Mostrando postagens com marcador Lapa do Boquete. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lapa do Boquete. Mostrar todas as postagens

30 de julho de 2026

Roteiro de 3 dias pelas Cavernas do Parque Nacional do Peruaçu/Minas Gerais

Quando li uma noticia ao longo de 2025 de que a UNESCO reconheceu como Patrimônio Mundial Natural da Humanidade as cavernas do Parque Nacional do Peruaçu, decidi na hora colocar na minha lista de lugares para conhecer naquele ano ou em 2026.
Sempre gostei de cavernas e já tinha explorado algumas aqui em SP, nos Núcleos do PETAR (Parque Estadual do Alto Ribeira). Muitas são caminhadas por leitos de rios, outras exigem atravessar poções e pequenas cachoeiras; algumas são secas. Têm para todos os tipos de público e não é muito longe da cidade de São Paulo.
Já o Parque do Peruaçu está bem longe, no extremo norte de Minas Gerais, próximo da divisa com a Bahia.
Já sabia dele devido a ter a maior estalactite do mundo: a Perna da Bailarina, localizada na Gruta do Janelão, porém a logística para chegar lá não é fácil, já que são 1.200 Km saindo de São Paulo e pouca oferta de ônibus.
Na pesquisa das opções de logística encontrei poucos relatos com informações úteis e a maioria era de pessoas que contratavam agencias de Belo Horizonte (a cerca de 700 Km do Parque), porém os preços eram absurdamente altos, em torno de $5.000 Reais e as que ofereciam um valor mais baixo não contemplavam todas as atrações.
Muitos citavam que o ideal é ter 3 a 4 dias disponíveis para visitar todas as atrações, sem pressa.
Por ser obrigatório o acompanhamento de um guia nos roteiros das cavernas, tive que contratar um e pelo que pude constatar eles não formam grupos, como ocorre no PETAR. Seria um guia exclusivo em todos os dias de visitação do Parque.
Sendo uma viagem muito longa, resolvi também acrescentar alguns dias a mais para conhecer outras atrações na região.


Nas fotos acima Gruta do Janelão e o Arco do André


As fotos em dividi nos 3 dias de visitação ao Parque:

1º dia - Circuito do Silú: Grutas do Carlucio, Caboclo e Rezar: clique aqui
2º dia - Circuito Arco do André: clique aqui
3º dia - Circuito do Janelão: clique aqui
4º dia – Passeio de barco pelo Rio São Francisco: clique aqui

Alguns vídeos: clique aqui

Tracklog para GPS do 1º dia: clique aqui
                                2º dia: clique aqui
                                3º dia: clique aqui


Mapa das trilhas
O Parque foi criado em 1999, quando o extinto IBAMA decretou 56,5 mil hectares da área da APA Cavernas do Peruaçu como Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, incluindo as cavernas e extensas áreas de cerrado e caatinga, porém ele só foi aberto à visitação a partir de 2016, depois que foram criadas as passarelas, trilhas e toda a infraestrutura para recebimento dos visitantes.
Seu funcionamento é de Terça a Domingo das 08:00hrs às 18:00hrs, com entrada gratuita.
Centro de visitantes principal
De acordo com o ICMBio, são cerca de 200 cavernas catalogadas (mas apenas algumas abertas à visitação) e quase 80 sítios arqueológicos, que apresentam vestígios de ocupação humana de diferentes épocas e são datados entre 500 a 14.000 anos atrás.
Além de abrigar 3 tipos de ecossistemas: cerrado, caatinga e mata atlântica, também existem cavernas com até 100 metros de altura repletas de estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, travertinos, cogumelos, cânions com 200 metros de profundidade, dolinas, diferentes tipos de relevo, muitos sítios arqueológicos com pinturas rupestres e uma pequena fauna. 
Passarelas suspensas nas cavernas
No dia de visita à Gruta do Janelão encontrei um cervo próximo do centro de visitantes e também uma raposa no acesso à Lapa do Carlucio, além de muitos mocós, que é um roedor típico da região. 
São três circuitos para visitação, sendo que dois deles se originam num mesmo centro de visitantes, que são o Circuito do Arco do André e o da Gruta do Janelão.
Já o Circuito do Silú possui outra entrada que leva as Lapas do Carlucio e do Caboclo, além de alguns mirantes.
Pelas trilhas
Junto ao centro de visitantes principal tem início a trilha que leva a uma única Lapa, a do Rezar.
Como em qualquer trilha em meio à Natureza o ideal é usar roupa própria de trekking: calça e camisa ou camiseta de manga comprida, além de um bom calçado.
Vi algumas pessoas usando bastão de caminhada, mas achei desnecessário.

