27 de março de 2026

Travessia Mogi das Cruzes - Jacareí pela linha férrea - Ferrotrekking - Relato com algumas dicas

Depois de ter feito no início do ano uma caminhada pela linha férrea ativa e trechos desativados em Poços de Caldas/MG, num total de pouco mais de 40 Km em 2 dias, ficou aquele gostinho de quero mais e a minha próxima caminhada tinha de ser também em alguma outra linha férrea.
Com o clima colaborando e prometendo ser de muito Sol no último final de semana das minhas férias, a trip estava planejada. Era só encontrar um local onde tivesse trilhos de uma alguma linha férrea.
Há alguns anos venho tentando fazer a Rota da Luz, que é uma caminhada de peregrinação que liga Mogi das Cruzes/SP até o Santuário de N. Sra. Aparecida e no trecho inicial, o trajeto segue paralelamente a uma linha férrea ativa e na hora pensei que poderia unir o útil ao agradável: seguir pelo trecho inicial da Rota da Luz (de Mogi das Cruzes até Guararema) no primeiro dia e no segundo dia continuar pela linha férrea até Jacareí, seguindo por trechos desativados da linha. E passando também por algumas cachoeiras pelo caminho.
Essa linha já fez parte da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil e iria caminhar por esse trecho.
A caminhada pelos trilhos de uma linha férrea é sempre marcada pela bela paisagem. Só atrapalha um pouco os dormentes, pois conforme caminhamos o passo não acompanha a distância entre eles, além dos pés sofrerem bastante devido aos pedregulhos. 
Já no trecho desativado dessa linha a intenção era seguir pelos vestígios dos trilhos, mesmo sem saber como eles estariam. E se não pudesse, seguiria por estradas de terra que estão próximas da linha.
Combinei com minha namorada Sil sairmos de São Paulo ainda de madrugada para chegar em Mogi das Cruzes bem de manhazinha com a intenção fazer todo o percurso até Guararema pernoitando na cidade, para no dia seguinte continuar a caminhada até Jacareí.
Com apenas 1 pernoite em Guararema, a mochila foi com o mínimo de peso, colocando alguns salgados, doces, uma muda de roupas e algumas garrafas de água.

