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5 de janeiro de 2026

Travessia do Parque Nacional das Sempre Vivas / Minas Gerais - Curimataí x Inhaí - Relato com dicas e informações úteis

As minhas últimas caminhadas nas férias foram em praias ou em parques nacionais, como as travessias no litoral da Bahia, Ilha do Mel e nos Parques Nacionais da Serra do Cipó e na Chapada dos Veadeiros, onde o cerrado é predominante nesses dois últimos. O 
ambiente desses parques é perfeito para longas caminhadas devido ao relevo plano ou levemente ondulado e vegetação que permite uma boa visibilidade da região ao redor. É ideal para quem curte caminhadas com lindos visuais panorâmicos e de fácil navegação, além de muitos rios com cachoeiras e belos cenários da Natureza.
Depois de dezenas de anos fazendo pequenas caminhadas ou longas travessias na mata atlântica, em praias ou campos de altitudes, era hora de mudar e explorar um pouco mais esse ambiente.
Por isso quando retornei da Chapada dos Veadeiros, onde fiquei por 5 dias só fazendo caminhadas dentro do Parque Nacional, minha próxima caminhada tinha de ser na região de cerrado novamente. 
E das várias opções que encontrei, a maioria estava localizada no Estado de Minas Gerais, principalmente na Serra do Espinhaço, combinando paisagens com visuais panorâmicos, muitas cachoeiras e alguns picos. Eram muitas opções e foi difícil qual escolher.
Vi algumas travessias em parques estaduais, trilhas ligando pequenas vilas e arraiais, travessias cruzando a Serra do Espinhaço ao norte e ao sul e algumas prolongando até próximo da Bahia.
O primeiro critério que levei em consideração foi a logística, já que não queria perder alguns dias para chegar ou sair de lá.
Dos vários relatos de trilhas que li e dos tracklogs que pesquisei sobraram 3 opções que ficam até relativamente próximos e no final escolhi o Parque Nacional das Sempre Vivas.
É um parque relativamente novo em folha, já que foi criado em 2002, não dispondo de portaria e nem controle de acesso. Somente de um alojamento no interior do parque que é usado pelo pessoal das brigadas de incêndio, sendo um ponto de parada da travessia.
Muitos proprietários que possuem sítios ou fazendas dentro da área do parque ainda vivem por lá, pois não foram ressarcidos na questão fundiária. 
Sua localização é próximo do município de Diamantina, mas compreende vários outros no seu entorno.
Nos relatos todos citam vários rios e pequenos riachos que cruzam as trilhas, já que o parque é nascente de muitos deles que desaguam tanto a oeste quanto a leste, sendo inserido na chamada Cordilheira do Espinhaço.
Li alguns relatos de caminhadas de mais de 20 anos atrás realizados na parte norte do parque e com certeza essas trilhas estavam tomadas pelo mato, por isso esses eu descartei. Estava procurando uma travessia e não uma trip exploratória por trilhas fechadas e com isso escolhi uma travessia bem conhecida que liga Curimataí (Distrito de Buenópolis) a Inhaí (Distrito de Diamantina) na direção oeste-leste.
Travessia de uns 3 a 4 dias com cerca de 60 Km ou mais dependendo do que incluir e caminhada que se alterna por antigas estradas vicinais e trilhas.
Encontrei vários tracks com relatos recentes e marquei essa travessia nas férias. 
Sempre Vivas é o nome popular de várias espécies de plantas que depois de coletadas, desidratadas e muitas vezes pintadas de cores variadas, suas pequenas flores conseguem resistir por vários anos e é muito abundante no Parque, principalmente na parte alta dele, ao longo dos campos. Elas lembram pequenas pétalas e são muito usadas para decoração, enfeites de ambientes e arranjos de buquês.
E como é um Parque nacional distante de São Paulo, teria de planejar a logística para não perder muito tempo e depois de estudar as opções fiz da seguinte forma: ônibus até Belo Horizonte e de lá outro até Buenópolis, onde embarcaria no ônibus rural até Curimataí e o retorno de Inhaí até Diamantina e depois Belo Horizonte.
Para não ter problemas com a administração do Parque, enviei 3 e-mails para comunicá-los da intenção de fazer a travessia passando meus dados, porém não me responderam em nenhum momento. 
Liguei também no telefone fixo da sede do Parque em Diamantina, mas ninguém atendeu.
E mesmo assim não tive problemas quando passei pelo alojamento dos brigadistas no meio do parque.
A autorização foi o menor dos problemas que me aconteceu nessa trip. 
Uma cobra jararaca quase me fez eu ter correr para um hospital no segundo dia.


Fotos acima da parte alta do Parque e das Cachoeiras do Felipe e do Gavião



Fotos: parte 1 até Fazenda do Gavião: clique aqui
            parte 2 da Fazenda até Inhaí: clique aqui
                     
Tracklog que eu gravei: clique aqui



Devido a logística para chegar em Curimataí iniciei minha trip numa segunda-feira em direção a Belo Horizonte saindo de SP por volta das 23:00 hrs. Viagem tranquila com 2 paradas pelo caminho, mas ao entrar em BH o transito piorou. Era um anda e pára horrível - deveria ter comprado um horário antes para chegar mais cedo, mas agora era tarde.
Fui contando os minutos e por volta das 08h20min chegamos na Rodoviária e logo que desembarquei fui para o guichê da Empresa Trasnorte comprar a passagem para Buenópolis que sairia as 09:00hrs e previsão de chegada as 13h30min. Já tinha olhado pela internet que existiam muitos assentos livres, então fui sem pressa.
Embarque tranquilo e saindo no horário, mas foi passando por várias cidades ao longo do trajeto e já próximo de Buenópolis o transito para num bloqueio da Rodovia, devido a obras de manutenção com recapeamento do pavimento e aí já começo a ficar preocupado, pois o relógio marca 13h40min e o ônibus rural para Curimataí sai de Buenópolis as 14:00hrs. A parada não foi demorada, mas pareceu uma eternidade. 
E as 13h55min o ônibus me deixa em uma parada junto ao Posto de Gasolina Lamparina, bem na entrada da cidade. Confirmo com um frentista que o ônibus rural passa por ali e fico aguardando, mas não deu nem 5 minutos ele encosta.  
Virar à direita

