3 de setembro de 2019

Relato: Travessia da Serra de São José/MG – Prados x Tiradentes até a Cachoeira Bom Despacho

Todo ano a dúvida sobre que lugar escolher para uma caminhada nas minhas férias do meio do ano.
Há vários anos que venho tentando fazer algumas no sul do país, mas não dou muita sorte. De vez em quando o clima ajuda, como na Travessia da Serra do Quiriri (divisa de PR/SC) que completei anos atrás.
E para esse ano coloquei novamente como plano "A" outra travessia nessa região, mas como não dá para confiar 100% no clima, deixei como plano "B" uma travessia em MG e a Serra de São José, localizada próxima de Tiradentes/MG, era perfeita.
E para essas 2 opções fui atrás de relatos, dicas, tracklogs e troquei várias mensagens com o Otávio Luiz (montanhista paranaense da AMC – Associação Montanhistas de Cristo), Francisco (blog Chico Trekking) e o Rodrigo (blog Exploradores).
Escolhi como plano "B" a Serra de São José por ter vegetação de cerrado e campos rupestres semelhante a de outras que já fiz: Lapinha-Tabuleiro e Itumirim-Carrancas que permitem caminhar com visual panorâmico pela crista. E claro que ajudou também a logística fácil para chegar ou sair de lá. 
Para quem está em Tiradentes, a Serra de São José se assemelha a uma muralha, próxima da cidade que segue na direção sudoeste-nordeste por cerca de 12 Km. 
Organizei a mochila e deixei para os últimos 2 dias a decisão de seguir o plano "A" ou o "B", mas a previsão não mudou para o sul do país, prometendo chuvas no dia que eu iria viajar. Agora era partir para o plano "B" e lá o clima estava ajudando com previsão de tempo bom que já perdurava há vários meses.
Serra de São José lá vamos nós e dessa vez estava indo com a Sil, parceira de outras caminhadas pela Serra do Mar.


Nas fotos acima, a crista da Serra de São José, com São João del-Rei ao fundo. E na outra foto, as ruas de Tiradentes com a muralha da serra atrás


