12 de março de 2018

Relato: Cachoeira do Elefante – o 2º retorno – Serra do Mar de Bertioga/SP

Cerca de 12 anos atrás (Março/2006) conheci essa cachoeira pela primeira vez com um grupo de 10 pessoas e para economizarmos tempo na logística, contratamos uma van que nos deixou no inicio da trilha, no Km 81 da Rodovia Mogi-Bertioga e nos pegou de volta na mesma Rodovia, no Km 93, próximo de um local chamado Casarão e de lá retornamos para São Paulo. 
Quase 10 anos depois, em 2014 voltei sozinho a essa cachoeira fazendo o percurso de ônibus (Viação Breda) até o inicio da trilha e no retorno para Mogi das Cruzes eu peguei carona no Mirante do Km 86.
Só que dessa vez estava com um grupo de 6 pessoas e faríamos um trajeto totalmente novo, tanto para ida quanto para volta: seguiríamos de circular até a Balança, no Km 77 da Mogi-Bertioga e de lá na caminhada pelo acostamento da Rodovia até o inicio da trilha, no Km 81. Já o retorno seria na caminhada pela Rodovia desde o Mirante, no Km 86 até a Balança. 
Seria bem cansativo, já que no retorno seriam 5 Kms somente de subida da serra com aclive de uns 600 metros. Isso sem contar a travessia do Rio Itapanhaú, de forte correnteza e risco de afogamento, mas o pessoal disse que conseguiria, então seguimos com o planejado.



Foto acima na base da Cachoeira do Elefante com todo o grupo: nós 6 + as 2 garotas que se juntaram na descida da trilha  



Fotos dessa caminhada tiradas pelo Henri: clique aqui


Pequeno vídeo gravado pelo Henri na base da Cachoeira: clique aqui

Tracklog para GPS, saindo do Km 77, onde iniciamos a caminhada: clique aqui





Antes quero deixar registrado aqui que a região pertence ao Parque Estadual Restinga de Bertioga e devido a algumas mortes que ocorreram recentemente não é difícil encontrar o pessoal da Policia Ambiental e do Parque fiscalizando o local. 

E com isso apreensão de barracas e autuação de algumas pessoas são comuns. 
Eles dizem que o objetivo da operação é garantir a segurança das pessoas e orientar a utilização correta das trilhas autorizadas da Unidade de Conservação (UC). 
Em outras palavras, é uma forma de obrigar o pessoal a contratar guias cadastrados pelo Parque.
E infelizmente por causa de alguns, todos são prejudicados.
http://fflorestal.sp.gov.br/parque-estadual-restinga-de-bertioga/




Trip inicialmente marcada para um Sábado, mas no último momento tivemos que mudar a data para um Domingo (o último do mês de Fevereiro) e com isso o grupo reduziu de tamanho, que no final foi benéfico, já que com um grupo maior teríamos problemas bem mais graves.

O grupo era eu, Silvera (não tem o “i”, pois é uma mulher), André, Henri, Uilson e a Deyse e marcamos de todos se encontrarem na Estação Guaianases da CPTM por volta das 07hrs daquele Domingo de Sol.
E como é de praxe, alguns avisaram que se atrasariam e com isso resolvemos seguir para Estação de Estudantes e aguardar o restante do pessoal lá.
Chegamos em Estudantes pouco depois das 07h30min e dali seguimos para o Terminal de ônibus urbanos, que se localiza  do lado direito da estação. Agora era aguardar o restante do pessoal e embarcar no circular Manoel Ferreira.
Com todos reunidos, o circular saiu do Terminal as 08h20min.
Seguindo pela Rodovia Mogi Bertioga, chegamos na Balança, no Km 77, pouco depois das 09h00.
Daqui em diante era pé na estrada literalmente, seguindo em fila indiana pela Rodovia até o Km 81, tendo muito cuidado para não sermos atropelados.
Ao passarmos pelo Km 80,4, na entrada da trilha que leva à Cachoeira da Pedra Furada, me chamou a atenção uma viatura de uma empresa de segurança que estava no local com um grupo de umas 10 pessoas. Eram 2 seguranças que não deixavam o grupo seguir para a cachoeira e ficamos sabendo depois que ocorreu uma morte na Cachoeira no final de semana anterior e por isso estavam proibindo o acesso ao lugar. 
Lamentável a morte, mas não acho que proibir o acesso resolverá o problema.

