30 de março de 2015

Relato: Expedição de 8 dias pelo Monte Roraima – Venezuela – Janeiro/2015

Subir ao topo do Monte Roraima fazia parte dos meus planos há muitos anos e estava em primeiro lugar na minha lista de trekkings fora do Brasil. 
O problema era formar um bom grupo, reservar guias, conseguir um tempo disponível para uma expedição como essa e seguir até Santa Elena de Uairén, na Venezuela, que fica na fronteira com o Brasil. 
E para viajar a um lugar tão longe de São Paulo, só subir o Roraima era pouco. 
Eu tinha que incluir outras trips e o Salto Angel (maior cachoeira do mundo), Gran Sabana e Manaus tinham também que fazer parte. 
Já tinha comentado com o Rodrigo (amigo de trilha, moderador da lista de trekking Exploradores SP e autor do Blog Exploradores) essa intenção e no início de Fevereiro/2014, ele me contatou dizendo que estava formando um grupo para essa trip.
Depois de ter a certeza que eu tiraria férias em Janeiro, também me juntei a trupe, que começou com 6 pessoas; outros mais entraram, outros desistiram e com isso o grupo se formou com 8 pessoas: eu, Márcia, Rodrigo, Rosana, Renan, Daniel, Ronaldo (Falco) e a Bruna. 
O Rodrigo, Rosana e o Renan já eram velhos conhecidos de outras trilhas. Com o Ronaldo já tinha trocado inúmeras mensagens pela internet. Somente o Daniel e a Bruna que não conhecia. 
Com a trupe formada, montamos nosso roteiro que incluía subir e descer o Monte Roraima em 8 dias, chegando até o Lago Gladys e na Proa. Depois seguiríamos para Ciudad Bolívar fazer Salto Angel e no retorno a Santa Elena incluiríamos algumas cachoeiras da Gran Sabana, finalizando em Manaus, para conhecer um pouco do Amazonas.





Na 1ª foto acima, da esquerda para a direita: Márcia, Bruna, Rodrigo, Daniel e o Renan iniciando a caminhada e tendo ao fundo o Monte Kukenan e o Monte Roraima lado a lado. 
Já a 2ª foto mostra todo o grupo com os guias junto ao marco da Tríplice Fronteira (Brasil, Venezuela e Guiana), no topo do Roraima.





São mais de 1000 fotos e estão nesse álbum: clique aqui
Tracklog para GPS, mas somente para referencia: clique aqui

Também gravei alguns vídeos no topo do Monte Roraima e postei no Youtube: 
Lago Gladys: clique aqui
Tentando chegar na Proa: clique aqui
Vale das Bonnetias: clique aqui
Acampamento Coati: clique aqui



Neste relato listei todos os preparativos, as dificuldades, os detalhes da caminhada, valores totais gastos e várias dicas e informações que possam ser úteis a quem quiser repetir esse trekking. 
Como são muitos detalhes e informações, dividi toda essa trip em 4 relatos:
Este do Monte Roraima.
Salto angel: clique aqui
Gran Sabana: clique aqui.
E por último Manaus/AM: clique aqui.

O Monte Roraima é um enorme platô que possui o formato de uma mesa para quem olha da planície, sendo bem semelhante a algumas chapadas brasileiras. Na Venezuela é conhecido como tepui, que no idioma indígena pemon significa "montanha" e tem as seguintes dimensões: cerca de 6,5 Km de largura e + - 15 Km de comprimento, mas visto do espaço seu formato se parece com um triângulo irregular ou o formato de uma bota. A oeste do Monte é só savana venezuelana (que é um bioma que se assemelha ao nosso cerrado), enquanto que a leste está a imensa floresta amazônica, conferindo ao lugar um clima único de chuvas constantes com vento e muita neblina e os rios que descem pelas imensas cachoeiras do topo são decorrentes dessa umidade. 
A divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana está localizada no meio da montanha e com altitude de 2739 metros, colocando o Monte Roraima como a 7ª montanha mais alta do Brasil, porém o ponto mais alto do Monte Roraima está no lado venezuelano, na altitude de 2810 metros. Do total do Monte apenas 5% pertence ao Brasil, 10% a Guiana e 85% a Venezuela e onde se encontra o único acesso ao topo, por trilha. Pelo paredão do lado brasileiro, alguns alpinistas brasileiros já escalaram com sucesso. Veja nesse vídeo: clique aqui
Estima-se que o Monte Roraima tenha cerca de 1,8 bilhões de anos, surgido antes da separação dos continentes e com isso está entre as mais antigas formações do planeta - só para se ter uma ideia, as montanhas do Himalaia (onde está o Pico do Everest – lugar mais alto do mundo) se formaram a cerca de 50 milhões de anos atrás e a Cordilheira dos Andes, na América do Sul, a pouco mais de 100 milhões.
Caminhar no topo é como voltar na pré-história e a sensação é de encontrar algum pterodáctilo pela trilha, que é toda em cima de rochas. Parece até um solo de outro planeta e se explica porque o lugar serviu de inspiração para o livro O Mundo Perdido de Arthur Conan Doyle - quer ler esse livro? clique aqui e faça o download.


Preparativos

Com quase 1 ano de antecedência, a primeira coisa a fazer era comprar as passagens aéreas São Paulo-Boa Vista (capital do Estado de Roraima) e conseguimos bons preços para o início do ano de 2015 e com isso já estava marcado o início da nossa trip: 05/Janeiro.
Já para o retorno, deixamos para comprar em Julho porque estávamos ainda fechando o grupo e ainda tínhamos dúvidas do que incluir a mais no roteiro, além do Roraima, Salto Angel e Manaus. 
Agora era ler muitos relatos e pesquisar preços dos guias e agencias de Santa Elena. O Rodrigo ficaria responsável pela escolha da agencia para o Monte Roraima, enquanto que eu pesquisaria a melhor opção para fazer Salto Angel.
Depois de muitas trocas de e-mails, decidimos fazer o trekking até o Lago Gladys e a Proa e com isso seriam 8 dias no Monte Roraima.
Agencia: Para essa escolha, o Rodrigo entrou em contato com vários guias, através do Facebook ou de e-mails. E depois de muitas pesquisas, fechamos com o guia independente Marco Mcalexis William Peña, que era bem recomendado em muitos relatos, tanto pelo preço, quanto pelo bom serviço prestado. O valor foi de $300 reais/pessoa para os 8 dias de caminhada e estava com preço ótimo (ele só pediu que depositássemos metade do valor em uma conta corrente de uma agencia de Boa Vista alguns meses antes).
De acordo com as mensagens que o Rodrigo trocou com Marco Mcalexis, esse valor incluía guia, transporte e alimentação; nós tínhamos que levar as mochilas cargueiras com todo o material: barracas, sacos de dormir, isolantes, etc, mas o valor estava baixo demais em relação a outras agencias - alguma coisa estava errada.
E por sorte descobrimos o erro alguns dias antes, a tempo de ainda consertar as coisas. A Bruna, que estava no grupo, viajou alguns dias antes para Santa Elena de Uairén e lá na cidade se encontrou com o Marco e veio a decepção. 
O valor de $300 reais não incluía a alimentação. Esse valor era somente para o guia e o transporte. O valor do guia com transporte e alimentação era de $850 reais/pessoa, mas que depois da insistência da Bruna e muitas trocas de e-mails, ele abaixou para $650 reais, já que era um grupo de 8 pessoas.
Porém só metade do grupo preferiu incluir a alimentação. Eu, a Márcia, Rodrigo e Rosana íamos levar nossa comida. Em parte porque eu já tinha comprado alguns itens e não queria usá-la em outra caminhada - agora que retornei de lá, constatei que não tomei a melhor decisão. O valor a mais, por causa da comida, é muito pouco e o peso da mochila, sem a comida, faz uma grande diferença. 
Para Salto Angel, colocarei os detalhes da contratação da agencia no outro relato. Aqui só vou me ater ao Monte Roraima.

Documentos: Uma das dúvidas que surgiram era levar passaporte ou RG. Dos inúmeros relatos que lemos, alguns comentam das tentativas de extorsão e revistas constrangedoras por parte da Guarda Nacional Bolivariana, que atua na Rodovia entre Santa Elena de Uairén e Ciudad Bolívar, cidade essa onde se localizam as principais agencias para Salto Angel. Eles procuram pelo em ovo e com certeza seriamos revistados nesse trecho. A Venezuela tinha entrado no Mercosul a pouco tempo, extinguindo a obrigatoriedade do uso de passaporte, mas mesmo assim ficamos com um pé atrás. Se fôssemos só fazer o Monte Roraima, com certeza somente o RG era necessário. Por isso resolvemos levar passaportes, que no final se revelou até desnecessário. O RG era suficiente, mas das inúmeras revistas não escapamos.

Seguro Saúde: Essa era outra dúvida: adquirir um ou não e qual escolher? Ficar quase 3 semanas na Venezuela e não contar com alguma assistência médica em uma emergência era arriscado. Fizemos várias cotações e encontramos preços de pouco mais de $200 reais pela Mondial e pela Assist-Card, entre outras seguradoras. Alguns bancos e administradoras de cartão de crédito também ofereciam esse serviço, mas existe um que é oferecido pela empresa ProtecBag, da seguinte forma: se embalássemos as mochilas na ProtecBag, do Aeroporto de Guarulhos, ganharíamos de graça um seguro saúde da Assist-Card válido por 7 dias e foi esse seguro que muitos escolheram, mas graças a Deus não tivemos qualquer problema quanto a saúde.
Outra coisa indispensável era a vacina contra a febre amarela. Ela é obrigatória para entrar na Venezuela. Tome a vacina aqui no Brasil e peça o certificado internacional de vacinação (clique aqui e veja os locais onde é possível se vacinar na cidade de São Paulo).

Dinheiro: Para quem pretende somente subir o Monte Roraima leve somente reais e troque um pouco na fronteira. A maior parte troque na cidade de Santa Elena. Apesar de ser ilegal o cambio paralelo na Venezuela, em Santa Elena os cambistas são facilmente encontrados próximos da Padaria Gran Sabana. É bem seguro, pode confiar.
Para o Monte Roraima não leve dólares, já que a cotação é muito desfavorável e o comércio em geral só aceita bolívares. Percebemos que somente uma ou outra agencia e algumas pousadas aceitam a nossa moeda. Cartão de crédito é pior ainda. 