17 de setembro de 2025

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Relato e dicas das trilhas dos Saltos e dos Cânions

Há muito tempo que venho tentando finalizar algumas travessias nos principais parques nacionais e sempre nas minhas férias tento incluir alguma na minha lista. 
E nas minhas férias do trabalho em 2025 escolhi a Chapada dos Veadeiros e por vários motivos: 
- a região é repleta de cachoeiras e de todos os tipos, então teria muitas opções, além das que existem no Parque Nacional.
- outro motivo foi a concessão do parque a uma empresa privada anos atrás e saber que melhorou muito a infraestrutura e o acolhimento aos visitantes, além do parque não obrigar a contratar monitores para as trilhas, pois todas elas são auto guiadas e muito bem sinalizadas com setas pintadas em pedras e totens, permitindo caminhar pelas trilhas até durante a noite - e o PN explora isso também.
- o parque nacional está relacionado numa lista entre os melhores do mundo e o primeiro no país para viagens ao ar livre por vários anos seguidos.
- no final de 2024 (nas férias do trabalho) escolhi Brasília para visitar os pontos turísticos por alguns dias e vi que os valores das passagens aéreas eram relativamente baixos (mesmo em alta temporada) e a logística para chegar no Parque da Chapada dos Veadeiros (que não fica muito longe dali) passava pela cidade e me pareceu ser bem fácil chegar lá.
Definido o lugar das minhas férias, até tentei visitar o lugar no final de 2024 (período de chuvas), mas na época de verão o parque proíbe a travessia que eu queria fazer (7 quedas) devido aos riscos de trombas d'água no Rio Preto, dificultando ou até impedindo que se cruze ele em certos trechos.
Meu planejamento era visitar o parque em 5 dias, sendo que nos 2 primeiros iria entrar e sair no mesmo dia, fazendo as trilhas do Salto num dia e dos Cânions em outro dia. E nos outros 3 dias a intenção era fazer a travessia das 7 quedas, pernoitando por 2 noites na área de camping oficial do parque.
Com alguns meses de antecedência, adquiri as passagens aéreas SP- Brasília por bons preços e com 1 semana antes da viagem comprei também as passagens de ônibus Brasília-Alto Paraiso de Goiás, cidade essa onde está localizado o Parque Nacional.
Nessa postagem vou relacionar informações, relato detalhado e a experiência dos primeiros 2 dias no parque e em outra postagem coloco os detalhes da travessia das 7 quedas feita em 3 dias.  

Fotos acima de poções, cachoeiras e cânions ao longo do Rio Preto no interior do Parque Nacional


Fotos da Trilha dos Saltos: clique aqui

Fotos da Trilha dos Cânions: clique aqui

Tracklog da Trilha dos Saltos: clique aqui

Tracklog da Trilha dos Cânions: clique aqui



Localizada no cerrado, a Chapada dos Veadeiros é repleta de cachoeiras, cânions e poços em meio a rios de águas transparentes. 
A região é muito famosa pelos cristais, pois está localizada sobre uma imensa placa de quartzo e segundo os místicos esse mineral emana uma energia positiva, que é vista como propícia para meditação e o autoconhecimento, levando diversos grupos espirituais a se deslocarem para o lugar. 
E claro, surgem muitos relatos de avistamento de ovnis nas conversas com os locais, mas eu só estava a fim de fazer algumas caminhadas.
E.T. na Vila de São Jorge
Os principais pontos turísticos da Chapada estão tanto no interior do Parque Nacional quanto em propriedades particulares, onde é cobrado acesso e a principal cidade é Alto Paraiso de Goiás juntamente com a Vila de São Jorge. Porém para se chegar nas cachoeiras, poços e outras atrações fora do circuito do Parque Nacional a logística é complicada, exigindo o uso de veículos. Mas como minha intenção era somente visitar o Parque, a locação de um veiculo era desnecessária. E também o fato de que a Vila de São Jorge (onde ficaria hospedado) está a cerca de 20 minutos de caminhada até a portaria.

16 de setembro de 2025

Travessia das Sete Quedas – Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros/Goiás - Relato e algumas dicas

