada de terra serra acima

Passando por algumas residências e pequenas chácaras, a caminhada é sempre seguindo a estrada de terra serra acima, tendo o Rio Corisco do lado direito como referencia. Em alguns trechos é possível vê-lo da estrada e não é uma visão que me agrada. O rio estava com volume muito grande devido às chuvas na região.

Rio Corisco visto da estrada

Seguindo o tracklog da Emanuele não tem erro, mas conforme as horas avançavam o clima não muda e a garoa era persistente. Afluentes do Corisco cruzam a estrada e fica até difícil não molhar as botas.

Cruzando afluentes do Rio Corisco

Com cerca de 45 minutos de caminhada, passo ao lado da entrada do Sitio São Francisco com 2 portais de concreto e nesse local, nas caminhadas anteriores, eu saí da estrada e segui por uma trilha à esquerda que leva também ao alto da serra - nessa foto e nessa outra dá para ver o início da trilha.

Entrada do Sitio São Francisco

Porém o tracklog da Emanuele continua seguindo pela estrada de terra e assim continuo a caminhada. Mais alguns minutos e passo pela ponte sobre o Rio Corisco e dá para ver que ele tá bem cheio. 

Rio Corisco

Alguns metros à frente e pouco depois das 07:00hrs, passo ao lado da última casa na estrada tomada pela neblina e aqui existe uma bifurcação; seguindo em frente é a continuação do tracklog e para esquerda é como se fosse um atalho, pois alguns minutos à frente essas duas trilhas voltam a se encontrar. 

Última casa 

Alguns metros depois da última casa, a estrada se torna trilha e a partir daqui estou entrando na área do Parque Nacional da Serra da Bocaina, marcado por uma placa de metal junto da trilha. 

Área do PN da Serra da Bocaina

É um trecho da caminhada que entro definitivamente na mata fechada, surgindo algumas bifurcações e numa delas sigo pelo caminho errado. Só fui notar o erro alguns minutos depois e tive que retornar todo o percurso. Vou cruzando pequenos riachos e muita área de brejo e logo chego numa antiga residência, que está totalmente demolida. Uma pena. 

Residencia demolida

O lugar é plano e não ficou uma parede sequer em pé. Fico imaginando que poderia ter sido o pessoal do PN, mas será?

São pouco mais de 08h30min e depois de uma breve descansada, retomo a caminhada seguindo o tracklog. A trilha se fecha mais ainda e inúmeras bananeiras vão surgindo ao longo da subida. Nesses trechos tive uns perdidos, onde não encontrava a continuação da trilha de jeito nenhum. 

Trilha pela mata fechada

Para piorar, os satélites demoravam um pouco para mostrar exatamente a posição onde eu estava naquela mata fechada. Nesse momento já estava ensopado dos pés à cabeça e não tinha nada seco no corpo.

Trilha

Depois de algumas paradas e já bem estressado finalizo esse trecho complicado da caminhada interceptando uma outra trilha bem mais demarcada, que vem da direita e segue descendo para esquerda. Essa é a trilha que se inicia lá em frente ao portal do Sitio São Francisco e termina em uma pequena chácara serra acima. 

Lago junto de bananeiras

Próximo dessa bifurcação encontro um pequeno lago com algumas bananeiras, sendo um ponto de referencia. Descendo agora à esquerda pela trilha mais demarcada, como se estivesse retornando, saio em uma bifurcação à direita alguns metros abaixo, onde o tracklog me conduz até a margem do Rio Corisco. 

Cruzando Rio Corisco

O volume dágua é grande e procuro o melhor local para cruzar o rio, onde a correnteza não me levasse. Com água até um pouco abaixo da cintura, cruzo o rio sem grandes dificuldades e na outra margem passo ao lado de um rancho abandonado. 

Se até aquele momento a trilha não era tão demarcada, a partir daqui a coisa piora e os vestígios dela são mínimos. De vez em quando surgem alguns trechos abertos, mas a maior parte é de vegetação alta, tendo de abrir a trilha na raça em vários momentos. Só com tracklog nesse trecho e vou consultando ele a todo momento para ver se estava no caminho certo. Caminhar por aqui sem um GPS é se perder na certa. Surgem grandes plantações de bananas e vou cruzando inúmeros riachos, sempre subindo. Em vários momentos tomei uns tombos pela declividade da trilha e pelo solo todo encharcado. A garoa persistia e a neblina também cobria toda aquela região de mata fechada. Pouco depois das 10:00hrs a trilha nivela e vou contornando um pequeno morro pela esquerda. Esse trecho no plano até se parece com vestígios de uma antiga estrada, devido a uma encosta que me pareceu ter sido construída pelo homem. Nesse momento percebo que algo está errado com meu celular. Em todo o trecho da caminhada vou me orientando pelo tracklog da Emanuele e não desliguei ele um momento sequer, mas lembro muito bem que ao cruzar o Rio Corisco a bateria estava em torno de 65%. Quando fui olhar agora a bateria tinha reduzido para apenas 9%. Sem perder tempo peguei meu power bank e tento transferir a energia dele para o celular, mas não consigo. O cabo ou o encaixe no telefone está com problemas; na verdade um problemão. O tracklog me informa que o marco de concreto da divisa de Estados está próximo e ainda consigo chegar nele com bateria a 4%, mas só foi andar mais alguns metros e o celular desliga. Fud.... 