Antiga ponte

Mais alguns metros e pouco depois das 10:00 hrs chegamos na bifurcação da trilha, do lado direito da Rodovia, no Km 81. 
Nesse ponto se inicia o trecho de descida da serra e junto a Rodovia existe uma enorme placa indicativa de "ATENÇÃO - DESCIDA DA SERRA, DESÇA ENGRENADO". 
Deu um pouco de medo porque exatamente no descampado do inicio da trilha estava uma viatura da PM com 2 soldados e achei até que iriam nos abordar, mas entramos na trilha sem problemas.
Nesse trecho inicial são várias trilhas, mas todas elas se convergem ao mesmo ponto: a uma antiga estrada que está sendo tomada pelo mato. Com 10 minutos de caminhada chegamos a uma ponte abandonada, mas sem grandes dificuldades para cruzar. Só é preciso se equilibrar na viga principal.
Por trechos bem demarcados e escorregadios, logo chegamos na margem do Rio Pedras com largura de uns 10 metros e água até os joelhos e aqui é preferível retirar as botas e tomar muito cuidado onde pisa no fundo do rio para que não fique ensopado antes de chegar na cachoeira.



Cruzando Rio Pedras
Assim que cruzamos o rio, o grupo que tinha sido barrado lá na trilha da Pedra Furada, chegou na outra margem, mas resolveram abortar a caminhada ali e somente 2 garotas quiseram nos acompanhar na trilha até a cachoeira.
Aguardamos elas cruzarem o rio e seguimos juntos. 
Nesse lado do rio encontramos várias barracas nos descampados e a continuação da trilha é seguindo a margem por uns 20 metros até achar novamente a continuação dela, que está bem visível.
Seguindo próximo ao rio, é possível ouvir suas quedas e numa das bifurcações descemos a encosta para chegar a uma pequena cachoeira com um grande poção, porém de água gelada.
Não perdemos muito tempo e voltamos para a trilha.
Cruzando pequenos riachos, vamos alternando trechos íngremes com declives suaves e alguns zig zags.
Do lado esquerdo ouvíamos a Cachoeira Véu da Noiva, cujo acesso é um pouco mais difícil, mas para não perdermos tempo, seguíamos descendo sem grandes paradas.
Ao chegarmos em um local com algumas árvores caídas e uma placa alertando sobre reciclagem e meio ambiente pregada em uma árvore, a trilha se bifurca em 2.


Corredeiras do Rio Pedras
Seguindo em linha reta, provavelmente leva até a base do Véu da Noiva, mas nosso caminho é seguir para direita e depois de passar por cima dos troncos caídos, a trilha segue mais íngreme.
A partir daqui encontramos alguns grupos subindo pela trilha e conversando com alguns deles fico sabendo de algo que não queria ouvir.
O Rio Itapanhaú está com volume de água muito grande e pode ser perigoso cruzá-lo quando voltarmos da cachoeira.
Descendo por trechos com inúmeras raízes expostas e com 2 horas de trilha chegamos em uma bifurcação, próxima da margem do Rio Itapanhaú, ao meio dia. 
Seguindo na bifurcação da direita e por mais de 1 hora se chega em um local chamado Casarão, onde a travessia do Rio Itapanhaú pode ser feita por canoa e de lá por estrada de terra até a Rodovia.
Da bifurcação visualizamos o Itapanhaú com grande volume, mas esse era um problema para ser resolvido na volta.
Para a esquerda é o nosso objetivo, na direção da cachoeira e assim fomos nós.
Cruzando áreas de acampamento, chegamos a um outro rio, esse porém vem da cachoeira e o volume é bem menor que o Itapanhaú.
Toda a galera
Pulando as pedras, cruzá-lo foi relativamente fácil.
Mais outras áreas de acampamento com muitas barracas e exatamente as 12h30min chegamos na base da Cachoeira do Elefante.
Algumas pessoas aproveitavam um pequeno poço do lado esquerdo e outras tomavam ducha embaixo das quedas.
A largura da cachoeira é muito grande, mas devido ao volume d’água era perigoso chegar no lado direito, por isso resolvemos ficar ali junto ao poço, comendo alguns lanches.
Pequenas quedas

