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5 de janeiro de 2026

Travessia do Parque Nacional das Sempre Vivas / Minas Gerais - Curimataí x Inhaí - Relato com dicas e informações úteis

As minhas últimas caminhadas nas férias foram em praias ou em parques nacionais, como as travessias no litoral da Bahia, Ilha do Mel e nos Parques Nacionais da Serra do Cipó e na Chapada dos Veadeiros, onde o cerrado é predominante nesses dois últimos. O 
ambiente desses parques é perfeito para longas caminhadas devido ao relevo plano ou levemente ondulado e vegetação que permite uma boa visibilidade da região ao redor. É ideal para quem curte caminhadas com lindos visuais panorâmicos e de fácil navegação, além de muitos rios com cachoeiras e belos cenários da Natureza.
Depois de dezenas de anos fazendo pequenas caminhadas ou longas travessias na mata atlântica, em praias ou campos de altitudes, era hora de mudar e explorar um pouco mais esse ambiente.
Por isso quando retornei da Chapada dos Veadeiros, onde fiquei por 5 dias só fazendo caminhadas dentro do Parque Nacional, minha próxima caminhada tinha de ser na região de cerrado novamente. 
E das várias opções que encontrei, a maioria estava localizada no Estado de Minas Gerais, principalmente na Serra do Espinhaço, combinando paisagens com visuais panorâmicos, muitas cachoeiras e alguns picos. Eram muitas opções e foi difícil qual escolher.
Vi algumas travessias em parques estaduais, trilhas ligando pequenas vilas e arraiais, travessias cruzando a Serra do Espinhaço ao norte e ao sul e algumas prolongando até próximo da Bahia.
O primeiro critério que levei em consideração foi a logística, já que não queria perder alguns dias para chegar ou sair de lá.
Dos vários relatos de trilhas que li e dos tracklogs que pesquisei sobraram 3 opções que ficam até relativamente próximos e no final escolhi o Parque Nacional das Sempre Vivas.
É um parque relativamente novo em folha, já que foi criado em 2002, não dispondo de portaria e nem controle de acesso. Somente de um alojamento no interior do parque que é usado pelo pessoal das brigadas de incêndio, sendo um ponto de parada da travessia.
Muitos proprietários que possuem sítios ou fazendas dentro da área do parque ainda vivem por lá, pois não foram ressarcidos na questão fundiária. 
Sua localização é próximo do município de Diamantina, mas compreende vários outros no seu entorno.
Nos relatos todos citam vários rios e pequenos riachos que cruzam as trilhas, já que o parque é nascente de muitos deles que desaguam tanto a oeste quanto a leste, sendo inserido na chamada Cordilheira do Espinhaço.
Li alguns relatos de caminhadas de mais de 20 anos atrás realizados na parte norte do parque e com certeza essas trilhas estavam tomadas pelo mato, por isso esses eu descartei. Estava procurando uma travessia e não uma trip exploratória por trilhas fechadas e com isso escolhi uma travessia bem conhecida que liga Curimataí (Distrito de Buenópolis) a Inhaí (Distrito de Diamantina) na direção oeste-leste.
Travessia de uns 3 a 4 dias com cerca de 60 Km ou mais dependendo do que incluir e caminhada que se alterna por antigas estradas vicinais e trilhas.
Encontrei vários tracks com relatos recentes e marquei essa travessia nas férias. 
Sempre Vivas é o nome popular de várias espécies de plantas que depois de coletadas, desidratadas e muitas vezes pintadas de cores variadas, suas pequenas flores conseguem resistir por vários anos e é muito abundante no Parque, principalmente na parte alta dele, ao longo dos campos. Elas lembram pequenas pétalas e são muito usadas para decoração, enfeites de ambientes e arranjos de buquês.
E como é um Parque nacional distante de São Paulo, teria de planejar a logística para não perder muito tempo e depois de estudar as opções fiz da seguinte forma: ônibus até Belo Horizonte e de lá outro até Buenópolis, onde embarcaria no ônibus rural até Curimataí e o retorno de Inhaí até Diamantina e depois Belo Horizonte.
Para não ter problemas com a administração do Parque, enviei 3 e-mails para comunicá-los da intenção de fazer a travessia passando meus dados, porém não me responderam em nenhum momento. 
Liguei também no telefone fixo da sede do Parque em Diamantina, mas ninguém atendeu.
E mesmo assim não tive problemas quando passei pelo alojamento dos brigadistas no meio do parque.
A autorização foi o menor dos problemas que me aconteceu nessa trip. 
Uma cobra jararaca quase me fez eu ter correr para um hospital no segundo dia.