Fotos acima, ao longo do trecho da linha férrea e a Cachoeira dos Errantes


Fotos: clique aqui
Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui


Num Sábado embarcamos na Estação Tatuapé da CPTM, chegando na Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes as 07h20min e tivemos que passar pelo Terminal Rodoviário para acessar a linha férrea um pouco mais à frente.
Início da caminhada pelos trilhos
Eram 07h30min e uma neblina espessa cobria toda a região e assim nossa caminhada se iniciou em meio à névoa.
A caminhada é agradável seguindo inicialmente no plano e passando ao lado de alguns condomínios e áreas de mata até chegar na ponte sobre o Rio Tietê ainda tomado pela neblina.
Pelo menos aqui não existe o cheiro de esgoto e com algumas aves aquáticas pelo local, parece que o rio não é tão poluído. Só alguns clics e voltamos a caminhar. 
Ponte sobre Rio Tietê
Lá pelas 08h40min surge um outro bairro e um viaduto sobre a linha férrea. Aqui a neblina se dissipou e o Sol começa a dar as caras.
O Bairro se chama César de Souza e até tem uma Estação abandonada em bom estado. Aqui um segurança do local nos abordou perguntando para onde iríamos e dissemos Guararema. Ele então só pediu para não caminhar pelo meio dos trilhos devido ao trem de carga.
Antiga Estação César de Souza
Um pequeno trecho de mata à frente e por volta das 09h20min o visual se abre para os pastos com gado do lado direito e uma Rodovia do lado esquerdo com muitos sítios e chácaras.
É um trecho com declive bem suave e um lindo visual nos dois lados. As paisagens rurais irão predominar daqui em diante e quem gosta de Natureza, é um prato cheio.
Algumas casas também surgem bem próximas da linha e pela falta de manutenção, parece que estão abandonadas. Reflorestamentos de eucaliptos estão bem próximos da linha, tanto à direita como à esquerda.
Casas abandonadas ao lado da linha
E por volta das 10:00hrs encontro uma bica d’água junto da linha, à direita. Colocaram até um pequeno cano e a água é de boa qualidade.
Aqui surgiu um pequeno problema. O solado do tênis da minha namorada descolou totalmente e para resolver o problema pegamos algumas fitas de TNT achadas na linha e fizemos uma espécie de linha e com isso conseguimos amarrar o solado. Achamos também uma linha de pesca e com isso deu para chegar em Guararema sem grandes dificuldades.
Típica paisagem
O difícil era encontrar áreas de sombra e devido ao Sol forte uma parada para descanso foi necessária ao lado de uma vegetação. Comemos alguns doces, salgados e um pouco de suco e energéticos.
Gás renovado e voltamos a caminhar em campo aberto. Algumas residências vão aparecendo bem próximas da linha, assim como uma enorme e antiga caixa d’água de concreto, dos tempos das Marias fumaças.
Antiga caixa d'água
Só mais alguns metros e chegamos no centro do Distrito de Sabaúna com sua bela estação muito bem conservada, algumas lojas e a enorme fabrica da FAME do outro lado da linha férrea. 
O Distrito pertence ao município de Mogi das Cruzes e é parada obrigatória de bikers e motos que circulam pelas estradas da região.
Centro do Distrito
Saímos dos trilhos e seguimos na direção da Cachoeira da Pedreira de Sabaúna, cujo acesso é por uma avenida na direção sul por alguns metros. 
Não deu nem 5 minutos e já estávamos entrando no inicio da trilha. 
O local até dispõe de estacionamento para alguns veículos e um grupo grande de pessoas estava saindo do local e já imaginávamos que a cachoeira estaria cheia.
Mais alguns minutos de trilha em meio à vegetação e para nossa surpresa ninguém no local da queda.
O volume de água é pequeno com queda vertical de uns 10 metros de altura.
Cachoeira
Na base da cachoeira não tem uma piscina e somente um filete com água até as canelas. Só não recomendo ficar embaixo da queda, pois apesar do volume de água ser pouco, ele cai com bastante força.
A agua é bem fria e ficamos só alguns minutos para logo retornarmos para a estação. 
Contando com um comércio variado, o centro do Distrito é um ótimo local para reabastecer de alguns alimentos e água.
Passamos pelo museu no interior da estação para alguns clics e depois voltamos para linha férrea. 
Trecho pela mata
Daqui em diante os trilhos seguem pelo interior de uma região de mata e em vários momentos cruzamos o Ribeirão Guararema até chegar na Estação Luís Carlos.
A estação é bem simples e recebe aos fins de semana o trem turístico da ABPF que sai de Guararema. 
O que chama a atenção é a beleza de seu casario com casinhas coloridas, várias opções de comércio que incluem restaurantes, cafeterias, sorveterias, bares, lojas de artesanato, um museu e a paróquia de São Lourenço. 
Vila de Luís Carlos
Toda a arquitetura das construções é do século XIX e são tombadas, devido ao seu valor histórico e artístico.
Andar pelas ruas da Estação é como uma viagem no tempo, já que a arquitetura das fachadas lembra muito uma cidade cinematográfica.
Depois de um breve descanso na plataforma da estação, retomamos nossa caminhada pelos trilhos por volta das 14h40min.
Só foi caminhar uns 15 minutos e cruzamos com o trem turístico vindo de Guararema com turistas seguindo na direção de Luís Carlos.
O Caminho da Rota da Luz surge um pouco mais à frente, dessa vez cruzando a linha férrea e bem próximo do Ribeirão de Guararema com suas corredeiras, piscinas naturais e pequenas cachoeiras, que podem ser acessadas em trilhas que surgem à esquerda.
Cachoeira
Num desses acessos, a trilha segue em declive até chegar na Cachoeira Luís Carlos, com várias quedas, piscinas naturais e corredeiras. 
E a gente foi lá, mas o lugar estava repleto de pessoas e até difícil encontrar um lugar para curtir a cachoeira. Só alguns clics e resolvemos voltar para os trilhos e no momento em que subíamos a encosta tinha chegado um grupo com aquela caixa de som portátil que tocava uma musica alta para acordar defunto. 
Totalmente sem noção e um desrespeito com a Natureza. 
Ainda haveria uma outra cachoeira alguns minutos à frente e contávamos que essa estaria mais tranquila. 
E só foi caminhar uns 10 minutos e encontramos uma trilha à direita descendo, que leva até a Cachoeira dos Errantes. 
Cachoeira
Por sorte o lugar estava vazio e deu para curtir a cachoeira sem pressa, ficando por quase 1 hora sem ninguém para incomodar.
Para quem tem tempo disponível, dá para chegar no topo dela e aproveitar o Sol nas pedras, mas preferimos só ficar na base da cachoeira junto do poção.
De volta aos trilhos, vamos seguindo por áreas de pastos e encostas íngremes do lado direito e o Ribeirão de Guararema do lado esquerdo em meio à mata fechada.
Por ter muitas áreas de sombra, fomos seguindo num ritmo de caminhada sem pressa.
E com quase 1 hora as primeiras residências começam a aparecer próximas dos trilhos, sinal que a cidade está bem perto.
Chegando na cidade
Passamos ainda num pequeno mercado, bem próximo da estação de Guararema para reabastecer de alimentos e água para a continuação da caminhada no dia seguinte.
E por volta das 18:00hrs chegamos na nossa pousada, bem próximo do pontilhão férreo sobre o Rio Paraíba do Sul. 
Pontilhão sobre Rio Paraíba do Sul
Foram cerca de 11 horas de caminhada pelos trilhos e conhecendo 3 cachoeiras, além de paradas para descanso em vários momentos. 
Agora é um belo banho e durante a noite saímos procurando algum restaurante pelo centro.