Fotos dessa travessia: clique aqui

Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui

Vídeo completo da travessia: clique aqui


A logística era chegar pela manhã na Rodoviária de São João del-Rei e de lá embarcar no ônibus circular para Prados, onde iniciaria a caminhada próximo da entrada da cidade até chegar no topo da serra, seguindo pela crista na direção sudoeste até o outro extremo, onde está localizada a Cachoeira Bom Despacho, já próximo da divisa com São João del-Rei para finalizar em 2 ou 3 dias.
Na data marcada fiz uma última revisão nas coisas da mochila, coloquei alguns tracklogs do wikiloc na memoria do celular e fui para o Terminal Tietê, onde encontrei a Sil e embarcamos por volta das 22:00hr com previsão de chegada em SJDR por volta das 06:00hr.
A viagem foi tranquila com algumas poltronas vazias e fizemos uma parada no Graal Bela Vista e outra na Rodoviária de Lavras chegando a SJDR pouco depois das 05:00hr, ainda na completa escuridão. Foi uma viagem rápida e até deu para dormir em alguns momentos, mas tivemos que aguardar até as 07h30min quando o ônibus saiu da Rodoviária em direção à Prados.
Serra de São José
O percurso seguiu por Rodovia que beirava o lado norte da Serra de São José e da janela do ônibus já presenciava um céu totalmente azul, perfeito para caminhadas.
Quando o ônibus entrou na área urbana de Prados, fui checando o GPS do celular o ponto exato onde desembarcaríamos e em frente ao Lar dos Idosos Monsenhor Assis, descemos do ônibus. 
Ponto de ônibus em frente ao Lar dos Idosos
São 08h20min e depois de arrumar as garrafas de água nas mochilas e iniciar a gravação do tracklog no meu celular, seguimos por uma rua de blocos de concreto no sentido contrario do ônibus, na direção da serra. Em mais 5 minutos e caímos numa estrada de terra para alguns metros à frente passarmos ao lado de uma gigantesca caixa de água da Copasa. É um trecho tranquilo e que não tem como errar, pois é só seguir pela estrada de terra na direção da base da serra.
Junto a um portal, uma enorme placa de madeira assinala que estávamos na Estrada Parque Passos dos Fundadores e cada vez mais a base da serra se aproximava. 
Serra chegando
Passamos por alguns pequenos sítios, trechos sombreados e com cerca de 30 minutos de caminhada, chegamos ao inicio da trilha. São 08h50min e estamos na altitude de 1130 mts. O local fica ao lado de uma casa de tijolos aparentemente abandonada e dois carros estacionados junto da cerca de arame é um sinal que pessoas estão no alto da serra. 
Início da trilha
Aqui é preciso pular a cerca de arame farpado para acessar uma área de pasto e depois seguimos para o topo da serra por trilha demarcada em meio a mata de encosta. Cruzamos uma cerca quebra corpo, que impede a passagem de animais e com 10 minutos desde a estrada emergimos nos campos rupestres, marcada por uma pequena casa de pedras em ruínas.
Casa de Pedra
Nesse trecho da trilha os arenitos tomam conta e o risco de escorregar é grande, já que a subida é íngreme e quase um zigue-zague serra acima, passando por algumas lajes de pedras, mas sem problemas de navegação. 
A trilha é bem demarcada e em alguns pontos as setas de madeira orientam que caminho seguir. 
Pequenos poços com água das chuvas surgem nesse trecho, mas não recomendaria o consumo dessa água.
Subindo a serra
Conforme íamos subindo, a cidade de Prados vai surgindo atrás da gente e vários mirantes são um convite a alguns clics. Daqui em diante é a típica vegetação de cerrado, com uma árvore aqui, outra ali, arbustos, gramíneas e muita formação rochosa.
Quando chegamos no topo da serra o visual se abre na direção norte. São 09h30min e a altitude aqui é de 1350 mts. Mais alguns minutos e passamos ao lado de um bonito mirante, chamado de Garganta do Diabo, voltado para encosta sul.
Mirante da serra
Com cerca de 1 hora desde o início da trilha, vão surgindo algumas faixas de areia branca pelo meio do caminho. Uma placa escrito PLANALTO aponta uma seta seguindo pela trilha e só foi caminhar alguns metros e chegamos no lugar. É uma grande área descampada com formações rochosas ao lado e perfeita para montar barracas. Contei umas 20 pessoas próximas dali e pelas mochilas, percebi que iam acampar no local.
Cruzeiro junto à borda da serra
Seguimos caminhando na direção da encosta sul até chegar a um mirante, onde existe um Cruzeiro e uma Rosa dos Ventos pintada em cima de uma grande base de concreto (não deve ter sido fácil e parabéns para quem fez).
A vista é voltada para o Distrito de Bichinhos (pertencente a Prados) em primeiro plano e Tiradentes ao fundo. 
E bem mais ao fundo ainda me pareceu ser a Chapada das Perdizes e um trecho da Serra de Carrancas (quando voltei a SP olhei nas cartas topográficas e no Google Earth para confirmar e eu estava certo) - quem sabe uma futura travessia. Se pudéssemos ficaríamos ali só admirando a vista, mas era preciso seguir nossa caminhada.  
Vista do mirante
Voltamos alguns metros e agora seguimos por trilha demarcada, como se estivéssemos descendo a encosta norte. Essa é a Trilha da Biquinha, que finaliza na Rodovia que viemos de SJDR. 
Placas sinalizando água nessa direção podem ser vistas em alguns trechos e depois de passar ao lado de uma cerca de arame do lado direito e caminhar uns 100 mts, era preciso abandonar a trilha principal e seguir para esquerda. 
Descendo a encosta norte
A partir daqui é a parte mais complicada dessa travessia e nos vários relatos que tinha lido, todos comentavam sobre a dificuldade desse trecho, já que a trilha não é tão demarcada. A direção é seguir rumo oeste e noroeste, mas de repente não tinha mais trilha e nem os vestígios dela. A trilha sumiu. Fomos seguindo os tracklogs que nos levam para uma encosta rochosa, descendo a serra. É quase que uma caminhada só no visual, se orientando pelos tracklogs e alguns totens. É um trecho curto, de uns 15 minutos perdendo altitude e depois de contornar enormes rochas encontramos outra trilha mais demarcada que agora segue na direção sudoeste – depois fiquei sabendo que seu eu continuasse a descer pela Trilha da Biquinha por pouco menos de 500 mts encontraria uma trilha bem mais demarcada à oeste lá embaixo. Bom.....agora já foi.
Finalizado o trecho complicado, já estávamos bem abaixo da crista e íamos seguindo por trilha demarcada sem ganhar muita altitude. Do lado direito surge uma mata ciliar próxima e numa emergência é um local onde pode ser encontrada água, mas só recomendo o consumo dela se tratar com Hidrosteril. 
Trilha retornando para crista
Mais 15 minutos de caminhada e cruzamos um trecho dessa mata ciliar, onde encontramos pequenos lagos de água parada. Paramos para um lanche por uns 10 minutos e agora voltamos a subir suavemente a serra por um vale até chegar na crista novamente, ao lado de um mirante. O que chama a atenção nesse pequeno trecho de subida é a vegetação de sempre-vivas, típica do cerrado, junto da trilha. 
Travessia restante pela crista
É meio dia e altitude aqui é de pouco mais de 1370 mts e junto ao mirante são encontrados vestígios de fogueira, sendo um bom lugar para acampar. Fizeram até uma canaleta em volta para escoamento da chuva. Uma pequena árvore fornece sombra para alivio do Sol e ficamos um certo tempo ali descansando e admirando o visual.
A vista é desimpedida para o sul e oeste, podendo ser visualizado todo o restante do trecho pela serra com SJDR ao fundo e o Distrito de Bichinhos ao sul.
Camping junto ao mirante 
De agora em diante a caminhada é em declive por trilha erodida sem grandes dificuldades, alternando com trechos planos. Passamos ao lado de uma cerca de pedras e as 13h30min chegamos num grande descampado no meio de algumas árvores, perfeito para acampamentos e para um longo descanso, já que a área é quase toda sombreada, porém sem água. Uma discreta trilha sai à esquerda e provavelmente desce a encosta da serra em direção a Bichinhos e Tiradentes. 
Grande área descampada
Pouco depois das 14:00hr retomamos a caminhada, agora subindo a encosta íngreme até chegar na borda do paredão, permitindo uma linda vista à esquerda, mas somente por alguns metros.
Cada vez mais íamos para dentro da serra, se afastando da encosta, contornando grandes formações rochosas e muita vegetação de arbustos. 
Trilha beirando o paredão
Surge de vez em quando uma ou outra bifurcação, mas seguindo o tracklogs não tem erro. Na verdade essas bifurcações voltam a se encontrar com a trilha principal mais adiante. A caminhada segue pelo meio da serra, às vezes retornando para a encosta à esquerda, passando ao lado de vários mirantes e bons lugares para acampamentos.
Não muito longe da borda do paredão, a trilha segue em declive por um pequeno trecho de desescalaminhada por lindos mirantes, onde é possível visualizar um grande descampado e a bifurcação com a Trilha do Carteiro lá embaixo. Dá até vontade de aumentar o ritmo da caminhada só para finalizar a caminhada do dia, mas por ser um trecho íngreme, eu não recomendaria. 
Bifurcação com a Trilha do Carteiro
E somente as 16:00hr chegamos na bifurcação com a Trilha do Carteiro, onde inúmeras placas sinalizam “Águas Santas, Mangue, Cachoeira Bom Despacho, Tiradentes” em várias direções.
A altitude é de 1136 mts e o lugar é plano, permitindo acampamento para inúmeras barracas. Para a esquerda é o caminho que desce a serra na direção de Tiradentes. Para a direita é a continuação da Trilha do Carteiro que leva até a Cachoeira do Gamelão e seus inúmeros poços ao longo das quedas. E seguindo em frente pela crista da serra é o nosso caminho para o dia seguinte. 
Ficamos por alguns minutos descansando junto da bifurcação e analisando o melhor lugar para montar a barraca e nisso um grupo de uma agencia de Tiradentes com cerca de 5 pessoas vem subindo pela trilha e segue para a Cachoeira do Gamelão.
Nos 2 tracklogs que estávamos usando, eles assinalavam que descendo pela Trilha do Carteiro rumo norte, em poucos minutos chegaríamos a uma pequena área plana, perfeita para camping e foi o que fizemos. 

