9 de abril de 2006

Relato: 1ª vez na Cachoeira do Elefante - Serra do Mar de Bertioga

Este relato é de uma trip de Março de 2006 e como estou remexendo em alguns arquivos de muitos anos atrás, resolvi publicar este, que pode até ser útil para quem curte belas cachoeiras próximas da cidade de São Paulo. 
Com acesso fácil por ônibus e carro é perfeito para um bate-volta em um fim de semana qualquer.
Foi também uma forma de lembrar do Eduardo Luis, mais conhecido como Mimduim (com "m" no meio mesmo), que foi o organizador dessa trip e que morreu em 2011. Seu corpo foi encontrado em uma prainha na Trilha do Rio Mogi, em Paranapiacaba, na Serra do Mar.
Para quem não o conheceu, no final eu coloquei um texto sobre ele e o que pode ter acontecido em relação a sua morte.



Foto acima, na base da Cachoeira do Elefante




Fotos dessa caminhada: clique aqui

Tracklog para GPS, saindo do Km 81 da Rodovia Mogi-Bertioga: clique aqui



Início da trilha, junto da Rodovia
A Cachoeira do Elefante também é conhecida por um outro nome: Cachoeira do Itapanhaú e se localiza na Serra do Mar, próximo da Rodovia Mogi-Bertioga.
Lembro que na época o Mimduim enviou uma mensagem para a lista de trekking onde eu participava, convidando para fazer a trilha dessa cachoeira e muitos aderiram. 
O grupo se tornou até um pouco grande, com 10 pessoas: eu, Mimduim, Clayton, Cabral, Yoshico, Marcelo Gibson, Gláucia, Alex e mais dois amigos dele que eu não lembro o nome.
A data escolhida foi 12 de Março de 2006 (Domingo) e marcamos de todos se encontrar no Metrô Carrão onde uma van, já contratada pelo Mimduim, nos aguardaria. A saída atrasou um pouquinho, mas as 08:00 hrs já estávamos seguindo pela Rodovia Ayrton Senna em direção a Mogi das Cruzes, onde iríamos pegar a Gláucia.

Entrando na mata
Já com o toda trupe, seguíamos pela sinuosa Mogi-Bertioga com suas inúmeras curvas perigosas para chegar no Km 81 pouco antes das 10:00 hrs, em um belo Domingo de Sol.
São dois lugares por onde se inicia a trilha que leva até a base dessa cachoeira e como o grupo preferiu seguir pela trilha mais longa, a van nos deixou na Rodovia exatamente onde se inicia o trecho de descida da serra, ao lado de uma enorme placa indicativa de "ATENÇÃO - DESCIDA DA SERRA, DESÇA ENGRENADO". 
Nesse local do Km 81 existe um pequeno descampado, do lado direito da Rodovia, onde muitos iniciam a caminhada que leva até a base da cachoeira.
Cruzando o Rio Pedras
Mochilas nas costas, seguíamos por trilha bem demarcada, que em alguns trechos lembra a uma antiga estrada. Depois de uns 15 minutos de caminhada chegamos no Rio Pedras, onde a água estava um pouco acima dos joelhos, em parte devido às chuvas dos dias anteriores. Em dias normais esse rio é bem rasinho, onde só se molha as botas ao atravessá-lo. Aqui é um bom local de acampamento selvagem com áreas planas em alguns descampados e ao lado do rio. Seguindo a trilha principal, alguns metros à frente pegamos uma bifurcação à esquerda que leva a algumas pequenas cachoeiras, corredeiras e poções. 
É um bom local para banho, mas a água é gelada. 
Corredeiras do Rio Pedras
Voltamos para a trilha, cruzando alguns pequenos riachos e logo chegou o trecho mais íngreme. Algumas árvores caídas surgem no meio da trilha e por volta de uns 15 minutos desde o Rio Pedras, aparece uma bifurcação à esquerda, onde a trilha principal é a da direita. 
Quem quiser seguir na trilha da esquerda é possível chegar em uma outra cachoeira, mas com acesso um pouco mais difícil.
Como o grupo era grande, descíamos sem pressa por trilha íngreme com inúmeras raízes expostas e algumas arvores caídas. A mata é bem fechada e com pouco mais de 2 horas de caminhada chegamos em uma bifurcação, junto da margem do Rio Itapanhaú. 
Cruzando mais um rio para chegar na cachoeira
Seguindo para a direita, a trilha leva até um local conhecido como Casarão e de lá retorno para a Rodovia, mas nossa direção é seguir para esquerda. 
Nesse trecho a trilha segue ao lado do Rio Itapanhaú e alguns descampados perfeitos para acampamentos surgem ao lado da trilha e logo chegamos em outro rio. 
O volume de água era grande e por isso estava perigoso atravessá-lo. 
O Mimduim esticou uma corda e um a um fomos cruzando o trecho sem maiores dificuldades.
Mais outros descampados surgem pela trilha e com cerca de 3 horas de caminhada chegamos na base da Cachoeira do Elefante. 
Na base da cachoeira
Ela é bem larga e com uns 70 metros de queda. Olhando da Rodovia ela tem um formato dos pés de um elefante e talvez seja por isso que ela recebe esse nome.
A nossa diversão era tentar ficar embaixo da queda, mas era impossível. A força da água era muito grande e só nos contentamos em ficar nas laterais.
Depois de um tempo tomando banho de cachoeira e um lanche, voltamos para a trilha e dessa vez seguimos em direção ao Casarão e assim que passamos a bifurcação da trilha que veio do alto da serra, fomos nadar junto da margem em um remanso do rio, nos deixando levar pela correnteza. Nessa hora só os mais corajosos resolveram arriscar um mergulho.
Rio Itapanhaú