Junto do marco da divisa SP/RJ

Como diria Carlos Drummond de Andrade: E agora, José? Tiro algumas fotos do marco de concreto e resolvo continuar a caminhada por trilha demarcada, que daqui em diante segue em declive. Até aquele ponto da caminhada tive que me orientar pelo track e daqui em diante teria que ter muito faro de trilha para chegar em Ubatumirim. Porém sem o tracklog, que certeza eu teria se estava na trilha correta ou não?

Depois de pensar bem o que fazer, resolvi seguir aquele trecho de declive, pensando que mais a frente a trilha se tornaria mais demarcada, mas não foi o que aconteceu. Ao chegar em um antigo acampamento (pareceu ser de caçador ou palmiteiro), a trilha cruza um pequeno riacho e se perde na mata fechada. 

Antigo acampamento abandonado

Tento fazer um circulo para ver se encontro a trilha um pouco mais à frente, mas cada vez que vou me embreando na mata, ela se fecha mais ainda. Impossível seguir. Arriscado demais.

Retorno até o antigo acampamento para descansar um pouco e refletir sobre o que faria dali em diante. Chego a conclusão que não vale o risco, pois sem tracklog ali, o perigo de perder é grande e tudo por causa de um mero cabo de carregador de celular. 

Volto até o marco de concreto para gravar um vídeo sobre o que aconteceu e pouco depois do meio dia retorno pela mesma trilha que eu vim. 

Sem ajuda do track e com poucos trechos de trilha demarcada, é preciso tomar muito cuidado para não me perder, mas vou lembrando de alguns trechos e não tive grandes problemas até chegar na margem do Rio Corisco pouco antes das 14:00hrs.

Chegando na margem do Rio Corisco

Só o local que não era o mesmo onde tinha cruzado e provavelmente me desviei da trilha principal por alguma outra paralela, tendo que cruzar o Rio um pouco mais acima.

Casebre junto da margem

O local era junto de um casebre com paredes de lona branca e era até um pouco mais perigoso, pois a correnteza era maior. 

Cruzando o Rio novamente

Cruzado o Rio, fui varando mato por alguns minutos até interceptar a trilha mais demarcada e dali em diante era só descida até cruzar novamente o Rio Corisco para sua margem direita. Essa é a trilha que se inicia lá no portal de concreto do Sitio São Francisco e sem dúvida nenhuma era muito mais demarcada que a trilha que eu tinha vindo.

Saindo da mata e de volta à civilização

Finalizo na estrada pouco depois das 15:00hrs e sem muita demora chego no ponto de ônibus para aguardar o circular de volta até Paraty.

Troco todas as roupas por outras secas e fico aguardando o ônibus, mas uma moradora da região passa de carro e me oferece carona até o centro de Paraty, onde chego pouco depois das 16:00hrs. 

Desci do carro e já fui atras de alguma loja de eletrônicos para ver se conseguia comprar um novo cabo de carregador de bateria - se o problema do celular fosse esse não pensaria 2x e no dia seguinte já estaria de volta na trilha. A funcionária testou vários no meu celular e nenhum deles funcionou, o que me levou a concluir que o problema não era o cabo - o jeito era voltar para SP mesmo. 

Fui para a Rodoviária e lá embarquei para Ubatuba e de lá no final da tarde retornei para SP, chegando aqui pouco depois das 23:00hrs, muito frustrado e p. comigo mesmo.


E como desgraça pouca é bobagem, eis que uns 2 dias depois começo a ter uma leve febre e do lado esquerdo do meu peito começa a ficar um pouco inchado e uma coceira muito forte surge ali. Achando que seria uma simples infecção ou talvez uma reação alérgica só tomo um remédio e nem vou procurar algum médico. Graças a Deus uns 3 dias depois, a infecção e a febre regridem sem maiores consequências. Não sou especialista, mas converso com quem já teve problemas semelhantes e chego a conclusão que os sintomas que eu tive foram provocados por reação alérgica a alguma picada de inseto ou aranha.

Caminhada que ficou como lição; foram várias situações que eu poderia ter evitado se tomasse um pouco mais de cuidado.


PS: Assim que retornei a SP levei o telefone numa assistência e o problema era o conector que ficava no telefone. Só foi trocá-lo e voltou a funcionar, podendo recarregá-lo sem problemas. Serviço de alguns minutos que ficou em $100 Reais.