Camping descendo a Trilha do Carteiro
Em poucos minutos chegamos no Mirante do Carteiro e próximo dele existe um local plano que comporta algumas barracas. Pensamos até que o grupo iria acampar lá também, mas ele estava vazio.
Montamos nossa barraca ali e por uma trilha à oeste segui por uns 150 mts até um poço de água parada, escondido pela vegetação. Era até razoavelmente grande com dimensões de uns 5 x 2 mts. 
A água era fria demais, mas depois de uma longa caminhada e suor escorrendo no rosto, serviu perfeitamente para um banho bem relaxante.
Poço próximo do camping
Revigorados, agora era hora de preparar o jantar. Tínhamos ainda um pouco de água e nem precisamos descer pela trilha para pegar mais. 
Linguiça defumada, atum enlatado e sopão de galinha foi o nosso cardápio preparado sob as estrelas. 
Céu totalmente aberto mostrando a Via Láctea, como se fosse uma faixa de leste a oeste com suas constelações e as únicas que consigo reconhecer são as 3 Marias e o Cruzeiro do Sul, mas milhares podem ser vistas. Deu até para vermos algumas estrelas cadentes. Noite maravilhosa.
Depois do jantar, usei a água restante para colocar dentro das panelas sujas, pois queria evitar que algum animal viesse nos visitar no meio da noite para procurar comida.
Nem lembro que horas fomos dormir, mas a temperatura estava agradável, sem ventos.
Por volta das 09:00hr do dia seguinte já estávamos de pé e desmontando a barraca. Depois de organizar as mochilas resolvemos escondê-las na vegetação e descer pela trilha somente com algumas garrafinhas para encher de água. 
Seguindo por leve declive pelo calçamento de pedras, passamos ao lado de um cruzeiro, onde supostamente está o Túmulo do Carteiro. 
Túmulo do Carteiro
Na verdade é um monumento formado por centenas ou até milhares de pedras empilhadas e segundo a lenda, deve-se deixar uma em seu túmulo e fazer um pedido, que será realizado. E pela altura do monumento, parece que todos que passam ali, deixam sua contribuição. 
Mais alguns metros de descida e chegamos numa bifurcação onde as setas apontam para a parte alta da cachoeira e a parte baixa. Na parte alta da Cachoeira do Gamelão estão as pequenas piscinas naturais que se formam nas quedas do riacho. 
Cachoeira do Gamelão
Sua vazão era muito pouca e só um pequeno filete que escorria. Um grupo de mulheres conversava no local e preferimos descer um pouco mais para baixo, onde encontramos um poço que era um convite para mergulho.
Próximo dessas quedas existe um pequeno descampado que pode ser uma boa opção de camping.
Voltando à bifurcação, agora fomos conhecer a parte baixa da cachoeira. A trilha segue contornando um pequeno morro pela direita, passando ao lado de pequeno riacho, que é perfeito para reabastecimento de água. Cercado por mata ciliar, o riacho parece que fornece agua o ano todo e de ótima qualidade.
Piscina na parte baixa
Com cerca de 10 minutos chego a uma piscina natural formada pelo encontro de alguns riachos. Junto a um descampado, alguns bancos servem para descanso e nesse trecho a vazão do rio é maior.  
São 10h45min e com as horas passando era preciso retornar e continuar a caminhada.
Fui subindo pela trilha até chegar ao local do nosso acampamento, onde pegamos as mochilas e pouco depois das 11:00hr retomamos nossa caminhada até a bifurcação acima e dali seguimos para a direita, na direção da crista da serra.
Curiosa formação rochosa
Já na crista passamos ao lado de uma enorme rocha bem interessante que lembra uma colmeia, cheia de furos.
Vão surgindo inúmeros mirantes junto da borda com vista para Tiradentes e algumas faixas de areia ao longo da trilha. Junto de um dos trechos de areia, encontramos uma trilha à direita que vem direto da Cachoeira do Gamelão. É uma espécie de atalho para quem não quiser subir pela Trilha do Carteiro.
Árvore junto de um mirante
E as 12h20min chegamos a uma arvore que fornece sombra e é ponto obrigatório de parada. O local apresenta vestígios de fogueiras e talvez seja outro ponto de acampamento. Do mirante ao lado, Tiradentes surge bem próximo e naquele Domingo conseguimos ouvir sons de bandas (dias antes a cidade estava realizando o 3° Encontro de Bandas e naquele momento alguma estava tocando pelas ruas da cidade e o som poderia ser ouvido lá da crista da serra).
Desse mirante da serra era fácil identificar a principal Igreja da cidade: a Igreja Matriz de Santo Antônio, que se localiza na parte mais alta da cidade histórica.
Crista á leste
Ficamos por cerca de 1 hora no local e a partir desse ponto a trilha se divide em 2. Uma que segue beirando o paredão, sempre pela crista e outra que segue descendo um pouco a encosta da serra pela direita, na direção do fundo do vale.
Seguindo pela crista à oeste
Optamos por seguir pela crista passando por inúmeros mirantes, já que o visual é mais bonito, mas notamos que a trilha não era tão demarcada e depois de uns 10 minutos, junto a um pé de limoeiro, decidimos seguir numa bifurcação da direita, abandonando a crista e nos levando para outra trilha mais abaixo.
É um trecho pequeno em declive acentuado até interceptar a trilha principal mais abaixo, que de agora em diante segue perdendo altitude, sempre pela encosta da serra.
Surgem trechos de erosão e outro muro de pedras é cruzado. A vegetação de cerrado ainda se mantem e conforme descíamos pela trilha, cada vez mais nos aproximávamos do fundo do vale.
Final da Serra de São José
Passamos por alguns descampados e pouco antes das 15:00hr chegamos ao extremo da Serra de São José, onde a trilha principal se encontra com outra trilha que vem da direita e que leva até o Balneário Águas Santas, mas nosso caminho é seguir para esquerda, ao lado do Córrego do Mangue.
Protegido pela mata ciliar, ao longo do rio surgem de vez em quando bifurcações que levam a pequenos poços e numa delas chega a Cachoeira do Mangue. Num desses acessos ao rio, fomos conhecer o Poço do Mangue e lá ficamos aproveitando aquele final de tarde de Sol por mais de 1h30min. Só não tive coragem de entrar na água, que estava muito fria.
Poção do Mangue
Pouco antes das 17:00hr voltamos para a trilha e com mais 5 min de caminhada surge uma bifurcação à esquerda que leva diretamente para a cidade de Tiradentes, sendo conhecida como Trilha do Pacu (é o nome que estava na placa). Não era esse o nosso objetivo, pois ainda pretendíamos passar pela Cachoeira Bom Despacho. Seguindo pela trilha, que se parece com uma antiga estrada, já íamos procurando algum descampado para montar nossa barraca e passar a noite.
Com quase 10 minutos desde a bifurcação, surge outra e aqui seguimos para direita para finalizar em uma antiga represa alguns metros à frente. É uma grande área gramada e plana. Era perfeita para montar a barraca.
Camping junto de antiga represa
Na encosta de um morro ao lado, os últimos raios do Sol se escondiam, permitindo ainda que montássemos nossa barraca com luz natural.
Para o jantar usamos os nossos últimos suprimentos, deixando a mochila bem mais leve. Difícil foi tomar banho na pequena represa de água gelada, já que ela é formada pelo mesmo rio que vínhamos seguindo.
A noite foi tranquila e por volta das 08:00hr do dia seguinte já estávamos desmontando a barraca. Só uma coisa nos chamou a atenção: o céu totalmente nublado, bem diferente do dia anterior. Parecia que a chuva estava chegando.
Depois de um breve café da manhã, retomamos a caminhada pouco antes das 09:00hr, passando por cima da barragem de pedras e concreto e seguindo agora pelo lado direito do rio.
Uns 5 minutos depois e chegamos a outro pequeno descampado, ao lado de uma piscina natural, tendo a vantagem de ser um local protegido dos ventos para quem quiser montar a barraca aqui.
Cruzando o rio
Voltamos a cruzar o rio para esquerda, pulando as pedras e mais alguns metros chegamos a um lindo mirante com a Cachoeira dos Anjos ao lado, onde uma pequena quantidade de água escorria pelo paredão. Desse ponto se consegue ver a linha férrea da Maria Fumaça e alguns trechos do Rio das Mortes lá embaixo.
Continuando a descida chegamos na Cachoeira do Índio, que é bem alta e com várias quedas formando um pequena piscina na base dela, que é bem rasinha. 
Cachoeira do Índio
Saindo dessa piscina natural o rio segue um trecho através de um pequeno vale até chegar ao topo da Cachoeira Bom Despacho, um pouco mais adiante. A partir daqui o Sol já deu as caras, afastando as chances de chuva. 
Cachoeira Bom Despacho
Depois de alguns clics, descemos o trecho final pelo meio das pedras, na lateral da cachoeira para finalizar na sua base as 10h20min. Daqui se vê que ela é uma sucessão de outras pequenas quedas, formando poços, mas que estava com pouquíssima água. 
Definitivamente não era uma cachoeira maravilhosa (as outras mais acima eram até mais bonitas). Talvez com uma vazão maior de água, melhore um pouco.
Próximo dali tem o totem da Estrada Real, onde finalizei o tracklog.
Na Rodovia, junto da entrada para a cachoeira tem um ponto de ônibus e agora era pegar o circular de volta para São João del-Rei ou para Tiradentes. 
Como embarcaríamos somente durante a noite de volta para SP, tínhamos quase o dia todo para conhecer a parte histórica dessas 2 cidades e foi o que fizemos para fechar com chave de ouro essa maravilhosa travessia. 











