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31 de outubro de 2018

Travessia do Parque Nacional do Caparaó – Portaria do ES x Portaria de MG, com Pedra Duas Irmãs, Pico do Cristal, Pico da Bandeira e Morro da Cruz do Negro - Divisa MG/ES - Relato com dicas

Quando conheci o Parque Nacional do Caparaó nesse relato chegando ao topo do Pico da Bandeira, tinha a intenção de algum dia retornar, pois só tive boas recordações de lá. 
Comparando com alguns Parques Nacionais em região de montanha que já fiz caminhadas (Itatiaia, Cipó, Serra dos Órgãos e Bocaina) o Caparaó é disparado o melhor de todos. 
Além da bela infraestrutura nos 4 campings no interior do Parque, ele também tem um lindo visual panorâmico nas trilhas da parte alta e uma relativa facilidade para conseguir chegar ao topo do 3º e 6º maiores picos do país (Bandeira e Cristal respectivamente).
Isso sem contar outros 3 picos do Parque que estão entre os 15 maiores do país. 
Naquela época entrei pela Portaria de Minas Gerais (o Parque tem outra portaria pelo lado do Espirito Santo) passando pelo Campings da Tronqueira, Terreirão, Vale Encantado até chegar ao topo do Pico da Bandeira para contemplar o Pôr do Sol. 
Por estar sem uma cargueira e com o clima ajudando, a caminhada foi tranquila e presenciei lindos visuais ao longo da subida, já que boa parte da vegetação é de campos rupestres; um pouco semelhante ao cerrado.
Pensei comigo: eu tenho de retornar a esse parque algum dia e conhecer a parte capixaba dele com os Campings Macieira e Casa Queimada, as trilhas e cachoeiras.
Porém os anos foram passando e fui deixando de lado - para quem pretende fazer a travessia de uma portaria a outra sem pressa, o ideal é dispor de 4 a 5 dias para alcançar o topo de todos os picos conhecidos e passar por algumas cachoeiras. 
Quando eu tinha alguns dias disponíveis, o clima não ajudava e com isso preferia fazer caminhadas em outros lugares.
Mas no inicio do Inverno daquele ano eu estava decidido a fazer a travessia completa. 


Fotos acima: paredão do Pico da Bandeira pelo lado do ES e na outra, o amanhecer no topo, com vista para o antigo Pico do Calçado, em primeiro plano



Fotos dessa travessia: clique aqui

Tracklog para GPS dessa caminhada: clique aqui
Vídeo completo da travessia: clique aqui

Outros videos
- Camping Casa Queimada: clique aqui  
- Pico do Cristal: clique aqui
- Trilha entre Camping Casa Queimada e Pico da Bandeira: clique aqui




Com vários meses de antecedência fui pesquisar e ler alguns relatos sobre as dificuldades da travessia, assim como a melhor maneira de entra e sair do parque.

A logística era a principal dúvida e depois de analisar todos os detalhes cheguei a conclusão que a melhor opção era o sentido ES-MG, isto é,  entrar pelo ES e finalizar em MG, já que não estava indo de carro e nem pretendia contratar um transporte. 
Então elaborei o planejamento da seguinte forma: saindo de São Paulo a noite para chegar em Espera Feliz/MG no final da manhã, a tempo ainda de embarcar no ônibus circular para o Distrito de Pedra Menina/ES e de lá seguir na caminhada até a portaria do lado capixaba para chegar no Camping Macieira antes do anoitecer.
Já no 2º dia conhecer as 3 cachoeiras próximas do camping (7 Pilões, Aurélio e Farofa) e finalizar no Camping Casa Queimada e se desse tempo subir até o topo da Pedra Duas Irmãs, que se localiza bem próximo. 
No 3º dia seguir para o Pico do Cristal e depois acompanhar o Pôr do Sol no topo do Pico do Bandeira, acampando depois no Terreirão.
No 4º dia contemplar a aurora no topo do Bandeira e se possível alcançar o ponto mais alto da Pedra Roxa e do Morro Cruz do Negro (entre os 15 maiores do país em altitude).
Em seguida iniciar a descida para finalizar no Camping da Tronqueira, passando pelo Vale Encantado.
E no 5º dia passar pela Cachoeira Bonita, Vale Verde para finalizar a travessia na Portaria de MG durante a tarde e depois pernoitar em alguma pousada de Alto Caparaó, cuja cidade fica bem próxima da portaria do parque.
Todo o planejamento com a logística tinha de dar certo porque no 6º dia já estaria voltando para São Paulo já com a passagem de ônibus comprada antecipadamente. 
Mas devido a um pequeno contratempo por pouco não fui parar na portaria mineira, inviabilizando totalmente o roteiro que tinha planejado. 
Marquei a travessia para o final de Julho e com mais de 1 mês de antecedência solicitei autorização pelo site do Parque para ficar nos 4 campings e alguns dias antes da viagem confirmei a reserva e só fiquei aguardando a autorização chegar pelo e-mail, que aconteceu poucos dias antes do embarque.
Arrumei a mochila cargueira, coloquei na memoria do celular 2 tracklogs que encontrei no Wikiloc e embarquei no ônibus da Itapemirim às 22h30min em direção a Espera Feliz/MG.
No Terminal Tietê o ônibus saiu com 45 minutos de atraso, o que me deixou um pouquinho preocupado, pois a informação que eu tinha era que o circular de Espera Feliz para Pedra Menina sairia pouco depois que o ônibus da Itapemirim chegasse na Rodoviária. 
Se não acontecesse nenhum problema com o ônibus ao longo do trajeto até ficaria tranquilo, mas essa empresa já me deixou na mão uma vez por problemas mecânicos no ônibus (vide relato da Serra do Quiriri aqui).  
Com 3 paradas para descanso ao longo do trajeto e outras tantas rodoviárias, a viagem foi relativamente tranquila, dando para cochilar em alguns momentos e exatamente as 11h15min chegava na Rodoviária de Espera Feliz em um lindo dia de Sol. 
Rodoviária de Espera Feliz
Perguntando para algumas pessoas que estão na Rodoviária fico sabendo que o circular para Pedra Menina sairá as 11h30min – quase em cima da hora e no horário previsto o circular chegou. Não tinha um letreiro na frente para ter a certeza para onde estava indo, mas confiante no que os moradores me disseram e o que o cobrador também confirmou, embarquei sem medo. Saindo com um pouquinho de atraso, o ônibus segue por estradas de terra e 12h20min chego em Pedra Menina, mas achei tudo muito estranho.