Algumas dicas e informações úteis


# Tracklog da Emanuele, disponível no wikiloc: clique aqui


# Seguem os 4 relatos de caminhadas nessa região da Serra do Mar:- www.trilhasetrips.blogspot.com/2013/05/relato-na-busca-da-trilha-do-corisco.html- www.trilhasetrips.blogspot.com.br/2013/04/perdidos-na-trilha-do-corisco-caminhada.html- www.trilhasetrips.blogspot.com.br/2013/04/relato-caminhada-aos-picos-macela-e.html- www.trilhasetrips.blogspot.com.br/2013/05/relato-2-vez-na-trilha-do-corisco.html


# Essa Trilha do Telégrafo é uma trilha histórica e seus registros são anteriores a construção da Rio-Santos. Em alguns trechos dela é possível observar antigos postes de telégrafo e atualmente só guias experientes e alguns moradores locais ainda percorrem esse trecho da Serra do Mar.


# São vários trechos onde a vegetação alta e a mata atlântica fecham totalmente a trilha.  


# Apesar do tracklog da Emanuele, essa é uma caminhada casca grossa e sem visual nenhum, já que a maior parte do tempo a caminhada é feita em mata fechada. 


# Os horários do circular que faz a linha Rodoviária de Paraty-Bairro do Coriscão:

https://vaiparaty.com.br/horacolitur/


# No trecho inicial eu recomendaria seguir por um caminho diferente do tracklog, para evitar trechos com vegetação alta e trilha fechada em alguns pontos, fazendo da seguinte forma: 

- vindo na caminhada desde o ponto final do ônibus até a entrada do Sitio São Francisco são pouco menos de 1 hora de subida e assim que chegar na entrada do Sítio à direita, marcado por um portal de concreto, pegue uma bifurcação com trilha demarcada para esquerda e dali é só subida serra acima (foi por essa trilha que eu retornei).

3 de setembro de 2019

Relato: Travessia da Serra de São José/MG – Prados x Tiradentes até a Cachoeira Bom Despacho

Todo ano a dúvida sobre que lugar escolher para uma caminhada nas minhas férias do meio do ano.
Há vários anos que venho tentando fazer algumas no sul do país, mas não dou muita sorte. De vez em quando o clima ajuda, como na Travessia da Serra do Quiriri (divisa de PR/SC) que completei anos atrás.
E para esse ano coloquei novamente como plano "A" outra travessia nessa região, mas como não dá para confiar 100% no clima, deixei como plano "B" uma travessia em MG e a Serra de São José, localizada próxima de Tiradentes/MG, era perfeita.
E para essas 2 opções fui atrás de relatos, dicas, tracklogs e troquei várias mensagens com o Otávio Luiz (montanhista paranaense da AMC – Associação Montanhistas de Cristo), Francisco (blog Chico Trekking) e o Rodrigo (blog Exploradores).
Escolhi como plano "B" a Serra de São José por ter vegetação de cerrado e campos rupestres semelhante a de outras que já fiz: Lapinha-Tabuleiro e Itumirim-Carrancas que permitem caminhar com visual panorâmico pela crista. E claro que ajudou também a logística fácil para chegar ou sair de lá. 
Para quem está em Tiradentes, a Serra de São José se assemelha a uma muralha, próxima da cidade que segue na direção sudoeste-nordeste por cerca de 12 Km. 
Organizei a mochila e deixei para os últimos 2 dias a decisão de seguir o plano "A" ou o "B", mas a previsão não mudou para o sul do país, prometendo chuvas no dia que eu iria viajar. Agora era partir para o plano "B" e lá o clima estava ajudando com previsão de tempo bom que já perdurava há vários meses.
Serra de São José lá vamos nós e dessa vez estava indo com a Sil, parceira de outras caminhadas pela Serra do Mar.


Nas fotos acima, a crista da Serra de São José, com São João del-Rei ao fundo. E na outra foto, as ruas de Tiradentes com a muralha da serra atrás