Depois alguns seguiram para as quedas e metade do grupo resolveu subir uma enorme pedra, do lado direito da cachoeira, onde era possível chegar embaixo da queda principal.
A pedra é escorregadia e bem alta, mas valeu o esforço.
Só não foi tranquilo ficar embaixo da queda, pois a força da água era muito forte, assim como o vapor dela que não permitia uma foto pelo celular (a não ser que fosse à prova d’água).
Com 2 horas se divertindo na cachoeira, era hora de retornar para a Balança e pouco depois das 14h30min seguimos até a bifurcação da trilha que viemos.
Agora era chegar na margem do Rio Itapanhaú e procurar uma laje de pedra que cruzava o rio de uma ponta a outra, mas a correnteza era muito forte e arriscado. Isso sem contar o limo que cobria parte da laje de pedra.
Nesse momento outro grupo cruzava o rio com dificuldades, colocando mais tensão na nossa galera. Dava para notar que estavam bem preocupados, já que alguns não sabiam nadar.
Pela laje de pedra era impossível e voltar pela mesma trilha subindo seria desgastante demais – foram 2 horas descendo por ela e para retornar seria o dobro do tempo ou até mais. 
Tínhamos a opção de seguir a trilha paralela ao Rio até o Casarão e depois até o Km 93 da Rodovia – O problema é que dali seriam quase 20 Km de subida até a Balança; muita coisa.
Estávamos tão próximos do Mirante. Era só cruzar o Itapanhaú naquele ponto e com mais 20min de subida pela trilha chegaríamos na Rodovia. Não tínhamos o privilegio de perder tempo nessa decisão, por isso decidimos cruzar o rio ali mesmo.
De dentro da mochila tiro uma corda e deixo com o grupo para em seguida cruzar o rio nadando com as botas e a mochila protegidas da água.
No trecho da correnteza forte tive que dar braçadas fortes para avançar, mas graças a Deus, passei sem dificuldades.
Deixo minha mochila e botas na outra margem e retorno até uma enorme pedra no meio do rio com água até a cintura e ali vou puxando com a corda um a um, para facilitar a travessia da outra metade do rio, que era a mais perigosa.
Quando todos estão já em cima dessa pedra, vou usando a corda esticada para primeiramente passar as mochilas, tendo a ajuda de um trilheiro que tinha vindo do mirante.
Já com todas as mochilas na margem, agora era a parte mais tensa. Ajudar a galera a cruzar o trecho da correnteza.
Mas um problema surgiu: começou uma leve garoa, então tínhamos que correr. Nessas horas pode estar chovendo forte nas nascentes e vir uma tromba d’água. 
Fazendo uma espécie de tirolesa, a galera segurava na corda e cruzava a parte final do rio, onde estava a correnteza. Foi punk, mas todos conseguiram passar sem problemas.
O Uilson, que era o último, amarrou a corda na sua cintura e puxamos ele com a ajuda de todos.
Ufa. Quase 1 hora somente para cruzar o rio, passando um a um com a ajuda da corda. Acho que sem ela não conseguiríamos. 
Depois de colocar roupas secas, tínhamos ainda um trecho de subida pela trilha até o mirante da Rodovia. No local onde estávamos era uma prainha e a trilha iniciava ali.
Por ser bem demarcada, não tivemos problemas na subida e as 16h10min chegamos no Mirante.
O lugar estava bem cheio: parte do grupo que tinha cruzado o rio na nossa frente, um ambulante vendendo bebidas, doces e salgados e alguns motoristas que paravam para admirar a cachoeira, que podia ser vista daqui.
Carona para 8 pessoas ia ser difícil conseguir, por isso alguns minutos de descanso e depois pé na estrada, seguindo a Rodovia serra acima e novamente em fila indiana.
Alguns iam ficando para trás com dores variadas e com o grupo de 4 homens e 4 mulheres, muitos motoristas ofereciam carona, mas adivinham para quem?
Foram longos 5 Kms pelo asfalto até alcançar novamente a bifurcação da trilha no Km 81, onde chegamos poucos minutos antes das 18hrs com 1h30min de caminhada desde o Mirante.
Mais uma pequena subida de morro e um longo trecho no plano, mas agora em um ritmo mais lento.
E exatamente as 19hrs chegamos na Balança, já anoitecendo.
Não demorou nem uns 15 minutos e o circular chegou e dali foram pouco menos de 1 hora até a Estação de Estudantes, onde embarcamos em direção a SP. Hipercansados, mas felizes.