Logística
A sede do Parque se localiza na Comunidade do Fabião, junto às margens da Rodovia BR 135, entre a cidade de Januária e Itacarambi, no norte de Minas Gerais.
Saindo de Januária são 45 Km; já a distancia até Itacarambi é de apenas 15 Km.
Por estar localizado a cerca de 1.200 Km da cidade de São Paulo, não compensa ir de carro ou moto; eu acho muito desgastante.
Saída da Rodovia
De ônibus teria uma complicação, pois a única opção era embarcar em Belo Horizonte em direção à Montes Claros pela Viação Transnorte. Dessa cidade haveria apenas 1 horário pela mesma empresa e passando pela entrada do Parque, mas os horários eram bem ruins. 
Sobrava então avião, cujo Aeroporto mais próximo é o de Montes Claros e essa foi a opção que escolhi, além de alugar um carro assim que desembarquei.
Dessa cidade são apenas 215 Km até a entrada do Parque e foi um gasto a mais, porém não precisei ficar dependendo de alguém para me levar aos lugares.
E se mesmo assim vier de ônibus veja a opção com o guia de incluir o transporte, com ele pegando você na pousada nos dias da visitação ao Parque.
Acesso às Cavernas
Uma opção barata de ônibus que fiquei sabendo na pousada onde me hospedei é uma viagem de compras saindo de Itacarambi até São Paulo em alguns dias da semana - no final coloco mais detalhes da pessoa que faz essa viagem.
Logística resolvida com uns 3 meses de antecedência, agora era a parte burocrática do Parque, que exige a contratação obrigatória de um guia para todos os circuitos de visitação do Parque.

Contratação do guia e o agendamento
Quando troquei mensagens com o pessoal do Parque pedindo sugestões de guias, eles me passaram um link com mais de uma centena deles, mas me assustei pelo valor alto que cobram.
Outra opção eram as pousadas que também podem sugerir guias que prestam um bom serviço.
Cânion do Rio Peruaçu
A regra do parque é que a visitação a qualquer atrativo só pode ser feita obrigatoriamente com acompanhamento de um guia e deve ser agendada com antecedência, pois existe um número máximo de visitantes em algumas cavernas.
Normalmente o agendamento é realizado pelo próprio guia, que escolhe o melhor roteiro de acordo com o condicionamento da pessoa ou do grupo.
Trilha para as cavernas
O valor médio cobrado é em torno de $400 Reais por dia e individual.
No Circuito do Arco do André, o valor somente para essa atração é um pouco maior, em média $500 Reais.
Se for um grupo fechado, o valor por pessoa pode diminuir, mas é questão de combinar antecipadamente o preço final com o guia, sendo necessários no mínimo 3 dias para visitar todas as atrações abertas ao público.
Para escolha do guia troquei inúmeras mensagens com vários deles, com alguns cobrando na faixa de $1.000 até $2.000 Reais por 3 dias e no final fechei com um guia por $300 Reais/dia.
Um item importante: alguns condutores incluem o transporte, outros não, por isso atente a isso antes de fechar os valores. 
Gruta do Janelão
E não esqueça também de acertar com o condutor se o serviço será individual ou você será incluído em algum grupo - eu combinei com meu condutor que o contrataria de forma individual, mas se ele me incluísse em algum grupo, então ficaria combinado dele diminuir o valor cobrado.
Abaixo segue o link da lista oficial de condutores credenciados, disponíveis no site do Parque (até Abril/2026): clique aqui.