Fotos dessa travessia: clique aqui

Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui

Vídeo completo da travessia: clique aqui


A logística era chegar pela manhã na Rodoviária de São João del-Rei e de lá embarcar no ônibus circular para Prados, onde iniciaria a caminhada próximo da entrada da cidade até chegar no topo da serra, seguindo pela crista na direção sudoeste até o outro extremo, onde está localizada a Cachoeira Bom Despacho, já próximo da divisa com São João del-Rei para finalizar em 2 ou 3 dias.
Na data marcada fiz uma última revisão nas coisas da mochila, coloquei alguns tracklogs do wikiloc na memoria do celular e fui para o Terminal Tietê, onde encontrei a Sil e embarcamos por volta das 22:00hr com previsão de chegada em SJDR por volta das 06:00hr.
A viagem foi tranquila com algumas poltronas vazias e fizemos uma parada no Graal Bela Vista e outra na Rodoviária de Lavras chegando a SJDR pouco depois das 05:00hr, ainda na completa escuridão. Foi uma viagem rápida e até deu para dormir em alguns momentos, mas tivemos que aguardar até as 07h30min quando o ônibus saiu da Rodoviária em direção à Prados.
Serra de São José
O percurso seguiu por Rodovia que beirava o lado norte da Serra de São José e da janela do ônibus já presenciava um céu totalmente azul, perfeito para caminhadas.
Quando o ônibus entrou na área urbana de Prados, fui checando o GPS do celular o ponto exato onde desembarcaríamos e em frente ao Lar dos Idosos Monsenhor Assis, descemos do ônibus. 
Ponto de ônibus em frente ao Lar dos Idosos
São 08h20min e depois de arrumar as garrafas de água nas mochilas e iniciar a gravação do tracklog no meu celular, seguimos por uma rua de blocos de concreto no sentido contrario do ônibus, na direção da serra. Em mais 5 minutos e caímos numa estrada de terra para alguns metros à frente passarmos ao lado de uma gigantesca caixa de água da Copasa. É um trecho tranquilo e que não tem como errar, pois é só seguir pela estrada de terra na direção da base da serra.
Junto a um portal, uma enorme placa de madeira assinala que estávamos na Estrada Parque Passos dos Fundadores e cada vez mais a base da serra se aproximava. 
Serra chegando
Passamos por alguns pequenos sítios, trechos sombreados e com cerca de 30 minutos de caminhada, chegamos ao inicio da trilha. São 08h50min e estamos na altitude de 1130 mts. O local fica ao lado de uma casa de tijolos aparentemente abandonada e dois carros estacionados junto da cerca de arame é um sinal que pessoas estão no alto da serra. 
Início da trilha
Aqui é preciso pular a cerca de arame farpado para acessar uma área de pasto e depois seguimos para o topo da serra por trilha demarcada em meio a mata de encosta. Cruzamos uma cerca quebra corpo, que impede a passagem de animais e com 10 minutos desde a estrada emergimos nos campos rupestres, marcada por uma pequena casa de pedras em ruínas.
Casa de Pedra
Nesse trecho da trilha os arenitos tomam conta e o risco de escorregar é grande, já que a subida é íngreme e quase um zigue-zague serra acima, passando por algumas lajes de pedras, mas sem problemas de navegação. 
A trilha é bem demarcada e em alguns pontos as setas de madeira orientam que caminho seguir. 
Pequenos poços com água das chuvas surgem nesse trecho, mas não recomendaria o consumo dessa água.
Subindo a serra
Conforme íamos subindo, a cidade de Prados vai surgindo atrás da gente e vários mirantes são um convite a alguns clics. Daqui em diante é a típica vegetação de cerrado, com uma árvore aqui, outra ali, arbustos, gramíneas e muita formação rochosa.
Quando chegamos no topo da serra o visual se abre na direção norte. São 09h30min e a altitude aqui é de 1350 mts. Mais alguns minutos e passamos ao lado de um bonito mirante, chamado de Garganta do Diabo, voltado para encosta sul.
Mirante da serra
Com cerca de 1 hora desde o início da trilha, vão surgindo algumas faixas de areia branca pelo meio do caminho. Uma placa escrito PLANALTO aponta uma seta seguindo pela trilha e só foi caminhar alguns metros e chegamos no lugar. É uma grande área descampada com formações rochosas ao lado e perfeita para montar barracas. Contei umas 20 pessoas próximas dali e pelas mochilas, percebi que iam acampar no local.
Cruzeiro junto à borda da serra
Seguimos caminhando na direção da encosta sul até chegar a um mirante, onde existe um Cruzeiro e uma Rosa dos Ventos pintada em cima de uma grande base de concreto (não deve ter sido fácil e parabéns para quem fez).
A vista é voltada para o Distrito de Bichinhos (pertencente a Prados) em primeiro plano e Tiradentes ao fundo. 
E bem mais ao fundo ainda me pareceu ser a Chapada das Perdizes e um trecho da Serra de Carrancas (quando voltei a SP olhei nas cartas topográficas e no Google Earth para confirmar e eu estava certo) - quem sabe uma futura travessia. Se pudéssemos ficaríamos ali só admirando a vista, mas era preciso seguir nossa caminhada.  
Vista do mirante