Dicas e informações úteis

# Atente para previsão do tempo, pois sendo uma caminhada na crista da serra, ela pode se tornar muito perigosa em caso de chuvas e raios. 

# Recomendável o uso de boné ou chapéu de abas, já que áreas de sombra são raras. 

# Protetor solar é item obrigatório.

# A maior parte dessa caminhada é plana. Com alguns pequenos trechos de subida ou descida. 

# São pouquíssimas as fontes de água na serra e só encontramos água de boa qualidade em 2 pontos dessa travessia: Em um riacho que fica ao lado da trilha que liga a parte alta à parte baixa da Cachoeira do Gamelão e no trecho final, no Córrego do Mangue. Até existem em outros pontos que citei no relato, mas nesses casos só use a água depois de tratar com Hidrosteril.

# Em vários mirantes, é possível montar acampamento, porém a maioria não possui fonte de água próxima e são desprotegidos. 

# Recomendo que inicie a travessia em Prados com uns 2 litros de água e ao chegar na bifurcação com a Trilha do Carteiro, é possível conseguir água próxima dali.

# Existem inúmeras opções de caminhadas na serra: 
- Saindo de Tiradentes e subindo pela Trilha do Carteiro até a Cachoeira do Gamelão e de lá seguir pela crista até o extremo oeste da serra, finalizando nas Cachoeiras do Mangue e Bom Despacho. Esse roteiro é o preferido dos guias de agencias de Tiradentes. Fácil demais e muito curto, recomendável para sedentários.
- Para 2 ou 3 dias é a travessia completa, iniciando em Prados.
- É até possível completar essa travessia em apenas 1 dia, mas se aproveita muito pouco das cachoeiras, poções e mirantes.

Sem dúvida nenhuma o melhor roteiro para fazer a travessia completa é de nordeste-sudoeste, iniciando por Prados, já que a caminhada pela crista nesse sentido é quase sempre em declive, permitindo lindos visuais. Além de outros vários motivos.  

# Essa travessia também é conhecida como Prados x Tiradentes, porém finalizando na Cachoeira Bom Despacho, a cidade dessa cachoeira é Santa Cruz de Minas.

# Em toda a travessia da serra é possível conseguir sinal de telefonia celular.

# Um pequeno adendo sobre a história da Trilha do Carteiro: 
- Foi construída pelos negros escravizados no período da exploração do ouro, no século XVIII e usado para escoar nossa riqueza (alguns trechos dessa trilha recebem o nome de Calçada dos Escravos). 
São pedras dispostas uma ao lado da outra e se assemelham a outras tantas Trilhas do Ouro que descem a Serra do Mar em direção a Paraty. 
Recebeu esse nome em homenagem a um carteiro que foi assassinado pelos portugueses na época da Inconfidência Mineira, cuja lenda dizia que ele entregava mensagens entre os revoltosos e seu corpo foi deixado junto da trilha. 

