13 de janeiro de 2026

Travessia Estação Central de Poços de Caldas x Águas da Prata pela linha férrea - Ferrotrekking (trecho desativado e ativo) + Trilha das 7 Cachoeiras - Relato com dicas

Numa viagem à Poços de Caldas para visitar parentes a muitos anos atrás, ao passar pela cidade de Águas da Prata vi um trem de carga cruzando a cidade num final de tarde. Era uma locomotiva com vários vagões e f
ui saber depois que essa linha férrea é usada para transporte de bauxita até o interior de SP, saindo da Estação CBA que se localiza a uns 10 Km do centro de Poços de Caldas.
Até fiz caminhadas de uns 3 Km por um trecho desativado dessa linha férrea, saindo do centro de Poços de Caldas até a Cachoeira Campo da Mogiana e indo um pouco mais além, porém o trecho completo do centro de Poços até Aguas da Prata teria encontrar uma boa oportunidade e com clima ajudando, por isso fui deixando de lado.
Minha intenção era fazer todo o trajeto desde centro de Poços até Aguas da Prata totalizando cerca de 33 Km em 2 dias, sendo que no primeiro dia seguiria até a Estação Cascata (na divisa MG/SP) num total de 17 Km, sendo quase 10 Km por trecho desativado. E no segundo dia continuaria a caminhada, dessa vez pelo trecho paulista e ativo da linha férrea, incluindo também a Trilha das 7 Cachoeiras de uns 2 Km, com início ao lado dos trilhos. Mas devido a alguns desvios, fui obrigado a acrescentar quase 10 Km a mais.
A caminhada pelos trilhos não tem segredo e todos os relatos que encontrei saiam da divisa de Estados MG/SP até Águas da Prata, incluindo somente o trecho paulista e ativo da linha férrea. Já pelo trecho desativado de Poços de Caldas seguiria somente por vestígios da linha férrea, pois os trilhos e dormentes tinham sido retirados.
Por já ter feito caminhadas por linhas férreas desativadas como a Funicular de Paranapiacaba ou o trecho desativado da Passa Quatro – Cruzeiro, sabia perfeitamente o que poderia me aguardar nesses trechos.
Para a trilha das 7 cachoeiras encontrei vários relatos e para 
evitar carregar peso desnecessário resolvi que no final do primeiro dia retornaria para Poços de ônibus e no dia seguinte continuaria a caminhada a partir da Estação Cascata.
E no final daquele ano de 2025, por estar de férias em Poços de Caldas e com o clima ajudando, era hora de riscar essa caminhada da minha lista.
Só levei uma pequena mochila de ataque com o básico: algumas barrinhas de cereais, frutas secas, lanches, garrafas de água e 1 kit de primeiros socorros.


Foto acima, trechos desativados e ativos da linha férrea e na Trilha das 7 Cachoeiras


Fotos 
- Estação Central de Poços x Estação Cascata: clique aqui
- Estação Cascata x Estação de Aguas da Prata: clique aqui

Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui



Antiga Estação Central
Depois de um breve café da manhã segui para antiga Estação Central de Poços de Caldas onde cheguei pouco depois das 07:00hrs daquela manhã ensolarada. O lugar ainda mantém o prédio original e ali funciona a sede da Guarda Civil Municipal (GCM) de Poços de Caldas e por não permitir acessar a parte interna, só tirei algumas fotos do lado de fora e segui pela Avenida João Pinheiro. 
Só foi caminhar alguns metros, virar à esquerda e acessar uma Rua chamada de Beira Linha que agora seguia pela antiga linha férrea, mas sem os trilhos e dormentes que foram retirados à algumas dezenas de anos atrás.
Resquícios da linha férrea 
Chama muito a atenção uma antiga caixa d’água ainda de pé que abastecia as locomotivas e daqui em diante a caminhada seguiu por vestígios da linha férrea, junto da encosta até chegar na pequena ponte férrea ao lado do Presídio da cidade. 
São 08:00hrs e vejo alguns parentes de presos entrando no local. 
Depois de cruzar a ponte sigo por um trecho em meio à vegetação, tendo de pular uma cerca de arame e seguindo pelos vestígios dos trilhos. 
Passo ao lado do cemitério (em frente da entrada tem uma fonte de água mineral, se precisar) e mais alguns metros outro trecho em meio à vegetação, sempre passando pelos fundos de várias residências.  
Ao chegar na próxima ponte, saio à esquerda em direção à Cachoeira Campo da Mogiana, seguindo por uma estrada de terra e no caminho cruzo com um pequeno riacho de água potável no meio da mata. 
Cachoeira Campo da Mogiana
A cachoeira está a alguns metros à frente, sendo de pequeno volume e suas águas não são poluídas, como outras cachoeiras da cidade. Tem até uma pequena bica de água potável de uma nascente, junto da encosta.
Outras quedas
Já conhecia essa cachoeira de muitos anos atrás e atualmente colocaram uma cerca de arame em volta da queda principal. Dizem que foi devido a acidentes, mas subindo o riacho, dá para ter acesso a outras quedas.
Pouco antes das 09:00hrs retorno para antiga linha férrea e vou seguindo em meio a vegetação por entre morros e próximo dos muros de um condomínio residencial. 
A região é chamada de Campo da Mogiana e as encostas são repletas de vegetação de cerrado. Quando passei ali no final de 2025 deu para ver que estão construindo algumas residências no meio da mata. Uma pena.
Viaduto
Seguindo pelos vestígios da linha que lembram uma antiga estrada, em alguns minutos passo por uma espécie de túnel, que na verdade é um viaduto com a linha férrea passando por baixo. O lugar é todo pichado e do outro lado a linha segue por entre algumas árvores e vegetação de capim, sem problemas de navegação. 
Nesse trecho é preciso tomar cuidado para não seguir pelo caminho errado. 
Pilares da linha férrea
A linha desativada parece seguir à direita por uma curva, mas o caminho correto é seguir à esquerda por entre 2 pequenos morros até chegar nos pilares de uma antiga ponte em curva. 
É uma bela imagem dos pilares da linha que ainda estão de pé. Uma trilha desce pela mata até a margem de um riacho com volume pequeno de água. Só foi pular algumas pedras e volto a subir do outro lado em meio a muita vegetação e aqui é como se fosse um vara mato até chegar na antiga estrada novamente e mais alguns metros na primeira rotatória. 
Daqui em diante a antiga linha férrea virou uma estrada para veículos, passando próximo da PUC-MG do lado esquerdo e ao fazer uma curva para esquerda, chego num pequeno vale por onde seguia a linha férrea.
Seguindo pelo alto do morro
Tentei avançar, mas devido a vegetação alta e uma nascente de água que resultou num brejo, tive que retornar devido às dificuldades. Agora fui seguindo pelo topo do morro até chegar numa rotatória pouco antes das 10:00hrs.
Cruzei em linha reta para o outro lado e fui seguindo por um vestígio de estrada com muito lixo. Foram somente alguns minutos até chegar numa estrada de terra consolidada que era o antigo trecho da linha férrea.
Desde a rotatória anterior foram quase 2 km até chegar em uma área de vegetação arbustiva onde fui avançando por entre o capim. Os vestígios da linha férrea ainda estão lá, só os trilhos e os dormentes que foram retirados.
Impossível seguir
Mas consegui avançar até chegar numa ponte sobre um rio, onde dali em diante o mato tomava conta. Se fosse só isso até dava para caminhar varando mato, mas como não tinha trazido um facão e a vegetação era de espinhos, seu eu continuasse em frente sairia dali todo arranhado.
Fiquei em cima da ponte por alguns minutos avaliando o que fazer e não estava a fim de desistir. Depois de ver algumas imagens de satélites percebi que era possível contornar esse trecho, seguindo por uma estrada à esquerda e que segue paralela a linha férrea.
As 10h30min retornei pelo mesmo caminho até um ponto onde acessei uma rua à direita e agora fui seguindo junto da calçada, paralelamente à antiga linha férrea, porém só cheguei a caminhar uns 30 minutos e dei de cara com um portão de ferro no final da rua. Parece que a partir dali é área particular. Só problemas. E agora? 
Portão no final da rua
São pouco mais de 11:00hrs e não está nos planos desistir. 
O jeito é retornar alguns poucos metros e seguir por uma rua íngreme sentido sul até achar um desvio que me leve de volta à antiga linha.
E assim vou passando por uma área rural com algumas plantações e residências até encontrar uma saída da estrada à direita, ao lado de um pequeno riacho. 
Fazenda
A área é de uma fazenda que tá sendo preparada para plantio de grãos, mas não tem
 erro; é só cruzar toda ela e sair no outro lado, na estrada junto de um pontilhão de ferro sobre o Rio das Antas.
Pontilhão sobre Rio das Antas
A ponte é bem antiga e depois de vários clics continuo por mais alguns metros pela estrada já visualizando outra ponte, mas essa da linha férrea sobre o Rio, no lado direito. Os trilhos foram retirados, mas a ponte ainda está lá por sobre pilares. São 11h40min e cruzo ela para o outro lado com certa dificuldade só para ver onde poderia chegar se tivesse varado mato pelos espinhos lá atrás. 
O lugar tem muita vegetação também e seriam cerca de 700 metros de trecho que deixei de fazer.
Ponte férrea
Depois de um breve descanso em cima da ponte, era hora de retomar a caminhada e ao sair deu para ver que ali era um antigo pátio ferroviário, pois existem alguns vestígios de uma linha intermediária, inclusive com outra ponte sobre o Rio. 
Sem perder tempo acesso a estrada novamente e encontro alguns trilhos da linha férrea quase encobertos pela vegetação com um desvio na linha principal confirmando que ali era mesmo um antigo pátio. 
Muitas lagoas e aves
Esse é um trecho muito bonito com várias lagoas e muitas aves. São garças e biguás além de outras aves que não consegui identificar. A partir daqui já começam a surgir os trilhos da linha férrea e antigos postes de telégrafos ainda de pé.
Vagão com dormentes
E às 12h30min encontro um vagão com inúmeros dormentes que provavelmente seriam para reposição da linha ativa, já que alguns metros à frente se localiza a Estação Bauxita da CBA. 
O lugar é usado para embarque do minério, retirado de uma mina ao lado e embarcado em vagões em direção à Usina da Votorantim, no interior de SP, onde é transformada em alumínio. 
A operação de transporte em vagões até a Usina só ocorre durante a noite, então era uma preocupação a menos ao longo da caminhada pela linha.
São inúmeros vagões estacionados e abarrotados de bauxita que estão só esperando a noite chegar para serem levados para o interior de SP.
Vagões estacionados com bauxita
Vou passando sem problemas pela Estação e daqui em diante a caminhada é pelos trilhos da linha férrea ativa, seguindo pelos dormentes ou às vezes em trilhas laterais. 
Caminhar pela linha férrea não é fácil porque o passo não acompanha a distância entre os dormentes, fazendo com que a caminhada não esteja sincronizada e o ritmo se altere a todo o momento. Quem sofre são os pés que em vários momentos tenho de seguir pisando nas pedras, fazendo com que o ritmo seja mais lento. E para piorar, o Sol está a pino e eu com pouca água.
Quando chego no viaduto embaixo da Rodovia por volta das 13h30min, era hora de descansar e comer um lanche na sombra.
Rodovia à frente
Não pensei 2x e consumi toda a água e a comida que restavam, pois sei que no máximo em 1 hora finalizarei a caminhada. 
Depois de uma boa descansada embaixo do viaduto, volto a caminhar em trecho aberto e cerca de 15 minutos depois cruzo sobre um pequeno riacho que não me pareceu ser de água potável e mais alguns metros encontro a primeira cobra junto dos trilhos. 
Cobra nos trilhos
Tomei um baita susto, mas olhando mais de perto deu para ver que não era peçonhenta e me pareceu ser a cobra cipó marrom.
Algumas estradas vicinais cruzam a linha férrea e às 14h30min passo ao lado de um totem histórico. Conhecido como Obelisco da Cascata, o totem está localizado em área da Fazenda Pinheirinho e foi inaugurado no ano de 1937 ao lado dos trilhos da Estrada de Ferro Mogiana, servindo como marco divisório dos estados de MG e SP.
Totem histórico