Voltamos alguns metros e agora seguimos por trilha demarcada, como se estivéssemos descendo a encosta norte. Essa é a Trilha da Biquinha, que finaliza na Rodovia que viemos de SJDR. 
Placas sinalizando água nessa direção podem ser vistas em alguns trechos e depois de passar ao lado de uma cerca de arame do lado direito e caminhar uns 100 mts, era preciso abandonar a trilha principal e seguir para esquerda. 
Descendo a encosta norte
A partir daqui é a parte mais complicada dessa travessia e nos vários relatos que tinha lido, todos comentavam sobre a dificuldade desse trecho, já que a trilha não é tão demarcada. A direção é seguir rumo oeste e noroeste, mas de repente não tinha mais trilha e nem os vestígios dela. A trilha sumiu. Fomos seguindo os tracklogs que nos levam para uma encosta rochosa, descendo a serra. É quase que uma caminhada só no visual, se orientando pelos tracklogs e alguns totens. É um trecho curto, de uns 15 minutos perdendo altitude e depois de contornar enormes rochas encontramos outra trilha mais demarcada que agora segue na direção sudoeste – depois fiquei sabendo que seu eu continuasse a descer pela Trilha da Biquinha por pouco menos de 500 mts encontraria uma trilha bem mais demarcada à oeste lá embaixo. Bom.....agora já foi.
Finalizado o trecho complicado, já estávamos bem abaixo da crista e íamos seguindo por trilha demarcada sem ganhar muita altitude. Do lado direito surge uma mata ciliar próxima e numa emergência é um local onde pode ser encontrada água, mas só recomendo o consumo dela se tratar com Hidrosteril. 
Trilha retornando para crista
Mais 15 minutos de caminhada e cruzamos um trecho dessa mata ciliar, onde encontramos pequenos lagos de água parada. Paramos para um lanche por uns 10 minutos e agora voltamos a subir suavemente a serra por um vale até chegar na crista novamente, ao lado de um mirante. O que chama a atenção nesse pequeno trecho de subida é a vegetação de sempre-vivas, típica do cerrado, junto da trilha. 
Travessia restante pela crista
É meio dia e altitude aqui é de pouco mais de 1370 mts e junto ao mirante são encontrados vestígios de fogueira, sendo um bom lugar para acampar. Fizeram até uma canaleta em volta para escoamento da chuva. Uma pequena árvore fornece sombra para alivio do Sol e ficamos um certo tempo ali descansando e admirando o visual.
A vista é desimpedida para o sul e oeste, podendo ser visualizado todo o restante do trecho pela serra com SJDR ao fundo e o Distrito de Bichinhos ao sul.
Camping junto ao mirante 
De agora em diante a caminhada é em declive por trilha erodida sem grandes dificuldades, alternando com trechos planos. Passamos ao lado de uma cerca de pedras e as 13h30min chegamos num grande descampado no meio de algumas árvores, perfeito para acampamentos e para um longo descanso, já que a área é quase toda sombreada, porém sem água. Uma discreta trilha sai à esquerda e provavelmente desce a encosta da serra em direção a Bichinhos e Tiradentes. 
Grande área descampada
Pouco depois das 14:00hr retomamos a caminhada, agora subindo a encosta íngreme até chegar na borda do paredão, permitindo uma linda vista à esquerda, mas somente por alguns metros.
Cada vez mais íamos para dentro da serra, se afastando da encosta, contornando grandes formações rochosas e muita vegetação de arbustos. 
Trilha beirando o paredão
Surge de vez em quando uma ou outra bifurcação, mas seguindo o tracklogs não tem erro. Na verdade essas bifurcações voltam a se encontrar com a trilha principal mais adiante. A caminhada segue pelo meio da serra, às vezes retornando para a encosta à esquerda, passando ao lado de vários mirantes e bons lugares para acampamentos.
Não muito longe da borda do paredão, a trilha segue em declive por um pequeno trecho de desescalaminhada por lindos mirantes, onde é possível visualizar um grande descampado e a bifurcação com a Trilha do Carteiro lá embaixo. Dá até vontade de aumentar o ritmo da caminhada só para finalizar a caminhada do dia, mas por ser um trecho íngreme, eu não recomendaria. 
Bifurcação com a Trilha do Carteiro
E somente as 16:00hr chegamos na bifurcação com a Trilha do Carteiro, onde inúmeras placas sinalizam “Águas Santas, Mangue, Cachoeira Bom Despacho, Tiradentes” em várias direções.
A altitude é de 1136 mts e o lugar é plano, permitindo acampamento para inúmeras barracas. Para a esquerda é o caminho que desce a serra na direção de Tiradentes. Para a direita é a continuação da Trilha do Carteiro que leva até a Cachoeira do Gamelão e seus inúmeros poços ao longo das quedas. E seguindo em frente pela crista da serra é o nosso caminho para o dia seguinte. 
Ficamos por alguns minutos descansando junto da bifurcação e analisando o melhor lugar para montar a barraca e nisso um grupo de uma agencia de Tiradentes com cerca de 5 pessoas vem subindo pela trilha e segue para a Cachoeira do Gamelão.
Nos 2 tracklogs que estávamos usando, eles assinalavam que descendo pela Trilha do Carteiro rumo norte, em poucos minutos chegaríamos a uma pequena área plana, perfeita para camping e foi o que fizemos. 