Não foi fácil já que a imensa maioria era de hamburguerias. 
E nos restaurantes tradicionais os pratos para 2 pessoas eram entre $200 Reais, $300 Reais. Tivemos que caminhar por toda a avenida principal para achar um com comida a la carte e mesmo assim não era tão boa. Era melhor termos ido em restaurantes mais para dentro da cidade, evitando os da avenida principal. Fica aí o aviso.
Já na pousada colei o solado do tênis da Sil com Superbonder e deu para o gasto. Pelo menos não descolou no último dia.
A caminhada do dia seguinte não teria cachoeiras e intercalava um pequeno trecho de linha férrea ativa com caminhada por trilhos desativados. Na verdade não saberia se daria para caminhar pelos antigos trilhos ou seguiria por estradas de terra.
E olhando todo o trecho no Google maps, não me pareceu ser difícil, por isso não tínhamos pressa para iniciar a caminhada no dia seguinte.
Por volta das 08:00 hrs da manhã ouvimos o trem de carga passando pela cidade, sentido Mogi das Cruzes, então era hora de levantar, preparar as coisas e começar o segundo trecho dessa travessia.
Depois de um café da manhã na pousada, seguimos para os trilhos e iniciamos a caminhada por volta das 10:00hrs.
Pontilhão
Alguns clics do belo pontilhão sobre o Rio Paraíba do Sul e de agora em diante os trilhos seguem em aclive suave por áreas de pastos e encostas, sem áreas de sombras.
A caminhada é agradável com aberturas na paisagem mostrando um gado nos pastos ao lado e com o Sol que não dá trégua. 
Pastos
Uma pequena nascente cruza a linha férrea e passamos por um pai com uma criança de uns 10 anos que estavam fazendo o mesmo trajeto que a gente, mas deu para perceber que faziam apenas uma caminhada lenta para depois retornar para a cidade.
Uma trilha à direita leva a um pequeno sitio e logo em seguida a caminhada se estabiliza. 
Trecho plano
Agora era no plano em meio a uma grande área de reflorestamento de eucaliptos e com inúmeras áreas de sombras, o que aliviou um pouco.
Algumas plantações de bananas surgem ao lado dos trilhos e por volta das 11:00hrs a fábrica da Suzano de papel e celulose aparece de frente. 
Fábrica da Suzano
É gigantesca e os trilhos da linha férrea são usados para escoar a produção da empresa por trens de carga, mas n
o momento não tinha nenhum trem ali no pátio. 
Pátio de manobras
Passamos por uma pequena área de manobras dos vagões e pela antiga estação São Silvestre, que está totalmente abandonada e toda pichada.
Só foi caminhar mais alguns metros pela linha férrea e de repente os trilhos sumiram, encobertos pela vegetação. Não esperava isso.
Fim dos trilhos
Já caminhei por trilhos desativados e sei que em vários momentos eles ressurgem, mas nesse trecho só tinha o vestígio do trajeto da linha e nada dos trilhos.
E seguindo em frente paramos numa pequena praça para um breve descanso e comer alguma coisa. O Bairro é Vila Garcia, mas também é conhecido como São Silvestre, pertencente a Jacareí. 
Tem um comércio variado nas redondezas e até vimos um ônibus circular do município seguindo para o centro.
Aqui passava o trem
Retomamos a caminhada pelos vestígios da linha, mas chegou uma hora que fomos obrigados a caminhar pela estrada de terra, à esquerda, já que nas laterais por onde os trilhos seguiam a vegetação cobria completamente.
E assim fomos caminhando com o Rio Paraíba do Sul bem próximo do lado esquerdo e com muitos pés de goiaba nos 2 lados da estrada.
Trilhos enterrados
Nesse trecho nem dá para ver mais os trilhos, que estão encobertos ou pela estrada e ou pela vegetação lateral.
Ao fazermos uma curva bem fechada para a direita e mais alguns metros é impossível seguir em frente. A estrada é sem saída e os vestígios da linha férrea estão encobertos pela vegetação densa. 
Vara mato à frente
Se continuasse seria trechos de vara capim e vara mato. E talvez só com facão e pedindo autorização aos proprietários, porque deu para ver que a antiga linha segue por dentro de propriedades particulares. 
Deu para ver que a continuação da estrada leva a alguns sítios e chácaras e preferi não arriscar para encontrar a linha férrea mais à frente. Até poderia, mas achei melhor seguir por uma outra opção.
Voltamos alguns metros e pegamos um desvio em meio a um reflorestamento de eucaliptos, sempre subindo.
Desvio
É um trecho tranquilo e minha intenção era retornar aos antigos trilhos mais à frente. Foram algumas subidas e descidas leves e com um pequeno trecho com o visual do Rio Paraíba do Sul à esquerda e vestígios da linha férrea ao lado dele.
E quando eu tentaria chegar nos trilhos seguindo por uma bifurcação na estrada eis que surge uma porteira trancada a cadeado. A propriedade é um pequeno sítio e definitivamente não dá para continuar a caminhada pelos antigos trilhos ou talvez o que sobraram deles.
Sítios e chacaras
O jeito foi continuar seguindo em frente, contornando um outro morro para chegar na ponte que cruzaria o Rio Paraíba do Sul, mas pelo menos é uma caminhada no plano passando por várias chácaras, sítios e um Hotel fazenda. 
Hotel Fazenda
Segundo algumas placas que vi pelo caminho, essa é a Estrada do Bom Jesus.
E pouco antes das 14h30min voltamos a ficar próximos da margem do Rio Paraíba.
Passamos ao lado de um pequeno barzinho e da paróquia Bom Jesus e bem em frente à ela, os trilhos ressurgem ao lado da estrada, mas a alegria dura pouco. 
Trilhos seguindo para a mata
Eles seguem por uma área de mata e vegetação, como se tivessem sumido novamente.
Até tem uma estrada ao lado seguindo na mesma direção, mas sem perspectiva nenhuma de que conseguiríamos seguir pelos antigos trilhos. 
Esse Ramal da antiga EFCB que liga Guararema a Jacareí foi desativado na década de 90 e com isso são mais de 30 anos com a vegetação engolindo a linha férrea. 
Só com facões e um bom tempo disponível para seguir esses trilhos.
Ponte sobre Rio Paraíba do Sul
E com isso tomamos a decisão de cruzar a ponte sobre o Rio Paraíba e seguir pela estrada de terra.
Alguns pastos com animais e plantações de milho vão surgindo ao longo do caminho até chegarmos no viaduto sobre a Rodovia Carvalho Pinto, no exato trecho dos túneis.
Túneis da Rodovia
O Sol castigava e o cansaço já batia forte, já que a partir do viaduto a estrada segue em aclive pelo meio da mata. Só queríamos achar um local plano para um breve descanso e nas primeiras sombras paramos.  Era hora de acabar com o restante dos salgados e a água, pois o fim da caminhada está bem próximo.
Voltamos a seguir em aclive até chegar em um lindo mirante com vistas da Rodovia e fazendas ao fundo.
Rodovia lá embaixo
Em seguida foi um pequeno trecho no plano e depois descida em meio a um bairro residencial até chegar na Rodovia que segue em direção ao centro de Jacareí. 
As opções seriam continuar pela Rodovia asfaltada sentido centro ou pegar o ônibus circular de volta para Mogi dias Cruzes.
Fim da caminhada
Devido ao cansaço e algumas nuvens negras que cobriam a região, prevendo chuvas, não dava para seguir para o centro e se arriscar a tomar chuva. O jeito era seguir de ônibus em direção a Mogi. E por sorte, ele não demorou muito. E só foi embarcar no ônibus e seguir por alguns minutos que a chuva caiu com força.
Passamos por Guararema e com quase 1h30min de viagem chegamos na Estação Estudantes e dali embarcamos no trem da CPTM em direção a São Paulo, chegando inicio da noite.