Só tiro algumas fotos e sigo em frente passando por trechos com muitas árvores nas laterais, permitindo caminhar por áreas sombreadas.
Cruzo outro pequeno riacho de água não potável e as 15h10min finalizo na Estação Cascata, que está fechada. 
Foram cerca de 8 horas de caminhada e por hoje chega. Agora é voltar à Poços de Caldas de ônibus e na manhã seguinte reiniciar a caminhada nessa mesma Estação em direção à Águas da Prata.
Depois de alguns clics da Estação e me hidratar num barzinho próximo, vou subindo por uma rua até um bairro próximo da Rodovia com muitas residências, comércios e o ponto final do circular que segue até Poços de Caldas. Fim do dia sem grandes dificuldades.
Estação Cascata
Dia seguinte era feriado e fiquei quase 1 hora no ponto de ônibus em Poços esperando o circular até a divisa MG/SP, desembarcando no Bairro e dali levei mais 20 minutos até a Estação Cascata. 
Mesmo fechada, a Estação está em bom estado de conservação e quem sabe algum dia esse ramal volte a funcionar para o turismo e a Estação reabra.
Voltando à caminhar
Sem perder tempo, iniciei a caminhada pelos dormentes da linha férrea às 08h30min, porém nesse dia encontrei 3 grupos descendo até Águas da Prata e mais 1 outro subindo.
A caminhada é agradável em declive suave por entre áreas de mata e encostas íngremes do lado esquerdo. De vez em quando aberturas mostram uma linda paisagem à direita e alguns reflorestamentos de eucaliptos junto da linha.
Num trecho quase em linha reta as áreas de sombra acabaram e o Sol não dá trégua. 
Lindo visual
Depois de uma pequena nascente de água, a linha segue bem próxima de outras encostas íngremes, mas essas à direita e encontro até um pequeno banquinho de dormente colocado estrategicamente numa área de sombra, mas ainda é cedo para um descanso.
Com 1 hora de caminhada chego na Ponte do Tajá, que é um dos principais pontos que podem ser vistos da Rodovia. 
Ponte do Tajá
Ela deve ter uns 100 metros e a mata densa embaixo dela não permite visualizar o quanto a ponte é alta. Em todas as que cruzei os dormentes eram todos novos e em bom estado de conservação. Talvez por ser uma linha ativa e usada para transporte de muitos vagões cheios, dá para ver que a empresa faz uma boa manutenção dos trilhos. 
Pelo menos as áreas de reflorestamento acabaram e assim que finalizo a ponte, acesso uma trilha à esquerda que leva a uma pequena nascente de água que escorre pelo paredão rochoso. Lugar perfeito para reabastecimento e sem demora retorno para os trilhos.
A caminhada intercala trechos expostos com belos visuais e vegetação com áreas de sombra.
Cachoeira ao lado da linha
Numa curva bem à esquerda a linha férrea adentra uma área com árvores nos dois lados, como se fosse um túnel de vegetação, surgindo uma pequena cachoeira, que é parada obrigatória para um banho refrescante, a fim de aliviar o calor.
Conforme vou me aproximando de um túnel, passo ao lado de uma trilha que deve levar a um riacho ou até alguma cachoeira do lado esquerdo, mas prefiro continuar a caminhada.
As 10:00hrs chego na boca do túnel com uma placa indicativa de número “52”, que deve ser a quantidade de túneis nessa linha. Ele é em curva e não é tão longo (em torno de 90 metros), sendo todo escavado em rocha pura, dando para cruzá-lo somente com a lanterna de um celular, sem dificuldades.
Túnel em curva
Do outro lado o trecho apresenta algumas áreas expostas com encostas íngremes de um lado e belos visuais com abismos do outro, porém a maior parte é de vegetação com áreas de sombras. 
O Sol a pino é escaldante e com cerca de 30 minutos desde o túnel, passo ao lado de uma retroescavadeira estacionada sem ninguém operando. Deu para ver que ali aconteceu um deslizamento da encosta e a máquina estava ali para retirar a terra e também trocar a pedra brita. 
Retroescavadeira ao lado da linha
Só alguns clics e continuo a caminhada, cruzando com um teiú e passando ao lado de um acesso à residência junto da linha férrea até chegar na entrada da trilha das 7 Cachoeiras. Aqui só a lamentar 3 motocross passando ao lado da linha férrea com o barulho infernal dos escapamentos - respeito zero pela Natureza.
E bem no início da trilha até as cachoeiras tem uma placa de Proibido Motos.
Entrada da trilha
A trilha entra na mata fechada até chegar na margem de um rio de águas limpas e vou subindo com ele sempre próximo, às vezes pelo lado esquerdo, mas a maior parte da caminhada é sempre do lado direito.
Logo no início cruzo com uma área de antigos acampamentos sendo tomados pelo mato até chegar na primeira queda com uma piscina natural na base. Primeiro mergulho, mas não fico muito tempo e volto a caminhar depois de alguns minutos.
Na segunda cachoeira o poção é um pouco maior e aqui aproveitei para comer alguns lanches, além de dar um outro mergulho.
Quedas com piscinas
Conforme vou subindo, as quedas são todas diferentes, de pequeno volume e somente umas 2 delas são bem altas.
A trilha alterna entre pequenos trechos planos com subidas em meio a muitas pedras e raízes expostas que servem de apoio. Não é uma subida difícil; ela é cansativa, mas com várias cachoeiras dá para ir aproveitando todas elas para um breve descanso.
Logo após a quinta cachoeira, a trilha cruza uma grande área descampada ao lado do rio, próximo do topo da cachoeira e logo à frente a trilha tem uma bifurcação que pode confundir e levar a um desvio maior, que é desnecessário. 
Nesse ponto a trilha estará do lado esquerdo do rio, sendo necessário cruzá-lo para direita dele.
Alguns metros antes desse ponto encontrei uma cobra Caninana junto ao rio. 
Cobra Caninana na trilha
Toda preta e com manchas amarelas, ela não é peçonhenta, mas é agressiva se sentir ameaçada. Só esperei ela se esconder nas pedras e depois segui em frente.
A mata ciliar que acompanha o rio é bem fechada e além das cobras é preciso tomar cuidado também com alguns trechos escorregadios nas pedras, devido ao limo.
Daqui em diante mantive sempre à direita do rio com várias outras pequenas quedas bem próximas. 
Perfeita para se refrescar
Uma delas é uma cachoeira quase vertical com água escorrendo rente ao paredão e caindo em cima de grandes rochas, sem um poço na base. Pelo menos dá pra se refrescar na queda. 
O trecho a seguir é quase uma escalaminhada vertical, exigindo cuidado na encosta com a ajuda de várias raízes como apoio para ir subindo.
Finalizado esse trecho íngreme, o visual se abre atrás de mim, sendo possível ver todo o vale coberto de mata atlântica e ao fundo trechos da Serra da Fartura. 
Panorâmica
É uma bela panorâmica e fiquei ali sentado só apreciando a vista, mas devido ao Sol escaldante, não dava para ficar ali torrando a cabeça por muito tempo.
Depois é um pequeno trecho no plano até chegar na última cachoeira, que é a mais bonita e a mais alta de todas. Essa também tem um piscina natural na base e perfeita para um mergulho.
A distancia, desde os trilhos, ficou em 1,8 Km e com tempo de 2h30min já somando com as paradas nas cachoeiras. É cansativo sim, mas vale o esforço.
Última cachoeira
No local tinha um casal que estava acampado ao lado da cachoeira, por isso não fiquei muito tempo aqui.
No retorno encontrei um estacionamento de veículos bem próximo da cachoeira e depois segui descendo pela trilha.
Eram por volta das 14:00hrs e encontrei 2 grupos subindo, sendo que um deles estava tomando banho numa das cachoeiras e os alertei sobre a cobra Caninana.
Na descida parei em algumas cachoeiras para uns mergulhos e fui chegar na linha férrea às 15h30min.
Agora sentido sul, rumo Águas da Prata. São trechos sinuosos com muitas árvores nas encostas, mas a exposição ao Sol é grande. Pelo menos o calor não era tão forte, devido ao horário.
Ponte sobre Riacho Platina
Com cerca de 20 minutos vejo por entre as árvores o pedágio da Rodovia e um pequeno acesso a ele, mas sair aqui dos trilhos não está nos planos e continuo a caminhada. Outra ponte e essa sobre o Riacho Platina de águas limpas. 
E com quase 1 hora de caminhada ouço do lado direito o som de alguma cachoeira e de pessoas tomando banho. Não dá para ver a cachoeira, pois está escondida pela vegetação densa, além de ser um trecho muito íngreme, por isso prefiro não arriscar descendo até ela.
Cascatinha
Pela localização essa deve ser a famosa Cascatinha, que já conhecia de outra visita. Ela é acessível facilmente pela Rodovia e que faz parte de um complexo turístico com restaurante, estacionamento e estrutura para eventos. 
O lugar possui entrada gratuita e a cachoeira conta com um grande poção na base, além de alguns quiosques ao longo do rio.
Seguindo pelos trilhos, agora a caminhada é no plano com muito bambuzal nas laterais e aos poucos vão surgindo as primeiras residências próximas da linha férrea até chegar na Rodoviária da cidade.
Rodoviária
Sigo para o guichê da Viação Cometa e compro passagens no primeiro ônibus que segue para Poços de Caldas sem muita demora.
Para quem dispõe de tempo e ainda quiser curtir um pouco mais a cidade, o Parque das Fontes está a uns 200 metros da Rodoviária. É um lugar com quiosques de artesanato, comidas e algumas fontes de água mineral.