Fotos acima da parte alta do Parque e das Cachoeiras do Felipe e do Gavião



Fotos: parte 1 até Fazenda do Gavião: clique aqui
            parte 2 da Fazenda até Inhaí: clique aqui
                     
Tracklog que eu gravei: clique aqui



Devido a logística para chegar em Curimataí iniciei minha trip numa segunda-feira em direção a Belo Horizonte saindo de SP por volta das 23:00 hrs. Viagem tranquila com 2 paradas pelo caminho, mas ao entrar em BH o transito piorou. Era um anda e pára horrível - deveria ter comprado um horário antes para chegar mais cedo, mas agora era tarde.
Fui contando os minutos e por volta das 08h20min chegamos na Rodoviária e logo que desembarquei fui para o guichê da Empresa Trasnorte comprar a passagem para Buenópolis que sairia as 09:00hrs e previsão de chegada as 13h30min. Já tinha olhado pela internet que existiam muitos assentos livres, então fui sem pressa.
Embarque tranquilo e saindo no horário, mas foi passando por várias cidades ao longo do trajeto e já próximo de Buenópolis o transito para num bloqueio da Rodovia, devido a obras de manutenção com recapeamento do pavimento e aí já começo a ficar preocupado, pois o relógio marca 13h40min e o ônibus rural para Curimataí sai de Buenópolis as 14:00hrs. A parada não foi demorada, mas pareceu uma eternidade. 
E as 13h55min o ônibus me deixa em uma parada junto ao Posto de Gasolina Lamparina, bem na entrada da cidade. Confirmo com um frentista que o ônibus rural passa por ali e fico aguardando, mas não deu nem 5 minutos ele encosta.  
Virar à direita

22 de julho de 2024

Travessia do Parque Nacional da Serra do Cipó/MG - Altamira x Alto Palácio - Relato com dicas

Durante muito tempo mantive uma lista das clássicas travessias que pretendia finalizar e nos últimos anos quase zerei essa lista. As duas últimas foram: Chapada Diamantina e Lençóis Maranhenses.
Mas na Serra do Espinhaço não tem somente a Lapinha-Tabuleiro como uma clássica travessia. Tem também a Alto Palácio x Serra dos Alves e essa eu não tinha feito. Talvez por falta de oportunidade mesmo e pela proibição do Parque durante alguns anos. 
E com minhas férias marcadas para alta temporada de caminhada pelas montanhas (junho) fui pesquisar essa travessia e planejar a melhor forma de fazê-la.
E encontrei algumas opções para emendar essa caminhada com outras, se tornando uma verdadeira Transespinhaço no sentido sul-norte, com mais de 150 Km de extensão, com inicio na Serra dos Alves, passando pela portaria Alto Palácio no primeiro trecho e de lá seguindo até Lapinha da Serra no segundo trecho para finalizar no Morro do Camelinho, na Rodovia MG-259, que seria o último e mais longo trecho dessa travessia.
Então estava planejada a minha caminhada do ano: Transespinhaço de sul a norte de Altamira até Morro do Camelinho. Porém as coisas nunca acontecem do jeito que nós planejamos e com isso tive que mudar meus planos quase na metade do caminho. Uma pena.
Nesse relato incluí também tópicos abordando o planejamento e a logística de toda essa caminhada que seria uma mega travessia.

Nas fotos acima o visual do Parque no topo da serra e o Vale do Travessão

Fotos da travessia: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui 



Planejamento
Se iniciasse a caminhada pelo norte, obrigatoriamente eu iria finalizar os últimos 3 dias dentro da área do Parque Nacional da Serra do Cipó e por ser um lugar inédito para mim, vi que não era uma boa opção, pois estaria bem cansado. 
Por já ter caminhado pela Lapinha-Tabuleiro, que fica ao norte, achei melhor iniciar a caminhada pelo sul, já que estaria descansado quando estivesse fazendo o primeiro trecho dessa caminhada.
No site do wikiloc encontrei dezenas e dezenas de arquivos de GPS para usar em toda essa travessia e levei cerca de 5 tracks, com um emendando no outro, já que os arquivos completos que encontrei seguiam por trechos que pretendia evitar.
E pesquisando o início da caminhada pela Serra dos Alves, a logística estava bem complicada e por vários motivos: teria de seguir de Belo Horizonte até Itabira e de lá tomar outro ônibus circular até Serra dos Alves, porém ele só operava apenas 1 dia na semana, na sexta-feira no horário das 15h30min, me obrigando a ficar hospedado uma noite no povoado. Não queria isso, então transporte público estava fora de questão.
A outra opção era transporte particular, tipo uber ou mototáxi. Porém o percurso seria longo demais com parada em Senhora do Carmo para depois seguir para Serra dos Alves e como estava sozinho nessa empreitada, era arriscado demais chegar em Itabira e ainda procurar um transporte, perdendo 1 dia nisso. E ir com meu carro, sem chances, já que teria um trabalhão depois para ir pegá-lo de volta. E o último problema era que eu pretendia conhecer a Cachoeira Braúnas e pela trilha da Serra dos Alves seria um trajeto bem mais longo.
Olhando os tracks que estavam no wikiloc, uma outra opção era iniciar a caminhada pelo Distrito de Altamira (pertencente ao município de Nova União). Pelo menos lá eu teria o transporte público diariamente e com a possibilidade de passar ao lado da Cachoeira Braúnas ao longo da caminhada.
E assim fechei o roteiro da minha travessia: início da caminhada no Distrito de Altamira, subindo a Serra do Espinhaço e passando pelos 2 abrigos oficiais do Parque Nacional: Casa dos Currais e o de Tábuas para finalizar na portaria Alto Palácio. 