Nos últimos anos, sempre nas minhas férias do trabalho, tento incluir travessias em algum parque nacional. Já fiz a da Serra do Cipó, Lençóis Maranhenses, Chapada Diamantina, Caparaó e algumas outras em parques estaduais.
Mas foram tantos anos sem fazer caminhadas longas em parques que só agora tô tirando todo o atraso.
E ao longo de 2024 e 2025 fui pesquisando caminhadas em vários parques nacionais e pela logística, infraestrutura e atrações escolhi a travessia das Sete Quedas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV) para Julho de 2025 com direito a acampamento por 2 dias. 
Lendo alguns relatos e um tracklog dessa travessia fiquei sabendo que além da área para barracas, o parque também oferece a opção de uso das redes, com ganchos disponíveis numa área coberta, fato confirmado pelo Parque Nacional. 
Então cheguei a conclusão que valia a pena levar a rede para diminuir o peso da mochila.
Até tentei marcar essa caminhada para o final de 2024, mas o parque proíbe a travessia na época de verão, devido aos riscos de trombas d'água no Rio Preto. 
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros está localizado no estado de Goiás e toda a região faz parte do cerrado, que se caracteriza pela vegetação de árvores baixas com troncos retorcidos e predominância de campos de savana e gramíneas, além do clima seco. 
Ele foi criado na década de 60 e a travessia foi aberta oficialmente ao público em 2013, oferecendo a possibilidade de pernoitar na área do camping Sete Quedas, ao lado do Rio Preto.
Mas como é um parque distante da cidade de São Paulo, me obrigando a seguir de avião até Brasília, seria desperdício de tempo viajar até lá só para fazer essa travessia de pouco mais de 23 Km, que pode ser feita em 1, 2 ou até 3 dias, se for usar área do camping. 
Então incluí também outras trilhas dentro do parque que daria para fazer em 2 dias e com isso a trip já ficava em quase 1 semana, tempo mais que o suficiente para fazer todas as trilhas de 1 dia, para depois fazer a travessia das Sete Quedas, sem pressa.


Fotos acima da Cachoeira Sete Quedas e o pôr do Sol

Fotos dessa travessia: clique aqui

Tracklog da caminhada: clique aqui


Para as caminhadas de 1 dia no Parque fiz da seguinte forma: 
Trilha dos Saltos num único dia incluindo mirante dos Saltos, Carrossel e as Corredeiras. Já no segundo dia fiz a Trilha dos Cânions, incluindo a Cachoeira das Cariocas e os Cânions I e II nesse relato (clique aqui).
Chegando no Parque
Já para a travessia das sete quedas minha intenção era fazê-la em 3 dias, ficando 2 noites no Camping das Sete Quedas e dividindo a caminhada em 2 trechos, sendo um de 17 Km da portaria do Parque até o camping e depois mais 6 Km até a Rodovia, passando por áreas de vegetação de cerrado intocadas e diferentes formações rochosas, tendo também como atração o Rio Preto com seus inúmeros poções e corredeiras e a Cachoeira das Sete Quedas, ao lado do camping.
Início de todas as trilhas
De acordo com o site do parque, essa travessia só é aberta ao público entre Junho a Novembro, por ser um período de clima seco e sem chuvas, além da obrigatoriedade de agendamento prévio, fazendo a reserva e pagamento das taxas com antecedência para que se tenha um controle da quantidade de pessoas que irão pernoitar no camping, já que existe um limite. 
O percurso de 23 Km pode ser considerado de nível moderado devido a exposição ao Sol em todo o trajeto, tornando a trilha muito cansativa, mas que não apresenta grandes dificuldades devido a caminhada ser quase toda ela no plano. 
Setas de sinalização
É uma trilha auto guiada (isto é, não é necessário acompanhamento de um monitor) e muito bem sinalizada com setas laranjas pintadas em rochas ou totens de madeira que são encontrados ao longo do trajeto. 
Um item importante a se destacar é a logística no final da travessia, junto a Rodovia GO-239, já que o ônibus circular só passa em um único horário, no início da manhã ou durante a noite no sentido inverso. 
Uma das opções é tentar carona ou algum resgate que leve de volta para Vila de São Jorge ou Alto Paraíso. Ou até seguir na caminhada pelo acostamento da Rodovia por 12 Km até São Jorge, se ainda tiver folego.

4 de setembro de 2025

Jericoacoara/Ceará – Como chegar e dicas e roteiros dos melhores passeios

Sempre que eu lia sobre Jericoacoara, vinha na minha cabeça um lugar muito caro com dunas lindíssimas, belas praias e muitas lagoas com infraestrutura voltada somente para os endinheirados. Depois de visitar a Vila por 5 dias posso dizer que tem sim pousadas e hotéis que são verdadeiros resorts e restaurantes com preços bem elevados, mas é possível encontrar hospedagem, alimentação e passeios com bons preços, planejando com antecedencia. 

O que não tem como escapar é a logística complicada para chegar lá, já que o lugar é bem remoto e acessos somente por veículos 4x4. Para quem conhece o litoral da Bahia, Jericoacoara é bem semelhante a Caraíva ou Itacaré, com suas ruas de areia e aquele ar de rusticidade, assim como no interior de muitas lojas e restaurantes que também não possuem piso. É uma vila que eu chamaria de hippie chique e devido a área de Jeri pertencer ao Parque Nacional felizmente não virou alvo de especulação imobiliária.

O que chama atenção é que em quase toda a Vila você só encontra lojas, restaurantes, hotéis, pousadas, pequenos mercados voltados somente para o turista e nenhuma residência. Só uma ou outra longe da parte turística. Um dos guias que nos levou para os passeios disse que aluguel é extremamente alto e quase todos os trabalhadores das pousadas e do comércio vêm de Jijoca. Na verdade até vimos quartos nos fundos de um restaurante, que me pareceram serem usados apenas por funcionários do local.

Eu considero um lugar para você se desligar do dia a dia, da rotina, da correria das grandes cidades. É para renovar as energias, mas para quem curte baladas, festas e musica ao vivo na praia também é possível encontrar isso por lá na alta temporada de verão e do meio do ano. Conhecida mais pelo nome de Jeri, a Vila possui muitas opções de passeios por dunas, lagoas de água doce, praias, beach clubs e paisagens que você só encontra por lá. 

Localizada a cerca de 300 Km de Fortaleza, a Vila pertence ao município de Jijoca de Jericoacoara, possuindo um aeroporto próximo, que é a opção natural para quem não quer passar pela capital cearense. 