Algumas dicas e informações úteis 

# No primeiro trecho dessa caminhada do centro de Poços até a Estação Cascata só encontrei pontos confiáveis de água potável nos primeiros minutos, ao lado do cemitério e junto da Cachoeira da Mogiana.

# Já no segundo trecho o ideal é encher os cantis em uma nascente ao lado da Ponte do Tajá.

# Quem quiser acampar ao longo desse trecho é possível ao lado da linha férrea. Só tome cuidado que os trens com bauxita só fazem esse trajeto a noite, além do que uma cargueira é sempre um peso a mais.

# Até a Estação da CBA, os trilhos e dormentes foram removidos, num total de quase 10 Km.

# Na maior parte do trecho se encontra sinal de telefonia celular.

# Obrigatório uso de protetor solar.

# Linha de ônibus circular do centro de Poços de Caldas x divisa MG/SP: Marco Divisório. 
Valor: $6 Reais.
Horários: 

# Ônibus Águas da Prata x Poços de Caldas: Viação Cometa. Vários horários ao longo do dia. 
Valor: $16 Reais

# Atenção às cobras e abelhas ao longo dos trilhos e na trilha das 7 Cachoeiras. Encontrei 2 cobras e um grupo me alertou que tinham algumas abelhas atacando quem passava próximo da Ponte do Tajá.

# Um pouco de história:
A linha férrea que liga Poços de Caldas à Aguas da Prata faz parte do ramal que se inicia na cidade de Aguaí/SP e segue até Poços, sendo construída pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. 
Sua inauguração foi em Outubro de 1886 e contou com a presença do Imperador D. Pedro II, funcionando como transporte de passageiros até 1976 e ao longo da década de 90, a linha passou a operar como trem turístico aos finais de semana e feriados, sendo desativado no final de 1998. 
Porém uma parte desse trecho da linha permanece ativo devido ao transporte da bauxita (minério de alumínio) da Estação CBA (uma estação antes de chegar no centro de Poços) até o interior de SP.

# Várias reuniões já foram feitas com prefeitos das cidades que fazem parte desse Ramal com o objetivo de discutir a viabilidade econômica da retomada do trem turístico que ligaria Poços de Caldas/MG a Aguaí/SP, mas até hoje nada saiu do papel.

# Para quem curte caminhadas por linhas férreas, uma que eu fiz e recomendo é a linha Passa Quatro/MG x Cruzeiro/SP, seguindo sempre pelos trilhos e cruzando a Serra da Mantiqueira por inúmeros túneis, pontes, rios e nascentes que surgem a todo momento. 

# Outra caminhada que vale a pena, mas somente para os mais experientes e corajosos é a travessia da Linha Funicular, que desce a Serra do Mar de SP entre Paranapiacaba e Cubatão. São inúmeras pontes em ruínas com risco de queda e vegetação alta em todo o trecho. O relato é esse:


5 de janeiro de 2026

Travessia do Parque Nacional das Sempre Vivas / Minas Gerais - Curimataí x Inhaí - Relato com dicas e informações úteis

As minhas últimas caminhadas nas férias foram em praias ou em parques nacionais, como as travessias no litoral da Bahia, Ilha do Mel e nos Parques Nacionais da Serra do Cipó e na Chapada dos Veadeiros, onde o cerrado é predominante nesses dois últimos. O 
ambiente desses parques é perfeito para longas caminhadas devido ao relevo plano ou levemente ondulado e vegetação que permite uma boa visibilidade da região ao redor. É ideal para quem curte caminhadas com lindos visuais panorâmicos e de fácil navegação, além de muitos rios com cachoeiras e belos cenários da Natureza.
Depois de dezenas de anos fazendo pequenas caminhadas ou longas travessias na mata atlântica, em praias ou campos de altitudes, era hora de mudar e explorar um pouco mais esse ambiente.
Por isso quando retornei da Chapada dos Veadeiros, onde fiquei por 5 dias só fazendo caminhadas dentro do Parque Nacional, minha próxima caminhada tinha de ser na região de cerrado novamente. 
E das várias opções que encontrei, a maioria estava localizada no Estado de Minas Gerais, principalmente na Serra do Espinhaço, combinando paisagens com visuais panorâmicos, muitas cachoeiras e alguns picos. Eram muitas opções e foi difícil qual escolher.
Vi algumas travessias em parques estaduais, trilhas ligando pequenas vilas e arraiais, travessias cruzando a Serra do Espinhaço ao norte e ao sul e algumas prolongando até próximo da Bahia.
O primeiro critério que levei em consideração foi a logística, já que não queria perder alguns dias para chegar ou sair de lá.
Dos vários relatos de trilhas que li e dos tracklogs que pesquisei sobraram 3 opções que ficam até relativamente próximos e no final escolhi o Parque Nacional das Sempre Vivas.
É um parque relativamente novo em folha, já que foi criado em 2002, não dispondo de portaria e nem controle de acesso. Somente de um alojamento no interior do parque que é usado pelo pessoal das brigadas de incêndio, sendo um ponto de parada da travessia.
Muitos proprietários que possuem sítios ou fazendas dentro da área do parque ainda vivem por lá, pois não foram ressarcidos na questão fundiária. 
Sua localização é próximo do município de Diamantina, mas compreende vários outros no seu entorno.
Nos relatos todos citam vários rios e pequenos riachos que cruzam as trilhas, já que o parque é nascente de muitos deles que desaguam tanto a oeste quanto a leste, sendo inserido na chamada Cordilheira do Espinhaço.
Li alguns relatos de caminhadas de mais de 20 anos atrás realizados na parte norte do parque e com certeza essas trilhas estavam tomadas pelo mato, por isso esses eu descartei. Estava procurando uma travessia e não uma trip exploratória por trilhas fechadas e com isso escolhi uma travessia bem conhecida que liga Curimataí (Distrito de Buenópolis) a Inhaí (Distrito de Diamantina) na direção oeste-leste.
Travessia de uns 3 a 4 dias com cerca de 60 Km ou mais dependendo do que incluir e caminhada que se alterna por antigas estradas vicinais e trilhas.
Encontrei vários tracks com relatos recentes e marquei essa travessia nas férias. 
Sempre Vivas é o nome popular de várias espécies de plantas que depois de coletadas, desidratadas e muitas vezes pintadas de cores variadas, suas pequenas flores conseguem resistir por vários anos e é muito abundante no Parque, principalmente na parte alta dele, ao longo dos campos. Elas lembram pequenas pétalas e são muito usadas para decoração, enfeites de ambientes e arranjos de buquês.
E como é um Parque nacional distante de São Paulo, teria de planejar a logística para não perder muito tempo e depois de estudar as opções fiz da seguinte forma: ônibus até Belo Horizonte e de lá outro até Buenópolis, onde embarcaria no ônibus rural até Curimataí e o retorno de Inhaí até Diamantina e depois Belo Horizonte.
Para não ter problemas com a administração do Parque, enviei 3 e-mails para comunicá-los da intenção de fazer a travessia passando meus dados, porém não me responderam em nenhum momento. 
Liguei também no telefone fixo da sede do Parque em Diamantina, mas ninguém atendeu.
E mesmo assim não tive problemas quando passei pelo alojamento dos brigadistas no meio do parque.
A autorização foi o menor dos problemas que me aconteceu nessa trip. 
Uma cobra jararaca quase me fez eu ter correr para um hospital no segundo dia.