# Vale muito a pena passear pelo centro histórico das cidades de Tiradentes e São João del-Rei, que possuem arquitetura barroca preservada.

# Se puder, vale a pena fazer o passeio de Trem Maria Fumaça que liga Tiradentes a SJDR ou vice versa. Até tentamos ir, mas no dia que estávamos lá, o passeio não era realizado, sendo feito só em alguns dias da semana.
www.vli-logistica.com.br/sustentabilidade/trem-turistico

# Na Rodoviária de São João del-Rei existe um guarda volumes com preços em torno de $10,00 para o dia todo. É a melhor opção para deixar a mochila e depois passear pelo centro histórico da cidade.

# Já na Rodoviária de Tiradentes esse serviço de guarda volumes não existe. Tive que deixar na Pousada Tiradentes, ao lado e me cobraram $15,00 por algumas horas. 

# Variedade de restaurantes em Tiradentes e SJDR é grande. Almoçamos no Delicias de Tiradentes, em frente à Rodoviária: $23,90 comida à vontade com sobremesa (Julho/2019).
http://deliciasrestaurante.com.br

#Logistica
- Ônibus São Paulo-São João del Rei – Valor: em torno de $120,00 (Julho/2019)
www.util.com.br

- Ônibus São João del Rei-Prados – Valor: em torno de $10,00
Viação São Vicente. 
Segunda a Sexta: 07:30 – 10:45 – 12:30 – 15:15 – 17:45
Sábados: 07:30 – 12:30 – 17:25
Domingos e feriados: 10:00 – 17:25

- Ônibus Tiradentes-São João del Rei. Valor: em torno de $4,00
São 2 empresas que operam essa linha: Viação Porto Real (via Cachoeira Bom Despacho) e Viação Presidente (via Rodovia BR 265).

# Taxi de São João del Rei-Prados: em torno de $100,00.

# Para essa travessia, levei 2 tracklogs para usar no app do celular:
- Do Hélio Jr: clique aqui
- E do Chico Trekking: clique aqui

# Para quem for usar um app de GPS no celular com o tracklog não se esqueça de levar um Power Bank. Em baixas temperaturas a bateria do celular descarrega mais rápido.

# Para navegação e gravação do tracklog uso e recomendo 3 app para o GPS do telefone celular. Todos na Play Store.
- A-GPS Tracker ou o GPX Viewer para navegar nos tracklogs.
- E o Wikiloc para gravar o tracklog do percurso.

10 de julho de 2019

Dicas: Pedra do Lagarto - Serra de Itapeti - Mogi das Cruzes/SP

Já faz algum tempo que Mogi das Cruzes se tornou para mim o ponto inicial de minhas caminhadas pela Serra do Mar. Perdi as contas das inúmeras vezes que fiquei aguardando o circular Manoel Ferreira sair do Terminal Estudantes e seguir em direção à Rodovia Mogi Bertioga. 
Pedra do Sapo, Lago dos Andes, Pico da Esplanada, Pico do Garrafão, as Cachoeiras da Light, Elefante e da Pedra Furada, etc... são alguns exemplos.
E para não repetir trilhas e continuar a fazer caminhadas nessa mesma região, tinha de ir atrás de outras opções próximas e a Serra de Itapeti era a que faltava conhecer. Ela tá bem próxima da Estação Estudantes da CPTM e sua crista se estende de leste a oeste por cerca de 15 Km. 
Se localiza ao norte da cidade de Mogi das Cruzes e conta com algumas trilhas que cortam a serra. É um prato cheio para quem está em busca de novas caminhadas.
Minha primeira incursão nessa serra foi a Travessia do Pico do Urubu onde presenciei lindos visuais panorâmicos e com gostinho de quero mais, prometi a mim mesmo que retornaria a esse lugar em breve. 
E não deu nem 1 mês e estou aqui de novo, só que dessa vez não queria caminhar por mais de 20 Km, já que estaria com a Silvera (que já tinha me acompanhado em outras trilhas).
Escolhi uma trilha de bate-volta e que não fosse tão cansativa e a Pedra do Lagarto foi a escolhida para um Domingo qualquer de Sol.



Na foto acima, no topo da Pedra do Lagarto mostrando a crista da Serra de Itapeti



Fotos: clique aqui

Vídeo dessa caminhada: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui




Depois de embarcar no trem da CPTM na Estação Tatuapé, seguimos para Estação Estudantes sem necessidade de troca de trem, por isso o percurso foi relativamente rápido. 
E com cerca de 50 minutos já estávamos desembarcando e iniciando a caminhada.

Por ser uma trilha tranquila e sem problemas de navegação, só colocarei algumas informações uteis e importantes, já que um relato detalhado, como estou acostumado a fazer, acho desnecessário.



Como é a trilha


# A caminhada desde a Estação Estudantes até o topo pode ser feita em cerca de 1h30min sem pressa e parando em alguns lugares. Já para quem caminha rápido dá para fazer em cerca de 1hora.

# É uma trilha bem demarcada e aberta, não apresentando problemas de navegação.

# O total dessa caminhada, desde a Estação até o topo, tem pouco mais de 5,5 Km, divididos da seguinte forma:
 - 2,8 Km de asfalto.
- 1,4 Km em estrada de terra.
- 1,4 Km em trilha por dentro da mata.
Chegando na Ponte sobre o Rio Tietê
# O trecho inicial pelo asfalto possui várias opções: 
- A mais simples é ao sair da Estação Estudantes pelo lado norte, passe ao lado da Rodoviária e continue pela Av. Francisco Rodrigues Filho (paralela a linha férrea) sentido leste por 2 quarteirões passando pela rotatória do Habibs até chegar na Av. Antônio de Almeida, à esquerda (nós seguimos por uma rua paralela antes da Antonio Almeida, mas ao chegarmos em uma enorme praça viramos a direita e seguimos por ela). 
- Pela Av. Antônio de Almeida siga rumo norte e com cerca de 15min chegará em uma rotatória. Mais uns 5min e passará em cima do Rio Tietê e alguns metros à frente chegará em outra rotatória.
- Continue em frente pela avenida, passando por alguns condomínios populares do lado esquerdo até chegar ao final do asfalto e nesse ponto se inicia o trecho pela estrada de terra, conhecida também como Estrada Velha do Lambari. 
Início da Estrada de terra à direita

Trecho da estrada de terra
# O trecho pela estrada de terra é relativamente curto e finaliza em uma porteira de uma pequena chácara, do lado esquerdo e início da trilha do lado direito. Nesse local existe uma placa sinalizando que o lugar é a Reserva Botujuru (RPPN).
Fim da estrada e início da trilha à direita
# No início da trilha foram colocados troncos de árvores para bloquear o acesso de motos. 
Início da trilha
# A diferença de altitude chega a pouco mais de 300 mts, sendo que o trecho mais íngreme é subindo pela estrada de terra. No trecho pela trilha até existem pontos mais íngremes, mas são tranquilos e curtos.