Nas fotos acima, ruas da Vila com praia ao fundo, dunas de Barrinha e a Lagoa Amâncio com suas dunas  

Fotos: clique aqui 

Arquivo de GPS da Pedra Furada: clique aqui


Com vários meses de antecedência eu e minha namorada começamos a pesquisar passagens aéreas e hospedagem para Julho e chegamos a conclusão que valia a pena ficar umas 2 semanas entre Jericoacoara e Fortaleza. E analisando melhor as opções de horários, preços e logística das passagens aéreas, escolhemos passar primeiramente por Jeri e depois seguir para Fortaleza (nesse relato) e de lá retornando para SP. 

Aeroporto de Jericoacoara

Passagens aéreas compradas, agora fui atrás da hospedagem. Pesquisando no Booking e no Google Maps fechamos com uma pousada por 5 dias e deu para fazer todos os passeios planejados e sem gastar muito. 

Nosso roteiro foi:

Dia 1: Chegada no início da tarde em Jeri + trilha da Pedra Furada com pôr do Sol + passeio pela Vila

Dia 2: Passeio pelo Lado Leste

Dia 3: Passeio pelo Lado Oeste

Dia 4: Passeio Extremo Leste – Barrinha

Dia 5: Viagem para Fortaleza - Clique aqui


Quantos dias ficar em Jericoacoara? 

Para aproveitar as atrações naturais e passeios que as agencias fazem na região de Jeri o ideal é no mínimo 4 a 5 dias. Os 3 principais passeios (Leste, Oeste e Barrinha) são distantes da Vila e duram o dia todo, então quando retornávamos à Vila, já estávamos bem cansados para emendar em outro.

Jericoacoara ao fundo rodeado de dunas

3 de fevereiro de 2025

Trekking Rota do Descobrimento - Prado x Porto Seguro/Bahia - Relato com dicas e informações uteis

Com 2 meses de férias para tirar no final de 2024 (novembro e dezembro) tinha planejado viagens com a família, mas queria também conciliar com algumas caminhadas e a primeira coisa foi ligar no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros para me informar sobre as trilhas e se estavam liberadas no final do ano, mas infelizmente as travessias não eram permitidas no verão, somente na época seca. Uma pena porque esse é um lugar que tá na minha lista a muitos anos, mas nunca dá certo fazer.

E aí pensei, verão tem a ver com praia né. E lá fui eu atrás de opções de caminhadas longas pelas praias. Na pesquisa apareceram muitas pelo litoral e uma delas eu conheci um pequeno trecho, quando viajei por alguns dias para Porto Seguro, na Bahia.
É a Rota do Descobrimento, também conhecida como Trekking da Costa do Descobrimento, que se inicia em Prado e finaliza em Porto Seguro.
É uma caminhada de mais de 120 Km, inteiramente feita pela areia das praias, com pequenos trechos pelo topo de algumas falésias. Para quem gosta de praia, é um prato cheio e foi essa que escolhi.

Fiquei alguns dias pesquisando vários sites de viagens, mas com menos de 1 mês não seria fácil adquirir passagens aéreas por um bom preço e ainda teria de despachar a mochila por causa da barraca. Preferi não arriscar esperando o preço abaixar e escolhi ir de ônibus mesmo.

Depois de estudar tracklogs e ler alguns poucos relatos, elaborei o planejamento da travessia para ser feita em 7 dias, de acordo com as vilas e praias ao longo do percurso onde iria me hospedar (acrescentei 2 dias a mais para ter uma segurança). A caminhada se iniciou em Prado e terminou em Porto Seguro, próximo ao centro histórico da cidade. Para ser mais exato, junto ao Marco do Descobrimento.



Nas fotos acima: Muitas falésias e piscinas naturais ao longo da caminhada


Fotos - dividi em 2 álbuns - Prado x Praia do Espelho: clique aqui

                              Praia do Espelho x Porto Seguro: clique aqui

      
Tracklog para GPS: clique aqui



Fiz essa caminhada entre Novembro e Dezembro e não encontrei ninguém ao longo da caminhada. 

E muito menos nos campings que passei. Em plena alta temporada e ninguém caminhando por lá?
Conversando com proprietários dos respectivos campings, aparentemente recebiam somente pessoas de agencias que organizavam essa travessia. Uma rápida pesquisa na internet e surgem muitos anúncios com preços em torno de $3500 sem incluir passagens aéreas - um exagero e com menos dias de caminhada.

Pode parecer monótono caminhar pela areia de muitas praias, porém em mais de 120 Km era uma diferente da outra.
Enormes falésias, restingas, muita vegetação, praias preservadas e literalmente desertas, praias de águas mornas e transparentes, piscinas naturais, muitos recifes de corais, áreas de manguezais e travessias de rios. Uma natureza esplêndida. Sem dúvida nenhuma 
uma das caminhadas mais fantásticas que já fiz. 

Descansando embaixo de uma amendoeira com piscinas naturais ao fundo
Pode ser considerada também um trekking pela história já que no segundo dia, no trecho Cumuruxatiba-Corumbau, cruzei a foz do Rio Cahy, que é conhecido como primeiro ponto onde os portugueses avistaram o Monte Pascoal antes de aportarem em Coroa Vermelha, Porto Seguro. 

Por isso o local é considerado como a 1ª praia brasileira e junto da falésia tem uma réplica da cruz de madeira e uma enorme placa comemorativa com um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha (clique aqui e leia o texto).