Equipamentos: Na minha opinião são os básicos de toda caminhada: uma boa mochila cargueira, saco de dormir, isolante, barraca, lanterna e uma bota de boa qualidade, que não seja nova. As roupas, não vi necessidade de se gastar muito. Só levei 2 jaquetas de fleece e uma jaqueta de nylon, porque lá chove muito. De resto são equipamentos e roupas normais que eu levaria em qualquer trilha aqui no Brasil. 
Abaixo eu fiz uma relação da minha lista e o que recomendo levar nessa trip. Mas ressaltando que alguns itens dessa lista são também para Salto Angel.
Passaporte ou RG original recente – não são aceitos RG autenticado ou a CNH;
Certificado Internacional de Vacinação da Febre Amarela;
1 Mochila de no mínimo 60 litros;
1 Mochila de ataque; 
Barraca que tenha uma boa impermeabilização;
Isolante térmico ou inflável de piscina;
Saco de dormir;
1 Bota de trekking;
1 Papete;
1 Chinelo;
Camisetas;
Calças de trekking;
Bermudas/sunga;
Meias de trekking/roupas íntimas;
Blusa de fleece;
Jaqueta ou blusa impermeável;
Calça e camisa para dormir;
Cantil ou garrafa plástica;
Lanterna de cabeça (headlamp) com pilhas reservas;
Protetor solar e labial;
Repelente;
Capa de chuva; 
Chapéu ou boné (com aba larga);
Toalha;
Luvas;
Lápis/caneta/caderno de anotações;
Máquina fotográfica com cartões e baterias extras;
Sacos plásticos resistentes para embalar as roupas;
Frutas secas, chocolates, barras de cereais para ir comendo ao longo da caminhada;
Pochete;
Corda fina para fazer varal;
Fita silver tape;
Itens de higiene pessoal: escova/pasta dente, sabonete biodegradável, desodorante, lamina de barbear, lenços umedecidos;
Remédios: Esparadrapo e kit com agulha e linha, Dorflex, Paracetamol, Salompas ou Gelol ou similar, Manteiga de cacau, Remédios para dor de cabeça, febre e resfriados, Remédios para azia e enjoos, Compressas gaze, Band Aid, Merthiolate, Nebacetin, Água oxigenada, tesoura e vaselina.


Relato

06/Jan - Chegando na Venezuela
Márcia, Rodrigo, eu, Daniel e Renan no Aeroporto de Guarulhos
Por estar de férias naquele mês de Janeiro, tinha ficado alguns dias na casa da minha irmã, que mora no interior de MG, e na véspera da viagem voltei para São Paulo para acertar os últimos detalhes e revisar todos os equipamentos. 
Na noite do dia 05/Janeiro, com muita ansiedade, seguimos com nossas mochilas para o Aeroporto de Guarulhos para encontrar o restante da trupe. 
Depois de uma pequena confusão para lacrar nossas mochilas, encontramos o pessoal junto do check-in da TAM. O voo em direção a Boa Vista era as 23:00 hrs e saiu no horário, com avião praticamente lotado. 
A viagem ocorreu sem problemas e durante o voo deu até para cochilar por algumas horas. 
Depois de uma parada rápida em Manaus, por volta das 01:00 hr (horário local), fomos chegar em Boa Vista pouco depois das 03:00 hrs. 
Embarcando no táxi de Boa Vista em direção à fronteira
Aqui o fuso horário é de 2 horas a menos que São Paulo, devido ao horário de verão e com isso o tempo de viagem chegou a cerca de 5h15min. 
Na saída do Aeroporto, pegamos um táxi em direção ao Terminal Caimbé e ao chegarmos lá o encontramos totalmente deserto e escuro. Alguns minutos depois chegaram duas garotas vindo do Aeroporto e logo pegaram outro táxi em direção a Pacaraima, na divisa com a Venezuela. Como nosso grupo era de 7 pessoas, não ia ser fácil colocar todos no mesmo táxi. 
E já contávamos em dividir o pessoal, mas não demorou muito e veio uma Zafira que conseguiu acomodar todos os 7, apesar de que um pouco apertado e com quase todas as mochilas em cima do bagageiro. 
Carimbando os passaportes na Aduana brasileira
O táxi foi sair pouco depois das 04:00 hrs ainda no escuro e no percurso até Pacaraima deu para cochilar um pouco também, só acordando com as freadas do táxi para evitar atropelar uma ou outra raposa. 
Lindo foi presenciar os primeiros raios do Sol naquela imensa savana a perder de vista, com alguns trechos de floresta. 
A Rodovia é relativamente boa, passando por pequenas aldeias indígenas e depois de umas 2 horas de táxi, as 06h15min chegamos a Pacaraima, indo direto para a Aduana Brasileira, que estava fechada e com uma fila de umas 10 pessoas que foi aumentando aos poucos.
E antes das 08:00 hrs o pessoal da Policia Federal começou a chamar os que estavam na fila para registrar a saída do Brasil, que foi rápido. 
E as 08h10min já estávamos atravessando a fronteira. 
Divisa Brasil-Venezuela
Nesse ponto ficam os cambistas trocando real por bolívares e encontramos a cotação de 1/42 a 1/45, dependendo da quantidade trocada (segundo a Bruna, em Santa Elena estava a 1/42, por isso trocamos boa parte na fronteira mesmo, mas não é a regra - na cidade a cotação é sempre mais favorável). 
Mais alguns minutos de caminhada e chegamos na Aduana Venezuelana, que fica em uma tenda. 
Aqui ficamos embaixo de Sol escaldante por quase 2 horas esperando que registrassem nossa entrada no país. Depois da parte burocrática e trocarmos mais reais por bolívares, pegamos um táxi extremamente barato e seguimos para Santa Elena de Uairén, onde chegamos uns 20 minutos depois na Pousada Michele (que mais se parece com Hostel) as 11:00 hrs, já com a Bruna nos aguardando.
Enquanto ficamos em um quarto coletivo para todos os homens, as mulheres ficaram na Pousada Backpakers, que fica na mesma rua a uns 50 metros e depois de arrumar as coisas fomos caminhar pela cidade e dar notícias a nossos parentes, fazendo ligações internacionais muito baratas em uma Lan House, próxima da Pousada. 
Esq-Dir: Ronaldo, eu, Márcia, Renan, guia Marco, Rodrigo, Rosana,Bruna e Daniel
O almoço foi em uma pequena praça de alimentação, chamada de galeria, na mesma rua da Padaria Gran Sabana e já perto do final da tarde seguimos para a principal praça da cidade, onde, para variar, existe uma enorme estátua de Simon Bolívar no local e aqui ficamos batendo papo e tomando um frappe de inúmeros sabores, que nada mais é do que a nossa famosa raspadinha de gelo, com a vantagem de ser muito barata, cerca de 50 centavos de Real.
O guia Marco Mcalexis ainda passou pela Pousada para receber o restante do pagamento da trip do Roraima e demos a ele também o dinheiro para que comprasse as passagens de ônibus para Ciudad Bolívar para a noite do dia 14, quando estivéssemos voltando do topo do Roraima. 
O jantar foi marcado em uma pizzaria sugerida por ele, onde íamos acertar os últimos detalhes da nossa caminhada pelo Monte Roraima e tirar a todas as dúvidas. Sinceramente a pizza até que não era ruim; o problema era a demora para ela chegar na nossa mesa, por isso antes das 20h30min já estávamos voltando para a Pousada, marcando de todos se encontrar por volta das 06h30min para tomar um café da manhã na Padaria Gran Sabana. 

1° dia – 07/Jan: Santa Elena de Uairén até entrada do Parque e depois até o Acampamento Rio Tek
Todo o grupo embarcando no jipe em direção ao Monte Roraima
O dia amanheceu com um belo Sol e depois de tomar um café da manhã na Gran Sabana, voltamos para a Pousada e já com as mochilas cargueiras ficamos aguardando o guia Marco chegar com o transporte. Nesse momento, também se juntou ao nosso grupo de 8 mais 4 pessoas, sendo 3 mulheres, todas da cidade de São Paulo (Cida, Sandra e Roseli) e o Thales que é do interior de São Paulo - veja nessa foto eles do lado direito: clique aqui. E por uma incrível coincidência, a Cida mora no mesmo condomínio que o nosso, em São Paulo - que mundo pequeno esse nosso hein. 
E por volta das 07h30min, o Marco chegou e logo em seguida o nosso transporte, que se não me engano era uma Toyota 4x4, onde deu para caber somente 8 pessoas com as mochilas no bagageiro do teto. 
As 08h30min saímos da Pousada em direção a Paraitepuy, onde fica a portaria do Parque Nacional pelo lado da Venezuela. 
Portaria do Parque Nacional com Montes Kukenan e Roraima ao fundo
Seguindo por uma Rodovia em bom estado e com pouco menos de 1 hora fizemos uma pequena parada na comunidade indígena de San Francisco de Yuruani e daqui em diante saímos da Rodovia e seguimos por uma estrada de terra, onde um veiculo que não seja 4x4 é difícil passar. Chegamos a Paraitepuy às 10h15min e aqui encontramos o nosso guia principal que nos levaria ao topo do Roraima: Bennetton Gomez, que é irmão do Marco. Ele é um índio da etnia Arekuna e estava com mais 12 carregadores ao todo, entre eles o filho do Marco e o filho do Bennetton. 
Paraitepuy é uma comunidade indígena, situada a 1300 metros de altitude e onde alguns indígenas trabalham como carregadores para agencias de turismo, que levam ao topo do Monte Roraima.
A infraestrutura do lugar é um pouco precária, tendo algumas pequenas casas e a portaria do Parque Nacional, onde registramos nossa entrada e pagamos a taxa. 
Início da caminhada
Daqui se tem uma linda vista do Monte Kukenan e o Monte Roraima, vistos lado a lado. São visões de encher os olhos e parecem estar tão próximos de nós, mas até o topo do Roraima ainda são 3 dias de caminhada.
Marco veio se despedir da gente (parece que agora ele só fica administrando sua agencia – outros guias é que fazem o serviço pesado) e depois de aguardar os carregadores arrumarem as mochilas com as comidas, partimos rumo ao Acampamento do Rio Tek as 11h30min. Esse primeiro dia de caminhada é tranquilo e com um total de pouco menos de 13 Km, sendo boa parte da trilha no plano, só tendo algumas pequenas subidas e descidas de morros, ao cruzar riachos. Depois de poucos minutos de caminhada já temos uma forte descida, cruzando com 2 riachos onde pegamos água, já que o Sol estava castigando muito.  
Ronaldo e Márcia pela trilha
Com trilha que parece uma pequena estrada, sem bifurcações e quase que totalmente sem sombras, a vegetação é rasteira e se assemelha muito ao nosso cerrado, mas lá é chamado de savana, tendo alguns trechos de mata ciliar, por onde passam pequenos riachos, por isso é fácil encontrar uma ou outra área queimada e quando não feito pelos indígenas, foi por descuido de algum mochileiro.
O Sol de vez em quando era coberto por imensas nuvens de chuvas, mas que serviram apenas para amenizar um pouco do calor, que era desgastante demais. Nesse trecho cada um foi no seu ritmo e alguns caminharam um pouco mais rápidos, mas para mim, que estava carregando cerca de 21 Kg na mochila cargueira segui em um ritmo um pouco mais lento acompanhando a Márcia. 
Chegando no Acampamento Rio Tek
Depois de muitas selfies e clics pelo caminho, pegamos um longo trecho no plano que parecia interminável, mas ao iniciar a descida de um vale avistamos nosso Acampamento no fundo dele, ao lado do Rio Tek, onde chegamos as 15h30min. 
O lugar é de chão batido e com algumas casinhas rusticas onde são preparadas as refeições. 
Existe também um pequeno barzinho, administrado por uma família que mora aqui e vende algumas porções de frango e cerveja. O Renan, Daniel e o Ronaldo se esbaldaram na loira gelada, já que era muito barata. 
Logo que chegamos, já estava sendo preparando o almoço para aqueles que incluíram toda a alimentação no pacote. A altitude aqui é de pouco mais de 1100 metros e o banho é de água gelada no Rio Tek. 
Barracas no Acampamento Rio Tek
O problema não era tanto a água gelada, mas sim um tipo de borrachudo conhecido na Venezuela como puri-puri. Para quem já visitou Ilhabela, em São Paulo, pode-se dizer que o puri-puri é o mesmo borrachudo da ilha, só muda o nome. Quanto a fazer as necessidades fisiológicas, próximo ao Acampamento foi montado um tipo de banheiro provisório. Se assemelha aquelas pequenas tendas de circo, garantindo um certo tipo de privacidade. Algumas pessoas preferiram fazer as necessidades no meio da vegetação e depois enterrá-las, escondido dos olhares do pessoal do Acampamento. O problema era encontrar lugares onde desse para caminhar sem pisar em cocô ou em papel higiênico. A água para consumo poderia pegar do próprio Rio Tek, um pouco mais acima de onde a trilha cruza o rio.
Nesse dia o Daniel começou a ter dores nos joelhos e até achou que não conseguiria levar a mochila dali em diante, mas conseguiu contratar um carregador que levasse sua cargueira, restando a ele levar somente a mochila de ataque. Depois disso virou o The Flash; ele não caminhava, ele corria na trilha. Durante o final da tarde o acampamento se encheu mais ainda de barracas de grupos que iam para o Monte Roraima, mas a imensa maioria era de grupos que voltavam do topo e com isso eu contei 93 barracas naquela noite. O jantar meu e da Márcia foi bem completo, com salame, um pouco de linguiça, macarrão e comida liofilizada com suco, usando o fogareiro que o Bennetton usava para fazer a comida do restante do grupo. Depois de todos jantarem, nos reunimos para jogar conversa fora e em seguida cada um foi para sua barraca, já que o dia seguinte prometia ser mais desgastante que esse primeiro.