Fotos acima da parte alta do Parque e das Cachoeiras do Felipe e do Gavião



Fotos: parte 1 até Fazenda do Gavião: clique aqui
            parte 2 da Fazenda até Inhaí: clique aqui
                     
Tracklog que eu gravei: clique aqui



Devido a logística para chegar em Curimataí iniciei minha trip numa segunda-feira em direção a Belo Horizonte saindo de SP por volta das 23:00 hrs. Viagem tranquila com 2 paradas pelo caminho, mas ao entrar em BH o transito piorou. Era um anda e pára horrível - deveria ter comprado um horário antes para chegar mais cedo, mas agora era tarde.
Fui contando os minutos e por volta das 08h20min chegamos na Rodoviária e logo que desembarquei fui para o guichê da Empresa Trasnorte comprar a passagem para Buenópolis que sairia as 09:00hrs e previsão de chegada as 13h30min. Já tinha olhado pela internet que existiam muitos assentos livres, então fui sem pressa.
Embarque tranquilo e saindo no horário, mas foi passando por várias cidades ao longo do trajeto e já próximo de Buenópolis o transito para num bloqueio da Rodovia, devido a obras de manutenção com recapeamento do pavimento e aí já começo a ficar preocupado, pois o relógio marca 13h40min e o ônibus rural para Curimataí sai de Buenópolis as 14:00hrs. A parada não foi demorada, mas pareceu uma eternidade. 
E as 13h55min o ônibus me deixa em uma parada junto ao Posto de Gasolina Lamparina, bem na entrada da cidade. Confirmo com um frentista que o ônibus rural passa por ali e fico aguardando, mas não deu nem 5 minutos ele encosta.  
Virar à direita
É um micro ônibus e com apenas 3 passageiros seguimos pela Rodovia sentido norte por uns 5 Km até sair dela à direita, onde uma placa indica Curimataí. A estrada é de terra em bom estado e com algumas bifurcações por quase 35 Km. Ao longo do trajeto vou conversando com a Elisângela, que é proprietária do ônibus e me passa algumas dicas e informações interessantes para futuras caminhadas.
Chegamos no Distrito as 15h20min sob um Sol que vivia se escondendo nas nuvens e assim que desembarquei já fui seguindo pela rua principal em direção ao início da trilha. 
Nesse momento liguei o aplicativo de GPS (Geo Tracker) para ir gravando toda essa caminhada, que depois postei no wikiloc.
Saguis comendo manga
Vejo alguns saguis comendo mangas ao lado da estrada e são várias mangueiras nesse trecho. Também não resisto, pego algumas e coloco na mochila. 
Seguindo pela estradinha de terra no plano, não demora muito e chego na primeira bifurcação à esquerda. Agora é tomar rumo da serra, subindo em ritmo lento. Pelo caminho encontro um teiú que sai em disparada ao me ver e com uns 5 minutos chego ao primeiro ponto de água. 
Cachoeira do Simão
Aqui é a Cachoeira do Simão e o local é o topo dela. Até dá para chegar na base descendo pelas pedras, onde tem uma poção, mas só alguns clics e prefiro seguir estrada acima.
Pego um pouco de água e retomo a pernada com a intenção de chegar no Curral de Pedras antes do final da tarde.
Ao lado do rio tem a placa do PARNA Sempre Vivas e daqui em diante o aclive vai aumentando por estrada cheia de pedras, mas sem grandes dificuldades.
Com algumas paradas para retomar o folego devido ao Sol forte, passo por 2 porteiras e acesso o Curral de Pedras num trecho plano, ao lado da estrada às 17h30min. 
Curral de Pedras
O Curral é do século XVIII e segundo historiadores foi construído pelos escravos com pedras rústicas e era utilizado como abrigo para animais que seguiam com seus tropeiros carregados de diversos produtos para Diamantina, na época áurea da extração de diamantes. Bem próximo tem um pequeno casebre abandonado e um cocho com água jorrando sem parar.
Deixo minha mochila dentro do Curral e saio em direção ao riacho que fica próximo e sem querer chego numa cachoeira com um imenso poção.
Cachoeira próxima do Curral
Não resisti e aproveitei para tomar um belo banho. Em seguida enchi os cantis e retornei ao Curral. 
Depois de montada minha barraca preparo o jantar com linguiça, algumas massas e conforme vai anoitecendo a temperatura caiu bastante.
Por volta das 21:00hrs me enfio no saco de dormir e pego no sono rapidamente, já que a viagem foi bem cansativa. Ao longo da noite acordava com algumas rajadas dos ventos, mas logo voltava a dormir.
Por volta das 05:00hrs acordo e vou preparando um breve café da manhã. O Sol ainda não tinha dado as caras e sem pressa vou desmontando a barraca.
Camping dentro do Curral
E as 05h45min ligo o GPS do app do celular para continuar a gravação da travessia e volto para estrada.
Alguns metros à frente outra bifurcação, onde sigo para esquerda, agora por trecho de trilha em meio à mata. O Sol parece que não vai sair mesmo, pois está tudo nublado. 
Não deu nem 10 minutos e outra bifurcação; as 2 irão se encontrar mais à frente, porém a da esquerda cruza com 2 pequenos riachos no meio da mata, que é um ótimo ponto para reabastecimento.
Daqui em diante a caminhada se torna cada vez mais íngreme por trilha demarcada com algumas bifurcações, mas todas elas levam ao topo.
Quando o trecho de subida termina, passo ao lado de uma porteira à direita e uma estrada segue para esquerda no plano. Daqui em diante a caminhada é bem tranquila, surgindo 2 cavalos no meio da mato próximos de uma porteira de madeira.
Seguindo por antiga estrada
Uma entrada para um rancho surge à direita e a estrada vai se transformando em uma autentica trilha, tendo ao lado uma cerca de arame.
Alguns minutos à frente a estrada retorna seguindo no plano até chegar em outra porteira de madeira bem ao lado do Rancho Vargem Grande à esquerda às 07h30min. Bois e vacas pastando próximos dali evidenciam que alguém mora no local.
É um bom lugar para descanso, mas como tinha muito gás ainda, passei direto.
O lugar é um vale muito bonito cercado de morros para todos os lados, ainda mais com algumas nuvens baixas cobrindo partes do relevo. São campos cobertos de sempre vivas e várias nascentes de águas em áreas de brejos. Só tiro alguns clics e sigo em frente continuando pelos vestígios da estrada em meio aos campos. 
Bonito vale
Pequenos lagos surgem pelo caminho e com uns 30 minutos pelo vale, entro num trecho de mata fechada, cruzando alguns riachos de água potável e 2 trechos de calçamento de pedras, marcadas por muitas áreas sombreadas. Chama a atenção os morros de pedras que seguem bem próximos da estrada.
Marcas de pegadas de gado mostram que ali é caminho da boiada e até cruzo com 2 cavaleiros conduzindo algumas vacas e bezerros no sentido contrário e me pareceu que estavam levando as vacas para ordenha. 
Nesse trecho a caminhada era para acabar ali devido a uma cobra jararaca. Pela beleza dos morros de pedras ao lado não vi uma delas no meio da estrada. 
Cobra Jararaca
Só lembro de visualizar rapidamente alguma coisa se movendo nos meus pés, junto da bota e a primeira reação que tive foi de sair pulando dali o mais rápido possível. Graças a Deus estava com a perneira e não sei se ela picou a perneira ou a bota ou nenhum dos dois. Dei muita sorte, muita sorte mesmo. Quando já estava a alguns metros dali me virei e consegui ver a jararaca. Tirei umas fotos dela e re
feito do grande susto, agora sempre olhava para o solo. 
Outra porteira de madeira e logo à frente o segundo calçamento de pedras. 
 Visual da caminhada
Conforme vou avançando o visual se abre atrás de mim numa linda panorâmica e vou ganhando altitude em aclive suave até chegar no ponto mais alto de toda essa caminhada, em quase 1360 metros, pouco antes das 11:00hrs. 
É um lindo visual panorâmico em algumas direções e parei por alguns minutos somente para apreciar a vista.