1 de dezembro de 2022

Travessia do Pico do Itacolomi - Ouro Preto/MG (ida por dentro do Parque e retorno por fora) - Relato com dicas

Já tinha viajado para as cidades históricas de MG algumas vezes, mas sempre para visitar as Igrejas católicas com sua arquitetura colonial em estilo barroco.
Dessa vez tinha ido com minha namorada e por ser a primeira vez dela, tínhamos que incluir as Igrejas no roteiro novamente, mas com 4 dias dava para fazer também algumas caminhadas em parques da região. Nossa intenção era visitar o maior número possíveis de igrejas em 2 dias e nos outros 2 conhecer os parques.  
Não estávamos indo com planejamento já pronto, pois íamos fazer o roteiro de acordo com o clima ao chegar lá.
Dos parques pesquisados, um foi o Parque Natural das Andorinhas, mas como esse é muito tranquilo e de acesso muito fácil às trilhas que levam a poções e cachoeiras, nem resolvi criar um relato: só esse, que inclui dicas de Ouro Preto. O parque é relativamente pequeno e sua principal atração é a Cachoeira das Andorinhas cujo acesso é descendo uma fenda entre enormes rochas até chegar numa espécie de caverna, onde a cachoeira tem sua queda escondida por entre as pedras.
O outro parque é uma caminhada obrigatória: o Itacolomi, cujo pico pode ser avistado de vários pontos de Ouro Preto, sendo bem fácil identificá-lo pelo enorme monolito inclinado no alto da serra.
Depois de uma breve pesquisa sobre o parque e a trilha que leva ao topo do pico, marcamos a caminhada para o dia seguinte.


Fotos acima: chegando ao mirante do Pico e todo o esplendor dele

Fotos dessa travessia: clique aqui 
Tracklog de ida e volta: clique aqui
Vídeo dessa caminhada: clique aqui


Com uma pequena mochila de ataque e alguns lanches preparados na Pousada, seguimos por volta das 08:00 hrs para a Praça Tiradentes em busca de algum transporte que nos deixasse na entrada do Parque ou pelo menos em frente ao Hospital Santa Casa, que fica a poucos metros da guarita do parque.
Chamamos um Uber algumas vezes, mas não encontramos motoristas disponíveis. Desistimos.
Consultamos alguns taxistas da Praça e como era de esperar numa cidade turística: valores exagerados.
O jeito era pegar algum ônibus circular em frente à Igreja São Francisco de Assis.
Já no ponto de ônibus, alguns passageiros nos recomendaram seguir também de taxi-lotação, cujo valor era o mesmo do ônibus (pouco menos de $5 Reais) e seguem o mesmo trajeto do circular e não demorou muito um desses parou no ponto. Perguntamos se passava ao lado da Santa Casa e embarcamos.
Cruzando a Rodovia
Em pouco menos de 15 minutos já estávamos chegando no Hospital e agora era cruzar a Rodovia junto do trevo para acessar a guarita do parque, que já podia ser visto do outro lado. 
Com algumas nuvens escuras no céu, parecia que o dia seria nublado e com chuvas, mas por sorte nossa, o Sol de vez em quando surgia entre as nuvens nos deixando um pouco mais tranquilos.
Credenciamento
Passamos pela guarita e mais alguns metros chegamos num escritório do parque, onde tivemos que registrar nossos dados em um livro e pagar a taxa de visitação. Falamos nossa intenção de subir até o topo do pico e nos passaram algumas dicas e informações sobre a trilha.
Eram pouco mais de 9:00 hrs da manhã e a partir daqui a caminhada é por estrada de terra com leve inclinação contornando o Morro do Cachorro com suas inúmeras antenas. 
Mirantes na subida