Camping descendo a Trilha do Carteiro
Em poucos minutos chegamos no Mirante do Carteiro e próximo dele existe um local plano que comporta algumas barracas. Pensamos até que o grupo iria acampar lá também, mas ele estava vazio.
Montamos nossa barraca ali e por uma trilha à oeste segui por uns 150 mts até um poço de água parada, escondido pela vegetação. Era até razoavelmente grande com dimensões de uns 5 x 2 mts. 
A água era fria demais, mas depois de uma longa caminhada e suor escorrendo no rosto, serviu perfeitamente para um banho bem relaxante.
Poço próximo do camping
Revigorados, agora era hora de preparar o jantar. Tínhamos ainda um pouco de água e nem precisamos descer pela trilha para pegar mais. 
Linguiça defumada, atum enlatado e sopão de galinha foi o nosso cardápio preparado sob as estrelas. 
Céu totalmente aberto mostrando a Via Láctea, como se fosse uma faixa de leste a oeste com suas constelações e as únicas que consigo reconhecer são as 3 Marias e o Cruzeiro do Sul, mas milhares podem ser vistas. Deu até para vermos algumas estrelas cadentes. Noite maravilhosa.
Depois do jantar, usei a água restante para colocar dentro das panelas sujas, pois queria evitar que algum animal viesse nos visitar no meio da noite para procurar comida.
Nem lembro que horas fomos dormir, mas a temperatura estava agradável, sem ventos.
Por volta das 09:00hr do dia seguinte já estávamos de pé e desmontando a barraca. Depois de organizar as mochilas resolvemos escondê-las na vegetação e descer pela trilha somente com algumas garrafinhas para encher de água. 
Seguindo por leve declive pelo calçamento de pedras, passamos ao lado de um cruzeiro, onde supostamente está o Túmulo do Carteiro. 
Túmulo do Carteiro
Na verdade é um monumento formado por centenas ou até milhares de pedras empilhadas e segundo a lenda, deve-se deixar uma em seu túmulo e fazer um pedido, que será realizado. E pela altura do monumento, parece que todos que passam ali, deixam sua contribuição. 
Mais alguns metros de descida e chegamos numa bifurcação onde as setas apontam para a parte alta da cachoeira e a parte baixa. Na parte alta da Cachoeira do Gamelão estão as pequenas piscinas naturais que se formam nas quedas do riacho. 
Cachoeira do Gamelão
Sua vazão era muito pouca e só um pequeno filete que escorria. Um grupo de mulheres conversava no local e preferimos descer um pouco mais para baixo, onde encontramos um poço que era um convite para mergulho.
Próximo dessas quedas existe um pequeno descampado que pode ser uma boa opção de camping.
Voltando à bifurcação, agora fomos conhecer a parte baixa da cachoeira. A trilha segue contornando um pequeno morro pela direita, passando ao lado de pequeno riacho, que é perfeito para reabastecimento de água. Cercado por mata ciliar, o riacho parece que fornece agua o ano todo e de ótima qualidade.
Piscina na parte baixa
Com cerca de 10 minutos chego a uma piscina natural formada pelo encontro de alguns riachos. Junto a um descampado, alguns bancos servem para descanso e nesse trecho a vazão do rio é maior.  
São 10h45min e com as horas passando era preciso retornar e continuar a caminhada.
Fui subindo pela trilha até chegar ao local do nosso acampamento, onde pegamos as mochilas e pouco depois das 11:00hr retomamos nossa caminhada até a bifurcação acima e dali seguimos para a direita, na direção da crista da serra.
Curiosa formação rochosa
Já na crista passamos ao lado de uma enorme rocha bem interessante que lembra uma colmeia, cheia de furos.
Vão surgindo inúmeros mirantes junto da borda com vista para Tiradentes e algumas faixas de areia ao longo da trilha. Junto de um dos trechos de areia, encontramos uma trilha à direita que vem direto da Cachoeira do Gamelão. É uma espécie de atalho para quem não quiser subir pela Trilha do Carteiro.
Árvore junto de um mirante
E as 12h20min chegamos a uma arvore que fornece sombra e é ponto obrigatório de parada. O local apresenta vestígios de fogueiras e talvez seja outro ponto de acampamento. Do mirante ao lado, Tiradentes surge bem próximo e naquele Domingo conseguimos ouvir sons de bandas (dias antes a cidade estava realizando o 3° Encontro de Bandas e naquele momento alguma estava tocando pelas ruas da cidade e o som poderia ser ouvido lá da crista da serra).
Desse mirante da serra era fácil identificar a principal Igreja da cidade: a Igreja Matriz de Santo Antônio, que se localiza na parte mais alta da cidade histórica.
Crista á leste
Ficamos por cerca de 1 hora no local e a partir desse ponto a trilha se divide em 2. Uma que segue beirando o paredão, sempre pela crista e outra que segue descendo um pouco a encosta da serra pela direita, na direção do fundo do vale.