Hospedagem e alimentação
Januária é a cidade com mais estrutura, embora não acho uma boa opção para se hospedar por causa da distância a ser percorrida todos os dias até o Parque, cerca de 45 Km só de ida.
Já a cidade de Itacarambi tem a vantagem de estar a 15 km da entrada do Parque, mas com poucas opções de hospedagem e restaurantes. 
Comunidade do Fabião
Tem a Comunidade do Fabião, às margens da BR 135, já bem próxima à entrada do Parque com algumas pousadas e restaurantes.
Em uma ou outra pousada dessa Comunidade é oferecido o jantar. É só combinar antecipadamente mas se ficar em uma pousada que não oferece alimentação, existe a opção de algumas hamburguerias e pizzarias próximas.
Área do Parque
Para hospedagem, eu pesquisei pelo Booking e no Google Maps, encontrando algumas pousadas com boas avaliações e bons preços.
O Parque também oferece um guia de pousadas e restaurantes das cidades de Januária e Itacarambi, além de opções na Comunidade do Fabião:

                                     Relato
O roteiro foi da seguinte maneira:
1º dia (Sabado): Chegada durante a tarde na Pousada da Comunidade do Fabião.
2º dia (Domingo): Gruta do Carlúcio + Gruta do Caboclo + Gruta do Rezar.
3º dia (Segunda-feira): Passeio de barco pelo Rio São Francisco.
4º dia (Terça-feira): Gruta do Indio + Gruta Bonita + Gruta do Boquête + Caverna Monte Sião, Mirante do Mundo Inteiro, Arco do André, Caverna do Cascudo + Caverna dos Troncos + Lapa dos Desenhos.
5º dia (Quarta-feira): Gruta do Janelão.
6º dia (Quinta-feira): Retorno para São Paulo.

Saindo de Guarulhos desembarquei no Aeroporto de Montes Claros por volta das 10:00 hrs e no guichê da Unidas acertei os últimos detalhes da locação. 
Coloquei no celular a rota para Pousada na Comunidade do Fabião, apontando 220 Km em 3h15min e fui seguindo por dentro da cidade até acessar a Rodovia BR 135. E dali não tem mais erro.
Com asfalto em boas condições, mas caindo uma leve garoa o trecho é tranquilo por Rodovia de pista simples.
Fui chegar na Pousada na Comunidade do Fabião por volta das 14:00 hrs com muito Sol e marquei com o guia de encontrá-lo no dia seguinte no centro de visitantes do Parque.

1º dia de Parque
Cheguei no centro de visitantes principal do Parque pouco depois das 08:00 hrs, seguindo por um pequeno trecho da Rodovia e depois estrada de terra em bom estado, não necessitando ser um veiculo 4x4. Só a poeira e os pedregulhos que atrapalham um pouco.
Lugar mais lindo do mundo
Depois de conhecer o guia e me informar sobre algumas regras, assinei o Termo de Responsabilidade e abasteci os meus cantis num bebedouro.
Seguimos por uma estrada de terra pelo interior do Parque por cerca de 9 Km até uma porteira fechada a cadeado e somente os guias possuem a chave desses cadeados – a porteira fechada é devido a estrada principal ser caminho de moradores para Comunidades próximas.
Antiga residencia dentro do Parque
Cruzado a porteira, seguimos por mais 2 km até um pequeno estacionamento e aqui iniciamos a caminhada por trilha demarcada.
O nome desse Circuito é Silú, compreendendo as Grutas do Carlucio e do Caboclo. 
Mirante dos Cactos
Passamos pelos Mirantes da Mata Seca e dos Cactos, onde é possível observar a mudança de vegetação em diferentes épocas do ano, além de algumas barrigudas, gameleiras e bromélias.
Boca da Gruta do Carlucio
E com uns 30 minutos chegamos na Gruta do Carlucio, que se localiza junto a um paredão vertical e conta com uma enorme boca e muitas formações calcárias como colunas, estalactites e estalagmites.
Muitas formações calcárias
Avançando pelo interior dela, são encontradas também algumas formações de travertinos.
Não ficamos muito tempo aqui e logo retornamos para a trilha, agora na direção da Gruta do Caboclo. 
Depois de um pequeno trecho íngreme, chegamos na entrada, onde existe uma passarela que avança por alguns metros pelo seu interior.
Entrada
Algumas formações de estalagmites e colunas, mas o que chama a atenção são as pinturas rupestres l
ocalizadas na entrada junto ao paredão, numa espécie de painel.
São de figuras geométricas bem nítidas e algumas de figuras humanas e animais de cores variadas e em bom estado de conservação. 
Depois de vários clics e tentando identificar o significado de algumas pinturas, voltamos para a trilha.
Ainda passamos por um antigo cemitério com alguns túmulos marcados por cruzes de madeira e em seguida chegamos no estacionamento.
Túmulos
Foi uma caminhada de pouco mais de 2 horas pelo circuito das 2 Grutas, retornando em seguida para o centro de visitantes onde comi alguns lanches e frutas secas.
Subindo
Às 13:00 hrs iniciamos por uma trilha ao lado, em direção a Gruta do Rezar, passando 
pelas ruínas de um antigo alambique.
Com uns 30 minutos de caminhada se inicia um trecho de 500 degraus morro acima. É um pouco cansativo, mas não é difícil.
Pinturas rupestres
E depois de mais uns 15 minutos chegamos na entrada da Gruta, que se caracteriza pelas pinturas rupestres junto ao paredão em um n
ível bem alto.
Nessas eu também tentei identificar o significado delas, o que representavam, mas só fiquei na imaginação mesmo.
Chama a atenção uma pequena claraboia junto da entrada e algumas estalactites junto ao paredão.
Dentro da Caverna
O salão de entrada é enorme, com cerca de 100 metros de largura e quase 50 metros de altura.
Antigamente a Gruta era usada em romaria, por isso recebeu o nome de Rezar.
Caminhando um pouco mais pela passarela, a trilha vai passando por colunas, estalagmites, travertinos até chegar ao último salão, quase totalmente escuro, com pouquíssima luz natural.
Na passarela
Depois de alguns minutos de contemplação, voltamos para a entrada e dali retornamos para o centro de visitantes, onde finalizamos o dia pouco depois das 15:00 hrs.
Só o tempo estimado para visitação dessa Gruta foi cerca de 2 horas, entre ida e volta.
Boca da Caverna do Rezar
Para o dia seguinte (uma segunda feira), o Parque estaria fechado e marquei um passeio de barco pelo Rio São Francisco - no final coloco o contato do barqueiro.

