13 de maio de 1998

Relato: Deixados no Parque Nacional do Itatiaia - MG/RJ

Este é um relato de uma situação muito esdrúxula que passamos na parte alta do Parque Nacional do Itatiaia. 
Era a minha primeira vez na região e eu estava com minha antiga namorada Beth e ao voltarmos da subida ao Pico das Agulhas Negras tivemos um pequeno problema com o carro em frente a antiga Pousada Alsene e nessa hora pedi auxilio de um guincho da seguradora, mas que nos deixou na mão e tivemos que nos virar.


Foto ao lado na base do Pico das Agulhas Negras



Fotos dessa caminhada: clique aqui



Seguindo pela Via Dutra
Em Maio de 1998 marquei com minha antiga namorada Beth para conhecer o Parque Nacional do Itatiaia, vistando a parte alta e a parte baixa.
Só que eu não conhecia nada do Parque e isso talvez tenha contribuído para o que aconteceu lá.
O feriado do dia 1º de Maio seria perfeito, pois caia em uma Sexta-feira e dava para viajar na Sexta e conhecer o Parque no Sábado e Domingo. 
Saímos de SP na manhã do dia 1º, parando no meio do caminho para comer alguma coisa, para chegar no inicio da tarde em Itatiaia.
A pousada ficava próxima da Via Dutra e chegar lá foi fácil.
Na Pousada Campo Alegre em Itatiaia
Depois de nos instalarmos na pousada, encontramos um outro pessoal que iria para a parte alta do P.N. com o apoio de um guia, fornecido pela pousada.
Eu, como não sou chegado uma contratação de guia, recusei ir junto com eles e disse que iria com meu carro mesmo. 
Naquela tarde de Sexta só fomos conhecer uma ou outra cachoeira na parte baixa do P.N. e que nem valeu a pena.
Ficamos na piscina no final daquela tarde.
Devíamos ter chegado até o Poção de Maromba e a Cachoeira Véu de Noiva.
Na manhã de Sábado o tempo estava perfeito, com muito Sol e saímos da Pousada por volta das 08:00 hrs.
Garganta do Registro
Seguimos por um pequeno trecho da Via Dutra, sentido SP, até pegar a Rodovia que segue para Itamonte e o sul de MG.
Depois de passar por Engenheiro Passos, a estrada começa a ficar mais sinuosa e íngreme até chegar na Garganta do Registro, onde se inicia a estrada de terra em direção à parte alta do Parque.
A estrada é bem precária com muitas pedras soltas e buracos. 
Ao longo da subida fomos parando em mirantes para alguns clics.
Brejo da Lapa
No Brejo da Lapa paramos para apreciar o lago e a barragem artificial com pequenas cachoeiras e logo continuamos a subir pela estrada de terra.
Pouco depois da Pousada Alsene encontramos um verdadeiro acampamento ao ar livre em um descampado ao lado da Pedra do Camelo com inúmeras barracas.
Seguindo pela estrada chegamos na Portaria pouco depois das 10:00 hrs.
Aqui tínhamos 2 opções: deixar o carro estacionado aqui e seguir na caminhada pela estrada ou ir de carro até onde eu conseguiria.
Os funcionários do Parque nos disseram que a estrada era longa, mas muito ruim para carros baixos como o meu: uma Parati.
Perguntei sobre a trilha para o Agulhas Negras e nos disseram que muita gente estava indo para lá naquele dia, então iria encontrar a trilha cheia, por isso nem me preocupei.
Na estrada de acesso ao Rebouças com Agulhas ao fundo
Rejeitando a recomendação do pessoal do P.N., segui de carro pela estrada, que é uma das rodovias mais altas do país e que há muitos anos atrás ligava a parte baixa à parte alta do Parque.
Mas não consegui chegar longe e vendo que a estrada é muita precária e não conseguiria chegar até o Abrigo Rebouças, resolvi deixar o carro estacionado na lateral da estrada e continuar o restante da caminhada a pé, somente com uma mochila de ataque. 
Encontramos com um grupo de montanhistas e seguimos juntos até chegar no Rebouças pouco antes das 11h30min.
Pico das Prateleiras
O lugar estava cheio de pessoas descansando e aqui nos separamos do grupo. 
Seguimos pela trilha e próximo da ponte pênsil encontramos mais 2 montanhistas que também iriam para o mesmo lugar e assim seguimos em 4 pela trilha.