22 de julho de 2024

Travessia do Parque Nacional da Serra do Cipó/MG - Altamira x Alto Palácio - Relato com dicas

Durante muito tempo mantive uma lista das clássicas travessias que pretendia finalizar e nos últimos anos quase zerei essa lista. As duas últimas foram: Chapada Diamantina e Lençóis Maranhenses.
Mas na Serra do Espinhaço não tem somente a Lapinha-Tabuleiro como uma clássica travessia. Tem também a Alto Palácio x Serra dos Alves e essa eu não tinha feito. Talvez por falta de oportunidade mesmo e pela proibição do Parque durante alguns anos. 
E com minhas férias marcadas para alta temporada de caminhada pelas montanhas (junho) fui pesquisar essa travessia e planejar a melhor forma de fazê-la.
E encontrei algumas opções para emendar essa caminhada com outras, se tornando uma verdadeira Transespinhaço no sentido sul-norte, com mais de 150 Km de extensão, com inicio na Serra dos Alves, passando pela portaria Alto Palácio no primeiro trecho e de lá seguindo até Lapinha da Serra no segundo trecho para finalizar no Morro do Camelinho, na Rodovia MG-259, que seria o último e mais longo trecho dessa travessia.
Então estava planejada a minha caminhada do ano: Transespinhaço de sul a norte de Altamira até Morro do Camelinho. Porém as coisas nunca acontecem do jeito que nós planejamos e com isso tive que mudar meus planos quase na metade do caminho. Uma pena.
Nesse relato incluí também tópicos abordando o planejamento e a logística de toda essa caminhada que seria uma mega travessia.

Nas fotos acima o visual do Parque no topo da serra e o Vale do Travessão

Fotos da travessia: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui 



Planejamento
Se iniciasse a caminhada pelo norte, obrigatoriamente eu iria finalizar os últimos 3 dias dentro da área do Parque Nacional da Serra do Cipó e por ser um lugar inédito para mim, vi que não era uma boa opção, pois estaria bem cansado. 
Por já ter caminhado pela Lapinha-Tabuleiro, que fica ao norte, achei melhor iniciar a caminhada pelo sul, já que estaria descansado quando estivesse fazendo o primeiro trecho dessa caminhada.
No site do wikiloc encontrei dezenas e dezenas de arquivos de GPS para usar em toda essa travessia e levei cerca de 5 tracks, com um emendando no outro, já que os arquivos completos que encontrei seguiam por trechos que pretendia evitar.
E pesquisando o início da caminhada pela Serra dos Alves, a logística estava bem complicada e por vários motivos: teria de seguir de Belo Horizonte até Itabira e de lá tomar outro ônibus circular até Serra dos Alves, porém ele só operava apenas 1 dia na semana, na sexta-feira no horário das 15h30min, me obrigando a ficar hospedado uma noite no povoado. Não queria isso, então transporte público estava fora de questão.
A outra opção era transporte particular, tipo uber ou mototáxi. Porém o percurso seria longo demais com parada em Senhora do Carmo para depois seguir para Serra dos Alves e como estava sozinho nessa empreitada, era arriscado demais chegar em Itabira e ainda procurar um transporte, perdendo 1 dia nisso. E ir com meu carro, sem chances, já que teria um trabalhão depois para ir pegá-lo de volta. E o último problema era que eu pretendia conhecer a Cachoeira Braúnas e pela trilha da Serra dos Alves seria um trajeto bem mais longo.
Olhando os tracks que estavam no wikiloc, uma outra opção era iniciar a caminhada pelo Distrito de Altamira (pertencente ao município de Nova União). Pelo menos lá eu teria o transporte público diariamente e com a possibilidade de passar ao lado da Cachoeira Braúnas ao longo da caminhada.
E assim fechei o roteiro da minha travessia: início da caminhada no Distrito de Altamira, subindo a Serra do Espinhaço e passando pelos 2 abrigos oficiais do Parque Nacional: Casa dos Currais e o de Tábuas para finalizar na portaria Alto Palácio. 

29 de novembro de 2023

Travessia dos Lençóis Maranhenses na caminhada - Relato com dicas e informações uteis