28 de julho de 2001

Pico da Bandeira - Parque Nacional do Caparaó - No topo do 3º maior pico do país - Relato com dicas

No ano em que adquiri uma motocicleta zero km, planejava fazer uma pequena ou até uma média viagem de no máximo 1 semana saindo da cidade de São Paulo. Como estava chegando época de inverno, o litoral estava fora de questão, já que não compensava ir para as praias e não aproveitar. 
Outra opção eram as montanhas, mas qual escolher. Depois de muito estudar, resolvi então seguir de São Paulo até o Parque Nacional do Caparaó (divisa MG/ES) para subir o Pico do Bandeira, considerado o terceiro maior do país. 
Era unir o útil ao agradável (uma viagem interessante, seguida de uma caminhada dentro do Parque).
Para os preparativos, liguei no Parque Nacional para saber as condições de reserva do camping e até tinham vagas, mas pensando um pouco melhor alguns dias depois, achei que a barraca e acessórios só iriam aumentar a bagagem e por isso desisti dela. 
Achei melhor ficar em pousadas. Liguei em algumas da cidade de Alto Caparaó (MG) e a que eu escolhi foi a Pousada do Rui, localizada junto a uma Igreja em um dos pontos mais altos da cidade.
Como pretendia ficar na pousada e entrar e sair do parque no mesmo dia não me preocupei em levar muita coisa. 
A data escolhida foi Julho, por ser uma época perfeita para viagens de moto.
Consegui alguns dias de folga no trabalho, arrumei algumas peças de roupa e coloquei em uma pequena mochila, prendendo-a na moto. Eu não tinha ainda um bauleto. Fui comprar alguns anos depois.
No livro Caminhos da Aventura, do Sérgio Beck, ele relata essa subida ao Pico da Bandeira e claro, tirei cópias dessa parte do livro e levei na mochila. 
Fiz uma pesquisa na internet para ver qual o melhor trajeto para se chegar lá e encontrei vários, mas pela segurança preferi seguir pela Via Dutra até Volta Redonda e depois BR-393, sentido Vassouras e Além Paraíba.
O trajeto que eu escolhi era o mais curto e contando com as paradas, calculei que levaria entre 10 e 12 horas de viagem.


Foto acima: entardecer no topo do Pico da Bandeira



Fotos, algumas coordenadas de GPS + mapa de acesso ao Parque: Clique aqui
Tracklog para GPS da trilha até o topo do Pico da Bandeira: Clique aqui


No dia anterior liguei na Pousada do Rui e fiquei sabendo que a mesma estava vazia, então fui sem fazer a reserva.
Sem previsão de chuvas e com promessa de tempo bom, saí de Sampa por volta das 07:00 hrs da manhã e fui seguindo pela Rodovia Ayrton Senna e só caí na Via Dutra já próximo de Taubaté e com isso evitei um bom trecho da Via Dutra que é cheia de caminhões.
Nesse trecho, o zíper da minha jaqueta quebrou e para dar um "jeitinho" tive que pegar o zíper da minha luva.
Como estava próximo de Aparecida, não pensei 2x e fiz uma pequena parada na cidade para comprar uma outra luva e aproveitei para visitar a Basílica.
De volta à Via Dutra, por volta das 10h30min, já estava entrando no Estado do RJ e o tempo continuava muito bom.
Passei por Itatiaia, Resende e logo depois da cidade de Barra Mansa, existe uma saída da Via Dutra, com placas apontando as cidades de Volta Redonda e Barra do Piraí.
Saí da Dutra aqui e segui por uma Rodovia que é a BR 393, passando por um pequeno trecho urbano de Volta Redonda e seguindo as placas de Barra do Piraí, Vassouras e Três Rios. Esse é um trecho muito ruim, já que a Rodovia ainda não estava duplicada e o movimento de caminhões é intenso.
Em vários trechos pego uma ou outra subida de serra e já próximo de Paraíba do Sul, antes das 14:00 hrs paro em um restaurante para almoçar e evito comida gordurosa, já que poderia provocar uma indigestão (a gente nunca se sabe). Em 30 minutos estou de volta à Rodovia. 
Depois de passar por Paraíba do Sul e já próximo de Três Rios, vou contornando a cidade pela direita e logo depois de passar o trevo, chego na BR 040 (que segue do Rio de Janeiro para Juiz de Fora) e aqui sou obrigado a pegar um trecho de uns 200 metros  no sentido RJ para depois sair da Rodovia e seguir as placas indicando Salvador, Sapucaia e Além Paraíba à esquerda.
Aqui é um trecho com inúmeras curvas e sou obrigado a reduzir bastante a velocidade, já que estava correndo acima de 100 Km/h. 
O que é legal aqui é o Rio Paraíba do Sul que segue à esquerda, paralelamente à Rodovia por um longo trecho.
Quando chego no trevo de Além Paraíba, cruzo o Rio Paraíba do Sul e aqui estou de volta a BR 116, agora já entrando no Estado de MG.