Algumas dicas e informações úteis

# No primeiro trecho dessa caminhada da Estação Estudantes até Guararema encontramos vários locais de comércio próximos da linha férrea que podem servir para compra de água e alimentos: Ao lado da antiga Estação César de Souza, Distrito de Sabaúna e na Estação Luís Carlos.

# Já no segundo trecho a partir de Guararema, tem a opção da Vila Garcia (ou Bairro São Silvestre), bem próximo da Indústria Suzano de papel e celulose. 
Tem também um pequeno barzinho bem ao lado da ponte sobre o Rio Paraíba do Sul.

# São pouquíssimas as bicas de água ao longo do trecho, por isso compre água no comércio ao longo do trajeto nos pontos citados acima.

# Quem é adepto do camping, existem vários locais para acampar ao longo da linha férrea, tanto no primeiro trecho quanto no segundo, mas não recomendo porque será um peso desnecessário.

# Na maior parte dessa caminhada encontrei sinal de telefonia celular. Não ficava olhando o celular a todo momento para ver se tinha ou não, mas quando precisei enviar mensagens, não tive problemas.

# Obrigatório uso de protetor solar e um boné com abas.

# O uso de perneiras e de um bota de trekking achei desnecessário. Um tênis de boa qualidade já serve.

# Alguns minutos depois da Vila Garcia (ou Bairro de São Silvestre) o trecho da antiga linha férrea está tomado pelo mato e vegetação alta, sendo muito difícil seguir por eles.

# Ônibus circular linha: 8015-B Jacareí – Mogi das Cruzes (via Guararema) que embarcamos no final da caminhada.

# Aos fins de semana os intervalos dessa linha são longos. Veja no link abaixo dias, horários e valores:

# Para quem curte caminhadas pelos trilhos de linhas férreas, as chamadas Ferrotrekking, tenho 5 relatos de caminhadas que passam por túneis, pontes em ruínas, viadutos, etc.:





# Para quem pretende fazer essa caminhada com o intuito de aproveitar os pontos turísticos, são esses:
- Centro do Distrito de Sabaúna, Mogi das Cruzes
- Cachoeira da Pedreira de Sabaúna
- Vila da Estação de Luís Carlos
- Corredeiras e Cachoeira Luís Carlos
- Cachoeira dos Errantes
- Centro de Guararema com Recanto do Américo e a Ilha Grande
- Pontilhão da linha férrea
- Estação de Guararema
- Trem turístico da ABPF ligando Guararema à Estação Luís Carlos

13 de janeiro de 2026

Travessia Estação Central de Poços de Caldas x Águas da Prata pela linha férrea - Ferrotrekking (trecho desativado e ativo) + Trilha das 7 Cachoeiras - Relato com dicas

Numa viagem à Poços de Caldas para visitar parentes a muitos anos atrás, ao passar pela cidade de Águas da Prata vi um trem de carga cruzando a cidade num final de tarde. Era uma locomotiva com vários vagões e f
ui saber depois que essa linha férrea é usada para transporte de bauxita até o interior de SP, saindo da Estação CBA que se localiza a uns 10 Km do centro de Poços de Caldas.
Até fiz caminhadas de uns 3 Km por um trecho desativado dessa linha férrea, saindo do centro de Poços de Caldas até a Cachoeira Campo da Mogiana e indo um pouco mais além, porém o trecho completo do centro de Poços até Aguas da Prata teria encontrar uma boa oportunidade e com clima ajudando, por isso fui deixando de lado.
Minha intenção era fazer todo o trajeto desde centro de Poços até Aguas da Prata totalizando cerca de 33 Km em 2 dias, sendo que no primeiro dia seguiria até a Estação Cascata (na divisa MG/SP) num total de 17 Km, sendo quase 10 Km por trecho desativado. E no segundo dia continuaria a caminhada, dessa vez pelo trecho paulista e ativo da linha férrea, incluindo também a Trilha das 7 Cachoeiras de uns 2 Km, com início ao lado dos trilhos. Mas devido a alguns desvios, fui obrigado a acrescentar quase 10 Km a mais.
A caminhada pelos trilhos não tem segredo e todos os relatos que encontrei saiam da divisa de Estados MG/SP até Águas da Prata, incluindo somente o trecho paulista e ativo da linha férrea. Já pelo trecho desativado de Poços de Caldas seguiria somente por vestígios da linha férrea, pois os trilhos e dormentes tinham sido retirados.
Por já ter feito caminhadas por linhas férreas desativadas como a Funicular de Paranapiacaba ou o trecho desativado da Passa Quatro – Cruzeiro, sabia perfeitamente o que poderia me aguardar nesses trechos.
Para a trilha das 7 cachoeiras encontrei vários relatos e para 
evitar carregar peso desnecessário resolvi que no final do primeiro dia retornaria para Poços de ônibus e no dia seguinte continuaria a caminhada a partir da Estação Cascata.
E no final daquele ano de 2025, por estar de férias em Poços de Caldas e com o clima ajudando, era hora de riscar essa caminhada da minha lista.
Só levei uma pequena mochila de ataque com o básico: algumas barrinhas de cereais, frutas secas, lanches, garrafas de água e 1 kit de primeiros socorros.