Seguindo pela crista à oeste
Optamos por seguir pela crista passando por inúmeros mirantes, já que o visual é mais bonito, mas notamos que a trilha não era tão demarcada e depois de uns 10 minutos, junto a um pé de limoeiro, decidimos seguir numa bifurcação da direita, abandonando a crista e nos levando para outra trilha mais abaixo.
É um trecho pequeno em declive acentuado até interceptar a trilha principal mais abaixo, que de agora em diante segue perdendo altitude, sempre pela encosta da serra.
Surgem trechos de erosão e outro muro de pedras é cruzado. A vegetação de cerrado ainda se mantem e conforme descíamos pela trilha, cada vez mais nos aproximávamos do fundo do vale.
Final da Serra de São José
Passamos por alguns descampados e pouco antes das 15:00hr chegamos ao extremo da Serra de São José, onde a trilha principal se encontra com outra trilha que vem da direita e que leva até o Balneário Águas Santas, mas nosso caminho é seguir para esquerda, ao lado do Córrego do Mangue.
Protegido pela mata ciliar, ao longo do rio surgem de vez em quando bifurcações que levam a pequenos poços e numa delas chega a Cachoeira do Mangue. Num desses acessos ao rio, fomos conhecer o Poço do Mangue e lá ficamos aproveitando aquele final de tarde de Sol por mais de 1h30min. Só não tive coragem de entrar na água, que estava muito fria.
Poção do Mangue
Pouco antes das 17:00hr voltamos para a trilha e com mais 5 min de caminhada surge uma bifurcação à esquerda que leva diretamente para a cidade de Tiradentes, sendo conhecida como Trilha do Pacu (é o nome que estava na placa). Não era esse o nosso objetivo, pois ainda pretendíamos passar pela Cachoeira Bom Despacho. Seguindo pela trilha, que se parece com uma antiga estrada, já íamos procurando algum descampado para montar nossa barraca e passar a noite.
Com quase 10 minutos desde a bifurcação, surge outra e aqui seguimos para direita para finalizar em uma antiga represa alguns metros à frente. É uma grande área gramada e plana. Era perfeita para montar a barraca.
Camping junto de antiga represa
Na encosta de um morro ao lado, os últimos raios do Sol se escondiam, permitindo ainda que montássemos nossa barraca com luz natural.
Para o jantar usamos os nossos últimos suprimentos, deixando a mochila bem mais leve. Difícil foi tomar banho na pequena represa de água gelada, já que ela é formada pelo mesmo rio que vínhamos seguindo.
A noite foi tranquila e por volta das 08:00hr do dia seguinte já estávamos desmontando a barraca. Só uma coisa nos chamou a atenção: o céu totalmente nublado, bem diferente do dia anterior. Parecia que a chuva estava chegando.
Depois de um breve café da manhã, retomamos a caminhada pouco antes das 09:00hr, passando por cima da barragem de pedras e concreto e seguindo agora pelo lado direito do rio.
Uns 5 minutos depois e chegamos a outro pequeno descampado, ao lado de uma piscina natural, tendo a vantagem de ser um local protegido dos ventos para quem quiser montar a barraca aqui.
Cruzando o rio
Voltamos a cruzar o rio para esquerda, pulando as pedras e mais alguns metros chegamos a um lindo mirante com a Cachoeira dos Anjos ao lado, onde uma pequena quantidade de água escorria pelo paredão. Desse ponto se consegue ver a linha férrea da Maria Fumaça e alguns trechos do Rio das Mortes lá embaixo.
Continuando a descida chegamos na Cachoeira do Índio, que é bem alta e com várias quedas formando um pequena piscina na base dela, que é bem rasinha. 
Cachoeira do Índio
Saindo dessa piscina natural o rio segue um trecho através de um pequeno vale até chegar ao topo da Cachoeira Bom Despacho, um pouco mais adiante. A partir daqui o Sol já deu as caras, afastando as chances de chuva. 
Cachoeira Bom Despacho
Depois de alguns clics, descemos o trecho final pelo meio das pedras, na lateral da cachoeira para finalizar na sua base as 10h20min. Daqui se vê que ela é uma sucessão de outras pequenas quedas, formando poços, mas que estava com pouquíssima água. 
Definitivamente não era uma cachoeira maravilhosa (as outras mais acima eram até mais bonitas). Talvez com uma vazão maior de água, melhore um pouco.
Próximo dali tem o totem da Estrada Real, onde finalizei o tracklog.
Na Rodovia, junto da entrada para a cachoeira tem um ponto de ônibus e agora era pegar o circular de volta para São João del-Rei ou para Tiradentes. 
Como embarcaríamos somente durante a noite de volta para SP, tínhamos quase o dia todo para conhecer a parte histórica dessas 2 cidades e foi o que fizemos para fechar com chave de ouro essa maravilhosa travessia. 