Finalmente as minhas férias de Outubro estavam chegando e exatamente 1 ano depois de concluir a travessia da Chapada Diamantina, lá estava eu me preparando para outra clássica travessia da minha lista. Com alguns meses de antecedência fui pesquisar a logística para uma que é obrigatória para qualquer pessoa que curte caminhada/trekking: Lençóis Maranhenses.
Essa fazia parte da minha lista há muitos anos, mas da maneira que eu planejava fazer, teria que dispor de uns 10 a 15 dias, já que minha intenção era fazer sem acompanhamento de guias de agencias e também emendar com outros passeios.
O planejamento era essencial e lá fui eu ler relatos e estudar alguns tracks dessa caminhada. Por conseguir férias somente em Outubro, eu iria pegar quase o final da temporada das lagoas, já que algumas estariam com pouca água ou literalmente secas e com certeza pouca gente ou quase ninguém fazendo a travessia.
Pensei comigo, seriam dunas e mais dunas sem uma vivalma e algumas lagoas privativas só para mim e me hospedando em lugares sem ninguém para compartilhar a experiência. E posso dizer que isso aconteceu mesmo (encontrei somente 1 garota com seu guia num dos oásis e depois nos separamos e nada mais).
Minha intenção era cruzar inteiramente os Lençóis Maranhenses a pé do extremo leste (Vila de Atins) pelas dunas, pernoitando nos oásis até chegar a Santo Amaro do Maranhão numa caminhada, pelas minhas contas, de aproximadamente 70 Km e só encontrando vegetação nesses oásis.
Nos vários relatos que li, todos comentam que o ideal é sempre iniciar a caminhada antes do nascer do Sol com o intuito de evitar o Sol forte depois das 11:00hrs, já que não existem áreas de sombra nos trechos. No sobe e desce das dunas foram diversas paradas em lagoas, algumas com pouca água, outras com água na altura do peito.
Considerado o maior campo de dunas da América do Sul, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é o único deserto do mundo com milhares de lagoas (em torno de 30.000 na época das chuvas). São de vários tamanhos, formas e cores com algumas se mantendo durante o ano todo e outras secas em determinadas épocas do ano. 
De acordo com o ICMBio, são 1500 Km² de área, com as dunas se deslocando diariamente, sendo que na entrada e saída dos oásis é possível constatar esse fenômeno, já que várias árvores, principalmente cajueiros, estão sendo engolidos pelas dunas.
O Parque está localizado a cerca de 250 Km de São Luís e a porta de entrada para a maioria dos passeios e também para a travessia é a cidade de Barreirinhas, que foi a cidade onde iniciei o meu roteiro para chegar em Atins, que é o início do Parque. 
Em Barreirinhas adquiri um passeio de voadeira pelo Rio Preguiças, passando por alguns pontos turísticos até chegar na Vila de Atins, que é o lugar onde comecei de fato a minha caminhada.
Normalmente a travessia costuma ser feita entre 3 a 6 dias, dependendo se fizer com agencias ou em solo sem guia e obrigatoriamente terá de passar por 2 oásis: Baixa Grande e Queimada dos Britos, variando de 40 Km até uns 70 Km de caminhada ou mais se quiser incluir outras lagoas fora do trajeto.
E finalizando essa introdução, é extremamente importante que use algum aplicativo de GPS no celular para quem pretende fazer essa travessia sem apoio de algum guia. Sem esses arquivos o risco de se perder é altíssimo, pois ao longo da caminhada não se tem referencia alguma. São dunas e mais dunas a perder de vista para todas as direções que se olha. 
Vou deixar disponível o tracklog que eu criei nessa travessia no link abaixo, deixando hospedado no site wikiloc e que pode ser aberto em apps de GPS no celular.
Nessa postagem vou relatar como foi toda essa minha travessia de pouco mais de 80 Km em 6 dias, desde Barreirinhas até Santo Amaro, acrescentando também 5 tópicos interessantes, assim como dicas do que encontrar ao longo da caminhada, gastos que tive, dificuldades e todas as informações para ajudar no planejamento dessa caminhada.


Nas fotos acima: algumas dunas e lagoas na travessia dos Lençóis

Fotos: 
Passeio pelo Rio Preguiças: clique aqui
Travessia dos Lençois Maranhenses: clique aqui
Santo Amaro do Maranhão: clique aqui             
São Luis: clique aqui

Vídeo de toda essa caminhada: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui



1- Melhor época para a Travessia dos Lençóis Maranhenses?
Apesar do calor estar presente o ano todo, tradicionalmente resulta em apenas 2 estações: chuvosa (Fevereiro a Maio) e seca (Junho a Janeiro). Com isso a melhor época é o final das chuvas, de Maio a Setembro, quando as lagoas que se formam entre as dunas estão cheias. Alguns dizem que são os 2 meses do meio do ano (Junho e Julho), mas surge um pequeno problema: a lotação dos redários nos oásis, tendo até dificuldades para encontrar vagas em muitos deles – é o que me foi passado por alguns proprietários. Pode acontecer também de ter um pequeno aumento do tempo e da distancia na alta temporada, pois com todas as lagoas cheias, não é possível cruzá-las com a mochila, então só contornando.
Já um problema fora da alta temporada são as lagoas secas ou com pouca água em alguns trechos, principalmente entre Canto dos Atins e Baixa Grande.
Lagoa do Cajueiro cheia
A vantagem dessas lagoas cheias é o cenário das aguas em tons azuis e verdes, o que torna os Lençóis um espetáculo único de beleza.
Eu fui nos primeiros dias de Outubro e encontrei muitas lagoas secas ou com pouca água, principalmente no trecho Canto dos Atins-Baixa Grande e com os redários vazios. 
Quanto ao uso das águas das lagoas para beber, não tive opção, já que a agua das minhas garrafas Pet tinham acabado. O que eu fiz foi colocar uma pastilha de Clorin dentro de uma garrafa de 1,5litros. Esperei por alguns minutos, matei minha sede e saí de lá inteiro.

12 de janeiro de 2023

Travessia da Chapada Diamantina com Vale do Pati/Bahia – Lençóis x Mucugê - Relato com dicas e informações úteis