Foto acima, trechos desativados e ativos da linha férrea e na Trilha das 7 Cachoeiras


Fotos 
- Estação Central de Poços x Estação Cascata: clique aqui
- Estação Cascata x Estação de Aguas da Prata: clique aqui

Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui



Antiga Estação Central
Depois de um breve café da manhã segui para antiga Estação Central de Poços de Caldas onde cheguei pouco depois das 07:00hrs daquela manhã ensolarada. O lugar ainda mantém o prédio original e ali funciona a sede da Guarda Civil Municipal (GCM) de Poços de Caldas e por não permitir acessar a parte interna, só tirei algumas fotos do lado de fora e segui pela Avenida João Pinheiro. 
Só foi caminhar alguns metros, virar à esquerda e acessar uma Rua chamada de Beira Linha que agora seguia pela antiga linha férrea, mas sem os trilhos e dormentes que foram retirados à algumas dezenas de anos atrás.
Resquícios da linha férrea 
Chama muito a atenção uma antiga caixa d’água ainda de pé que abastecia as locomotivas e daqui em diante a caminhada seguiu por vestígios da linha férrea, junto da encosta até chegar na pequena ponte férrea ao lado do Presídio da cidade. 
São 08:00hrs e vejo alguns parentes de presos entrando no local. 
Depois de cruzar a ponte sigo por um trecho em meio à vegetação, tendo de pular uma cerca de arame e seguindo pelos vestígios dos trilhos. 
Passo ao lado do cemitério (em frente da entrada tem uma fonte de água mineral, se precisar) e mais alguns metros outro trecho em meio à vegetação, sempre passando pelos fundos de várias residências.  
Ao chegar na próxima ponte, saio à esquerda em direção à Cachoeira Campo da Mogiana, seguindo por uma estrada de terra e no caminho cruzo com um pequeno riacho de água potável no meio da mata. 
Cachoeira Campo da Mogiana
A cachoeira está a alguns metros à frente, sendo de pequeno volume e suas águas não são poluídas, como outras cachoeiras da cidade. Tem até uma pequena bica de água potável de uma nascente, junto da encosta.
Outras quedas
Já conhecia essa cachoeira de muitos anos atrás e atualmente colocaram uma cerca de arame em volta da queda principal. Dizem que foi devido a acidentes, mas subindo o riacho, dá para ter acesso a outras quedas.
Pouco antes das 09:00hrs retorno para antiga linha férrea e vou seguindo em meio a vegetação por entre morros e próximo dos muros de um condomínio residencial. 
A região é chamada de Campo da Mogiana e as encostas são repletas de vegetação de cerrado. Quando passei ali no final de 2025 deu para ver que estão construindo algumas residências no meio da mata. Uma pena.
Viaduto
Seguindo pelos vestígios da linha que lembram uma antiga estrada, em alguns minutos passo por uma espécie de túnel, que na verdade é um viaduto com a linha férrea passando por baixo. O lugar é todo pichado e do outro lado a linha segue por entre algumas árvores e vegetação de capim, sem problemas de navegação. 
Nesse trecho é preciso tomar cuidado para não seguir pelo caminho errado. 
Pilares da linha férrea
A linha desativada parece seguir à direita por uma curva, mas o caminho correto é seguir à esquerda por entre 2 pequenos morros até chegar nos pilares de uma antiga ponte em curva. 
É uma bela imagem dos pilares da linha que ainda estão de pé. Uma trilha desce pela mata até a margem de um riacho com volume pequeno de água. Só foi pular algumas pedras e volto a subir do outro lado em meio a muita vegetação e aqui é como se fosse um vara mato até chegar na antiga estrada novamente e mais alguns metros na primeira rotatória. 
Daqui em diante a antiga linha férrea virou uma estrada para veículos, passando próximo da PUC-MG do lado esquerdo e ao fazer uma curva para esquerda, chego num pequeno vale por onde seguia a linha férrea.
Seguindo pelo alto do morro
Tentei avançar, mas devido a vegetação alta e uma nascente de água que resultou num brejo, tive que retornar devido às dificuldades. Agora fui seguindo pelo topo do morro até chegar numa rotatória pouco antes das 10:00hrs.
Cruzei em linha reta para o outro lado e fui seguindo por um vestígio de estrada com muito lixo. Foram somente alguns minutos até chegar numa estrada de terra consolidada que era o antigo trecho da linha férrea.
Desde a rotatória anterior foram quase 2 km até chegar em uma área de vegetação arbustiva onde fui avançando por entre o capim. Os vestígios da linha férrea ainda estão lá, só os trilhos e os dormentes que foram retirados.
Impossível seguir
Mas consegui avançar até chegar numa ponte sobre um rio, onde dali em diante o mato tomava conta. Se fosse só isso até dava para caminhar varando mato, mas como não tinha trazido um facão e a vegetação era de espinhos, seu eu continuasse em frente sairia dali todo arranhado.
Fiquei em cima da ponte por alguns minutos avaliando o que fazer e não estava a fim de desistir. Depois de ver algumas imagens de satélites percebi que era possível contornar esse trecho, seguindo por uma estrada à esquerda e que segue paralela a linha férrea.
As 10h30min retornei pelo mesmo caminho até um ponto onde acessei uma rua à direita e agora fui seguindo junto da calçada, paralelamente à antiga linha férrea, porém só cheguei a caminhar uns 30 minutos e dei de cara com um portão de ferro no final da rua. Parece que a partir dali é área particular. Só problemas. E agora? 
Portão no final da rua
São pouco mais de 11:00hrs e não está nos planos desistir. 
O jeito é retornar alguns poucos metros e seguir por uma rua íngreme sentido sul até achar um desvio que me leve de volta à antiga linha.
E assim vou passando por uma área rural com algumas plantações e residências até encontrar uma saída da estrada à direita, ao lado de um pequeno riacho. 
Fazenda
A área é de uma fazenda que tá sendo preparada para plantio de grãos, mas não tem
 erro; é só cruzar toda ela e sair no outro lado, na estrada junto de um pontilhão de ferro sobre o Rio das Antas.
Pontilhão sobre Rio das Antas
A ponte é bem antiga e depois de vários clics continuo por mais alguns metros pela estrada já visualizando outra ponte, mas essa da linha férrea sobre o Rio, no lado direito. Os trilhos foram retirados, mas a ponte ainda está lá por sobre pilares. São 11h40min e cruzo ela para o outro lado com certa dificuldade só para ver onde poderia chegar se tivesse varado mato pelos espinhos lá atrás. 