Voltamos à trilha e íamos seguindo o rio, próximo de sua margem cruzando inúmeros riachos. 
Com cerca de 1h30min de caminhada, chegamos no Casarão, bem ao lado de um campo de futebol. 
Aqui é um outro bom local de camping, mas que fica um pouco distante da cachoeira. 
No Casarão ainda morava uma família, mas a casa está em péssimas condições.
O Mimduim foi atrás de um senhor para nos levar de barco para o outro lado da margem, já que cruzar o rio era bem perigoso, pois a correnteza estava bem forte e a profundidade era um pouco grande. 
Cruzando o Rio Itapanhaú

Com 2 viagens em um pequeno barco chegamos do outro lado do rio e aqui só foi caminhar por uma trilha até sair em uma estrada que nos deixou na Rodovia, antes dela iniciar o trecho de subida da serra.
Esperamos por alguns minutos a van chegar e agora era voltar para SP felizes por uma bela caminhada com revigorante banho de cachoeira. 
Valeu Mimduim.




Algumas dicas e informações úteis

Considero essa trilha de nível médio e o percurso total dela é de aproximadamente 3 km.

# Regularmente a Policia Ambiental juntamente com o pessoal do Parque Estadual Restinga de Bertioga (PERB) realizam fiscalizações nessa região da cachoeira, devido a algumas mortes que aconteceram no local. Dizem que o objetivo da operação é garantir a segurança das pessoas e orientar a utilização correta das trilhas autorizadas da Unidade de Conservação (UC). 
Atente a isso quando for para essa cachoeira.

# Um outro acesso a essa cachoeira é por trilha que sai do Mirante na Rodovia Mogi-Bertioga, próximo ao Km 86, porém é um acesso somente para experientes em travessias de rios com correnteza. O local é muito perigoso devido a forte correnteza do Rio Itapanhaú, por isso nunca faça essa trilha sozinho por esse acesso. O risco de afogamento é grande.

# Existem 3 opções de transporte para quem pretende chegar nessa cachoeira:
1) Da Estação Ferroviária de Estudantes, em Mogi das Cruzes, saem vans que seguem para Bertioga, mas é preciso ter cuidado porque são clandestinas. O valor é de + - $20,00 (Março/2014) 
2) Outra opção mais segura é pegar o ônibus da Breda, que sai da Rodoviária, junto da Estação Estudante. Valor de - + $20,00 (Março/2014) 
3) Uma outra opção mais barata é pegar o circular Manoel Ferreira, saindo do Terminal ao lado da Estação Estudantes, seguindo até o final da linha, junto da Balança, no Km 77 da Rodovia Mogi-Bertioga. Dali é só continuar a caminhada pela Rodovia até o KM 81. Custo: $3,80 (Setembro/2016)
Confira no link abaixo os horários de saída desse circular:
www2.transportes.pmmc.com.br/site/coletivo/horario_individual.php?l=392

# Para quem for de carro, a melhor opção é deixá-lo no Mirante do Km 86. No local existe um grande estacionamento. Dali se inicia uma trilha de poucos minutos e que segue quase que em linha reta e que leva até a base da cachoeira. O problema é para cruzar o Rio Itapanhaú, pois a profundidade chega quase até a cintura em alguns pontos dele.

# Em dias muito chuvosos, o acesso a essa cachoeira é perigoso, já que a correnteza dos rios pode complicar muito a travessia. 