# Iniciamos na altitude +- 750 mts e chegamos ao topo da Pedra com pouco menos de 1100 mts.
Vista para o norte do topo da Pedra
# Existem apenas 2 bifurcações bem demarcadas: 
- uma que leva até o ponto de água à direita; a uns 15min do início da trilha.
- e outra à esquerda, que cruza a serra de sul a norte; cerca de 15min depois do ponto de água e uns 5min antes de chegar no topo da Pedra (explorei ela por alguns minutos e que me levou a uma grande plantação de bananas e continuando pela trilha, ela seguia descendo para o norte, provavelmente levando a um Bairro conhecido como Beija Flor). Essa trilha de norte a sul pode ser uma boa opção de travessia da serra, retornando depois por outro caminho. Quem sabe no futuro. 

# Encontramos também outra bifurcação à esquerda, uns 5min depois do ponto de água e que parece seguir na direção oeste pela crista, mas que não era tão demarcada.

# O tracklog da trilha que usei foi do Rafael Cardozo e tá disponível no Wikiloc: clique aqui



Informações úteis


# No local onde existe o ponto de água, na verdade é um riacho que passa por dentro de uma tubulação e cai em um pequeno poço. 
Único ponto de água da trilha
# Do topo sem tem uma vista panorâmica somente para o lado norte.  

# Numa das extremidades da Pedra do Lagarto sai uma trilha que leva até uma cerca de arame ao lado de uma outra trilha que segue cruzando a serra. É uma opção de caminhada que cruza a serra de sul a norte, mas não explorei ela para saber onde ela finaliza.
Cerca de arame seguindo para o norte
# No trecho inicial pela estrada de terra, os pernilongos nos atacaram aos montes. Foram várias picadas e tivemos que correr para nos livrar. Parecia um enxame de abelhas. Muito cuidado. 

# No topo da Pedra existem alguns grampos fixados na rocha e que provavelmente são usados para rapel, pois numa das encostas a parede é vertical. 
Vista para oeste
# Não é possível avistar o Pico do Urubu e suas enormes torres de telecomunicações localizados à oeste, devido a Pedra do Lagarto não estar no ponto mais alto da crista da serra.

# No topo da Pedra não é possível montar barracas, já que ela é um pouco inclinada e sujeita a ventos fortes. 

# Encontramos sinal de telefonia celular somente em alguns pontos ao longo da trilha e no topo da Pedra. 



Logística


# Quem não quiser fazer toda essa caminhada a pé desde a Estação Estudantes tem a opção de 2 linhas de ônibus circular, que possuem ponto final próximo ao início da estrada de terra:
- C701 - Terminal Central (ao lado da Estação de Mogi das Cruzes) - Jardim Maricá.
- C702 - Terminal Central (ao lado da Estação de Mogi das Cruzes) - Jardim Maricá. 

# Valor: $4,50 (Julho/2019). 

# Porém não recomendo, porque economizaria apenas o trecho pelo asfalto que totaliza uns 30min de caminhada.

# Do Terminal Estudantes não saem linhas de ônibus para algum lugar próximo do início da trilha.
http://smtonline.pmmc.com.br/

# Para navegação e gravação do tracklog recomendo 2 app para o GPS do telefone celular. Todos na Play Store.
- GPX Viewer usei para navegar nos tracklogs.
- E o Wikiloc ou o Geo Tracker para gravar o tracklog do percurso que fiz.

3 de junho de 2019

Relato: Travessia do Pico do Urubu – Serra de Itapeti - Mogi das Cruzes/SP

Sempre que descia na Estação de Estudantes da CPTM, em Mogi das Cruzes, com o intuito de seguir para Serra do Mar e lá fazer algumas caminhadas por cachoeiras e picos da região, me chamava a atenção uma serra que emergia ao norte da Estação e seguia de oeste a leste. Dava para ver que em um trecho da sua crista as antenas de telecomunicações tomavam conta e me atiçou a curiosidade de algum dia conhecê-la.
Passaram-se alguns anos até que não querendo repetir roteiros, fui pesquisar sobre essa serra bem próxima do centro do Mogi das Cruzes. Ela é conhecida como Serra de Itapeti e observando a carta topográfica do IBGE, pude notar que ela possui cerca de 15 Km em sua extensão de leste a oeste e seu ponto culminante é o Pico do Urubu com pouco mais de 1150 metros de altitude (no meu GPS marcou 1154 metros, mas numa rápida pesquisa do Google dá para encontrar com 1140, 1147 e 1170 mts).
Até encontrei uma caminhada que seguia alguns trechos pela crista, de oeste a leste, mas devido as antenas, parte dela teria de ser por vara mato, então desisti dessa opção. 
Sobrava então a subida ao Pico do Urubu, mas a maior parte dela podia ser feito por estradas de terra e asfalto e com isso subir e descer o pico pelo mesmo caminho estava fora de questão.
Pensei em um circuito, subindo pela encosta sul e em seguida descer pela encosta norte para depois retornar por outro caminho. E fui atrás de relatos, tracks de GPS e estudar as imagens do Google Earth para traçar um possível percurso. 