2º dia de Parque
Terça feira pela manhã tive que acordar bem mais cedo e por volta das 07:00 hrs já estava encontrando o guia próximo do centro de visitantes e de lá seguimos para o Circuito do Arco do André.
Entrada do Arco do André
A caminhada é por trechos acidentados, mirantes, cavernas enormes, sítios arqueológicos com pinturas rupestres exigindo um bom preparo físico no circuito mais longo do Parque e passando pelas Lapas do 
Índio, Bonita e Boquete, Mirante do Mundo Inteiro, Arco do André, Cavernas do Cascudo e dos Troncos e Lapa dos Desenhos.
Cruzando a porteira
O acesso também é restrito com porteira fechada a cadeado e início da trilha é no Centro de Visitantes do Janelão.
Pinturas rupestres
A primeira caverna é a do Índio, cuja principal característica são as pinturas rupestres nas paredes laterais e no teto. 
São desenhos de animais e figuras geométricas como se fossem riscos coloridos. 
Outra característica é o teto na cor preta resultado da fuligem de fogueiras, demonstrando que o lugar era utilizado como moradia.
Teto preto
Mas também são encontradas colunas, estalactites e estalagmites.
A próxima é a Lapa Bonita com restrição de no máximo 5 pessoas por vez e conforme se avança pelos salões, chega um momento que a escuridão é total.
Essa é uma das que possuem a maior quantidade de formações calcárias. 
Entrada
São colunas, estalactites, estalagmites, cortinas, travertinos em várias galerias.
Ao retornarmos para a entrada já tinha outro grupo aguardando. Com certeza foi uma das mais belas visitadas.
Formações de espeleotemas
Mais alguns minutos de trilha e chegamos na Lapa do Boquete, considerado um dos principais sítios arqueológicos do Parque onde 
foram encontrados vestígios de sepultamentos e alguns esqueletos de mais de 7.000 anos atrás, assim como artefatos de cerâmicas e instrumentos de pedras com cerca de 12.000 anos de idade, segundo datações realizadas pela UFMG.
Entrada da Lapa do Boquete
Também são encontradas pinturas rupestres de formas geométricas e p
arte das escavações feitas por arqueólogos ainda pode ser observada na entrada dela.
Seguindo a trilha, passamos ao lado da bifurcação que leva ao Mirante das Torres e com mais uns 15 minutos chegamos na Caverna Monte Sião, não sendo permitida a entrada. 
Entrada da Caverna Monte Sião
Daqui seguimos para o Mirante do Mundo Inteiro que possui uma ampla visão da região ao redor, mostrando o cânion do Rio Peruaçu.
Só é preciso tomar muito cuidado porque não existe nenhuma barreira de proteção, somente uma cordinha que não protege muito.
Mirante
Depois de alguns clics seguimos na direção do fundo daquele vale até a base do imenso paredão até chegar na entrada do Arco do André, onde paramos para um breve descanso e comer um lanche, ao lado do Rio Peruaçu.
Um casal com uma guia também estava no local descansando e no bate papo ouvi da condutora do casal uma expressão que não concordo de jeito nenhum. Ela disse que “a função dela ali era proteger o Parque dos visitantes”. 
Parada para descanso
Eu entendi que na visão dela, não estava sendo paga para proteger os turistas das áreas de risco do Parque ou sobre normas de segurança. Muito menos promover uma experiência única para os turistas terem acesso a registros pré-históricos de nossos antepassados, assim como ao patrimônio ambiental. 
Estávamos de frente para o Arco do André e depois de ouvir alguns diálogos dessa guia era hora de seguir adiante.
Arco com cânion ao fundo
O Arco é uma fenda gigantesca de uns 150 metros de altura que aparentemente foi criada pelo desabamento do teto ocorrido a muito tempo atrás. 
Nas paredes se observa camadas finas de rochas, como se fossem laminas. Lembra muito a rocha sedimentar varvito.
Paredes laterais
Aqui o Rio Peruaçu se torna um sumidouro e só voltará a emergir bem mais à frente.
É um trecho com muitas pedras soltas e depois de subir e descer passando por debaixo do Arco, existe uma saída da Caverna Monte Sião à direita, que exploramos alguns metros pelo interior dela.
Caminhada pelo vale
De agora em diante a caminhada é pelo interior de um vale com imensos paredões nas laterais e trechos íngremes entre as pedras por terreno irregular. 
É como se fosse uma escalaminhada descendo.
Trecho complicado
E quando chegamos na parte plana, passamos pelo interior de 2 Cavernas: a do Cascudo e a dos Troncos, com várias formações de estalactites.
Já no final da segunda caverna reencontramos o Rio Peruaçu, que agora segue pelo interior da mata com a trilha ao lado dele até chegar numa bifurcação à esquerda que leva até a Lapa dos Desenhos.
Não é uma caverna com entrada e sim um grande paredão onde o maior atrativo são as pinturas rupestres.
Muitas pinturas
São desenhos de diferentes cores, formatos e estilos, estando entre os mais bem preservados do Parque. 
Suas cores são tão vivas que parecem pintadas recentemente, mas são datadas de alguns milhares de anos.
Cruzando Rio Peruaçu
Voltando para a trilha, passamos pelo Sitio do Limoeiro e ao cruzar o Rio Peruaçu finalizamos no Centro de Visitantes do Janelão pouco depois das 14:00 hrs. 
Dali retornei à Pousada para aproveitar a piscina e ao final da tarde segui para Itacarambi.