Saindo do Rebouças a trilha é bem demarcada, só tendo uma bifurcação à esquerda que leva até a Pedra do Altar e as nascentes do Rio Aiuruoca. 
Desse ponto aparece o Pico das Prateleiras à direita e o Agulhas Negras imponente bem à nossa frente.
Subindo o Agulhas Negras
Chegamos na base do Agulhas Negras cerca de 40 minutos depois do Rebouças e assim que cruzamos o riacho, iniciamos a íngreme subida até o topo.
Vamos contornando algumas rochas e vegetação de arbustos, sempre seguindo vários grupos que estão bem a frente. Algumas bifurcações vão surgindo, mas sem maiores preocupações.
Logo surgem as lajes de pedras inclinadas, mas a rocha é bastante abrasiva, o que facilita a subida e em um desses trechos a Beth escorrega e bate o joelho na pedra. 
Não foi muito grave, mas ela resolve desistir da subida e fica aguardando a gente retornar. 
Na trilha para o topo do Agulhas Negras
Na verdade o motivo principal foi o cansaço, já que ela não estava acostumada.
Depois de pequeno trecho de mata, a trilha chega a uma parede bem inclinada, mas que tomando o devido cuidado é possível subir.
Mais alguns minutos de trilha, pulando algumas pedras chegamos a uma fenda entre os paredões. 
O trecho é de escalaminhada e muito exposto, por isso é preciso ter muito cuidado. Ultrapasso alguns grupos que estão descansando e continuo a subir.
Topo do Agulhas Negras
Depois de passar embaixo de um enorme bloco de rocha, chego no final do trecho da fenda e com visual do outro lado do Pico. 
Encontro algumas pessoas descansando, mas existe um último trecho de subida.
Aqui uma corda está fixada e facilita a subida e alguns metros acima chego ao topo do Agulhas Negras pouco antes das 13h30min.
O lugar está cheio e fico curtindo só o visual aqui do topo.
Para quem quiser assinar o livro do cume é preciso fazer um rapel e uma pequena escalada por uma fenda. 
Alguns estavam chegando lá na forma de tirolesa, que é bem mais simples e mais rápido.
Eu só fico apreciando o visual que é de 360º. 
À leste só se vê campos de altitude com vegetação de arbustos e o Pico do Maromba se destacando e bem ao fundo o vale onde se localiza Visconde de Mauá; a oeste o Morro do Couto e a Serra Fina bem ao fundo. 
No topo com estrada ao fundo
Dá para ver também toda a estrada que liga a Portaria até o Abrigo Rebouças.
À sudoeste o Pico do Prateleiras se destaca e parece estar bem próximo e ao fundo uma parte do Vale do Paraíba com Represa do Funil.
É um visual de encher os olhos, mas tenho que descer. 
Depois de alguns clics volto à trilha e vou descendo pela fenda. 
A descida é bem mais rápida e encontro a Beth no mesmo ponto.
Pegamos um pouco de água do riacho que fica na base e depois seguimos para o Rebouças, onde passo por volta das 16:00 hrs.
Final de tarde com Agulhas ao fundo
Chegamos de volta ao carro já sem o Sol e ao tentar sair por um trecho com muitas pedras, uma delas danifica a mangueira de combustível que se localiza próximo ao eixo traseiro. 
Olho por baixo do carro e noto que ela ainda não está totalmente partida e com isso ainda consigo ligar o carro e passar pela portaria. Dali em diante é só descida, então o carro vai quase que na banguela, mas ao chegar em frente ao Alsene ele morre e não consegue pegar de jeito nenhum.
O pior é que já estava escuro e agora o que fazer?
Olho embaixo do carro novamente para tentar consertar a mangueira e como eu tinha uma caixa de 1º socorros (que na época era obrigatório para todo tipo de veículo), pego um esparadrapo e tento cobrir onde a mangueira se partiu. 
O carro até funciona, mas por pouco tempo, já que o combustível continua a vazar.
Um pessoal que estava acampado próximo dali vê que estou tendo problemas e me fornece um pedaço de mangueira que eles tinham no carro, mas que é incompatível.
Lembro que tenho seguro do carro e nessas horas é que ele é para ser usado, mas ligar de onde?
A Pousada Alsene não tem telefone e orelhão menos ainda.
Peço emprestado o telefone celular da pessoa que me forneceu a mangueira e  ligo no 0800 da seguradora Yasuda.
Depois de informar os dados e dizer onde estou, pedem para aguardar cerca de 1 hora que logo um guincho viria me pegar.
Como já são quase 20:00 hrs ficamos aguardando dentro do carro, mas o frio está de lascar, já que só viemos com uma pequena blusa cada um.
Ligar o ar quente nem pensar, senão a bateria ia para o saco, já que o carro não funcionava.
Chega 21:00 hrs e nada do guincho aparecer.
Quando deu 22h30min cansei de esperar. Não dava mais para aguardar ali. 
Ficamos putos da vida porque o seguro é para nos ajudar nessa hora, mas nos deixou na mão.
Resolvo ligar o carro para pelo menos chegar no trecho de descida e dali deixar a gravidade levar o carro até pelo menos a Via Dutra.
E consigo fazer ele funcionar por alguns metros até começar a descer aquela estrada de terra, sentido Garganta do Registro.
E assim fomos descendo pela estrada "na banguela".
Ao chegar na Garganta do Registro continuo agora pela Rodovia asfaltada e assim seguimos na direção da Via Dutra.
Até pensei em parar em Engenheiro Passos e procurar alguma pousada por lá, mas como o carro ainda funcionava, pisando bem de leve no acelerador, continuamos.
Pelo menos não peguei trecho de subida, senão com certeza o carro não passava.
Já na Via Dutra, sigo na direção de Itatiaia com velocidade bem baixa, sem acelerar muito e com isso conseguimos chegar na Pousada pouco depois da meia noite.
Depois de tudo que passamos, foi muita sorte chegarmos inteiros, já que eu imaginava que ficaríamos pelo meio da estrada.
O jantar foi algumas bolachas, salgados e sucos que tínhamos levado para o Parque.
Na manhã de Domingo por volta das 08:00 hrs, depois do café da manhã, liguei novamente no seguradora Yasuda para soltar os cachorros em quem atendesse.
O funcionário disse que ligaram para o celular que eu tinha usado, só que ele não era meu, por isso nunca iam conseguir falar comigo. 
O pessoal do guincho disse que não conseguiriam chegar ao Alsene porque a estrada era muito ruim. Ruim em termos né, porque um guincho chegaria facilmente.
Nem adiantava argumentar, porque a culpa não era deles, então pedi para que alguém viesse arrumar o carro e não demorou nem uns 20 minutos apareceu um guincho.
O mesmo que deveria ter buscado o carro na parte alta. 
Depois de ouvir várias desculpas e bla...bla...bla do funcionário, deixei para lá.
Como era um Domingo o funcionário disse que demoraria um pouco para trocar a mangueira e ligariam na Pousada quando o carro estivesse pronto.
Nesse dia nem deu para conhecer alguma coisa da cidade e com isso a Beth resolveu ir embora.
Só ficou eu na Pousada esperando o tempo passar.
Por volta das 11:00 hrs e vendo que estavam demorando demais, liguei novamente na seguradora para reclamar e me retornaram logo em seguida para dizer que o carro já estava pronto só esperando eu retirá-lo. Aí que eu fiquei mais puto da vida. 
Depois de tudo que eu passei, ainda vou ter de pegar o carro na oficina, mas reclamar de nada ia adiantar.
E fui de ônibus para o local da empresa de guincho que fica na Via Dutra entre a cidade de Itatiaia e Resende.
Lá cobraram um valor bem acima do que é justo. Os caras só trocaram um pequeno pedaço da mangueira de combustível. Depois de tudo que eu tinha passado, só queria pegar o carro e chegar em casa.
Só me lembro que fui sair de Itatiaia por volta das 15:00 hrs, já com o intuito de chegar em SP e cancelar o seguro, além de enviar uma enorme carta de reclamação da situação que eu passei.
Chegando em casa com a cabeça mais fria, resolvi não cancelar o seguro, mas a carta eu enviei, mas estou esperando um retorno deles até hoje.
Na verdade a seguradora não tem tanta culpa do que aconteceu. A empresa de guincho sim é a grande culpada. Mas ficou como lição.
Não vá de carro para lugares isolados se você não conhece o lugar. Ou pelo menos vá prevenido.





Dicas e algumas informações úteis (Atualizado Abril/2013)

# Alguns anos depois fiz várias travessias dentro do PN do Itatiaia.
Travessia da Serra Negra: http://trilhasetrips.blogspot.com.br/2013/05/relato-travessia-da-serra-negra-de.html
Travessia da Rui Braga: http://trilhasetrips.blogspot.com.br/2013/05/relato-travessia-rui-braga-da-parte.html
Travessia Rebouças-Mauá: http://trilhasetrips.blogspot.com.br/2013/05/relato-travessia-reboucas-maua-via.html

# Em Itatiaia ficamos na Pousada Campo Alegre, onde não tivemos do que reclamar:
www.pousadacampoalegreitatiaia.com.br

Tirando o Poção de Maromba e a Cachoeira Véu de Noiva, a parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia não tem muita coisa do que ser visitado. 
É preferível se hospedar em Itamonte e de lá conhecer a parte alta do Parque.

# Para quem está sem carro e quer conhecer a parte alta do Parque, a melhor opção é conseguir um transporte em Itamonte. 
Itanhandu que fica próximo de Itamonte é ponto final de várias linhas de ônibus.

# Opções de transporte baratas saindo de Itamonte:
- Taxista Marquinhos, que cobra um dos valores mais baixos que conheço para levar até o Alsene.
(35) 9113-1214

# Outras opções de transporte:
- Vitão: (35) 9113-0981;
- Zé: (35) 9183-5626;
- Sr. Samuel (Kombi ou Van) (35) 9113-1700

# Para quem quer conhecer a parte baixa do Parque Nacional e não está de carro, existe um ônibus circular que faz a linha P.N. – Rodoviária de Itatiaia com poucos horários.

www.horariodeonibusdeitatiaiaepenedo.blogspot.com.br

A estrada de acesso a parte alta do P.N. está em boas condições, inclusive para carros pequenos.

# No site do P.N. é possível obter todas as informações para os visitantes.

www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html

# Atualmente para fazer qualquer trilha da parte alta do P.N. é obrigatório a contratação de um guia. No site do Parque existe uma lista com inúmeros guias cadastrados.

# Com a Pousada Alsene fechada em definitivo, a Pousada dos Lobos, que está a uns 4 Km da estrada que leva até a Portaria do P.N. é uma das que restaram e uma boa opção. Outra opção é o Abrigo Rebouças, mas somente com reservas para uso do mesmo. Informações no site do Parque.
www.pousadadoslobos.com.br

# O Brejo da Lapa, que a muitos anos atrás era uma pequena represa, hoje está totalmente aterrado. 

# Existe uma travessia que liga a parte alta à parte baixa do P.N. É a Rui Braga, que pode ser feita em 1 ou 2 dias com pernoites nos Abrigos Massenas ou no Macieiras.

4 comentários:

  1. Além da Pousada dos Lobos, existe a pequena Pousada/Camping dos Lírios, no bairro Vargem Grande, cerca de 2 Km depois da Pousada dos Lobos. Possui 3 chalés e uma boa área de camping, com banheiro, sauna e uma piscina de água corrente. É modesta, mas serve muito bem como local de hospedagem. Há também boas caminhadas na região.

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  2. Só citei mesmo as pousadas que conheço e por estarem próximas da Portaria.
    Mas outras boas opções estão na Rodovia que segue para Itamonte.
    Tirando o Hotel São Gotardo, que é caro p/ caramba, existem umas 3 ou 4 pousadas por ali.
    E mesmo sendo distantes da Portaria isso não é um problema, porque a estrada de acesso ao PNI está em bom estado. Passei por lá no ano passado e aquele cascalho tá melhor que muito asfalto por aí.
    Qto a caminhadas, estou atualizando vários relatos e pelo menos uns 3 deles passam por dentro do PNI.
    Em breve vou postá-los aqui com as dicas.

    Abcs

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  3. Putz, ri muito do lance com o carro (não leve a mal não). Já passei perrengue lá em 1997, com um (adivinhe?) Golzinho quadrado. Quebrou o coxim do motor, mas também ninguém mandou ir até o Rebouças com ele... Foi o dia em que redefini meu conceito de estrada ruim. Não precisei de guincho mas já senti o drama e nunca mais dei mole em viagens ao PNI.

    Aproveito pra deixar uma dica de hospedagem para quem vem de SP. Não é barata mas vale pela localização e conforto: a pousada Águas da Marambaia, em Queluz. De lá é possível pegar uma outra estrada (terra) e chegar já na metade da BR354, subindo para a Garganta do Registro. Fora isso tem também o visual do lugar (nos pés da Serra Fina) e o Rio Marambaia, dentro da pousada, à disposição pra quem quiser dar um tchibum.

    É uma opção mais interessante que pernoitar em Itatiaia, já que pra entrar e sair da cidade já vai ter que pagar pedágio indo e voltando, fora a KM que vai rodar a mais. E as pousadas da cidade, embora mais baratas, são bem mais simples e por estarem em área urbana, mais sujeitas aos barulhos corriqueiros (carros passando, buzinadas, pancadão no último volume).

    Não tô ganhando jabá com a dica não, hein... É que o lugar merece mesmo, e os donos são muito gentis.

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    1. Blz Alessandro.
      Acho que o meu grande erro foi não ter deixado o carro em frente da Portaria do Parque. Nós vimos inúmeros carros estacionados por lá.
      Vc que teve o problema 1 ano antes de mim, então conhece bem aquela estrada, sabe que não vale a pena seguir até o Rebouças.
      Ela é horrível mesmo.
      Mas só fui descobrir tarde demais.
      Recentemente passei por lá e só melhoraram o trecho da Garganta do Registro até a Portaria, mas até o Rebouças tá a mesma coisa.
      Só é recomendável p/ carros 4x4 ou com suspensão alta.

      E sobre a sugestão de Pousada, pode sugerir sim.
      Já peguei muita informação boa de comentários em outros relatos.
      P/ quem gosta de ficar bem aos pés da Serra Fina, parece ser uma boa opção.

      Valeu.

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