Na foto acima, topo do Pico do Urubu com visual panorâmico e os paragliders aguardando o vento para alçar voo




Fotos dessa caminhada: clique aqui


Também gravei 1 vídeo de 7min com trechos dessa caminhada: clique aqui


Tracklog para GPS: clique aqui




A caminhada iniciaria na Estação de Estudantes seguindo rumo norte até a Av. Perimetral (conhecida como Av. Lothar Waldemar Hoehne) para pegar a estrada que leva ao topo da serra e depois desceria pelo lado norte pela Trilha das Aranhas (muito usada pelos bikers), até próximo a um bairro conhecido como Jardim Vieira e dali retornaria para a Estação de Mogi das Cruzes por uma estrada paralela à Rodovia Mogi-Dutra.
Seria uma caminhada cansativa pela extensão, mas a diferença de altitude não seria tão grande, já que o ponto mais baixo chegaria a cerca de 740 metros e o ponto mais alto seria o Pico do Urubu com cerca de 1150 metros.
Escolhi um Domingo qualquer de Sol com previsão de chuva à tarde que se concretizou, mas como já estava quase no final da caminhada, não atrapalhou.

Acordei por volta das 06h30min e ao chegar na Estação Tatuapé da CPTM os altos falantes já avisavam que os trens estavam com intervalos maiores, devido à manutenção na linha. Foram quase 30 minutos esperando e do Tatuapé o trem seguiu para Itaquera, passando por Guaianases e finalizando em Suzano, onde tivemos que descer e pegar outro trem até Estudantes, onde cheguei as 09h45min.
Descendo pelo lado esquerdo, na direção da Rodoviária da cidade, sigo por uma rua que sai de frente da Estação, até cruzar a Av. Francisco Rodrigues Filho (avenida essa que segue paralela à linha férrea). 
Seguindo à esquerda pela Rua Ismael Alves dos Santos, passo ao lado do Ginásio Municipal e da loja da Dicico/Sodimac. 
E ao chegar numa rotatória, cuja esquina é do Hipermercado Extra, meu caminho segue agora na direção norte pela Av. Prefeito Carlos Ferreira Lopes.
Passo ao lado do Detran e do Mercado Municipal do Produtor, que naquele dia estava lotado e ao chegar na próxima rotatória, sigo para esquerda, na direção oeste pela Rua Manoel de Oliveira.
Mais 500 metros e chego em outra rotatória, seguindo na direção da serra novamente pela Av. José Meloni. 
Rio Tietê
Alguns minutos à frente passo por cima do Rio Tietê (sim, ele mesmo, o nosso velho e poluído Rio Tiete que aqui está cercado de mata ciliar e em nada se parece com o que cruza a cidade de SP) e mais uns 100 metros a rua termina na Perimetral, onde tem uma outra rotatória. 
Rio Tietê
Junto da esquina tem um posto de gasolina e aqui fui seguindo para esquerda, pela Perimetral.
Mais uns 200 metros e chego ao inicio da estrada que leva ao Pico do Urubu as 10h15min
É bem fácil identificar, porque existe uma placa de sinalização bem grande apontando o caminho.


Subindo pela estrada
Esse trecho inicial da estrada é um aclive suave serra acima, somente para dar uma aquecida nos músculos, que depois dá uma amenizada e segue alternando entre asfalto em boas condições, piso de paralelepípedos e estrada de terra. 
Na verdade é uma típica estrada rural tomada pela vegetação e mata densa nos dois lados, passando por várias chácaras, sítios, algumas residências e até um Acampamento de férias. 
Desde a Estação de Estudantes o Sol castigava, então quando chegou esse trecho de mata foi um alivio para a cabeça.
Com cerca de 30 minutos de subida, a estrada segue para direita, na direção de um Parque Municipal, mas o caminho na direção do Pico é para esquerda. 
Nessa bifurcação existe uma placa sinalizando Pico do Urubu para esquerda.
Início da Trilha da Onça
As 10h55min e com 40 minutos de caminhada, chego em uma bifurcação à esquerda. É uma trilha de bike downhill e com uma placa de aviso: PERIGO – BIKE EM ALTA VELOCIDADE.
É conhecida como Trilha da Onça e é perigosa mesmo, mas não tinha a mínima intenção de continuar a subida pela estrada.
Por isso quando encontrei a bifurcação não pensei 2x. Saí da estrada e segui por ela.
A trilha possui trechos muito íngremes, é bem demarcada e com inúmeras pequenas rampas próprias para a bike. 
A todo momento é bom ficar atento para ver se não vem descendo algum biker, por isso fui subindo pela trilha sem pressa. 
Fiquei espantado e imaginando como um ciclista desceria aqueles trechos íngremes. 
Com quase 30 minutos de trilha, encontro do lado esquerdo junto de uma encosta íngreme uma pequena nascente de água, escondida embaixo das pedras. 
Foi um achado e a água estava geladinha. Parei para matar a minha sede e encher as minhas garrafinhas. Porém a água fica embaixo das pedras e tem de pegar com uma garrafinha ou copo.
E depois de um breve descanso continuo a subida e em mais 10 minutos finalizo no topo do Pico, onde chego as 11h40min, com quase 2 horas de caminhada desde a Estação Estudantes.


Mogi das Cruzes
O visual é de encher os olhos mesmo. Ao sul dá para ver a totalidade da cidade de Mogi das Cruzes até o limite da Serra do Mar. 
Já ao norte várias cidades da Grande São Paulo surgem bem ao fundo com partes da Serra da Cantareira à esquerda e o Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira à direita.
Algumas árvores atrapalham um visual de 360º, mas com certeza durante a noite é possível ver inúmeras cidades iluminadas. 
Alguns carros estacionados e 2 barracas vendendo todo tipo de salgadinhos e bebidas.
Existem enormes pedras onde é possível chegar no topo delas e só ficar admirando a paisagem. 
Presenciar o nascer e o por do Sol aqui do topo deve ser maravilhoso. 
Topo
Naquele dia o lugar não estava cheio. Algumas pessoas preparando os paragliders (ou parapentes para alguns) para levantar voo, porém os que eu pude observar não chegaram muito alto e logo desciam numa região mais baixa, ao norte do topo. Todos diziam que estava difícil encontrar uma térmica.
Fiquei aqui no topo por quase 1h30min e quando deu 13:00 hrs era hora de ir embora. Até queria ficar mais tempo, mas a previsão daquele final de dia era de chuva, então pé na trilha.
Descendo agora pela estrada, em alguns minutos chego em uma trifurcação: para a direita é a estrada que desce retornando para Mogi das Cruzes. A do meio continua seguindo pela crista e finaliza em um conjunto de torres de telecomunicações.