Férias. 1 mês para aproveitar os 30 dias com alguma caminhada. 
Uma parte foi na Argentina, nesse relato e agora era procurar alguma opção não muito longe de SP. Tenho uma lista de caminhadas que ainda pretendo fazer e que a cada ano ela fica menor, então lá fui eu olhar essa lista novamente com cerca de 2 meses de antecedência.
E dessa vez tinha de ser uma das mais clássicas e belas do país (alguns dizem do mundo): a Chapada Diamantina. 
A intenção era algumas trilhas pela Chapada e em seguida emendar com alguns dias no Vale do Pati, porém são muitas as opções de travessias, variando de 3 dias até as mais longas com mais de 1 semana. 
Por ter acesso fácil por ônibus e não perder muito tempo na logística, uma delas me interessou: Lençóis-Capão, que passa pelo leito do Rio Capivara e a parte baixa e alta da Cachoeira da Fumaça. 
Na internet dá para encontrar diversos relatos e no site wikiloc muitos arquivos de GPS, então era só escolher. 
Já sobre o Vale do Pati, percebi que a maioria fica uns 3 ou 4 dias por lá e acabei decidindo por 4 dias, para conhecer algumas cachoeiras, poções, trilhas e picos. 
E com isso montei meu roteiro da seguinte forma: início da caminhada na cidade de Lençóis, seguindo até o Vale do Capão e de lá continuar a caminhada pelos Gerais do Vieira até o Vale do Pati e quando estivesse indo embora, passaria pelo Cachoeirão, seguindo na direção sul da Chapada por trilha até Mucugê, finalizando nessa cidade.
A travessia da Chapada Diamantina que inclui o Vale do Pati não é tão fácil, já que demanda um esforço físico grande, pois o lugar é repleto de morros gigantescos com diferentes formações rochosas, campos cobertos de capim, vegetação de cerrado, muitos rios, cachoeiras de todos os tipos e muitas subidas/descidas.
O Vale do Pati pode ser acessado por diferentes trilhas saindo do: vale do Capão (distrito de Palmeiras), Guiné (distrito de Mucugê), Andaraí e pela cidade de Mucugê,  sendo possível entrar e sair por qualquer um deles, variando de algumas horas até 1 dia de caminhada. Vai depender da disposição.
Em meados do século XIX (por volta de1840) a extração de diamantes era o principal motor da economia na região da Chapada Diamantina, tendo um período áureo da economia e no interior do Vale do Pati existiam até uma prefeitura, escola e uma Igreja, mas com o declínio do metal precioso, só restaram poucas famílias, que atualmente vivem do turismo, oferecendo hospedagem e alimentação.


Nas fotos acima: poção no Ribeirão do Meio, Mirante do Vale do Pati e o Cachoeirão


Fotos: Travessia Lençóis-Vale do Capão: clique aqui
          Vale do Pati: clique aqui
          Cachoeirão-Mucugê: clique aqui             
          Salvador: clique aqui
Vídeo de toda essa caminhada: clique aqui
Tracklog para GPS: clique aqui


Para não perder muito tempo na logística, escolhi viajar de avião de SP até Salvador e de lá ônibus até Lençóis, mas como essa trip foi quase em cima da hora, só consegui bons preços e horários saindo de Viracopos (Campinas), mas me arrependi amargamente.
Embarquei num Domingo por volta das 14:00hrs em Campinas, chegando em Salvador pouco mais de 2 horas depois e pela proibição de transporte do cartucho de gás para fogareiro na aeronave, tinha que adquirir um em Salvador assim que desembarcasse, já que a previsão de chegada do ônibus em Lençóis era por volta das 05:00hrs da manhã e nesse horário não encontraria nenhuma loja aberta.
Eram por volta de 17:00hrs e do aeroporto segui direto para Rodoviária, onde comprei a passagem de ônibus para Lençóis embarcando aquela noite e depois fui na Decathlon, que fica num shopping próximo dali, mas me dei mal, pois eles não vendem esse tipo de cartucho na loja de Salvador. Procurei em outras lojas do shopping, mas nenhuma delas vendia o gás. E agora José?
Pesquisando na internet, achei uma loja de camping dentro da Rodoviária, mas como era um Domingo, a loja nem abriu. Tá vendo, fui escolher esse dia da semana para vir e me lasquei.
Sem conseguir achar o cartucho, só me restava comprá-lo em Lençóis, mas perderia algumas boas horas que seriam preciosas, já que teria esperar o comércio abrir – paciência né. Não tinha outra opção. 
Por volta das 23:00 hrs o ônibus saiu de Salvador sem muito atraso, mas numa das paradas, o motorista veio nos avisar que teria de fazer um desvio de pouco mais de 1 hora, devido a um acidente na Rodovia que a bloqueava totalmente. Porém, não foi somente 1 hora, demorou bem mais que isso e só fomos chegar em Lençóis por volta das 07:00hrs, com mais de 2 horas de atraso.
Centro de Lençóis
Meio sonolento devido a viagem horrível, fiquei dando um tempo na Rodoviária esperando o comércio abrir e lá encontrei um leitor do blog e ficamos batendo papo. E depois de quase 4 horas perdidas (2 horas do atraso do ônibus + 2 horas esperando o comércio abrir), consegui comprar o cartucho numa loja de roupas esportivas chamada 2 Irmãos, localizada bem no centro.

Primeiro dia
Resolvido o problema, comprei também garrafas de agua num barzinho (2 litros ao todo) e agora era pé na trilha. 
Subindo a rua
São quase 09h30min e vou subindo a Rua das Pedras sentido Ribeirão do Meio com Sol forte. Cerca de 15 minutos de caminhada abandono as ruas da cidade e vou seguindo por estradas de terra sem grandes dificuldades até o início da trilha do Ribeirão do Meio, onde chego às 09h50min (30 minutos desde o centro).
Início da trilha

31 de outubro de 2018

Travessia do Parque Nacional do Caparaó – Portaria do ES x Portaria de MG, com Pedra Duas Irmãs, Pico do Cristal, Pico da Bandeira e Morro da Cruz do Negro - Divisa MG/ES - Relato com dicas