3º e último dia de Parque 
Esse dia foi dedicado ao principal atrativo do Parque: a Gruta do Janelão.
Entrada da Caverna
Lá que está a maior caverna do Parque e a maior estalactite do mundo, a Perna da Bailarina. 
A parte da caverna que permite a visitação tem cerca de 1,5 Km de extensão e possui salões monumentais com mais de 100 metros de altura e formações calcárias belíssimas, além de 3 claraboias.
O roteiro começou no mesmo lugar do dia anterior: o Centro de Visitantes do Janelão, onde iniciei a caminhada por volta das 09:00 hrs.
Área de charco
Cruzando uma área de charco por passarelas suspensas, a trilha segue até a entrada da caverna e ao lado dela existe um pequeno sítio arqueológico com pinturas rupestres de animais e algumas figuras geométricas. Esse é o Ateliê do Janelão. 
Poucas pinturas
Só alguns clics e seguimos para a entrada da Caverna, que se assemelha ao Arco do André e numa imensa claraboia demos de cara com vegetação de mata atlântica. 
São vestígios que ali era uma antiga dolina, cujo teto desabou com a vegetação.
A claraboia tem o formato de coração, permitindo uma iluminação natural nesse trecho inicial.
1ª claraboia
Nas paredes algumas estalactites que se formaram ao longo de milhares de anos e a
ssim que a vegetação acaba, surge uma escadaria de pedras até chegar na margem do Rio Peruaçu, seguindo no plano daqui em diante até o final. 
É um trecho com imensos espeleotemas que lembram elefantes, escorrimentos em forma de cascatas, travertinos e cortinas.
2ª claraboia
Outra claraboia surge, mas essa não é tão grande quanto a primeira e a incidência da luz natural muda de acordo com a posição do Sol.
Mais outro trecho com muitas formações calcárias e a última claraboia surge com a Perna da Bailarina bem visível do lado esquerdo. 
É uma imensa estalactite e só para comparar, ela possui 28 metros enquanto o Cristo Redentor do Rio de Janeiro tem 38 metros de altura.
Perna da Bailarina
Ela parece ser até bem pequena, mas é devido ao teto, de onde se formou, estar a cerca de 100 metros de altura.
Continuando pela trilha, ela termina numa parte escura da caverna e dali em diante são 3 Km até a saída dela, cuja visitação não é permitida.
Fim da caminhada
Sem dúvida nenhuma é o circuito mais belo do Parque, pois suas dimensões e formações de espeleotemas são impressionantes. 
Só o duto de toda a extensão da caverna é gigantesco, além das 3 entradas de luz natural que proporcionam um visual diferente em cada uma.
Duto da caverna com a claraboia
Na minha pesquisa do Parque, constatei que existem pessoas que só vêm ao Parque para visitar essa caverna.
É um roteiro curto, mas obrigatório e se puder deixe para visitar o lugar por último.
Voltamos ao centro de visitantes por volta das 13:00 hrs finalizando essa visitação.