# Em Março de 2014 voltei a essa cachoeira e fui sozinho. Peguei tempo fechado e com uma pequena garoa, mas me diverti. Segui pela mesma trilha, mas retornei pelo Mirante e lá consegui uma carona de volta para Mogi das Cruzes.
Relato: http://trilhasetrips.blogspot.com.br/2014/03/dicas-cachoeira-do-elefante-serra-do.html 

# Uma outra cachoeira que também vale a pena conhecer é a da Pedra Furada. O início da trilha que leva até ela fica a uns 500 metros antes de chegar no início da trilha p/ a Cachoeira do Elefante. Tenho um relato com algumas dicas:
http://trilhasetrips.blogspot.com.br/2014/03/dicas-cachoeira-da-pedra-furada-mogi.html 



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Ele com sua cargueira
Para quem não conheceu o Mimduim, ele era um professor da rede pública municipal e estadual que fazia muitas caminhadas e sempre em grupo. Tinha 44 anos quando veio a falecer e normalmente era ele que organizava as trips.
Sempre generoso e um cara que ajudava os outros, era muito fácil de fazer amizades. Normalmente era o cozinheiro da turma e um dos pratos mais famosos que sempre fazia em alguma trilha era o peixe na folha de bananeira.
No dia 06 de Novembro de 2011 (um Domingo) ele seguiu de trem da Estação Brás com destino a Estação de Rio Grande da Serra para encontrar um grupo e fazerem a trilha da Cachoeira da Fumaça, dizendo para a esposa que voltaria no final do dia, mas se desencontrou do grupo e desde então não tiveram mais noticias dele. Consta que fez um telefonema de um orelhão próximo da Estação de RG da Serra, mas não disse para onde iria. 
Alguns amigos e colegas de trilha ainda tentaram ajudar a procurá-lo, mas em vão. 


Minduim e a Glaucia cruzando um rio nessa trilha da cachoeira
E somente no dia 12 de Novembro (Sábado) seu corpo foi encontrado por 2 trilheiros junto de uma prainha na Trilha do Rio Mogi, já próximo de Cubatão que avisaram os Bombeiros.
Devido a dificuldade do lugar, seu corpo só foi resgatado no dia 16 de Novembro pelo Corpo de Bombeiros com todos os seus pertences intactos, inclusive sua maquina fotográfica Nikon.
A família dele se mantem reclusa desde então, não divulgando nem a causa da morte, mas como a Trilha do Rio Mogi é repleta de inúmeros trepa pedras, pode ser que ele tenha fraturado a perna, não conseguido se locomover ou então sofrido um mal súbito ou até picado por algum animal peçonhento, mas tudo isso são apenas hipóteses. 
Mimduim descansando nessa trilha da cachoeira

O que se sabe de concreto é que ele foi encontrado com um grande inchaço em uma das pernas.  
Pelo menos ele perdeu a vida naquilo que ele mais gostava de fazer: trilhas. Uma grande perda. 
Com certeza hoje em dia está trilhando por outros lugares.









Mimduim na Cachoeira do Elefante
A página do Facebook dele com inúmeras mensagens é essa:
www.facebook.com/eduardo.mimduim












9 comentários:

  1. :-( achei triste a historia do minduim....mas...quem sabe ele está trilhando por outros lugares!?

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    1. Oi Ana.
      Só lamento que ele teve uma morte tão solitária. Estava sozinho na trilha e só foi encontrado alguns dias depois.
      E era um cara que sempre fazia caminhadas em grupos e se dava bem com todo mundo.
      São pessoas como ele que fazem falta no mundo.

      Nessa hora é que percebemos que nossa vida é muito curta e devemos aproveitar cada momento dela.
      Mas com certeza ele está em outro lugar melhor que o nosso.


      Abcs

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  2. Coisas dessa nossa vida...
    Fazer aquilo que descobrimos amar, é sem dúvida um dos maiores presentes que Deus pode nos conceder... Certamente este "mateiro", está trilhando novos caminhos e guiando a todos aqueles que seguem suas trilhas.
    Parabéns pelo relato e pela singela homenagem.

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    1. A morte é algo muito difícil de encarar, mas é a única certeza que temos na vida.
      Mas fiquei muito mais triste porque o Minduim era uma pessoa boa e muito querido por muitos.
      Pena que ele já tinha cumprido seu papel aqui na terra. Ele tinha ainda uma vida longa pela frente.

      Valeu Eduardo.
      Gde abc

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  3. Olá Augusto, gostaria de saber se você ainda faz trilhas, pois comecei agora a curtir estas caminhadas na natureza e estou viciando. Gostaria de conhecer a cachoeira do elefante mas pelos vídeos que vejo e relatos parece que é um pouco complicado para um iniciante e fico preocupado com a possibilidade de me perde no meio do caminho. Se por acaso você estiver com um trilha marcada para lá me avise para que eu possa fazer parte do grupo. Um abraço.

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    1. Ola Fernando.
      Sempre que posso e o clima ajuda faço alguma caminhada.
      Para iniciante não recomendo seguir pela trilha que inicia no Km 81.
      Tem a possibilidade de iniciar no mirante, mas tem de saber nadar para cruzar o Rio Itapanhaú. Pessoas já morreram ali, por isso é muito perigoso.
      Não costumo repetir trilhas e se vc quiser conhecer o lugar, então recomendo contratar algum guia de agencia.
      É mais seguro e ele pode te ajudar nos momentos mais perigosos.

      Abcs

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    2. Valeu Augusto, obrigado pela dica.

      Abraço.

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