Só foi caminhar mais alguns metros pela estrada e surge uma discreta trilha à esquerda que leva a outro rancho abandonado, que pode ser uma opção de camping para quem está passando por aqui no final da tarde. Na carta topográfica, essa região é conhecida como Lamarão.
Área de brejo
Seguindo por um pequeno vale tomado por afloramentos rochosos não demora muito e chego numa área de brejo, onde tive que me esforçar muito para não molhar as botas, passando por cima da vegetação. Outra porteira mais à frente e o visual vai se abrindo novamente em campo aberto. 
A vegetação é baixa e aqui vejo novamente que as cobras estão presentes nesse trecho devido a linhas continuas e bem visíveis na areia da estrada.
Outra porteira pelo caminho e marcas de pneus de quadriciclos e motocicletas, que devem ser dos brigadistas do Parque. 
Nesse trecho a caminhada é lenta devido a areia fofa e não tem como desviar. Pelo menos é uma caminhada em campo aberto com uma vasta vegetação baixa, permitindo um lindo visual da região ao redor. 
As 13:00hrs passo ao lado de uma bifurcação na estrada à esquerda que deve levar a algum rancho (fui saber depois pelos brigadistas do Parque que lá tem uma família morando).
Atalho
Com cerca de 15 minutos abandono a estrada numa pequena curva e sigo por uma trilha à esquerda em meio à vegetação que é uma espécie de atalho (poderia também seguir pela estrada e chegaria no mesmo local, mas devido a areia fofa, a caminhada estava sendo bem lenta).
O desvio segue quase em linha reta em meio ao capim e a vegetação de cerrado, só desviando às vezes da vegetação mais espessa. O trecho não é tão demarcado e em alguns momentos tive que seguir pelo tracklog. 
Sem grandes dificuldades retornei à estrada uns 20 minutos depois e só foi caminhar mais uns 5 minutos e outra bifurcação, seguindo para a esquerda na direção do alojamento do Parque Nacional que está bem visível à frente. 
Alojamento dos brigadistas
E pouco antes das 14:00hrs alcanço o alojamento dos brigadistas do Parque. O lugar é bem espaçoso, com vários quadriciclos, veículos e contei uns 10 brigadistas. 
Converso com vários deles, mas acho que ali não é um bom lugar para montar meu acampamento. 
Me oferecem café e água que não recusei e aproveitei também para comer um lanche e encher os cantis. Fiquei no local por uns 50 minutos e minha intenção era acampar em algum lugar plano com riacho próximo. Depois de me despedir de alguns brigadistas retomei minha pernada, contornando o alojamento pelo lado esquerdo, descendo por trilha até chegar em 2 pequenos riachos na sequencia, onde tive uma pequena dificuldade para cruzá-los, sem ter de molhar as botas.
Até poderia seguir a caminhada somente pela estrada sentido sul e depois na primeira bifurcação à esquerda, rumo nordeste, interceptando a trilha um pouco mais à frente, mas qual a graça de caminhar por estradas? Eu estava ali para caminhar por trilhas. 
Alojamento ficando para trás
Depois de pular os 2 riachos vou subindo por aclive suave em trilha demarcada e por volta das 15h30min cruzo o Rio Jequitaí ao lado de uma pequena mata à direita e como disse uns dos brigadistas, esse é um ótimo local para montar a barraca. Foi só seguir para jusante e encontrei vários lugares planos em solo de areia e protegido dos ventos.
Só tive dificuldades mesmo para encontrar algumas pedras para ancorar a barraca.
Pelo horário ainda dava para caminhar umas 2 horas talvez, mas achei melhor ficar aqui mesmo porque as vezes caia uma leve garoa, que não chegava a molhar a vegetação, mas poderia aumentar. E claro que estando ao lado de uma fonte de água também é bem melhor. 
Camping ao lado do Rio Jequitaí
Montada a barraca, fui tomar um banho no Jequitaí e depois fui ver nas minhas anotações o que me aguardava para o dia seguinte. Será que conseguiria chegar em Inhaí no final do dia ainda? Fazendo as contas seriam quase 30 Km até o Distrito - cansativo demais e como não tinha pressa, vou usar uma frase alterada da música do Zeca Pagodinho: “Deixa a trilha me levar, trilha leva eu". 
E assim que começou a escurecer fui preparar o jantar dentro da barraca, porque a leve garoa voltou outra vez e não permitiu cozinhar do lado de fora. Com algumas gotas caindo na cobertura da barraca, ela até ajudou a pegar no sono mais rápido.
Local do camping
Dia seguinte acordei por volta das 06:00hrs com tudo nublado, mas pelo menos a vegetação estava seca. 
Barraca desmontada e café da manhã tomado, retomei a caminhada às 07h20min pela trilha demarcada em linha reta, rumo nordeste passando por pequenas árvores, rochas e campos de cerrado.
Em cerca de 10 minutos, sou obrigado a virar bruscamente para direita seguindo agora por um trecho de vegetação baixa. Até poderia seguir em frente passando por áreas de brejo, que é nascente de outro braço do Rio Jequitaí e finalizar numa estrada, mas é um trajeto mais longo.
Inicialmente o trecho é por campos com tufos de capim e depois um aclive bem suave por campos rupestres e desviando de muitos afloramentos rochosos, algumas vegetações mais densas e seguindo o tracklog que tinha levado.
É como se fosse um desvio com navegação bem tranquila na direção leste e encontrando poucos vestígios de trilha demarcada, para interceptar uma estrada vicinal com muitas marcas de pneus de veículos às 08:00hrs. 
Pegadas de anta
Aqui eu encontrei várias pegadas de animais, que me pareceram serem de antas e de onças ou lobo guará. E estavam bem nítidas, parecendo que os animais tinham passado a poucos minutos ou horas atrás. Não sei se foi azar ou sorte, mas queria ter visto pelo menos um desses animais. Foi por pouco.
E só foi caminhar uns 300 metros e saio da estrada seguindo por um vestígio de trilha à esquerda. No início ela é demarcada por trecho de vegetação baixa, passando por algumas voçorocas e sempre em declive me orientando pelo tracklog.
Voçorocas na trilha
Com uns 20 minutos desde a estrada cruzo um riacho com algumas áreas de brejo, tomando o cuidado para não molhar as botas.
As 08h45min surge uma antiga cerca de arame de norte a sul e a trilha entra num pequeno trecho com muitos tufos de capim até o visual se abrir e o declive aumentar. É um trecho bonito com visual panorâmico para leste e algumas sempre vivas. 
A navegação é tranquila por trilha demarcada e um ou outro trecho de bambuzinhos até chegar no Rio Inhaí às 09h30min. Foi até difícil achar o melhor ponto para cruzá-lo, já que é preciso abrir no peito a mata ciliar e tirar a bota e a mochila para jogá-las do outro lado do Rio. 
Cruzando mata ciliar
A mata ciliar toma conta das laterais do rio e agora em diante o terreno estabiliza e a caminhada segue pela trilha demarcada, onde encontro outra pegada de anta.
Pouco depois das 10:00hrs cruzo outro pequeno riacho afluente do Inhaí, mas nesse foi bem fácil atravessá-lo, porém do outro lado a trilha some. Na verdade ela continua em linha reta, mas minha intenção é chegar na Cachoeira do Felipe, por isso sigo para a direita me embrenhando num trecho de capim alto. Não tem trilha e fui seguindo a marcação do tracklog bem próximo da mata ciliar do Rio Inhaí, cercado por um paredão de pedras. 
É uma caminhada difícil e depois do capim ainda tive que desviar de inúmeros afloramentos rochosos até chegar na parte alta da Cachoeira às 10h30min. 
Cachoeira do Felipe
É uma cachoeira com várias quedas e corredeiras que se afunilam entre grandes rochas no início até desaguar num poção.
Até dá para aproveitar as corredeiras e pequenos poços no topo, mas para chegar na base onde está o poção é bem mais complicado. Só na escalaminhada pelas pedras e mesmo assim um pouco perigoso.