Passeio de barco pelo Rio São Francisco
Rio São Francisco
Na segunda-feira pelo Parque estar fechado fiz o passeio de barco pelo Rio São Francisco, saindo do cais da cidade de Itacarambi.
A saída é durante a tarde e contempla uma praia do Rio, Estação de Bombeamento da Jaíba e o Por do Sol no retorno para a cidade.
Por do Sol no Rio
A duração é cerca de 2 horas.
Valor de $60 Reais (algumas agencias e guias também intermediam o contato com o barqueiro, mas aí o valor chega a quase $100 Reais)
Contato: Elias
Tel: (38) 99978-9310
E-mail: feliselias123@gmail.com



Dicas e informações úteis

# Informações sobre visitação ao Parque: clique aqui

# Contatos:
Tel: (38) 3623-1039 
Whatsapp: (38) 3623-1038
E-mail: cavernas.peruacu@icmbio.gov.br

# Visitação é permitida somente até as 15:00 hrs.

# A melhor época para visitação é de Maio a Setembro, devido ao tempo seco. Mas ao longo dos outros meses também é possível a visitação.

# O Parque permite que cada guia seja responsável por até 8 pessoas. Já na Gruta Bonita e no Arco do André, cada condutor pode levar apenas 5 visitantes.

# Contrate um guia com bastante antecedencia, pois existe uma quantidade limitada de visitantes por dia em cada trilha.

# Só para se ter uma ideia, eu visitei o Parque em Junho/2026 e as vagas para visitação em Julho já estavam todas preenchidas.

# Ideal é sempre iniciar os roteiros do Parque pela manhã, devido ao Sol forte e sem pressa.

# Obrigatório uso de protetor solar, tênis ou bota e roupa de trekking (calça e camiseta comprida). O Parque proibe o uso de bermuda e papete.

# Recomendável também uso de repelentes.

# Ideal é usar bonés com abas e levar uma pequena mochila com alimentos, sucos ou agua, já que dentro do Parque não existe nenhum tipo de comércio disponível para os visitantes.

# O uso do capacete é obrigatório, sendo oferecido gratuitamente pelo guia, assim como a lanterna, que é essencial em algumas cavernas.

# Contato ônibus: Itacarambi – Compras São Paulo: as Segundas, Quartas e Sextas com retorno aos Domingos, Quartas e Sextas. 
Valor: cerca de $300 Reais.
Irma Lika: (19) 99980-1369.