Descida

Já a da esquerda é uma estrada também, mas é conhecida como Trilha das Aranhas e é por ela que vou continuar a caminhada, descendo a serra. Do lado esquerdo da Trilha das Aranhas existe também outra trilha, mas um pouco fechada que parece seguir para a base norte do Pico do Urubu – nem fui explorar.
Esse trecho inicial de descida é suave com mata fechada dos dois lados e uma coisa me chama atenção. No meio da estrada encontro um animalzinho morto, que me pareceu ser um roedor ou um Timbu (especie de Gambá) - vejam nessa foto. Quem souber, por favor, deixe nos comentários lá embaixo.
Com cerca de 15 minutos, chego na primeira bifurcação à direita, que parece levar a um pesqueiro e continuo minha descida pela esquerda.
A partir daqui a trilha se torna cada vez mais íngreme e é preciso tomar muito cuidado para não escorregar, já que em alguns trechos existem pedras. Os joelhos vão sofrer. Pelas características do percurso, aqui só sobe ou desce carro 4x4. E com certeza muita bike e motocross.
Fim da descida
Passo diversas vezes por debaixo das torres de alta tensão e o visual se abre em alguns pontos revelando uma linda paisagem.
Outra bifurcação surge a direita, mas está um pouco fechada pela vegetação.
Seguindo sempre pela principal, a paisagem ao redor muda e a mata atlântica dá lugar ao reflorestamento de eucaliptos. 
E com cerca de 40 minutos de descida, finalizo em outra estrada que vem da direita.
Surgem bifurcações logo à frente, mas essas não tem como errar, pois é só se manter na estrada principal. Passo ao lado do Sitio Recanto Jatobá, que é muito bonito por sinal e de agora em diante a paisagem muda completamente. São pastos e mais pastos e ausência de áreas de mata fechada.
Riacho no percurso

E exatamente as 14:00 hrs com 1 hora de descida chego na Estrada da Moralogia, que segue na direção do Bairro Jardim Vieira. à direita.
Mas meu caminho é voltar para Mogi, por isso sigo na direção sul, à esquerda como se estivesse voltando. Se quisesse encurtar a caminhada, era só esperar o ônibus circular que passa pela estrada e segue para Estação de Estudantes, mas seria frustrante eu vir para essa região fazer uma caminhada e quase no meio do percurso retornar de ônibus.
Nesse trecho da caminhada o Sol já tinha sido encoberto por nuvens escuras, que prenunciavam chuvas, então já fui tirando a capa de chuva da mochila, mas o que veio só foi uma leve garoa.
Na mata fechada do lado direito ouço um riacho e quando vejo uma pequena trilha vou dar uma explorada. O rio é um afluente do Ribeirão Tabuão e não parece ser um rio poluído, mas não recomendo de jeito nenhum tomar água dele. Só tiro alguns clics e logo retorno para estrada seguindo rumo sul.


Caminho
Mais alguns minutos e chego na bifurcação à direita que leva até a Rodovia Mogi-Dutra. 
Aqui tem a Rotisseria Delicias da Serra, que parece ser um Bar, mas estava fechado naquele horário.
Continuo pela estrada de terra e aqui a chuva volta com força. Tento me proteger pela vegetação das arvores na lateral da estrada, mas não adianta muito. 
É uma chuva fria com ventos. Paciência, sabia que isso iria acontecer.
Mais sítios vão surgindo e logo inicio uma longa subida pela estrada. Pelo menos a chuva deu uma amenizada.
O topo da Serra de Itapeti está encoberto pela névoa e com pouco mais de 30 minutos desde a bifurcação para Mogi-Dutra passo ao lado de uma gruta. 


Entrada da Gruta
No lado de fora, o gramado parece ser bem cuidado e bem provável que no local ocorram encontros religiosos.
Um cruzeiro sinaliza que o lugar se chama Gruta Santa Terezinha, que é na verdade um aglomerado de pedras e entro no lugar para dar uma explorada. 
Embaixo das pedras, há uma estreita escadinha que conduz ao seu interior, onde reina a escuridão total e só com a lanterna do celular para acessar o lugar.
No fundo da caverna, passa um pequeno riacho que fornece água de qualidade.
Encho minhas garrafinhas de água e logo retorno para minha caminhada, que mais alguns minutos à frente inicia um trecho de descida finalizando no Bairro Jardim Aracy.


Estação de Mogi das Cruzes
Aqui também é possível retornar para a Estação de Mogi de ônibus, pois encontro um ponto de ônibus junto de uma esquina, mas resolvo continuar na caminhada.
E quando estou passando pelo interior do bairro, a chuva retorna, mas dessa vez nem me preocupei mais, pois estava próximo do final da caminhada. 
Depois de passar pelo início da Rodovia Mogi-Dutra e sobre a Perimetral , sigo pela Rua Cabo Diogo Oliver até chegar na Estação de Mogi das Cruzes as 16h30min, onde embarquei de volta para Sampa no trem da CPTM. 




Algumas dicas e informações úteis


# É uma caminhada que passou de 20 Km e só encontrei água em apenas 2 pontos: 

- Subida da Trilha da Onça e na 
- Gruta Santa Terezinha.

# No topo do Pico do Urubu existem barracas temporárias que vendem algumas comidas e bebidas e podem ser uma boa opção para quem não quiser levar nada na mochila.

Quem quiser conhecer o Parque Municipal, que fica na subida da estrada para o Pico do Urubu só com agendamento: clique aqui 

É comum encontrar no topo do Pico do Urubu pessoal de agencias que realizam voos duplo de paraglider. Ou somente assistir alguns corajosos que levantam voo solo. 

# Vídeo do Alan Augusto mostrando o downhill na Trilha da Onça, saindo do topo do Pico do Urubu: clique aqui

# Para quem pretende encurtar essa caminhada, é possível retornar de ônibus ao chegar na Estrada da Moralogia. A linha de ônibus é a E892 - Terminal Estudantes - Jardim Vieira.
Veja nesse site os detalhes e horários da linha: clique aqui

# Tracklog que usei, criado pelo maund9: clique aqui 

# O programa de GPS para celular que eu uso é o GPX Viewer para navegação e o Wikiloc e o Geo Tracker para gravação do tracklog, todos disponíveis na Play Store. 

Apesar de estarem em inglês, não tive dificuldades. Mandei o tracklog para o meu gmail e abri no celular. Fácil.