Poços no topo
Foi um desvio que fiz da trilha principal para conhecer o lugar e posso dizer que valeu a pena, mesmo não tendo uma trilha demarcada para chegar ali.
Não fiquei muito tempo e depois de vários clics e um breve descanso nas pedras para curtir o visual, retomei a minha caminhada.
Uma boa opção é retornar até o riacho anterior, onde a trilha principal continuava, mas preferi seguir o tracklog.
O trecho é em leve declive passando por áreas com muitos tufos de capim que chegavam na altura da cintura. Era um tormento e cansativo demais por ele ser muito fechado e denso.
É como se estivesse varando capim. De vez em quando surgiam algumas aberturas na vegetação como se alguém tivesse deitado. Será que era de algum animal como onça ou anta que parou para descansar?
Eu só queria sair dali e ao final desse trecho agora eram os arbustos e as árvores tortuosas, típicas do cerrado que tinha de atravessar. É um trecho que não tem trilha, talvez pelo pouco uso. O rumo era norte/nordeste e foram quase 50 minutos num trecho de pouco mais de 1 Km. 
De volta à trilha
E as 11h25min intercepto uma trilha demarcada de oeste-leste, que provavelmente é a mesma que desviei dela lá naquele riacho afluente do Inhaí. 
Foi um trecho bem desgastante e por isso resolvi fazer um breve descanso e sem querer notei uns pequenos insetos na minha roupa. Eram pequenos carrapatos. PQP.
Eles estavam na roupa e tirei o máximo que pude. Então o trecho que passei era caminho de antas. Fica aí o aviso.
De agora em diante sigo por trilha demarcada rumo leste sempre em declive, cruzando algumas cercas de arame e muitos riachos de água potável, onde tive que atravessá-los em cima de algumas pinguelas, mas nada muito difícil.
Cruzando pinguelas
Depois de cruzar o primeiro riacho, a maior parte da caminhada dali em diante é pelo interior de mata com algumas aberturas. A trilha vai se tornando cada vez mais demarcada e com muitas pegadas de cavalos, mas levei outro grande susto ao avistar outra cobra jararaca bem no meio da trilha. Essa foi bem fácil de visualizar e não se mexia. Será que estava morta; eu não parei para conferir.
Outra cobra jararaca
O Rio Inhaí de vez em quando surgia do lado direito em várias corredeiras, remansos e alguns poços e quanto mais avançava, mais a trilha se se tornava ampla, confirmando que estava chegando próximo da Fazenda Gavião e dali em diante era só estrada e mais outros sítios e fazendas. Por isso já ia observando locais onde pudesse montar minha barraca.
Ao passar por um trecho com inúmeros coqueiros e restos de madeiras do que pareceu ser uma antiga casa, era a deixa para finalizar a caminhada em algum trecho plano e próximo de algum riacho.
Cercas pelo caminho
E pouco antes das 14:00hrs encontrei o local ideal, em meio à mata e ao lado de uma cerca de arame e de um pequeno riacho que cruza a trilha.
Sei que era cedo demais para montar acampamento, mas pelos meus cálculos ainda restavam uns 12 km, sem contar as paradas e o cansaço já batia também. Até poderia chegar em Inhaí pela noite, mas caminhar quase 30 Km num dia só não estava nos planos.
Barraca montada e banho tomado, fui verificar minhas anotações e o tracklog só para ver que estava bem próximo da Fazenda Gavião, porém não sabia se estaria ocupada ou não. E ainda tinha algumas cachoeiras pelo caminho e levaria no mínimo umas 3 a 4 horas até o Distrito com a maioria do percurso em declive e pequenos trechos de subida. 
Como seria meu último camping, usei toda a comida só sobrando algumas frutas secas, bisnagas, Ana Marias e barras de cereais para o café da manhã. Pelo menos a mochila iria dar uma bela diminuída no peso.
Foi uma noite bem tranquila e por volta das 05:00hrs já estava desmontando a barraca e preparando o café da manhã.
Fui sair dali por volta das 05h50min e não deu nem 5 minutos outro riacho, mas esse foi até difícil cruzar para não molhar as botas. Joguei alguns troncos de madeira e pedras para facilitar e ao lado dele a bifurcação que acessa a Fazenda Gavião, marcado por restos de um cano de água. 
Na verdade são 2 bifurcações na trilha principal em sequencia que levam até a Fazenda logo abaixo, onde cheguei por volta das 06h15min.
Fazenda Gavião
A casa estava vazia, mas aparentemente em bom estado e ao lado dela uma imensa mangueira com muitas mangas quase maduras e um curral para animais também vazio.
Nenhum vestígio de animais, cachorros ou aves e se soubesse que estaria assim até poderia acampar ali. Alguns minutos à frente outro ótimo local de camping junto a um casebre abandonado com um gramado plano e lisinho. E conforme vou seguindo nesse trecho ainda irei encontrar outras boas áreas propícias para camping.
Casebres abandonados
A trilha acabou na Fazenda Gavião e de agora em diante a caminhada é só por estrada que vai cruzando algumas propriedades separadas por umas 3 ou 4 porteiras de madeira ou de arame, sempre em declive com um ou outro trecho de subidinha suave já perto do final da caminhada. 
O clima estava ajudando com dia nublado e algumas poucas aberturas de Sol.
Com quase 1 hora de caminhada o som de uma cachoeira surge do lado direito e vou lá conferir. 
Cachoeira do Gavião
É a Cachoeira do Gavião com várias quedas entre muitas rochas e nesse trecho do Rio Inhaí o volume de água é grande. 
No local existe até um forno à lenha e um banheiro com vaso sanitário, além de uma piscina de concreto abandonada, junto da encosta. O lugar é bom para um churrasco e até dá para chegar no topo da cachoeira pela sua lateral para os mais corajosos, mas só tiro algumas fotos e retomo a minha caminhada 
Forno à lenha e banheiro
Algumas placas de proibido caçar na região surgem pelo caminho e as 07h15min chego no Rio Inhaí. A ponte é um pouco improvisada com troncos de madeira e não inspira muita confiança, mas é o que tem. 
Ponte sobre Rio Inhaí
Agora um pequeno trecho sombreado no plano com algumas mangueiras ao lado da estrada para depois seguir ganhando altura e passar ao lado do Sitio Santo Expedito, que foi o único lugar que eu vi algumas pessoas e animais desde o alojamento do PARNA.
Marcas de pneus de alguns veículos pelo caminho e alguns metros depois do Sítio outra placa do PARNA Sempre Vivas. 
Placa do PARNA
Alguns trechos de declive e aclive passando por pequenas chácaras e casas residenciais ao longo da estrada até chegar em Inhaí as 09h30min em frente à Igreja Matriz. 
A primeira coisa que fiz foi procurar alguém para indicar um transporte até Diamantina ou outro lugar onde pudesse embarcar para Belo Horizonte. Um dos moradores me indicou o Restaurante da Luísa, subindo a rua pelos fundos da Igreja. 
Distrito de Inhaí
Lá fui informado que o ônibus rural que segue para Diamantina saiu as 06:00hrs e não teria outro. Me indicaram tentar encontrar profissionais que vem fazer serviços de manutenção regularmente no Distrito, mas não encontrei nenhum, mesmo os de moto.
Fiquei conversando com Da. Luísa e seu marido por um bom tempo e até almocei no local esperando que conseguisse alguém, mas em vão.
No final o marido da Da. Luísa me cobrou $150 Reais para me levar até o Distrito de Mendanha, junto a um posto de gasolina na Rodovia BR-367. Pouco mais de 30 Km por estradas de terra e lá consegui carona até Diamantina. 
Era isso ou ficar mais um dia em Inhaí e embarcar no dia seguinte no ônibus rural pela manhã.
Em Diamantina embarquei no início da noite para Belo Horizonte e por volta das 23:00 hrs segui para São Paulo chegando em casa lá pelas 10:00 hrs do dia seguinte. 