Quando conheci o Parque Nacional do Caparaó nesse relato chegando ao topo do Pico da Bandeira, tinha a intenção de algum dia retornar, pois só tive boas recordações de lá. 
Comparando com alguns Parques Nacionais em região de montanha que já fiz caminhadas (Itatiaia, Cipó, Serra dos Órgãos e Bocaina) o Caparaó é disparado o melhor de todos. 
Além da bela infraestrutura nos 4 campings no interior do Parque, ele também tem um lindo visual panorâmico nas trilhas da parte alta e uma relativa facilidade para conseguir chegar ao topo do 3º e 6º maiores picos do país (Bandeira e Cristal respectivamente).
Isso sem contar outros 3 picos do Parque que estão entre os 15 maiores do país. 
Naquela época entrei pela Portaria de Minas Gerais (o Parque tem outra portaria pelo lado do Espirito Santo) passando pelo Campings da Tronqueira, Terreirão, Vale Encantado até chegar ao topo do Pico da Bandeira para contemplar o Pôr do Sol. 
Por estar sem uma cargueira e com o clima ajudando, a caminhada foi tranquila e presenciei lindos visuais ao longo da subida, já que boa parte da vegetação é de campos rupestres; um pouco semelhante ao cerrado.
Pensei comigo: eu tenho de retornar a esse parque algum dia e conhecer a parte capixaba dele com os Campings Macieira e Casa Queimada, as trilhas e cachoeiras.
Porém os anos foram passando e fui deixando de lado - para quem pretende fazer a travessia de uma portaria a outra sem pressa, o ideal é dispor de 4 a 5 dias para alcançar o topo de todos os picos conhecidos e passar por algumas cachoeiras. 
Quando eu tinha alguns dias disponíveis, o clima não ajudava e com isso preferia fazer caminhadas em outros lugares.
Mas no inicio do Inverno daquele ano eu estava decidido a fazer a travessia completa. 


Fotos acima: paredão do Pico da Bandeira pelo lado do ES e na outra, o amanhecer no topo, com vista para o antigo Pico do Calçado, em primeiro plano


Fotos dessa travessia: clique aqui

Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui
Vídeo completo da travessia: clique aqui

Outros videos
- Camping Casa Queimada: clique aqui  
- Pico do Cristal: clique aqui
- Trilha entre Camping Casa Queimada e Pico da Bandeira: clique aqui




Com vários meses de antecedência fui pesquisar e ler alguns relatos sobre as dificuldades da travessia, assim como a melhor maneira de entra e sair do parque.

A logística era a principal dúvida e depois de analisar todos os detalhes cheguei a conclusão que a melhor opção era o sentido ES-MG, isto é,  entrar pelo ES e finalizar em MG, já que não estava indo de carro e nem pretendia contratar um transporte. 
Então elaborei o planejamento da seguinte forma: saindo de São Paulo a noite para chegar em Espera Feliz/MG no final da manhã, a tempo ainda de embarcar no ônibus circular para o Distrito de Pedra Menina/ES e de lá seguir na caminhada até a portaria do lado capixaba para chegar no Camping Macieira antes do anoitecer.
Já no 2º dia conhecer as 3 cachoeiras próximas do camping (7 Pilões, Aurélio e Farofa) e finalizar no Camping Casa Queimada e se desse tempo subir até o topo da Pedra Duas Irmãs, que se localiza bem próximo. 
No 3º dia seguir para o Pico do Cristal e depois acompanhar o Pôr do Sol no topo do Pico do Bandeira, acampando depois no Terreirão.
No 4º dia contemplar a aurora no topo do Bandeira e se possível alcançar o ponto mais alto da Pedra Roxa e do Morro Cruz do Negro (entre os 15 maiores do país em altitude).
Em seguida iniciar a descida para finalizar no Camping da Tronqueira, passando pelo Vale Encantado.
E no 5º dia passar pela Cachoeira Bonita, Vale Verde para finalizar a travessia na Portaria de MG durante a tarde e depois pernoitar em alguma pousada de Alto Caparaó, cuja cidade fica bem próxima da portaria do parque.
Todo o planejamento com a logística tinha de dar certo porque no 6º dia já estaria voltando para São Paulo já com a passagem de ônibus comprada antecipadamente. 
Mas devido a um pequeno contratempo por pouco não fui parar na portaria mineira, inviabilizando totalmente o roteiro que tinha planejado. 
Marquei a travessia para o final de Julho e com mais de 1 mês de antecedência solicitei autorização pelo site do Parque para ficar nos 4 campings e alguns dias antes da viagem confirmei a reserva e só fiquei aguardando a autorização chegar pelo e-mail, que aconteceu poucos dias antes do embarque.
Arrumei a mochila cargueira, coloquei na memoria do celular 2 tracklogs que encontrei no Wikiloc e embarquei no ônibus da Itapemirim às 22h30min em direção a Espera Feliz/MG.
No Terminal Tietê o ônibus saiu com 45 minutos de atraso, o que me deixou um pouquinho preocupado, pois a informação que eu tinha era que o circular de Espera Feliz para Pedra Menina sairia pouco depois que o ônibus da Itapemirim chegasse na Rodoviária. 
Se não acontecesse nenhum problema com o ônibus ao longo do trajeto até ficaria tranquilo, mas essa empresa já me deixou na mão uma vez por problemas mecânicos no ônibus (vide relato da Serra do Quiriri aqui).  
Com 3 paradas para descanso ao longo do trajeto e outras tantas rodoviárias, a viagem foi relativamente tranquila, dando para cochilar em alguns momentos e exatamente as 11h15min chegava na Rodoviária de Espera Feliz em um lindo dia de Sol. 
Rodoviária de Espera Feliz
Perguntando para algumas pessoas que estão na Rodoviária fico sabendo que o circular para Pedra Menina sairá as 11h30min – quase em cima da hora e no horário previsto o circular chegou. Não tinha um letreiro na frente para ter a certeza para onde estava indo, mas confiante no que os moradores me disseram e o que o cobrador também confirmou, embarquei sem medo. Saindo com um pouquinho de atraso, o ônibus segue por estradas de terra e 12h20min chego em Pedra Menina, mas achei tudo muito estranho.