Dicas e informações úteis

# Atente para previsão do tempo, pois sendo uma caminhada na crista da serra, ela pode se tornar muito perigosa em caso de chuvas e raios. 

# Recomendável o uso de boné ou chapéu de abas, já que áreas de sombra são raras. 

# Protetor solar é item obrigatório.

# A maior parte dessa caminhada é plana. Com alguns pequenos trechos de subida ou descida. 

# São pouquíssimas as fontes de água na serra e só encontramos água de boa qualidade em 2 pontos dessa travessia: Em um riacho que fica ao lado da trilha que liga a parte alta à parte baixa da Cachoeira do Gamelão e no trecho final, no Córrego do Mangue. Até existem em outros pontos que citei no relato, mas nesses casos só use a água depois de tratar com Hidrosteril.

# Em vários mirantes, é possível montar acampamento, porém a maioria não possui fonte de água próxima e são desprotegidos. 

# Recomendo que inicie a travessia em Prados com uns 2 litros de água e ao chegar na bifurcação com a Trilha do Carteiro, é possível conseguir água próxima dali.

# Existem inúmeras opções de caminhadas na serra: 
- Saindo de Tiradentes e subindo pela Trilha do Carteiro até a Cachoeira do Gamelão e de lá seguir pela crista até o extremo oeste da serra, finalizando nas Cachoeiras do Mangue e Bom Despacho. Esse roteiro é o preferido dos guias de agencias de Tiradentes. Fácil demais e muito curto, recomendável para sedentários.
- Para 2 ou 3 dias é a travessia completa, iniciando em Prados.
- É até possível completar essa travessia em apenas 1 dia, mas se aproveita muito pouco das cachoeiras, poções e mirantes.

Sem dúvida nenhuma o melhor roteiro para fazer a travessia completa é de nordeste-sudoeste, iniciando por Prados, já que a caminhada pela crista nesse sentido é quase sempre em declive, permitindo lindos visuais. Além de outros vários motivos.  

# Essa travessia também é conhecida como Prados x Tiradentes, porém finalizando na Cachoeira Bom Despacho, a cidade dessa cachoeira é Santa Cruz de Minas.

# Em toda a travessia da serra é possível conseguir sinal de telefonia celular.

# Um pequeno adendo sobre a história da Trilha do Carteiro: 
- Foi construída pelos negros escravizados no período da exploração do ouro, no século XVIII e usado para escoar nossa riqueza (alguns trechos dessa trilha recebem o nome de Calçada dos Escravos). 
São pedras dispostas uma ao lado da outra e se assemelham a outras tantas Trilhas do Ouro que descem a Serra do Mar em direção a Paraty. 
Recebeu esse nome em homenagem a um carteiro que foi assassinado pelos portugueses na época da Inconfidência Mineira, cuja lenda dizia que ele entregava mensagens entre os revoltosos e seu corpo foi deixado junto da trilha. 

# Vale muito a pena passear pelo centro histórico das cidades de Tiradentes e São João del-Rei, que possuem arquitetura barroca preservada.

# Se puder, vale a pena fazer o passeio de Trem Maria Fumaça que liga Tiradentes a SJDR ou vice versa. Até tentamos ir, mas no dia que estávamos lá, o passeio não era realizado, sendo feito só em alguns dias da semana.
www.vli-logistica.com.br/sustentabilidade/trem-turistico

# Na Rodoviária de São João del-Rei existe um guarda volumes com preços em torno de $10,00 para o dia todo. É a melhor opção para deixar a mochila e depois passear pelo centro histórico da cidade.

# Já na Rodoviária de Tiradentes esse serviço de guarda volumes não existe. Tive que deixar na Pousada Tiradentes, ao lado e me cobraram $15,00 por algumas horas. 

# Variedade de restaurantes em Tiradentes e SJDR é grande. Almoçamos no Delicias de Tiradentes, em frente à Rodoviária: $23,90 comida à vontade com sobremesa (Julho/2019).
http://deliciasrestaurante.com.br

#Logistica
- Ônibus São Paulo-São João del Rei – Valor: em torno de $120,00 (Julho/2019)
www.util.com.br

- Ônibus São João del Rei-Prados – Valor: em torno de $10,00
Viação São Vicente. 
Segunda a Sexta: 07:30 – 10:45 – 12:30 – 15:15 – 17:45
Sábados: 07:30 – 12:30 – 17:25
Domingos e feriados: 10:00 – 17:25

- Ônibus Tiradentes-São João del Rei. Valor: em torno de $4,00
São 2 empresas que operam essa linha: Viação Porto Real (via Cachoeira Bom Despacho) e Viação Presidente (via Rodovia BR 265).

# Taxi de São João del Rei-Prados: em torno de $100,00.

# Para essa travessia, levei 2 tracklogs para usar no app do celular:
- Do Hélio Jr: clique aqui
- E do Chico Trekking: clique aqui

# Para quem for usar um app de GPS no celular com o tracklog não se esqueça de levar um Power Bank. Em baixas temperaturas a bateria do celular descarrega mais rápido.

# Para navegação e gravação do tracklog uso e recomendo 3 app para o GPS do telefone celular. Todos na Play Store.
- A-GPS Tracker ou o GPX Viewer para navegar nos tracklogs.
- E o Wikiloc para gravar o tracklog do percurso.