Dicas e informações úteis

Logistica
# Ônibus Belo Horizonte – Buenópolis
São 2 empresas que operam no trajeto em vários horários:
- Transnorte: www.transnorte.com.br
- Outra opção mais barata é a Blablacar: www.blablacar.com.br

# Ônibus Buenópolis – Curimataí  (Embarque Posto Lamparina, junto à BR-135) Valor: $30 Reais
- 2ª a 6ª as 14:00 hrs – Tel: (38) 99875-9739 

# Onibus Inhaí – Diamantina Valor: $30 Reais
- 2ª a Sábado as 06:00hrs
Ou seguir de táxi ou carona até o Posto de Gasolina do Distrito de Mendanha, na BR-367, que é parada de várias linhas de ônibus para BH

# Onibus Diamantina – Belo Horizonte

# O Parque não possui portarias, controles ou indicações de acesso nem tampouco sistema de reservas ou cobrança de ingressos. 
- Única estrutura do Parque é o alojamento dos brigadistas
– Para fazer a travessia entrei em contato com eles por 3x e não me responderam
- Não existem locais próprios para camping ao longo da travessia. Pernoites serão sempre em camping selvagem

# Melhor época para fazer a travessia:
- inverno: por ser mais seco e poucas possibilidades de chuvas. 
- primavera: para apreciar as flores sempre-vivas.
- Plano de manejo do Parque: 

# O Parque possui opções de travessias ao norte e ao sul e muitas delas seguindo por estradas de terra. É possível criar outros vários roteiros se orientando por imagens de satélite

# Protetor solar e repelente para carrapatos são obrigatórios. Encontrei várias pegadas de antas, onças e lobo guará.

# Não há sinal de telefonia celular ao longo da travessia

# São muitos riachos de água potável ao longo da travessia. O máximo entre um ponto e outro de água foi de 3 horas.

# Vários trechos dessa travessia são por trilhas antigas, sem sinalização e com mato tomando conta, então se prepare para varar mato.

# Em Curimataí existe também uma fonte de água termal que brota do subsolo, localizada a uns 15 minutos de caminhada do centro do Distrito