22 de julho de 2024

Relato: Travessia Altamira x Alto Palácio - Parque Nacional da Serra do Cipó/MG

Durante muito tempo mantive uma lista das clássicas travessias que pretendia finalizar e nos últimos anos quase zerei essa lista. As duas últimas foram: Chapada Diamantina e Lençóis Maranhenses.
Mas na Serra do Espinhaço não tem somente a Lapinha-Tabuleiro como uma clássica travessia. Tem também a Alto Palácio x Serra dos Alves e essa eu não tinha feito. Talvez por falta de oportunidade mesmo e pela proibição do Parque durante alguns anos. 
E com minhas férias marcadas para alta temporada de caminhada pelas montanhas (junho) fui pesquisar essa travessia e planejar a melhor forma de fazê-la.
E encontrei algumas opções para emendar essa caminhada com outras, se tornando uma verdadeira Transespinhaço no sentido sul-norte, com mais de 150 Km de extensão, com inicio na Serra dos Alves, passando pela portaria Alto Palácio no primeiro trecho e de lá seguindo até Lapinha da Serra no segundo trecho para finalizar no Morro do Camelinho, na Rodovia MG-259, que seria o último e mais longo trecho dessa travessia.
Então estava planejada a minha caminhada do ano: Transespinhaço de sul a norte de Altamira até Morro do Camelinho. Porém as coisas nunca acontecem do jeito que nós planejamos e com isso tive que mudar meus planos quase na metade do caminho. Uma pena.
Nesse relato incluí também tópicos abordando o planejamento e a logística de toda essa caminhada que seria uma mega travessia.

Nas fotos acima o visual do Parque no topo da serra e o Vale do Travessão

Fotos da travessia: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui 



Planejamento
Se iniciasse a caminhada pelo norte, obrigatoriamente eu iria finalizar os últimos 3 dias dentro da área do Parque Nacional da Serra do Cipó e por ser um lugar inédito para mim, vi que não era uma boa opção, pois estaria bem cansado. 
Por já ter caminhado pela Lapinha-Tabuleiro, que fica ao norte, achei melhor iniciar a caminhada pelo sul, já que estaria descansado quando estivesse fazendo o primeiro trecho dessa caminhada.
No site do wikiloc encontrei dezenas e dezenas de arquivos de GPS para usar em toda essa travessia e levei cerca de 5 tracks, com um emendando no outro, já que os arquivos completos que encontrei seguiam por trechos que pretendia evitar.
E pesquisando o início da caminhada pela Serra dos Alves, a logística estava bem complicada e por vários motivos: teria de seguir de Belo Horizonte até Itabira e de lá tomar outro ônibus circular até Serra dos Alves, porém ele só operava apenas 1 dia na semana, na sexta-feira no horário das 15h30min, me obrigando a ficar hospedado uma noite no povoado. Não queria isso, então transporte público estava fora de questão.
A outra opção era transporte particular, tipo uber ou mototáxi. Porém o percurso seria longo demais com parada em Senhora do Carmo para depois seguir para Serra dos Alves e como estava sozinho nessa empreitada, era arriscado demais chegar em Itabira e ainda procurar um transporte, perdendo 1 dia nisso. E ir com meu carro, sem chances, já que teria um trabalhão depois para ir pegá-lo de volta. E o último problema era que eu pretendia conhecer a Cachoeira Braúnas e pela trilha da Serra dos Alves seria um trajeto bem mais longo.
Olhando os tracks que estavam no wikiloc, uma outra opção era iniciar a caminhada pelo Distrito de Altamira (pertencente ao município de Nova União). Pelo menos lá eu teria o transporte público diariamente e com a possibilidade de passar ao lado da Cachoeira Braúnas ao longo da caminhada.
E assim fechei o roteiro da minha travessia: início da caminhada no Distrito de Altamira, subindo a Serra do Espinhaço e passando pelos 2 abrigos oficiais do Parque Nacional: Casa dos Currais e o de Tábuas para finalizar na portaria Alto Palácio.