27 de agosto de 2013

Travessia Lapinha Tabuleiro pelo Pico do Breu - Serra do Espinhaço/MG - Relato com dicas da caminhada

Mês de Julho chegando. Época das caminhadas e sempre a dúvida cruel: que fazer? 
O plano A era um circuito na região sul, que há muitos anos venho tentando fazê-lo, mas que não deu certo. Já tinha também um plano B, que era a Lapinha-Tabuleiro/MG. 
Depois de meu primeiro contato com o cerrado e os campos rupestres no Parque do Ibitipoca (relato aqui), queria voltar novamente a esse ambiente para uma travessia e a Lapinha-Tabuleiro estava nos meus planos para fazê-la algum dia. 
Essa é uma daquelas clássicas travessias obrigatórias que muito trilheiro deve fazer. 
Ela se inicia no Distrito da Lapinha (que pertence ao município de Santana do Riacho/MG), cruza os campos rupestres da Serra do Cipó (que é integrante da Serra do Espinhaço) no sentido nordeste para finalizar na Cachoeira do Tabuleiro, no distrito de mesmo nome, que pertence a Conceição do Mato Dentro. 


Na foto acima a Cachoeira do Tabuleiro vista do mirante




Fotos dessa travessia: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui



Como pretendia fazer essa travessia em 3 dias iniciando em uma Segunda-feira, muita gente recusou o convite, dizendo que não poderiam faltar ao trabalho e só o Rodrigo e a Rosana que resolveram embarcar nessa caminhada. Nosso planejamento era acampar na casa de moradores ao longo da travessia, incluindo a visita ao topo e a base da Cachoeira do Tabuleiro. 

Nessa travessia existem várias opções diferentes de onde iniciar a caminhada, mas duas são bem conhecidas e se iniciam na Lapinha: a primeira é a que segue por uma trilha que contorna pelo sul a Serra do Breu (nome mais conhecido, mas na carta topográfica do IBGE consta como Abreu) e a outra opção é seguir na trilha que cruza o interior da Serra, passando pela base do Pico da Lapinha e no topo do Pico do Breu. 
Com belos visuais panorâmicos e passar pelo do topo Pico do Breu, que é o ponto culminante da Serra do Cipó, essa foi a opção que escolhemos para a travessia. 
O único problema é o tempo gasto a mais, todavia compensa o esforço.
Tanto para chegar na Lapinha quanto para sair do Tabuleiro, a logística é complicada, pois os horários dos ônibus são bem ingratos, obrigando a contratar um transporte ou depender de caronas.
Dentro do ônibus com Serra do Cipó ao fundo
O Sérgio Beck tinha publicado o relato dessa travessia na sua Revista Aventura Já alguns anos antes, mas o trajeto dele foi iniciar pelo Tabuleiro. 
Algumas informações poderiam ser úteis, mas iríamos manter o nosso roteiro, iniciando na Lapinha.
No dia marcado - Domingo - encontrei o Rodrigo e a Rosana na Rodoviária do Tietê e embarcamos de Cometa no horário das 21h45min em direção à Belo Horizonte. 
A viagem foi tranquila e chegamos lá pouco depois das 05:00 hrs. 
Depois de comprar a passagem para Santana do Riacho no guichê da Saritur para o horário das 07h30min, fomos tomar um café da manhã em uma lanchonete da Rodoviária. 
O ônibus saiu no horário e relativamente vazio, mas foi parando em vários pontos, depois que ele passou a cidade de Água Santa e com isso só fomos chegar em Santana do Riacho pouco antes das 11h30min. O que compensa é o visual do cerrado e dos paredões da Serra do Cipó depois que passamos por Cardeal Mota.
Igreja Matriz de Santana do Riacho
Desembarcamos em Santana do Riacho com outro grupo que também estava indo para Lapinha. 
O Sol estava de rachar com temperaturas acima de 30ºC e para piorar, eu tinha esquecido meu boné. Enquanto eu fui comprar um, o Rodrigo e a Rosana foram procurar algum transporte e conseguiram facilmente um que nos levaria até a Lapinha, mas antes de fecharmos com ele, nos informaram em um barzinho que o ônibus escolar iria sair por volta das 12:00 hrs de uma escola pública, ao lado da Igreja Matriz e corremos para lá. 
O motorista aceitou dar carona para gente e lá fomos nós juntos com estudantes adolescentes. A estrada é bem precária e poeirenta e às 12h45min chegamos ao Distrito.