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31 de julho de 2003

Travessia Transmantiqueira: Marins-Itaguaré, Serra Fina e Serra Negra numa mesma caminhada - Relato com dicas

Aqui é um relato de uma mega travessia pela Serra da Mantiqueira, que muitos conhecem como Transmantiqueira, onde caminhei pela Marins-Itaguaré, Serra Fina e Serra Negra, todas de uma vez só. 
As três eu fiz uma na sequência da outra, iniciando na estrada que acessa o Pico do Marins e terminando na Vila de Maromba, em Visconde de Mauá. 
O total dessa caminhada chegou a uns 130 Km, finalizados em 9 dias.
Já tinha feito a Marins-Itaguaré em duas outras oportunidades - e uma dessas vezes passei por um perrengue e tanto por terminar a noite, sem água e sem lanterna: clique aqui
A Serra Fina também já tinha feito uma vez, mas levei 6 dias para cruzá-la, devido às chuvas que peguei no topo da Pedra da Mina - relato aqui
Enquanto que a Serra Negra era a minha primeira vez. 
O mês escolhido foi Julho, por ser propício para as caminhadas em região de montanha.
Dentre essas 3 travessias, só tinha dúvidas em relação a Serra Negra, já que era a única que eu não tinha feito.

Para essas caminhadas estava levando croquis da travessia da Serra Negra, criado pelo Guilherme Rocha e um relato do Sérgio Beck, sobre a Mauá-Itamonte que passava por um trecho que eu iria fazer. Na dúvida, levei também os relatos da Marins-Itaguaré e da Serra Fina, escritos pelo Sérgio Beck.
Não queria reunir um grupo grande, pois sabia que ia ser muito cansativo e alguém poderia desistir e no final chegamos a um total de 5 trilheiros: eu, Jorge Soto (Sampa), Téo, Ricardo e o Temujin (todos os 3 de Pouso Alegre/MG) mas eles seguiram somente até o final da Serra Fina. 
A Serra Negra eu tive que completar sozinho. 
Sacanagem né; me deixaram na mão.


Nas fotos acima, no início da subida pela crista da Serra Fina que marca a divisa SP/MG e o vale do Rio Aiuruoca, na travessia da Serra Negra



Fotos dessas 3 travessias junto com cartas topográficas, mapas e croquis: Clique aqui
Tracklog para GPS da trilha do Pico do Marins: Clique aqui
Tracklog para GPS da travessia da Serra Negra: Clique aqui





Numa manhã de uma Terça-feira encontrei o Jorge na Rodoviária do Tietê em São Paulo e o resto da galera iria encontrar na base do Pico do Marins, onde iriamos acampar.
Para a 1ª travessia (Marins-Itaguaré) eu e o Jorge pegamos o ônibus no Tietê em direção a Itajubá e descemos logo depois da divisa SP/MG, no alto da Serra da Mantiqueira, uns 5 minutos depois do Posto Policial para quem vem de Piquete. 
O horário marcava 11:00 hrs e ainda teríamos que caminhar em um ritmo forte por cerca de 15 Km até para chegar no Acampamento Base Marins, onde se inicia a trilha até a base do Pico do Marins. 
Assim que descemos na Rodovia, seguimos por uma estrada de terra no sentido leste. Logo no início dessa estrada há uma placa de Fazenda Saiqui, como referência. Inicia-se numa parte plana e depois tendo uma subida forte. 
Água não é problema, pois existem várias nascentes na estrada e depois de uma longa subida com uma bica de água do lado direito, a estrada passa por um mata-burros e aqui se inicia a descida até a sede da Fazenda, que vai estar do lado esquerdo. 
Depois das casas dos moradores da Fazenda, logo a frente haverá uma bifurcação à direita indicando Pico do Marins (desse ponto já dá para ver o Marins imponente à sua frente). Seguindo por ela, logo em seguida se chegará ao Refúgio Marins, onde atualmente pode-se hospedar, se alimentar e deixar o carro em um enorme estacionamento para veículos. Daqui para frente se inicia uma subida bem íngreme em zig zag na direção do Morro do Careca.

20 de abril de 2001

Travessia Itaguaré x Marins que terminou durante a noite, sem lanternas e sem água - Relato e dicas do perrengue

Era a minha primeira incursão pela região do Marins e logo de cara resolvi fazer a travessia Marins-Itaguaré, mas no sentido inverso, entrando pelo Pico do Itaguaré.
Como era uma semana de recesso na faculdade por causa da Semana Santa, consegui também algumas folgas no meu trabalho e com isso tinha uma disponibilidade de alguns dias para fazer essa travessia. Estava indo para lá com a pretensão de fazer essa travessia em no mínimo 3 dias, sem correria. Quem também resolveu embarcar nessa comigo foi o Sérgio (amigo de faculdade e de trilhas).
Para essa trilha só estava levando o relato do Sérgio Beck (famoso montanhista) publicado no livro Caminhos da Aventura que iria ser nossa referência, mas na dúvida resolvi ligar para o Maeda do CEC (Centro Excursionista de Campinas). Foi ele, junto com o pessoal do CEC que abriu essa travessia no início da década de 90 e fuçando na Internet achei o telefone dele e num bate papo perguntei sobre como estava a trilha e a minha intenção de fazer a travessia.
Mesmo dizendo que ia ser minha primeira vez lá, o Maeda falou para eu ficar sossegado, já que a trilha estaria bem demarcada.


Na foto acima, o Pico do Itaguaré visto da travessia.



Fotos, croquis e coordenadas geográficas: clique aqui

Tracklog para GPS da trilha do Pico do Marins: clique aqui



Nosso objetivo era chegar no topo do Pico do Itaguaré no primeiro dia e no dia seguinte realizar a travessia até o Marins e talvez esse tenha sido nosso erro.
Início da caminhada próximo da Rodovia
No dia combinado, encontrei o Sérgio na Rodoviária do Tietê por volta das 07h30min e embarcamos em direção à Passo Quatro/MG no ônibus das 08:00 hrs (um pouco tarde, mas era a única opção).
Depois que terminamos a subida da Serra da Mantiqueira, passamos ao lado de um Monumento que fica bem na divisa SP/MG e daqui para frente a estrada ainda passa ao lado de um posto de gasolina à esquerda e depois de seguir no plano por uns 5 Km, pedimos para descer (esse acesso fica pouco mais de 1 Km antes de chegar no Bairro do Pinheirinho - o primeiro de Passa Quatro).
Serra Fina ao fundo
Aqui existe uma estradinha que desce à esquerda em direção ao Bairro de Caxambú (pertencente a Passa Quatro). 
Saltamos aqui por volta das 12:00 hrs e ainda tínhamos um trecho de descida até um pequeno vale e lá embaixo cruzamos uma linha férrea e iniciamos uma caminhada pelo plano passando ao lado de uma pequena igrejinha.
Finalizado esse trecho do Bairro, acaba a alegria e iniciamos a longa subida íngreme que vai nos levando serra acima. 
A todo momento olhava para trás para ver como o Sérgio estava aguentando a subida e sempre ouvia dele as mesma palavras: “tô animado.....tô animado.....” .