O lugar tem muita vegetação também e seriam cerca de 700 metros de trecho que deixei de fazer.
Ponte férrea
Depois de um breve descanso em cima da ponte, era hora de retomar a caminhada e ao sair deu para ver que ali era um antigo pátio ferroviário, pois existem alguns vestígios de uma linha intermediária, inclusive com outra ponte sobre o Rio. 
Sem perder tempo acesso a estrada novamente e encontro alguns trilhos da linha férrea quase encobertos pela vegetação com um desvio na linha principal confirmando que ali era mesmo um antigo pátio. 
Muitas lagoas e aves
Esse é um trecho muito bonito com várias lagoas e muitas aves. São garças e biguás além de outras aves que não consegui identificar. A partir daqui já começam a surgir os trilhos da linha férrea e antigos postes de telégrafos ainda de pé.
Vagão com dormentes
E às 12h30min encontro um vagão com inúmeros dormentes que provavelmente seriam para reposição da linha ativa, já que alguns metros à frente se localiza a Estação Bauxita da CBA. 
O lugar é usado para embarque do minério, retirado de uma mina ao lado e embarcado em vagões em direção à Usina da Votorantim, no interior de SP, onde é transformada em alumínio. 
A operação de transporte em vagões até a Usina só ocorre durante a noite, então era uma preocupação a menos ao longo da caminhada pela linha.
São inúmeros vagões estacionados e abarrotados de bauxita que estão só esperando a noite chegar para serem levados para o interior de SP.
Vagões estacionados com bauxita
Vou passando sem problemas pela Estação e daqui em diante a caminhada é pelos trilhos da linha férrea ativa, seguindo pelos dormentes ou às vezes em trilhas laterais. 
Caminhar pela linha férrea não é fácil porque o passo não acompanha a distância entre os dormentes, fazendo com que a caminhada não esteja sincronizada e o ritmo se altere a todo o momento. Quem sofre são os pés que em vários momentos tenho de seguir pisando nas pedras, fazendo com que o ritmo seja mais lento. E para piorar, o Sol está a pino e eu com pouca água.
Quando chego no viaduto embaixo da Rodovia por volta das 13h30min, era hora de descansar e comer um lanche na sombra.
Rodovia à frente
Não pensei 2x e consumi toda a água e a comida que restavam, pois sei que no máximo em 1 hora finalizarei a caminhada. 
Depois de uma boa descansada embaixo do viaduto, volto a caminhar em trecho aberto e cerca de 15 minutos depois cruzo sobre um pequeno riacho que não me pareceu ser de água potável e mais alguns metros encontro a primeira cobra junto dos trilhos. 
Cobra nos trilhos
Tomei um baita susto, mas olhando mais de perto deu para ver que não era peçonhenta e me pareceu ser a cobra cipó marrom.
Algumas estradas vicinais cruzam a linha férrea e às 14h30min passo ao lado de um totem histórico. Conhecido como Obelisco da Cascata, o totem está localizado em área da Fazenda Pinheirinho e foi inaugurado no ano de 1937 ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Mogiana, servindo como marco divisório dos estados de MG e SP.
Totem histórico
Só tiro algumas fotos e sigo em frente passando por trechos com muitas árvores nas laterais, permitindo caminhar por áreas sombreadas.
Cruzo outro pequeno riacho de água não potável e as 15h10min finalizo na Estação Cascata, que está fechada. 
Foram cerca de 8 horas de caminhada e por hoje chega. Agora é voltar à Poços de Caldas de ônibus e na manhã seguinte reiniciar a caminhada nessa mesma Estação em direção à Águas da Prata.
Depois de alguns clics da Estação e me hidratar num barzinho próximo, vou subindo por uma rua até um bairro próximo da Rodovia com muitas residências, comércios e o ponto final do circular que segue até Poços de Caldas. Fim do dia sem grandes dificuldades.
Estação Cascata
Dia seguinte era feriado e fiquei quase 1 hora no ponto de ônibus em Poços esperando o circular até a divisa MG/SP, desembarcando no Bairro e dali levei mais 20 minutos até a Estação Cascata. 
Mesmo fechada, a Estação está em bom estado de conservação e quem sabe algum dia esse ramal volte a funcionar para o turismo e a Estação reabra.
Voltando à caminhar
Sem perder tempo, iniciei a caminhada pelos dormentes da linha férrea às 08h30min, porém nesse dia encontrei 3 grupos descendo até Águas da Prata e mais 1 outro subindo.
A caminhada é agradável em declive suave por entre áreas de mata e encostas íngremes do lado esquerdo. De vez em quando aberturas mostram uma linda paisagem à direita e alguns reflorestamentos de eucaliptos junto da linha.
Num trecho quase em linha reta as áreas de sombra acabaram e o Sol não dá trégua. 
Lindo visual
Depois de uma pequena nascente de água, a linha segue bem próxima de outras encostas íngremes, mas essas à direita e encontro até um pequeno banquinho de dormente colocado estrategicamente numa área de sombra, mas ainda é cedo para um descanso.
Com 1 hora de caminhada chego na Ponte do Tajá, que é um dos principais pontos que podem ser vistos da Rodovia. 
Ponte do Tajá
Ela deve ter uns 100 metros e a mata densa embaixo dela não permite visualizar o quanto a ponte é alta. Em todas as que cruzei os dormentes eram todos novos e em bom estado de conservação. Talvez por ser uma linha ativa e usada para transporte de muitos vagões cheios, dá para ver que a empresa faz uma boa manutenção dos trilhos. 
Pelo menos as áreas de reflorestamento acabaram e assim que finalizo a ponte, acesso uma trilha à esquerda que leva a uma pequena nascente de água que escorre pelo paredão rochoso. Lugar perfeito para reabastecimento e sem demora retorno para os trilhos.
A caminhada intercala trechos expostos com belos visuais e vegetação com áreas de sombra.
Cachoeira ao lado da linha
Numa curva bem à esquerda a linha férrea adentra uma área com árvores nos dois lados, como se fosse um túnel de vegetação, surgindo uma pequena cachoeira, que é parada obrigatória para um banho refrescante, a fim de aliviar o calor.
Conforme vou me aproximando de um túnel, passo ao lado de uma trilha que deve levar a um riacho ou até alguma cachoeira do lado esquerdo, mas prefiro continuar a caminhada.