Algumas dicas e informações úteis



Logística e acesso

São 4 opções de logística para chegar no início da trilha, no Km 81:

1ª: De circular - Linha E-392 Manoel Ferreira: Ele sai do Terminal de ônibus municipais, à direita da Estação Estudantes em Mogi das Cruzes. Valor: $4,10 (Fev/2018). 

Só descer na Balança, no Km 77 da Rodovia Mogi-Bertioga e dali seguir pela Rodovia até o Km 81. 
Clique nesse link e veja os horários de partida do Terminal.

2ª: De ônibusque sai da Rodoviária de Mogi das Cruzes. Empresa Breda - Valor: $26,00 (Fev/2018).

Rodoviária de Mogi das Cruzes se localiza à esquerda da Estação Estudantes.

3ª: Transporte de Vanque saem ao lado da Estação Estudantes. 
Valor: mesmo do ônibus. 
Os motoristas ficam aguardando passageiros do lado de fora da estação e só saem, quando lotam a van.

# Para quem vai de ônibus ou van, tem de pedir para descer no Km 81, junto ao início da descida da serra, em um local conhecido como final do tobogã. Próximo do local tem um refúgio.


# Em frente a entrada da trilha existe uma enorme placa indicativa na Rodovia escrito: "ATENÇÃO - DESCIDA DA SERRA - DESÇA ENGRENADO”.


4ª: De carro – Eu recomendo essa opção somente para quem irá iniciar a caminhada a partir do Mirante, do Km 86, já que o local é seguro e com grande estacionamento. 


# Junto ao início da trilha, no Km 81 até existe um pequeno descampado, mas sem segurança nenhuma, além do risco de ser multado. 


# A trilha tem um total de quase 3 Km que pode ser completada em cerca de 2 horas (isso sem contar o trecho pela Rodovia). É bem demarcada, íngreme e sem dificuldades de navegação. Só um pouco de cuidado com as bifurcações.


# Ao longo da descida a trilha cruza com algumas nascentes, sendo esses os melhores pontos de água. Evite a agua do Rio Pedras e Itapanhaú.


# Quem inicia a trilha saindo do Mirante no Km 86 deve no mínimo saber nadar e nunca fazer sozinho, pois a travessia do Rio Itapanhaú é perigosa devido a forte correnteza. Pessoas já morreram afogadas cruzando o rio nesse ponto.


# A laje de pedra que cruza o rio de uma ponta a outra está bem no final da trilha que vem do mirante, mas só é recomendável para épocas de seca e cuidado com o limo.


# Uma corda de uns 40 metros é de grande ajuda para cruzar o rio em épocas de cheia ou em dias normais, principalmente para quem não sabe nadar.


# Para navegação e gravação do tracklog recomendo 2 app para o GPS do telefone celular. Todos na Play Store.
- GPX Viewer usei para navegar nos tracklogs.

- E o Wikiloc ou o Geo Tracker para gravar o tracklog do percurso que fiz.

4 comentários:

  1. Boa Tarde Augusto, obrigado pelo relato.
    Você poderia informar como estão as áreas de camping? Ouvi relatos de que estão bem sujas e impróprias para acampar.

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    1. Blz Gabriel.
      Desculpe a demora em te responder.

      Mas todas as areas de camping estavam relativamente limpas. Já é a terceira vez que visito essa cachoeira e nunca encontrei locais de acampamentos sujos.
      O pessoal colabora com a limpeza.

      Mas alertando que nessa região é proibido acampar. De vez em quando o pessoal do parque passa por lá para retirar as barracas.

      Abcs

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  2. MUito bom! Ainda voltarei nessa linda cachoeira. Quando fui, me perdi na volta, ficamos perdidos por mais ou menos 2h, foi tenso, a trilha foi longa e o fato de estar perdido agregado ao cansaço foi muito chato mas no fim deu certo. Não sei ao certo onde errei, mas na proxima vou tomar mais cuidado

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    1. E aí blz?

      Para evitar se perder em qualquer trilha leve um GPS com o tracklog da trilha.
      Pode ser aqueles de celular mesmo.
      Eles ajudam muito.
      No relato eu coloquei algumas opções de apps para celular.
      E não consome nada dos seus dados. É só abrir o tracklog em cima de imagens de satelite usando um wifi qqer.
      Depois ele mantem na memoria essas imagens.

      Boa sorte

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