2° dia – 08/Jan: Acampamento do Rio Tek até Acampamento Base
Cruzando o Rio Tek
No segundo dia acordei pouco antes das 05h30min esperando um nascer do Sol atrás do Roraima que não veio, já que naquela manhã o tempo estava totalmente nublado, pelo menos no lugar onde estávamos, já que de vez em quando o Monte Roraima e o Kukenan eram brindados pelos raios do Sol. A noite tinha sido com temperaturas amenas e não fez tanto frio. Conforme ia amanhecendo mais e mais pessoas iam desmontando suas barracas e seguiam para a entrada do Parque e com isso o Acampamento foi se esvaziando rapidamente. 
Após o café da manhã e com barracas desmontadas agora era hora de seguirmos para o Acampamento Base e as 08h15min iniciamos a caminhada. 
Primeiramente teremos de cruzar o Rio Tek por cima das pedras, mas é um pouco perigoso, já que elas são escorregadias e a água chega a bater nos joelhos. 
Chegando no Rio Kukenan
É preferível retirar as botas para que elas não fiquem molhadas no restante do percurso. Poucos minutos depois que se cruza o Rio Tek, passamos próximos de uma pequena capela de pedras da Igreja Católica e com certeza não deve ter sido fácil sua construção. 
O trecho até o Acampamento Base é cerca de 9 Km com um desnível de quase 800 metros e é bem mais desgastante devido ao aclive acentuado e com vegetação rasteira, não existindo nenhuma área de sombra, a não ser quando se cruza o Rio Kukenan, onde existe um outro grande acampamento, cerca de 30 minutos depois de iniciada a caminhada. 
Além desse rio, ainda passamos por mais uns 2 pontos de água potável, onde é possível encher novamente os cantis. Uma coisa que me deixou triste foi presenciar mulheres com crianças pequenas carregando mochilas trilha abaixo e a impressão que ficou para mim é que elas estavam fazendo a função de carregadoras. 
Subindo pela trilha até o Acampamento Base
Com trecho totalmente sem Sol, mesmo assim cansamos bastante e eu e a Márcia paramos várias vezes para retomar o folego. 
A caminhada parecia interminável, já que ao terminarmos de subir um pequeno morro, surgia outro trecho de subida mais íngreme. 
O que nos motivava era o longo paredão do Roraima, que se aproximava cada vez mais. Como o ritmo da Márcia era um pouco menor que o meu, sempre fui parando para aguardá-la, mas a cerca de 1 hora do Acampamento encontro o Bennetton descendo pela trilha perguntando dela. Digo que está vindo logo atrás e ele vai ao encontro dela para carregar sua mochila. E depois de um último trecho de subida íngreme, nós três chegamos ao Acampamento Base às 14h10min, na altitude de 1870 metros. 
Acampamento Base

O lugar dispõe de algumas tendas improvisadas, que são cobertas por lonas e onde os guias usam para preparar o almoço e o jantar. Já para montar as barracas não são muitos lugares, porém tem a vantagem de ter um riacho de água potável bem no meio do lugar. A vegetação abundante também está presente e a savana ficou para trás. Eu e a Márcia montamos nossa barraca próxima da trilha e depois fomos tomar um banho em um pequeno rio de aguas geladas, alguns metros à frente. O problema era passar por uma área de lama no meio da trilha. Enquanto boa parte almoçava na tenda, nós fomos descansar dentro da barraca e logo começou a cair uma leve garoa. Os banheiros para o número 1 e 2 eram no meio da vegetação alta ou em banheiros provisórios montados pelos guias. E quando começou a anoitecer fomos preparar nosso jantar, que era linguiça com comida liofilizada, que até se revelou muito boa por sinal. 
Do lado de fora da nossa barraca montamos um pequeno varal, mas não foi uma boa ideia, já que ao amanhecer do dia seguinte a Marcia constatou que tinham furtado sua blusa de fleece. É, até aqui existem larápios.    

3° dia – 09/Jan: Acampamento Base até o topo do Monte Roraima
Acampamento Base junto ao paredão do Roraima
Novamente acordei por volta das 05h30min, mas dessa vez com uma leve garoa que foi piorando aos poucos, sendo até difícil desmontar a barraca na chuva. Depois de um breve café da manhã em uma das tendas, iniciamos nossa caminhada até o topo. 
Eu coloquei uma capa de chuva e cobri totalmente a mochila para ver se conseguia chegar seco no topo, mas de nada adiantou. 
Sem dúvida é o pior dia de caminhada, com um desnível de pouco mais de 800 metros e cerca de 3 Km de extensão, chegando até a altitude de poucos mais de 2700 metros. 
Saímos do Acampamento as 08h15min e com a savana ficando para trás, agora vamos caminhar pela rampa do Roraima que segue ao lado do paredão. 
Subindo a trilha em direção ao topo

Só para dar uma aquecida nos músculos, logo de cara pegamos uma íngreme subida que leva até a rampa e dali em diante vamos ganhando altitude aos poucos e sempre seguindo para noroeste, beirando o paredão em meio à mata fechada.
Se o tempo estivesse bom conseguiríamos ver lindas paisagens da savana pelas aberturas na mata fechada, mas a chuva não dava trégua e com ela a neblina também tomava conta do lugar. 
Algumas cachoeiras que escorrem pelo paredão vão surgindo ao lado da trilha e servem de motivo para algumas paradas de descanso. 
E as 12:00 hrs, quando você pensa que o pior já passou, eis que surge o "Paso de las Lagrimas", onde a trilha passa embaixo de uma cachoeira e para piorar ainda mais, o vento vem com tudo, sendo até complicado passar por esse trecho. 
Trecho final

Se não estivesse chovendo, a cachoeira se tornaria somente uma fina camada de água escorrendo pelo paredão, mas com a chuva e o vento, o que estava seco no corpo e na mochila aí é que molha de uma vez. A sensação é como se estivesse passando embaixo de uma ducha de água gelada, mas não existe outra opção. Com pedras soltas, escorregadias e trecho bastante inclinado, o lugar merece o nome que tem. Uma pena que com a neblina perdemos um lindo visual de frente para o Monte Kukenan e parte da savana. Após sair encharcado da cabeça aos pés, ainda existe o último trecho por uma rampa inclinada de pouco menos de 1 hora em meio às inúmeras pedras que levam até o topo e ao chegar lá já encontrei uns dos carregadores aguardando a Márcia que vinha logo atrás de mim.
Acampamento Arenal

Assim que ela chegou seguimos dali para o nosso acampamento, que ficava a leste, seguindo a trilha por uns 500 metros, onde chegamos pouco antes das 15:00 hrs. Nesse momento a chuva já tinha cessado e até apareceu o Sol em algumas aberturas, mas a neblina ia e voltava e com isso tivemos que ficar no acampamento jogando conversa fora. 
O lugar se chama “Hotel Arenal”, que é nada mais que uma pequena gruta, um refúgio esculpido nos paredões de rochas, protegida das chuvas, que servem de abrigo para algumas pequenas barracas, mas como fomos os últimos a chegar, já não era possível montar a nossa. O problema era que o lugar é bem estreito e um pouco inclinado. Até tinha um local para montarmos nossa barraca, mas para não ficarmos apertados com as outras, preferimos montá-la debaixo de uma enorme pedra, um pouco abaixo da entrada do “Hotel”. 
Vista do Acampamento Arenal em direção ao paredão
Outra opção também era montar a barraca em cima das pedras, ao relento, em local desabrigado ao lado da trilha, mas os ventos e a chuva me fizeram mudar de ideia, por isso ficamos embaixo da enorme pedra. O meu medo era quando eu abrisse a mochila. 
Com certeza muita coisa tinha se molhado e não deu outra. Assim que eu ia tirando as coisas da mochila tive que colocar para dentro da barraca, pois uma garoa insistente poderia molhar mais ainda as coisas. Saco de dormir foi a minha primeira preocupação, já que o frio viria durante a noite e ele estava molhado na parte dos pés. As roupas, pelo menos, eu tinha colocado em pequenos sacos plásticos zip lock e estavam sequinhas. Até o dinheiro (bolívares e dólares para pagar a agencia do Salto Angel) e o passaporte se molharam um pouco, mesmo estando dentro de uma carteira e na pochete. 
No Acampamento Arenal
O que ajudou foi saber que pelo menos o saco de dormir da Márcia estava totalmente seco. Quem não deu muita sorte também foram o Renan e o Ronaldo, que tiveram seus respectivos sacos de dormir totalmente molhados. O Ronaldo foi o pior: quando se espremia o saco de dormir, a água escorria. Nessa hora o Bennetton ao ver a cena, diz: Ai, ai, ai e o Rodrigo complementou: "Ai que burro, dá zero pra ele" - e todo mundo caiu na risada, menos o Bennetton que não entendeu nada. Depois o Rodrigo explicou a ele o que significa a expressão, que ficou muita famosa com o Chaves.
Quando começou a anoitecer a Márcia foi preparar nosso jantar, enquanto eu tentava de alguma forma secar algumas coisas dentro da barraca. Além de várias coisas molhadas na mochila, também tive um pequeno prejuízo quando fui pegar água para preparar o jantar. Sem perceber enfiei o meu pé até as canelas em um lamaçal e com isso a tira do meu chinelo se rompeu. Perdeu playboy. Paciência, ainda tinha a bota, mas estava totalmente encharcada. 
Tive que usar a papete da Márcia.
Depois do jantar e saciados fomos dormir com temperaturas muito baixas. 
Com boa parte das roupas e blusas secas, tive que vestir várias camadas para não passar frio. 

4° dia – 10/Jan: Do Hotel Arenal até o Hotel Coati
O grupo pronto para caminhada em direção ao Coati
O dia amanheceu um pouco instável. Muita neblina com alguns momentos de Sol e por isso, resolvemos colocar algumas roupas para secar em cima das pedras. Depois do café da manhã colocamos todas as coisas na mochila e as 08h50min seguimos em direção ao Hotel Coati, já no lado brasileiro do Monte Roraima. 
O percurso até lá é de + - 11 Km passando por muitos trechos acidentados e cruzando pequenos vales, ora subindo e descendo pedras, ora desviando de inúmeras fendas e labirintos. 
Com muita neblina e o tempo chuvoso não pudemos observar totalmente a linda paisagem desse trecho. 
De vez em quando a neblina se abria e dessa forma podíamos contemplar as inúmeras figuras de animais e objetos que foram esculpidas nas rochas ao longo de milhões e milhões de anos.
Trecho das esculturas de animais
Eram cachorro, gorila, galinha, rinoceronte, elefante, porco, jacaré, naves espaciais, carros de Formula 1, algumas aves e o que a imaginação permitisse - a famosa tartaruga voadora é encontrada logo que se chega no topo do Roraima, a poucos minutos antes do Hotel Arenal. A todo momento a paisagem se alterava e parecia que estávamos caminhando em algum lugar mágico, um autentico Parque Jurássico. 
A cada lado que se olhava, se encontra uma rocha moldada pelo tempo e sempre com a neblina como acompanhante, dando aquele aspecto surreal ao lugar, diferente de tudo o que eu conhecia até então. Como podia enormes rochas retorcidas sendo apoiadas apenas por pequenas pedras, que pareciam ser muito frágeis? A flora também é de se admirar, bem diferente da encontrada na savana: plantas carnívoras, orquídeas e bromélias que são endêmicas, isto é, só podem ser encontradas ali no topo. 
Ronaldo, Márcia e eu grávido no marco da Tríplice Fronteira
Uma planta muito comum e endêmica do Roraima é a Stegolepis Guianensis, que é da família das bromélias. O interessante é que o miolo dela é comestível e tem um fraco sabor de pepino e eu até gostei - em uma emergência, quem não tiver nenhuma comida, essa é uma boa opção. Já a água; essa era abundante e foram vários pequenos riachos e cachoeiras que encontrávamos pelo caminho.
Neste trecho resolvi colocar o meu saco de dormir molhado do lado de fora, amarrando ele na mochila cargueira para ver se conseguiria chegar no Hotel Coati com ele seco, mas a natureza não ajudava. O Sol até surgia por alguns momentos, mas de vez em quando a neblina e uma fina garoa teimavam em aparecer e com isso resolvi colocar junto da minha barriga, preso embaixo das roupas, mas ficou parecendo que eu estava gravido, mas era por uma boa causa.
Tempo se abrindo no marco da Tríplice Fronteira
E de repente surge escondido entre inúmeras pedras o marco da tríplice fronteira (Brasil, Venezuela e Guiana) pouco depois das 13:00 hrs. É uma pirâmide, também conhecida como BV-0 e enquanto que do lado venezuelano existe uma placa de metal com um texto exaltando o Exercito do país, datada de 24 de Junho de 1986, do lado brasileiro só existe a inscrição BRASIL feita com cristais de quartzo e o Brasão da Republica e no chão uma pequena placa de 2014, escrito Montanhas do Brasil ao lado de um marco geodésico do IBGE. Pior mesmo é do lado da Guiana, onde a placa que existia ano local foi retirada, não restando nenhuma inscrição de que o lugar pertence a esse país. O Bennetton nos disse que a placa foi retirada por ordens do falecido presidente Chávez, já que existe um litigio entre os dois países para a mudança das fronteiras e isso já vem se arrastando a várias dezenas de anos. 
Animais pela trilha
Aqui eu e a Márcia ficamos por cerca de 20 minutos descansando junto com o Ronaldo. Já o restante do pessoal talvez até tivesse já chegado ao Coati. 
Para quem já está quase na casa dos 50 anos é bem compreensível esse meu ritmo. O da Márcia, também, pois ela é um pouco sedentária e a idade também faz uma certa diferença, já que passou dos 40.
Dali em diante estávamos entrando no Brasil e a trilha apresentava setas pintadas em vermelho para orientação, mas que são desnecessárias. 
O percurso até o acampamento eram trechos de labirintos, escalaminhada e charcos até chegar ao Hotel Coati às 14h10min. O que é interessante notar é a presença maior da flora nesse trecho brasileiro com vegetação mais rica e até algumas pequenas árvores, que são endêmicas da região. 
Barracas e varais no Acampamento Coati

A impressão de quando chegamos ao Acampamento Coati era que o lugar lembrava mesmo um Hotel, pois contava com uma grande entrada principal, bastante espaço plano para montar barracas, galerias internas que lembravam alguns “quartos”, uma enorme mesa de pedra para colocar as comidas e as panelas, um jardim com um pequeno riacho no meio, localizado entre dois corredores exatamente embaixo de uma abertura natural para entrada de luz natural. 
Na verdade era uma autentica caverna, sem comparação com os abrigos que existem do lado venezuelano. 
E a boa noticia é que o lugar estava vazio e que ficaríamos aqui por 2 noites, então tínhamos grandes espaços para escolher onde montar a barraca. 
A primeira coisa a fazer era colocar um varal para secar todas as coisas molhadas e que não eram poucas. 
Jardim de inverno no Acampamento Coati
Até a mochila cargueira deu para prender nas paredes e deixá-la secando.  
Se o tempo ajudasse o guia nos levaria até o paredão com vista para o Monte Roraiminha e toda a floresta do lado brasileiro e a caminhada até lá era rápida, cerca de 15 minutos, mas a neblina não ajudou e por isso ficamos em cima de uma enorme pedra do lado de fora do acampamento jogando conversa fora. 
Só dois fatos a lamentar: o primeiro foi o Renan ter torcido o tornozelo nesse trecho e na volta teve que contratar um carregador para levar sua mochila cargueira até o Acampamento Tek, por isso é preciso o máximo de cuidado para que uma lesão não atrapalhe meses e meses de planejamento. 
O outro foi a Márcia ter esquecido boa parte de nossa comida no Hotel Arenal e o pior era justamente as carnes (linguiças, atuns, salames e comida liofilizada). 
Todos reunidos em uma selfie
E aí pensei: f.....e agora, o que faremos? O que nos salvou foi o Rodrigo, que cedeu uma parte da sua comida. Não sei se foi sorte ou azar, mas nesse dia o Bennetton (que era o guia principal da expedição) não veio com a gente, devido a sua religião (Adventista do Sétimo dia) não permitir que se trabalhe no Sábado e com isso ele só viria até o acampamento no dia seguinte pela manhã. E aí, eu fiquei me perguntando como pode um índio (etnia Arekuna) ser Adventista e a explicação dele foi bem interessante e longa. Mas resumindo, ele disse que foi a catequização de várias aldeias indígenas que ocorreram no final do século XIX (por volta de 1880) por um norte americano que chegou na região vindo da Guiana pela floresta amazônica. E como ele não tinha vindo com a gente naquele dia, quem nos guiou no trecho Arenal-Coati foi o Davi, que era o segundo guia. 
Quando Bennetton chegou no Domingo pela manhã e explicou que parte de nossa comida tinha ficado no acampamento Arenal e quando nos disse que poderíamos almoçar e jantar com ele, ficamos mais tranquilos.
Sem muita coisa para fazer naquele final de tarde de Sábado, depois de um banho completo em um pequeno lago, próximo do acampamento, o grupo ficou durante a noite tentando ver estrelas cadentes. Logo em seguida alguns foram dormir com temperatura agradável e outros ficaram tomando choconhaque dentro do acampamento. 

5° dia – 11/Jan: Hotel Coati, Mirantes, Lago Gladys e a quase Proa
Junto do paredão com vista para o Monte Roraiminha
Nesse dia, acordarmos um pouco mais tarde, já que as caminhadas seriam sem mochilas e a lugares próximos (o mais distante é a Proa que fica a uns 4 Km – cerca de 2 horas do Coati). 
Sem o peso das cargueiras, o dia seria só para apreciar as belezas do lugar. Logo após o café da manhã seguimos com o guia Davi, para leste em direção ao paredão para apreciar a vista do Monte Roraiminha e a floresta amazônica pelo lado brasileiro. Lá fomos recebidos por uma neblina que não deixava ver nada abaixo do topo. 
Os ventos sopravam a todo o momento e de vez em quando a paisagem se abria, permitindo visualizar o Roraiminha e toda a selva a perder de vista. Depois de uns 30 minutos e vários clics em cima de uma enorme rocha, com direito a um corte na perna do Rodrigo que não foi grave, era hora de seguirmos para o Lago Gladys. 
Guia Bennetton dando explicações na trilha
Passamos ao lado do Coati e aqui o Bennetton se juntou a nós e de lá seguimos direto para o Lago as 09h30min. Caminharmos só alguns minutos e já estávamos saindo do Brasil e entrando em território da Guiana. O percurso é bem mais tranquilo, com um longo trecho no plano e algumas pequenas áreas alagadas para depois passar por uma área de charco, que mais parecia um pântano, tomado pela neblina. Aqui a flora é bem rica, já que o solo é mais arenoso e muito úmido, destacando as plantas carnívoras, vegetação de arbustos e inúmeros tipos de bromélias, sendo a mais comum a Stegolepis Guianensis, que é comestível. Mais alguns minutos e seguimos ao lado de um rio, onde há muitos anos atrás existia um garimpo de diamantes. Hoje só é possível encontrar alguns cristais de quartzo e vários poções. 
Lago Gladys encoberto

Nesse trecho, se a neblina não estivesse cobrindo o lugar, poderíamos apreciar o lindo vale das Bonnetias, que é um tipo de vegetação arbustiva de cerca de 2 metros de altura e coloração vermelha que é endêmica do Roraima. 
O nome cientifico é Bonnetia Roraimae.
Depois de sair desse vale seguimos em direção ao paredão, passando ao lado de alguns mirantes com linda vistas da imensa floresta amazônica pelo lado da Guiana. O problema era a neblina que ia a e voltava, mas deu para observar uma grande cachoeira que caía rente ao paredão. 
Voltamos para a trilha e daqui em diante o trecho era em cima de extenso piso rochoso até chegarmos ao famoso Lago Gladys pouco antes das 11h30min. 


Lago Gladys sem neblina
Demorou ainda certo tempo para a neblina permitir a visualização de todo o lago, já que ela teimava em cobrir toda aquela região. Na verdade desde que saímos do Coati, ela foi nossa companheira o tempo todo. E quando o visual se abriu, pudemos comprovar a magia do lugar. É espetacular um lago daquele tamanho. Deve ter uns 100 metros de comprimento por uns 50 metros de largura e o mais interessante é que ele se formou em uma depressão com altura de uns 10 metros. A impressão é que houve um desabamento no local e com isso a água foi se acumulando nele, vindo a formar o lago. 
Na borda é possível ver imensos blocos de rochas soltos e ficamos só observando sentados ali e não economizamos nos clics. E próximo dali é possível ver antigos restos de um helicóptero da Rede Globo que caiu em 1998, com a equipe de gravação do programa Globo Ecologia e infelizmente uma pessoa veio a falecer nesse acidente. 
Tentando chegar na Proa
Na verdade a parte principal do helicóptero já tinha sido removida; o que ficou eram somente pequenas peças.
Agora o que nos faltava era chegar na Proa e quando o tempo melhorou de vez o Bennetton avisou que iria para lá checar se havia uma corda presa nas pedras para que se descesse de rapel até o fundo de uma enorme fenda e de lá continuaria a caminhada até próximo da proa, onde novamente subiria por corda, mas poucos se candidataram a ir junto. 
Só estavam: eu, Rosana, Rodrigo e a Bruna. O resto da galera talvez preferiu ficar na borda do Lago Gladys aguardando boas notícias, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Segundo o Bennetton é necessário ter cordas e equipamentos para descer até o fundo de uma fenda, que separa a região da proa do lugar onde estávamos. 
Trecho de descida para o fundo de uma fenda
E ao chegarmos lá não encontramos nenhuma corda. Tenta daqui, tenta dali, mas não encontramos outra opção para cruzá-la. A Rosana até tentou descer escalaminhando pelas pedras, mas era perigoso, já que a fenda tinha uma altura de + - 15 metros. 
Tirei uma foto de um local que estava bem demarcado na descida até o fundo da fenda, mas sem a corda eu não achei seguro para todos passarem. Talvez até desse para passar uma ou outra pessoa mais experiente, mas nessa hora não é bom arriscar. Naquele momento bateu um sentimento de frustração, mas não sei se o Bennetton cometeu o erro sabendo da obrigatoriedade da corda ou não. Não quero pensar nisso para não cometer uma leviandade, mas que ele deveria ter trazido uma corda, sim, isso deveria ter sido feito. Fazendo uma analogia, era como se tivéssemos ido a Roma e não ter visitado o Papa. 
Ponta da Proa logo ali
Se nós não tivéssemos vindo até o Lago Gladys, era compreensível, mas estávamos a poucos minutos da Proa e não chegamos até lá por causa de um pequeno detalhe. Paciência né. Agora não adiantava lamentar.
Quando estávamos retornando eu já pensei em procurar algum mirante que pelo menos nos desse uma boa visão da Proa e depois de olha aqui, olha ali, eu achei um no lado leste do paredão. E assim fomos chegar a um lindo mirante, junto do inicio da enorme fenda que cruzava a ponta do Roraima de leste a oeste. Desse ponto dava para ver exatamente a ponta da Proa e ali ficamos por certo tempo só aguardando a neblina se dispersar para apreciar o lindo visual desse lado do Monte. Era lindo e magnifico (tem uma foto do Site viajeaqui, que mostra exatamente o Proa de frente). Do mirante onde estávamos conseguimos ver a Proa ao fundo nessa foto acima. 
Vale das Bonnetias
E não sei se foi pela minha cara de frustrado e para me agradar, mas o Bennetton batizou o local de Mirador (mirante) Augusto.   
Depois de vários clics retornamos ao Lago e o restante do pessoal já tinha sido orientado pelo Bennetton, via radio, a irem embora e só fomos encontra-los no Vale das Bonnetias, junto do rio de “diamantes” às 13h45min e lá já estava sendo servido o almoço, tendo como prato principal uma massa, que estava deliciosa. Pelo menos dessa vez o local estava com tempo totalmente aberto e com isso pudemos apreciar o lindo vale tomado pelas Bonnetias com suas folhas vermelhas. 
Depois de uns 30 minutos, iniciamos o retorno pelo mesmo caminho até o Coati e dessa vez sem a neblina, dando para apreciar toda a beleza do lugar, que é sem igual. 
1 par de asas ou uma galinha? 

A cada lado que se olhava surgiam labirintos e esculturas nas rochas. O que me chamou bastante a atenção foi um trecho onde fomos pulando colunas de pedras, com pouco mais de 1 metro de altura – fiquei pensando como a Natureza conseguiu fazer aquilo. A água e os ventos tiveram muito trabalho para esculpir aquelas colunas. Com certeza alguns milhares ou milhões de anos. Outro ponto a destacar também foi uma enorme rocha de arenito partida ao meio e 1 par de asas esculpido em imensas pedras, que dependendo de onde olhava, se assemelhava a uma galinha. 
Chegamos ao acampamento às 15h30min e novamente continuava vazio - melhor para nós. Logo em seguida fomos tomar um banho no pequeno lago próximo e depois ficamos esperando o tempo passar em cima de uma enorme pedra, junto da entrada. Quando anoiteceu fomos jantar e depois cada um foi dormir na sua barraca e novamente com temperatura agradável. Demos muita sorte por esses 2 dias no Coati serem de tempo aberto e sem nenhuma chance de chuva. Pena que no dia seguinte estaríamos voltando para o lado venezuelano. 

6° dia – 12/Jan: Hotel Coati, Vale dos Cristais, El Fosso e retorno até Hotel Sucre
Entrada do Acampamento Coati
Novamente o dia amanheceu com um Sol de dar inveja e estaríamos retornando para algum dos “Hoteis” da Venezuela. Barracas desmontadas, mochilas arrumadas e café da manhã tomado, era hora de se despedir do acampamento brasileiro do Monte Roraima e as 07h30min iniciamos a caminhada. Nesse dia, deu para ir apreciando a paisagem que não vimos quando chegamos aqui e sem palavras. Era um mundo à parte, nada se assemelhava aquele ambiente. 
Depois de uns 30 minutos chegamos ao marco da tríplice fronteira e aqui deixamos nossas mochilas e seguimos em direção ao Vale dos Cristais.    
O vale é outro cenário mágico do Roraima e os cristais de quartzo branco parecem brotar do solo e emergem em todo o vale. 
Vale dos Cristais

É imensa a concentração deles, sob a forma de pequenos cristais ou em blocos grandes. Foi uma festa e não economizamos nos clics. Um pequeno riacho segue pelo meio do vale e ali também eles estão aos montes. Com o Sol ajudando dava até para visualizar o final do vale que terminava no paredão. A tentação de pegar alguns cristais e colocar na mochila era grande, mas você imagina se cada um que visita o lugar tem essa mesma atitude? 
Daqui a algumas dezenas de anos nem haverá mais o vale, então por isso é terminantemente proibido retirar os cristais do lugar. Se o pessoal da fiscalização pegar é multa pesada, tanto para o infrator, quanto para o guia da agencia. Depois de uns 30 minutos só apreciando o vale, retornamos para pegar nossas mochilas e seguir pela trilha em direção ao mesmo Hotel do primeiro dia no topo.  
El Fosso
Mas em vez de seguirmos pela mesma trilha que viemos, pegamos uma bifurcação que passava por outra atração obrigatória: o El Fosso, onde chegamos uns 15 minutos desde o marco da tríplice fronteira. 
O local é um poço vertical de uns 15 metros de diâmetro aberto na superfície, que provavelmente era uma caverna e cujo teto desabou. Tem uma altura aproximada de uns 10 metros e no fundo se formou um pequeno lago com várias galerias e colunas que suportam o teto. Um pequeno riacho na superfície deságua no seu interior, seguindo seu curso normal por entre galerias e cavernas. 
O Bennetton nos disse que até existe outro acesso onde é possível chegar nesse lago, mas fica para uma outra oportunidade explorar o local. 
Não sei se é permitido, mas um rapel seria maravilhoso ali.  
Chegando no Acampamento Sucre
Depois de desfrutar da beleza do lugar, voltamos para a trilha e o retorno foi tranquilo, com o Sol castigando bastante, mas de vez em quando a neblina tomava conta, amenizando um pouco do calor. 
Nesse trecho cruzamos com um grupo de mochileiros que estava seguindo para o Acampamento Coati e notei que um deles estava com equipamento de escalada: corda, capacete e mosquetões. 
Na hora me veio o pensamento de que iriam para a Proa. Sorte para eles. 
Em vez de seguirmos para o Arenal, dessa vez o Bennetton nos levou para o Hotel Sucre, que estava vazio e era bem melhor, possuindo vários espaços planos e um pequeno riacho com água potável bem próximo, onde chegamos as 13:00 hrs. Não era totalmente coberto como o Coati, mas dava para passar a noite tranquilamente.
Topo do Monte Roraima, na Pedra Maverick
Depois do almoço, ficamos de seguir para o topo do Monte Roraima, em um local conhecido como Pedra Maverick (tem esse nome por causa do formato de carro), mas o clima no Roraima é maluco. 
Depois de um Sol forte que pegamos na trilha, vindo do Coati, ao chegarmos ao acampamento, a neblina já tomava conta de tudo e a garoa veio junto naquele final de tarde. Por isso subimos na parte superior do acampamento e ficamos ali batendo papo. 
De lá notamos que o tempo abriu um pouco e não pensamos 2x. 
Colocamos nossas capas de chuva e seguimos para a beirada do paredão pouco antes das 16:00 hrs com o Bennetton na frente. Com trilha fácil, a caminhada é leve e com uma pequena subida íngreme no trecho final, mas ao chegarmos ao topo a vista estava tomada pela neblina. 
Junto do paredão

De vez em quando o tempo abria e aí conseguíamos ver uma parte da planície, onda está a savana, mas não demorou muito e a garoa retornou. Se as nuvens permitissem, também conseguiríamos ver o Monte Kukenan, que fica bem ao lado. O topo tem a altitude de 2810 metros e marca o ponto mais alto do Monte Roraima, existindo aqui um marco de pedras. Para escapar da garoa nos protegemos embaixo de uma enorme pedra, onde ficamos por alguns minutos, mas como o tempo não melhorava, pouco depois das 17:00 hrs resolvemos descer e seguir para as barracas.  
Aqui o clima é assim: ora está Sol com o tempo totalmente aberto sem nuvens, ora está encoberto pela neblina e às vezes com uma leve garoa. Esse é o topo do Monte Roraima.
Depois do jantar e com o tempo fechado não dava para fazer muita coisa, por isso muitos foram dormir.

7° dia – 13/Jan: Jacuzzis, La Ventana e descida do topo até o Acampamento Rio Tek
Jacuzzis do topo do Roraima
Esse é o último dia no topo e tínhamos que conhecer as famosas Jacuzzis e o mirante La Ventana. O problema era o tempo ajudar, já que assim que acordamos, naquela fria manhã, uma garoa caia sobre o topo. Mas não desistimos e pouco depois das 06:00 hrs o Davi no levou para conhecer as atrações que faltavam. Estavam eu, Rodrigo, Rosana, Bruna e o Ronaldo. O restante do pessoal preferiu ficar dentro da barraca por mais algum tempo. 
Chegamos na jacuzzis, que são piscinas naturais de águas cristalinas, uns 15 minutos depois e conseguíamos visualizar o fundo delas perfeitamente, mas um banho estava totalmente fora de cogitação, pois a água estava gelada e enquanto admirávamos o lugar, Davi nos trouxe o famoso sapinho preto, endêmico do Roraima. 
Sapinho preto típico do Monte Roraima

Tem o tamanho da unha do dedão da mão, de tão pequeno que é. 
Possui uma barriga na cor amarela e é incapaz de realizar saltos e se você colocá-lo na palma da mão, ele fica ali parado. 
Com o pouco tempo que tínhamos, seguimos para a La Ventana. A palavra tem o significado de janela, mas nada mais é que um mirante, voltado para o Monte Kukenan e para variar não demos sorte novamente, já que a neblina cobria toda aquela região.
De vez em quando o paredão surgia entre algumas aberturas, mas nada além disso. Paciência. Aqui quem manda é a montanha; somos meros espectadores. Depois de vários clics era hora de voltarmos para o acampamento e dar adeus ao topo do Roraima. 
Neblina no abismo com vista para o Monte Kukenan

Uns 10 minutos depois que saímos do mirante, o tempo se abriu e um lindo céu azul dava o ar da graça, mas que não durou muito. 
Chegamos ao acampamento às 08h20min e já quase sem ninguém. A maioria já tinha desmontado as barracas e seguido o caminho para o Acampamento Base. Só estava aqui um ou outro carregador terminando de arrumar as mochilas. E pouco antes das 09h30 min pegamos a trilha em direção à rampa de descida do Roraima, passando ao lado do Hotel Arenal e do Hotel Índio.
E exatamente as 10:00 hrs deixávamos o topo do Monte Roraima e iniciamos a descida da rampa com a neblina impedindo totalmente a visão. Cruzamos com alguns grupos, que estavam subindo e ao chegarmos no Paso de las Lagrimas em nada lembrava o que tínhamos visto, quando passamos por aqui na subida. 
Descendo do topo
Dessa vez uma fina camada de água escorria pela parede e o que se molhou foi por causa do suor. 
A decepção foi a espessa neblina que não permitia vermos a lateral do Monte Kukenan e partes da savana e assim fomos descendo a trilha com boa parte do pessoal já bem à nossa frente.
Quanto mais distanciávamos do paredão, mais o visual se abria, permitindo belas fotos de toda a planície, mas quando olhávamos para trás, os paredões do Roraima estavam totalmente encobertos pela névoa.
 Os trechos mais íngremes foram tranquilos e só era preciso tomar um pouco mais de cuidado com os joelhos que estavam sendo muito exigidos e assim como na ida, cruzávamos a todo momento com mochileiros de várias nacionalidades, sendo muitos brasileiros e venezuelanos. 
Cruzando o Rio Kukenan
E depois de umas 2 horas de descida, as 12h20min chegamos ao Acampamento Base, onde estava sendo servido o almoço. Só paramos por alguns minutos e depois seguimos trilha abaixo. Com o Sol de rachar em vários momentos, essa descida também foi muito desgastante e com isso fomos parando várias vezes até chegar ao Rio Kukenan, pouco antes das 15h30min. 
Aqui encontramos uma parte do pessoal cruzando o rio com a ajuda dos carregadores e assim que passamos do outro lado, descansamos por alguns minutos em cima das pedras. Fôlego retomado, ainda tínhamos um pequeno trecho de subida até alto do morro, onde já visualizávamos o Acampamento do Rio Tek com umas 4 barracas. 
Chegamos lá às 16h15min e existindo inúmeros bons lugares para montagem das barracas. 
Monte Kukenan visto do Acampamento Rio Tek

Colocamos algumas coisas para secar em um varal ao lado das barracas e depois fomos tomar banho no rio e o repelente era obrigatório.
Nesse dia uma equipe de filmagem de uma TV da Venezuela estava no local e com um grupo grande de carregadores e guias – desse jeito fica fácil né.
Ao chegar a noite, antes do jantar, enquanto estava arrumando as últimas coisas na barraca, a Márcia vem me perguntar se vou querer algumas porções de frango frito, que estavam muito baratas na pequena lanchonete do acampamento. 
O valor que a dona do local passou foi de sete e cinquenta – foi o que a Márcia entendeu, (7,50 bolívares), mas alguma coisa estava errada. Ou as porções eram só ossos de frango ou o preço não era aquele, com certeza. 
E não deu outra. Quando as porções chegaram e fomos pagar, o valor era de 750 bolívares, o que deu cerca de 15 reais. O Ronaldo também caiu nessa pegadinha do malandro, mas pelo menos as porções eram bem generosas e muito saborosas. Em seguida nos reunimos em uma mesa e o prato principal do jantar foi massa. Era a última noite e ficamos lá todos reunidos, acompanhado de um vinho, que não era tudo isso. Mas esses últimos momentos foram muito legais, contando piadas e jogando conversa fora. Esse dia era especial porque eu e a Márcia estávamos completando 8 anos de casamento e depois que o sono começou a aparecer, fomos dormir, com temperaturas bem razoáveis.

8º dia – 14/Jan: Acampamento Rio Tek até a entrada do Parque
Retornando com montes encobertos ao fundo
O último dia veio com um belo Sol e aproveitei para colocar algumas roupas e parte da barraca pra secar. Depois do café da manhã aproveitei para repassar ao Bennetton a comida que tinha sobrado (vi que depois ele repassou aos carregadores), já que não queria jogar fora. Ainda tinham algumas latas de atum, sopas e macarrão. E pouco depois das 08:00 hrs iniciamos a caminhada rumo à aldeia de Paraitepuy, com o Monte Roraima e Kukenan ficando para trás. 
Mesmo sendo uma caminhada mais tranquila, devo dizer que não foi um trecho fácil. 
Talvez porque a expectativa de terminar logo essa caminhada fazia com que o caminho restante fosse bem maior do que era. 
Enquanto o Roraima se distancia cada vez mais, eu ia refletindo sobre como tinha sido essa caminhada e o meu receio nos primeiros dias de que ela poderia ser bem mais cansativa e não foi. 
Finalizando na Portaria do Parque Nacional
Em vários momentos desse trecho eu ficava aguardando a Márcia se juntar a mim, já que éramos os últimos do grupo. 
Caminhar com o visual do topo era uma coisa, agora caminhar pela trilha de chão batido e sem visual nenhum, além da savana, era totalmente diferente; eu queria logo terminar esse trecho e avistar as primeiras casas da aldeia foi um alívio. 
O problema era finalizar o último trecho, que parecia ser uma subida sem fim e nessa hora tudo que eu queria era chegar ao final o mais rápido possível e exatamente as 12:00 hrs cheguei sozinho na pequena tenda da Administração do Parque. 
Enfim, mais uma linda caminhada finalizada com sucesso e sem nenhum problema, graças a Deus. 


Missão cumprida
Logo depois entreguei a mochila ao funcionário para que o mesmo a revistasse, na busca de cristais, mas ao olhar para mim, disse que nem precisava. Logo chegou a Márcia e fomos se juntar ao restante do nosso grupo e ficamos alguns minutos sentados e sem as botas só dando um alivio para nossos pés e logo chegaram as cervejas, refrigerantes e algumas frutas enviados pelo guia Marco. Depois seguimos até o povoado indígena San Francisco de Yuruaní, onde almoçamos por conta da agencia e também compramos alguns artesanatos nas barracas junto da Rodovia. 
Agora era seguir em direção à Santa Elena de Uairén para pegar as passagens de ônibus para Ciudad Bolivar com o Marco e lá dar noticias para nossos parentes no Brasil, fazendo ligações em uma Lan House próximo da Pousada Michele. 
Depois seguimos para a Rodoviária embarcando no início da noite. Estava finalizada a primeira parte da trip pela Venezuela e agora se iniciava outra em direção a maior cachoeira do mundo: Salto Angel, mas essa fica para outro relato: clique aqui para ler






Dicas e informações úteis

# O Rodrigo gravou vários vídeos ao longo da caminhada no Monte Roraima e postou no Youtube: é só clicar aqui.

# Agencia e guia: Marco Mcalexis William Peña - E-mail: marco.mcalexis@gmail.com -
Para acessar a página dele no Facebook, é necessário possuir cadastro no site:
www.facebook.com/marco.mcalexis 
Tel: +58 (426) 124-3623 e +58 (289) 540-0239 

# Custos com cotação de 1 Real/45 Bolívares (Jan/2015).
- Passagem aérea São Paulo-Boa Vista: $320 Reais.
- Passagem aérea Boa Vista-Campinas e parada de 3 dias em Manaus: $420 Reais.
- Trekking de 8 dias pelo Monte Roraima: $300 Reais (guia e transporte - sem alimentação) com o guia Marco Mcalexis.
- Taxa entrada no Parque Nacional do Monte Roraima: $350 BsF. ($8 Reais)
- Porção de frango frito no Acampamento Rio Tek: $750 BsF (cerca de $15 Reais).
- Taxi Aeroporto de Boa Vista-Terminal de Integração Caimbé: $40 Reais a corrida para 4 pessoas ($10 Reais/pessoa). 
- Taxi Terminal de Integração Caimbé-Pacaraima: $30 Reais/pessoa.
- Taxi Aduana Venezuelana até Santa Elena: $100 BsF (cerca de $2 Reais)
- Pousada Michele – Santa Elena de Uairén: $300 BsF (cerca de $7 Reais/pessoa).
- Almoço em Santa Elena de Uairén: cerca de $400 BsF (cerca de $9 Reais).
- Jantar em pizzaria: $300 BsF (cerca de R$ 7).
- Ligações internacionais em Lan House via VOIP, próximo da Pousada Michele: $50 BsF/10minutos (cerca de $1 Real).
- Táxi Santa Elena-Boa Vista com várias paradas nos freeshops e na aduana venezuelana e brasileira: $50 Reais/pessoa.
- Ônibus Aeroporto Campinas-Rodoviária Tietê: $18 Reais (Viação Lira).
Total: Aproximadamente $1200 Reais/pessoa

# Os valores do nosso pacote de 8 dias para o Monte Roraima ficaram assim: 
- $300 Reais: somente guia e transporte, sem alimentação e equipamentos.
- $650 Reais: guia, transporte e alimentação, sem equipamentos. O valor original era de $850 Reais.
- $1350 Reais: guia, transporte, alimentação, todos os equipamentos e carregadores. Cida, Roseli, Sandra e Thales contrataram esse tipo de serviço e só levaram uma pequena mochila de ataque. Barracas, sacos de dormir, isolantes, etc, eram todos alugados da agencia.

São várias as agências em Santa Elena e alguns guias independentes que levam ao topo do Monte Roraima. E com preços variados também. Além do guia Marco Mcalexis, tem outras 2, cujos preços são um pouco maiores.
- Mystic Tours (em frente a Pousada Backpakers): www.mystictours.com.ve/en/tours.htm
- E a agencia Alvarez Trek Expeditions, que se localiza na Rodoviária de Santa Elena: www.saltoangelrsta.com
- Outra opção de guia independente e barato é a Meru Pachi. Possui página no Facebook: Clique aqui

Não compensa de maneira nenhuma contratar agencias brasileiras, que se localizam em Boa Vista. Os valores chegam a ser o triplo das agencias de Santa Elena e só tem uma única única vantagem: da trip se iniciar em Boa Vista (eles pegam você no aeroporto). E contratar agencia de São Paulo é pior ainda: 4 a 5x a mais, já que inclui a passagem aérea. Compensa muito mais financeiramente comprar as passagens aéreas com certa antecedência e fechar com algum guia independente. Eles oferecem o mesmo serviço que as agencias e cobram mais barato.

É possível também fechar com a agencia ou algum guia no dia que chegar na cidade, sem ter feito reserva, mas não recomendo. O problema é que terá de se encaixar em algum grupo que irá subir o Roraima e isso pode não acontecer logo no dia seguinte – muitas agencias esperam até se formar um grupo de umas 10 pessoas para iniciar a subida. 

# Melhor época para subir o Monte Roraima é de Dezembro a Março - considerado um período de poucas chuvas e inverno por lá. Mas como a Venezuela está próxima da Linha do Equador, entre os trópicos, o Inverno com temperaturas bem definidas lá não existe. As temperaturas são quase as mesmas do verão. Em Santa Elena as temperaturas eram próximas das de São Paulo. 

# Alimentação na trilha: nos dias em que a maior parte da comida minha e da Márcia tinham ficado em outro acampamento, o guia Bennetton permitiu que jantássemos com o restante do grupo e a nossa impressão da comida foi a melhor possível: muito saborosa, farta, variada e com algumas frutas de sobremesa. Para quem pensa em contratar o pacote com alimentação, vale a pena.

# Para fazer as necessidades fisiológicas (o famoso número 2) os guias levam um tipo de banheiro provisório que se parece com uma pequena tenda de circo. Ele consiste de um banquinho plástico com um buraco no meio e uma sacola embaixo, que depois é acrescentado cal e depois colocado em canos de PVC. 

# Quando o Daniel teve um problema no joelho ao chegarmos ao Acampamento Rio Tek, no final do 1º dia, ele conseguiu contratar um carregador para levar sua mochila cargueira por $1500 BsF/dia (cerca de $30 Reais/dia).

# Em uma longa caminhada como essa, se surgirem as bolhas nos pés, elas podem ser um grande problema e para evitá-las nunca use uma bota nova, além de passar vaselina nos pés e usar duas meias: uma social e por cima outra esportiva, própria para trekking.

# Não economize no protetor solar, principalmente quando estiver caminhando no topo do Monte Roraima. Repelente também é outro item muito usado no acampamento Rio Tek.

# Se quiser chegar até o Lago Gladys e na Proa nessa expedição não deixe de incluir a corda e acessórios entre os equipamentos. É primordial e sem ela é muito difícil atingir a Proa.

# Uma opção bem barata e que pode quebrar um galhão é usar um saco de lixo grande para cobrir a mochila, quando estiver passando pelo Paso de las Lagrimas ou no topo, se estiver chovendo muito. A capa da mochila não é muito eficiente para evitar que algumas coisas se molhem dentro dela. Mesmo ensacando, algumas coisas sempre molham.

# No topo do Monte Roraima existem quase 10 acampamentos, chamados de Hotéis. Ficamos 1 dia no Hotel Arenal, 2 dias no Coati e 1 dia no Sucre. 

# Quem quiser economizar um pouco mais no trajeto de Boa Vista até Pacaraima, existe a opção do ônibus pela empresa Rivaltur, saindo da Rodoviária da cidade. 
Saída diária às 07h30min – Valor: $22 Reais e cerca de 3 horas de viagem. 

# Hospedagem em Santa Elena: 
Sem dúvida nenhuma as duas melhores opções são as Pousadas Michele e Backpackers. As duas se localizam na Rua Urdaneta (Calle Urdaneta), são próximas e todo mundo conhece. Ficamos no Michele no primeiro dia na cidade e no retorno do Salto Angel ficamos no Backpakers, que é uma Pousada um pouco melhor. O problema é que sempre estão lotadas.
Quem reservou a hospedagem foi o nosso guia. E se quiser entrar em contato com as duas pousadas, seguem os e-mails.
- Pousada Michele: hotelmichelle@cantv.net
- Posada Backpacker: info@backpacker-tours.com ou reservation@backpacker-tours.com

# Alimentação em Santa Elena: 
- Café da manhã é obrigatório na Padaria Gran Sabana. Boa qualidade, bons preços e variedade. 
- Almoço e jantar, recomendo o Restaurante La Frontera, bem próximo da Praça Simon Bolívar. 
- Existe uma pizzaria no térreo da Pousada Backpakers e pode ser uma boa opção.
- No primeiro dia na cidade almoçamos em um local conhecido como “galeria” que nada mais é que um imenso galpão, próximo da Padaria Gran Sabana, que possui vários pequenos restaurantes e uma grande variedade de comida, mas o prato que pedi - bife de carne bovina com arroz e banana frita não me caiu bem. Tive uma leve diarreia por 2 dias.
- Ao voltarmos do Salto Angel, jantamos uma noite no Restaurante Damasco, a poucos metros da Pousada Backpakers. Péssimo serviço – não tinha comida com frango, trocaram a comida de 3 pessoas, não tinha refrigerantes, entre outras coisas. Não recomendo. 
- Quase todos os pratos incluem frituras - carnes e a famosa banana frita - por isso é preciso ter cuidado para não ter uma indigestão.

# Cambistas para troca de Reais por Bolívares - são vários e estão de colete vermelho numa esquina a poucos metros da Padaria Gran Sabana. É seguro e bastante tranquilo. Pode confiar. No local até existe uma pequena placa com a cotação do dia, mas que não é usada a muito tempo. 

Cotação da nossa moeda - Real - na Venezuela para troca por Bolívares:
https://pt-br.facebook.com/pages/Santa-Elena-de-Uairén-Estado-Bolivar-Venezuela/154987074556933

# Sinal de telefonia celular no topo do Monte Roraima pode esquecer. Os guias usam rádios portáteis e se acontecer algum acidente, eles acionam ajuda. Na cidade de Santa Elena até consegui sinal de celular da empresa venezuelana Movistar, mas os minutos são muito caros. É preferível usar as lan houses para fazer ligações internacionais, que são muito baratas. Existe uma na mesma rua da Pousada Michele, no número 6, junto de uma esquina.

# Produtos de higiene pessoal são muito baratos em Santa Elena. Sabonetes, creme dental, protetor solar, toalha umedecida (que substituem os papeis higiênicos) podem ser encontrados em um ou outro mercado e nas farmácias e perfumarias.

# Um problema crônico na Venezuela é a falta de alguns produtos básicos nos supermercados, então pode ser um problema encontrar produtos de higiene pessoal nos supermercados. Talvez só nas perfumarias e farmácias.

# Venezuela é um país muito barato. Hospedagem, alimentação, turismo, mas nada se compara com o combustível. A gasolina premium (95 octanas) custa 5 Bolívares para 50 litros. São cerca de 10 centavos de Real para um tanque de 50 litros. Em nenhum lugar do mundo isso existe. 

# Não encontrei nenhuma loja que vendesse equipamentos de trekking em Santa Elena. É bem engraçado porque boa parte da economia da cidade vive desse tipo de turismo.

# Único lugar que encontramos alguns equipamentos e acessórios de qualidade foi na loja de esportes, chamada Kyoto, que fica dentro do Hotel Anaconda junto da Rodovia, a poucos minutos do centro. Parece até uma loja oficial da Adidas, porém não achei os preços tão bons.

# Ao longo da Rodovia próximo da fronteira com o Brasil existem alguns Freeshops, mas os principais produtos vendidos são bebidas, chocolates e salgadinhos. 

# Em Santa Elena alguns refrigerantes são os mesmos do Brasil, porém com nomes e sabores um pouco diferentes.
- A Sprite brasileira tem o nome de Chinotto, sendo um pouco mais doce.
- A Fanta tem o nome de Hit (Uva e Laranja) e também é um pouco mais doce.
- Existe uma bebida chamada Frescolita (fabricado pela Coca Cola), que é muito consumida, mas é extremamente doce e bem fraquinha. Parece uma água doce com pouquíssimo sabor na cor laranja. Até a nossa Dolly é melhor que essa bebida.

# Um pouco de curiosidade sobre a Tríplice Fronteira, no topo do Roraima:
Por causa de 7,7 Km o marco da Tríplice Fronteira (Brasil, Venezuela e Guiana) poderia ser o ponto mais extremo do Norte do Brasil. 
Esse ponto extremo do país está no Monte Caboraí, que também se localiza no Estado de Roraima, porém cerca de 60 Km a leste da Tríplice Fronteira. 
Por isso a expressão do Oiapoque ao Chuí já não faz parte de nossos livros de Geografia. Agora se diz “do Caboraí ao Chuí". 

31 comentários:

  1. Olá Augusto,

    Como fiel leitor dos seus relatos, fico feliz e grato por compartilhar suas experiências. São sempre um porto seguro e me será muito útil quando for por lá, que espero, não demore tanto rsrs...

    É claro, um relato é temporal e há muitos deles sobre o Roraima na rede, mas um relato seu é outro nível... Muito grato, parabéns a você e a Márcia pela trip!

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    1. Fala Francisco, tudo bom?
      Valeu mesmo pelas suas palavras.
      Sou apenas alguém que gosta de contar em detalhes uma caminhada qualquer.
      Compartilhar as informações e impressões que tivemos desses lugares sempre vão estar presentes nesses relatos.
      Não sei se for sorte ou azar, mas nessa temporada pegamos o Roraima muito cheio. Pelo menos os guias orientam muito bem para que o impacto seja o minimo possível.
      E com isso, esse paraíso do trekking está se tornando acessível para reles mortais como nós.
      E ás vezes até mais barato do que algumas travessias pelo nosso país.

      E conhecer um outro povo e cultura é sensacional.

      Gde abc

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  2. Muito bom.
    Ainda ão li tudo, mas o farei o mais breve possível.
    Irei com um grupo agora em agosto e tenho certeza que me ajudará e muito suas informações.
    Sempre acompanho seus relatos e suas dicas. Muito obrigada e parabens!

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    1. Oi Cristiane.
      O relato é bem grande em relação aos outros que eu postava aqui.
      É que são muitas coisas maravilhosas que encontramos por lá que eu me empolguei.
      Só uma observação hein. Meio do ano no Roraima não é uma época boa para conhecê-lo. É a estação chuvosa e vc pode não aproveitar nada do visual.
      É preciso levar isso em consideração hein.


      Abcs e obrigado por sempre acompanhar os relatos.
      Daqui a alguns dias estarei postando da Cachoeira de Salto Angel.

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  3. Caracas, ai sim!!! Parabéns Augusto!!! para variar um relato impecável, bela aventura!!! obrigado por compartilhar e sempre ansioso pelos próximos!!!

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    1. Oi Dante, blz?

      Valeu pelo elogio.
      Eu tô demorando muito para publicar esses relatos da Venezuela porque eu peguei muita informação por lá e tô colocando tudo neles.
      Terminei agora a pouco a Gran Sabana, que merece também estar em qqer roteiro pelo país.
      Agora começo a escrever o relato de Manaus. É um outro que valeu a pena também.

      Abcs


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  4. Oi Augusto! Tudo bem?!
    Finalmente li seu relato!!! Demorei pra perceber que vc havia postado! Preciso rever minhas configurações do Blogspot!
    Muito legal!! Parabéns!! Só hoje fui ver que a Márcia foi junto!!! Legal!! :)
    Pena que pegaram mais chuva e tempo fechado, o que é normal lá! Acho que nós fomos as exceções!! rss..
    Adorei relembrar aqueles dias maravilhosos!!
    Agora vou reservar outra noite pro Salto Angel! :)
    Abs!!
    Renata Maciel

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    1. Oi Renata, tudo bom?
      A Márcia resolvei ir quase em cima da hora. Ela achava que não teria condições.
      Mas no final o Roraima não chegou a ser tão difícil. Os primeiros dias foram muito cansativos, mas nada impossível.
      E por deixarmos Salto Angel, Gran Sabana e Manaus por último, deu p/ descansar bem.
      Qto a chuva, não tem jeito né.

      Hoje pela manhã terminei o último relato, o de Manaus.
      Agora é preparar p/ outras trips. Têm muitos feriados chegando.

      Gde abc.

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  5. Alguem tem o tracklog da trilha da cachoeira da agua branca aí?

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    1. Como o tracklog não é meu, não acho correto deixá-lo disponível p/ download no relato dessa caminhada.
      Eu tenho ele aqui arquivado no meu PC.
      É só passar o seu e-mail que envio a vc.


      Abcs

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  6. Parabéns pela aventura! Espero chegar um dia a este nível de organização tbm. Não sabia o que era tracklog, valeu. Já estou seguindo o perfil e se quiser conhecer nossa página fique a vontade. abç
    casaloutdoor.blogspot.com.br

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    1. O Roraima é bem tranquilo.
      A única preocupação é contratar um guia, que é obrigatório.
      E disposição para caminhar muito, porque para um lugar tão longe tem de fazer o roteiro completo, incluindo aí Salto Angel e Gran Sabana.
      Mas vale cada centavo gasto.
      Sem dúvida um dos melhores trekkings do país.
      Já estou te seguindo lá no seu blog também.
      Valeu.

      Abcs

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  7. Ola Augusto, muito interessante e útil seu post, principalmente para iniciantes em aventuras como eu.... rsrrsr
    Estou indo para Boa Vista dia 28/08/2015 para me aventurar a fazer o trakking Monte Roraima de 6 a 8 dias e depois Angel Fall 3 dias. Eu ainda não fechei nenhum pacote e tenho intenção de negociar por la o que estiver mais barato ou melhor compensar.
    Augusto, gostaria de saber se é melhor levar dólares ou reias para trocar na fronteira? E você sabe se consigo encontrar gás para jetboil em Boa Vista ou Santa Elena, visto que não posso levar daqui no avião devido ser inflamável, mas tenho medo de não encontrar esta gás para camping por la.

    Abraços,

    Tainara

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    1. Oi Tainara, tudo bom?
      Para fazer o Monte Roraima, leve reais e troque com os cambistas que ficam próximo da Padaria Gran Sabana. É seguro, pode ficar tranquila.
      Mas tem um porém, a inflação no país tá saindo de controle e muito alta, então na hora de fechar com as agencias, talvez eles até aceitem reais, o que é até melhor.
      Isso evita vc levar um maço enorme de notas de bolivares.
      Atente a isso.
      Já para fazer Salto Angel, obrigatoriamente leve dólares. As agencias de lá já colocam o preço nessa moeda.
      E no aeroporto de CB vc tem várias agencias para escolher. Fizemos com a Gekko e não arrependemos.
      Sobre onde encontrar cartucho de gás, infelizmente eles não vendem esse tipo de mercadoria por lá.
      Em Santa Elena não existe uma unica loja que venda esse tipo de material.
      Só se levar de Boa Vista mesmo.
      Mas será que não vale a pena vc contratar o pacote com as refeições inclusas?
      Vc leva um peso menor na mochila e não se cansa tanto.
      Ou até pode acertar com o guia para usar o fogareiro deles, pagando uma pequena taxa.

      Qdo voltar de lá, dê um retorno aqui no blog para dizer o que achou.

      Abcs

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  8. Obrigada Augusto, mas uma duvida...Sera que em Cuidad Bolivar as agencias aceitam euro?
    Bom... eu estive lendo alguns relatos sobre os policias na Venezuela, e me assustou um pouco, pois quero fazer o trajeto de ônibus de santa elena para cuidad bolívar e depois pegar o avião para canaima. Meu namorado é inglês e não fala nada de espanhol nem português, e me assusta um pouco como eles tratam os turistas, estorquem o que poderem. Estava quase desistindo da viagem, porem ja estou com passagem para depois de amanha.

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    1. Oi Tainara.
      Não tenho certeza se aceitam euro, mas creio que sim.
      No aeroporto de Ciudad Bolivar são várias agencias. Se uma delas recusar a aceitar a moeda, a outra com certeza aceita.
      Qto aos policiais rodoviários, que lá são chamados de Guarda Nacional Bolivariana, sim eles são meio chatinhos.
      Vc leu o relato de quando estávamos voltando de Ciudad Bolivar p/ Santa Elena?
      Eles pegam no pé mesmo, mas se estiver tudo certo não tem do que ter receio.
      Eles só vão extorquir se encontrarem alguma coisa errada. Mas se o seu namorado não fala espanhol e nem portugues, fique tranquila. Fale por ele e mostre o passaporte dele, ok.
      Fique sossegada.
      Só um adendo: essa época é de baixa temporada hein.
      Talvez não pegue tempo bom no Roraima e muito menos em Salto Angel.
      Boa sorte.


      Abcs

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  9. Olá Augusto
    Muito legal seu seu relato.
    Vc poderia passar o contato do guia?
    Obrigada!

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    1. Oi Aurora.
      No relato eu só coloquei as informações da caminhada.
      Já os dados do guia coloquei no final do relato, nas Dicas e informações Úteis.
      Lá tem a página do Face, e-mail e o telefone.
      Boa sorte.

      Abcs

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  10. Oi Augusto,
    Morei em Roraima de 1983 a 1997. Naquela época subir Monte Roraima não era tão divulgado como estar sendo atualmente. Costumo ir em Roraima frequentemente, pois parte da minha família reside lá.
    Pretendo ir ao Monte Roraima em março/2016. Pretendo festejar o meu aniversário lá em cima.
    Dos diversos relatos que li sobre o Monte Roraima o seu é rico em detalhes, parabéns. As informações contidas nele serão importantes para meu planejamento.
    Venham conhecer o PARÁ.
    Abraços
    Claudio Fernando Bentes dos Santos
    Alter do Chão - Santarém - Pará
    benttes@gmail.com

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    1. Blz Claudio, tudo bom?

      Na minha opinião o Roraima tá sendo mais divulgado agora por causa da internet.
      Anos atrás vc não tinha nenhum acesso a esses relatos e nenhum tipo de informação que ajudasse.
      Quem ia era obrigado a contratar os serviços de agencias brasileiras, que cobram os olhos da cara.
      Quando fiz a pesquisa dessa trip, eu fiquei perplexo com os valores que essas agencias aqui do país cobram.
      E elas não oferecem nada de especial. Simplesmente cobram de vc um valor altíssimo e depois repassam para os guias lá da Venezuela, nada mais.
      E hoje em dia, com esses relatos as pessoas estão vendo que não é tão difícil e caro fazer por contra própria.
      É perfeitamente possível e com a vantagem de estar em um país muito barato.
      Não vou entrar no mérito da política, mas adorei a Venezuela.
      Com certeza, se tiver uma oportunidade, voltarei lá.

      E valeu pelo elogio.
      Em todas as postagens aqui do blog sempre deixo o maior número de informações possíveis.
      Esse é o espírito.
      Agora que eu saí do país para fazer uma caminhada e percebi que não é tão complicado como muita gente acha, quero repetir isso.
      E para outros países com certeza.
      E talvez intercalando com alguma trip nesse nosso país imenso.
      Na região norte/nordeste tenho uma lista grande de lugares que ainda pretendo conhecer. É só surgir uma oportunidade e tempo.
      Qdo passamos por Manaus, vi vários barcos seguindo para Alter do Chão/PA. Quem sabe algum dia até faço esse roteiro, já que adoro praia.


      Gde abc.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Olá Augusto,

    Muito bom o seu relato, ele é riquíssimo em detalhes!!! Na metade do texto tive a sensação de estar a caminho do Monte Roraima.. hehe

    Vou em novembro com uma amiga e com certeza suas dicas serão muito úteis!!!

    Uma pena que nessa época não vamos pegar um bom tempo por lá!! Mas o que vale é a experiência não é mesmo?!

    Obrigada por compartilhar a sua experiência com os velhos e novos aventureiros!!!


    Abraços!

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    1. Oi Andreia, tudo bem?

      Obrigado pelo elogio.
      Eu exagerei um pouquinho no relato. Coloquei muita coisa né?
      Mas que bom que ele vai te ajudar.

      No Roraima não tem jeito. As vezes tá um Sol escaldante e de repente a neblina toma conta de tudo e vem a chuva. É dificil escapar disso.
      Mesmo no final e começo do ano, que é alta temporada, o tempo muda constantemente.

      E não deixe de conhecer o Salto Angel também.
      É lindo o lugar.
      E não é tão caro toda essa trip.
      Eu demorei para conhecer o lugar pensando que seria os olhos da cara. Nada disso.
      Ficou até mais barato que uma trip semelhante aqui no Brasil.

      Boa sorte e precisando de mais alguma informação é só escrever aqui.

      Abcs

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  13. Augusto, excelente relato. Me perdi no tempo aqui lendo sua história! Está de parabéns!

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    1. Blz Felipe.
      O relato era para ser algo mais enxuto, mas quando comecei a escrever, fui lembrando de coisas e de algumas anotações e aí me empolguei.
      E no final ficou esse big relato.
      Com essa crise braba lá na Venezuela, muita coisa já tá desatualizada, principalmente em relação aos preços.
      Mas precisando de algum help ou alguma outra informação que não está no relato, é só perguntar.

      Abcs

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  14. acabei de voltar do monte roraima é fantastico depois vou postar meu relato...

    @Froisrafael meu instagram

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  15. Quero ler esse relato hein.
    Depois coloque o link dele aqui.
    Sem dúvida nenhuma é uma das melhores caminhadas que já fiz.
    Abcs

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  16. Fala Augusto, parabéns pela conquista e pelo Relato. Acho que quase participamos da mesma equipe. Em 2014 eu e meu amigo estavamos cotando com o mesmo guia seu e para janeiro de 2015, mas tive que abortar. Agora esto pensando novamente em organizar essa trip e seu relato esta me ajudando. Um abraço.

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    1. Oi Haroldo, blz?
      Que pena que não deu certo no começo de 2015.
      Pegamos tempo chuvoso e sol, mas essa é a melhor época para visitar o Roraima.
      Na primeira noite contei 93 barracas no acampamento, entre quem estava subindo e descendo o Monte.
      Se vier a fazer todo o circuito no topo do Roraima, não esqueça da corda.
      E obrigatório incluir o Salto Angel.
      Com a Venezuela em crise economica, eles estão subindo os preços mensalmente.
      Nem dá mais para saber se o guia Marco é o mais barato.

      E precisando de uma ajuda com alguma coisa que não tá no relato, pode perguntar á vontade.

      Gde abc e valeu pelo parabéns.

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  17. Blz Augusto? ESTOU INDO AGORA EM MARÇO MAS ESTOU BEM PREOCUPADO QUAL BOTA COMPRAR . PODE ME DAR UMA DICA ?

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    1. Blz.
      Uma bota de boa qualidade já ta de bom tamanho.
      Botas costumo sempre comprar na Decathlon.
      Mas não recomendo de jeito nenhum comprar a bota agora.
      Para um lugar como esse onde são vários dias de caminhada vá com uma bota que vc já tenha ha um bom tempo.
      Usar uma bota nova pode te trazer problemas nos dedos.
      Abcs

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