As 10:00hrs chego na boca do túnel com uma placa indicativa de número “52”, que deve ser a quantidade de túneis nessa linha. Ele é em curva e não é tão longo (em torno de 90 metros), sendo todo escavado em rocha pura, dando para cruzá-lo somente com a lanterna de um celular, sem dificuldades.
Túnel em curva
Do outro lado o trecho apresenta algumas áreas expostas com encostas íngremes de um lado e belos visuais com abismos do outro, porém a maior parte é de vegetação com áreas de sombras. 
O Sol a pino é escaldante e com cerca de 30 minutos desde o túnel, passo ao lado de uma retroescavadeira estacionada sem ninguém operando. Deu para ver que ali aconteceu um deslizamento da encosta e a máquina estava ali para retirar a terra e também trocar a pedra brita. 
Retroescavadeira ao lado da linha
Só alguns clics e continuo a caminhada, cruzando com um teiú e passando ao lado de um acesso à residência junto da linha férrea até chegar na entrada da trilha das 7 Cachoeiras. Aqui só a lamentar 3 motocross passando ao lado da linha férrea com o barulho infernal dos escapamentos - respeito zero pela Natureza.
E bem no início da trilha até as cachoeiras tem uma placa de Proibido Motos.
Entrada da trilha
A trilha entra na mata fechada até chegar na margem de um rio de águas limpas e vou subindo com ele sempre próximo, às vezes pelo lado esquerdo, mas a maior parte da caminhada é sempre do lado direito.
Logo no início cruzo com uma área de antigos acampamentos sendo tomados pelo mato até chegar na primeira queda com uma piscina natural na base. Primeiro mergulho, mas não fico muito tempo e volto a caminhar depois de alguns minutos.
Na segunda cachoeira o poção é um pouco maior e aqui aproveitei para comer alguns lanches, além de dar um outro mergulho.
Quedas com piscinas
Conforme vou subindo, as quedas são todas diferentes, de pequeno volume e somente umas 2 delas são bem altas.
A trilha alterna entre pequenos trechos planos com subidas em meio a muitas pedras e raízes expostas que servem de apoio. Não é uma subida difícil; ela é cansativa, mas com várias cachoeiras dá para ir aproveitando todas elas para um breve descanso.
Logo após a quinta cachoeira, a trilha cruza uma grande área descampada ao lado do rio, próximo do topo da cachoeira e logo à frente a trilha tem uma bifurcação que pode confundir e levar a um desvio maior, que é desnecessário. 
Nesse ponto a trilha estará do lado esquerdo do rio, sendo necessário cruzá-lo para direita dele.
Alguns metros antes desse ponto encontrei uma cobra Caninana junto ao rio. 
Cobra Caninana na trilha
Toda preta e com manchas amarelas, ela não é peçonhenta, mas é agressiva se sentir ameaçada. Só esperei ela se esconder nas pedras e depois segui em frente.
A mata ciliar que acompanha o rio é bem fechada e além das cobras é preciso tomar cuidado também com alguns trechos escorregadios nas pedras, devido ao limo.
Daqui em diante mantive sempre à direita do rio com várias outras pequenas quedas bem próximas. 
Perfeita para se refrescar
Uma delas é uma cachoeira quase vertical com água escorrendo rente ao paredão e caindo em cima de grandes rochas, sem um poço na base. Pelo menos dá pra se refrescar na queda. 
O trecho a seguir é quase uma escalaminhada vertical, exigindo cuidado na encosta com a ajuda de várias raízes como apoio para ir subindo.
Finalizado esse trecho íngreme, o visual se abre atrás de mim, sendo possível ver todo o vale coberto de mata atlântica e ao fundo trechos da Serra da Fartura. 
Panorâmica
É uma bela panorâmica e fiquei ali sentado só apreciando a vista, mas devido ao Sol escaldante, não dava para ficar ali torrando a cabeça por muito tempo.
Depois é um pequeno trecho no plano até chegar na última cachoeira, que é a mais bonita e a mais alta de todas. Essa também tem um piscina natural na base e perfeita para um mergulho.
A distancia, desde os trilhos, ficou em 1,8 Km e com tempo de 2h30min já somando com as paradas nas cachoeiras. É cansativo sim, mas vale o esforço.
Última cachoeira
No local tinha um casal que estava acampado ao lado da cachoeira, por isso não fiquei muito tempo aqui.
No retorno encontrei um estacionamento de veículos bem próximo da cachoeira e depois segui descendo pela trilha.
Eram por volta das 14:00hrs e encontrei 2 grupos subindo, sendo que um deles estava tomando banho numa das cachoeiras e os alertei sobre a cobra Caninana.
Na descida parei em algumas cachoeiras para uns mergulhos e fui chegar na linha férrea às 15h30min.
Agora sentido sul, rumo Águas da Prata. São trechos sinuosos com muitas árvores nas encostas, mas a exposição ao Sol é grande. Pelo menos o calor não era tão forte, devido ao horário.
Ponte sobre Riacho Platina
Com cerca de 20 minutos vejo por entre as árvores o pedágio da Rodovia e um pequeno acesso a ele, mas sair aqui dos trilhos não está nos planos e continuo a caminhada. Outra ponte e essa sobre o Riacho Platina de águas limpas. 
E com quase 1 hora de caminhada ouço do lado direito o som de alguma cachoeira e de pessoas tomando banho. Não dá para ver a cachoeira, pois está escondida pela vegetação densa, além de ser um trecho muito íngreme, por isso prefiro não arriscar descendo até ela.
Cascatinha
Pela localização essa deve ser a famosa Cascatinha, que já conhecia de outra visita. Ela é acessível facilmente pela Rodovia e que faz parte de um complexo turístico com restaurante, estacionamento e estrutura para eventos. 
O lugar possui entrada gratuita e a cachoeira conta com um grande poção na base, além de alguns quiosques ao longo do rio.
Seguindo pelos trilhos, agora a caminhada é no plano com muito bambuzal nas laterais e aos poucos vão surgindo as primeiras residências próximas da linha férrea até chegar na Rodoviária da cidade.
Rodoviária
Sigo para o guichê da Viação Cometa e compro passagens no primeiro ônibus que segue para Poços de Caldas sem muita demora.
Para quem dispõe de tempo e ainda quiser curtir um pouco mais a cidade, o Parque das Fontes está a uns 200 metros da Rodoviária. É um lugar com quiosques de artesanato, comidas e algumas fontes de água mineral.



Algumas dicas e informações úteis 

# No primeiro trecho dessa caminhada do centro de Poços até a Estação Cascata só encontrei pontos confiáveis de água potável nos primeiros minutos, ao lado do cemitério e junto da Cachoeira da Mogiana.

# Já no segundo trecho o ideal é encher os cantis em uma nascente ao lado da Ponte do Tajá.

# Quem quiser acampar ao longo desse trecho é possível ao lado da linha férrea. Só tome cuidado que os trens com bauxita só fazem esse trajeto a noite, além do que uma cargueira é sempre um peso a mais.

# Até a Estação da CBA, os trilhos e dormentes foram removidos, num total de quase 10 Km.

# Na maior parte do trecho se encontra sinal de telefonia celular.

# Obrigatório uso de protetor solar.

# Linha de ônibus circular do centro de Poços de Caldas x divisa MG/SP: Marco Divisório. 
Valor: $6 Reais.
Horários: 

# Ônibus Águas da Prata x Poços de Caldas: Viação Cometa. Vários horários ao longo do dia. 
Valor: $16 Reais

# Atenção às cobras e abelhas ao longo dos trilhos e na trilha das 7 Cachoeiras. Encontrei 2 cobras e um grupo me alertou que tinham algumas abelhas atacando quem passava próximo da Ponte do Tajá.

# Um pouco de história:
A linha férrea que liga Poços de Caldas à Aguas da Prata faz parte do ramal que se inicia na cidade de Aguaí/SP e segue até Poços, sendo construída pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. 
Sua inauguração foi em Outubro de 1886 e contou com a presença do Imperador D. Pedro II, funcionando como transporte de passageiros até 1976 e ao longo da década de 90, a linha passou a operar como trem turístico aos finais de semana e feriados, sendo desativado no final de 1998. 
Porém uma parte desse trecho da linha permanece ativo devido ao transporte da bauxita (minério de alumínio) da Estação CBA (uma estação antes de chegar no centro de Poços) até o interior de SP.

# Várias reuniões já foram feitas com prefeitos das cidades que fazem parte desse Ramal com o objetivo de discutir a viabilidade econômica da retomada do trem turístico que ligaria Poços de Caldas/MG a Aguaí/SP, mas até hoje nada saiu do papel.

# Para quem curte caminhadas por linhas férreas, uma que eu fiz e recomendo é a linha Passa Quatro/MG x Cruzeiro/SP, seguindo sempre pelos trilhos e cruzando a Serra da Mantiqueira por inúmeros túneis, pontes, rios e nascentes que surgem a todo momento. 

# Outra caminhada que vale a pena, mas somente para os mais experientes e corajosos é a travessia da Linha Funicular, que desce a Serra do Mar de SP entre Paranapiacaba e Cubatão. São inúmeras pontes em ruínas com risco de queda e vegetação alta em todo o trecho. O relato é esse: