17 de janeiro de 1997

Relato: Perdido na Trilha do Corcovado - Rio de Janeiro/RJ

Esse é um relato de uma situação bem cômica que eu passei no final do ano de 1996 ao tentar fazer a trilha do Corcovado (Cristo Redentor) que sai do Parque Lage. 
Eu tinha ido ao Rio de Janeiro para aproveitar o réveillon daquele ano, mas como cheguei 2 dias antes, resolvi fazer um circuito de caminhadas pela cidade que incluísse algumas trilhas. 
Dei sorte em algumas e azar em outras.



Foto acima na Praia Vermelha com vista para o Pão de Açúcar encoberto




Fotos dessa viagem: clique aqui


O dia 31 caiu em uma Terça-feira e o pacote do Hostel, em que ia ficar hospedado, me obrigava a ficar 4 dias na cidade.
A reserva começava no Sábado e só terminava na Terça-feira e com isso eu tinha o Sábado, Domingo e a Segunda só para fazer turismo pela cidade.
Costão do Pão de Açúcar
Ao chegar no Sábado pela manhã, segui direto para o Hostel de Botafogo, que não foi difícil de encontrar e lá mesmo me forneceram um roteiro do que eu poderia conhecer na cidade e as linhas de ônibus que eu deveria pegar.
Fui primeiramente para o Pão de Açúcar, mas não para subir de bondinho, mas por uma trilha que subia pelo costão.
Chegando na Praia Vermelha, segui por uma estrada asfaltada que está a esquerda da praia e vai beirando o costão até chegar ao final dela, já com vistas para Niterói, do outro lado da Baia de Guanabara.
Subindo o Pão de Açúcar
Aqui sai uma trilha que vai subindo por detrás do Pão de Açúcar. 
Na verdade só queria ver como era a trilha, mas ao chegar na metade dela, encontrei alguns montanhistas que estavam subindo e segui com eles.
No trecho mais complicado da trilha do costão, eles fixaram uma corda e me puxaram. Sem equipamento seria bastante complicado subir.
Depois de vários clics no topo, descemos de bondinho até o Morro  da Urca e de lá seguimos por trilha até a Praia Vermelha e depois me despedi deles.
Descendo do Pão de Açúcar pela trilha
Ao voltar para o Hostel fiz amizade com um pessoal que morava no Morro da D. Marta, que fica ao lado do Bairro de Botafogo e durante a noite me levaram a um baile funk no Morro do Chapéu Mangueira.
O baile era na quadra de esportes do bairro e fiquei ali por algumas horas só ouvindo o som alto porque preferi não arriscar a dançar. 
Vai que sem querer eu pego uma namorada de algum traficante. 
Não é bom nem pensar.
Pouco  depois da meia noite, voltei para o Hostel de carona com o pessoal do Morro da D. Marta.
1º dia tinha sido bem proveitoso.
Para o dia seguinte (Domingo) fui subir o Corcovado, mas não pelo bondinho da linha férrea.
Queria algo um pouco mais diferente e já tinham me dito que existia uma trilha que saia do Parque Lage e subia até o topo do Corcovado. Naquela época nem existia a Internet como é hoje, por isso fui sem informação nenhuma.
Junto ao Parque Lage com Corcovado ao fundo
A localização do Parque Lage era bem próxima do Hostel onde eu estava, por isso fui na caminhada até lá.
Já na entrada do Parque não encontrei nenhum funcionário que pudesse me dar alguma informação da trilha e ao chegar em um enorme prédio, segui para a direita e fui subindo por uma trilha na mata.



Nascente no Parque Lage



Passei por alguns pequenos riachos e encontrei alguns moradores de rua lavando suas roupas na agua do pequeno riacho e fui subindo.
Conforme seguia morro acima, encontrei um muro bem alto do lado direito e fui rente a ele, pensando que poderia me levar a alguma trilha mais acima. 
Logo o muro virou para a direita e eu fui seguindo ele até desaparecer.
Agora não sabia o que fazer. Se voltava ou continuava em linha reta para leste até atingir o paredão do Corcovado em algum ponto.
Estando no paredão seria mais fácil avistar a trilha porque aí era só eu seguir no sentido leste-oeste até cruzar com a trilha, mas nada do paredão chegar e as dificuldades começam a aumentar. 
Pelo meio da mata, a caminhada era até tranquila; o problema eram as enormes pedras e declividade muito grande que dificultava a minha chegada até o paredão. 
Por isso resolvi voltar, mas fui  sair nos fundos de enormes casas com piscinas. Estava no lugar errado.


Na trilha do Corcovado


No ponto onde cheguei nem existia muro que separava a mata da propriedade, por isso a facilidade em chegar nas casas.
Cansado e já disposto a desistir da trilha até o topo do Corcovado, saí do local pela mata, para que não me vissem e segui no sentido oeste até encontrar um pequeno descampado com uma pequena nascente. 
Não pensei 2x e fui me hidratar e refrescar, ficando ali por alguns minutos descansando.
Logo 2 seguranças que saíram não sei de onde (com certeza alguma câmera de vigilância me pegou naquele local) vieram falar comigo querendo saber o que eu estava fazendo ali dentro do condomínio. 
Disse que estava procurando uma trilha e parei ali para tomar um pouco de água.





Até onde cheguei na trilha

Depois de levar um sermão deles e vendo que eu não representava nenhuma ameaça aos moradores do lugar, disseram para eu sair do local, que ali pertencia a um condomínio fechado.
Disse que voltaria para o Parque Lage, por onde entrei, mas disseram que por lá era muito longe e me indicaram sair pela portaria principal. 
E fui descendo pela rua do condomínio com enormes casarões até chegar na portaria e cruzar sem maiores problemas.


Corcovado
Voltei para a rua do Parque Lage e de lá segui para o Hostel, já que estava muito tarde para tentar outra vez achar a trilha para o Corcovado.
Não tinha sido um Domingo favorável, mas eu tinha mais 2 dias ainda para aproveitar.
Na Segunda-feira resolvi voltar no Corcovado, mas dessa vez subir pelo caminho tradicional, de trenzinho. 
Ao chegar na estação alguns taxistas me abordaram perguntando se eu não queria subir de táxi. 
Diziam que era mais rápido e barato, mas o que pude comprovar é que eles fazem um tipo de viagem com o táxi quase cheio.
Dentro do trenzinho a imensa maioria era de turistas estrangeiros, pois quase não se ouvia o português. 
A subida de trenzinho demora um pouco sim, mas é muito segura. De vez em quando o visual da esquerda se abria e aí era um festival de clics.
Terminada a viagem ainda restam alguns degraus que levam à base do Cristo Redentor que possui uma pequena capela.



Clássica foto
Que visual aqui de cima. 
Quem mora no Rio é privilegiado. 
A geografia ajuda e o povo é muito hospitaleiro.
Na Terça-feira, saí do Hostel com um pessoal e seguimos para a Praia da Barra, próximo da Barraca do Pepe e ficamos lá o dia todo.
Depois de aproveitar o final do ano na Praia de Copacabana voltei para SP na Quarta-feira a tarde e com boas memórias dos cariocas.
3 anos mais tarde, em 1999 retornei ao RJ para ver novamente o final do ano na Praia de Copacabana, mas dessa vez não passei por nenhuma situação cômica. As fotos estão juntas no mesmo álbum. 






Dicas e algumas informações úteis (Atualizado Julho/2015)

# Em 2015 voltei ao Rio de Janeiro para ficar quase 1 semana na cidade. Fiz vários roteiros de passeios, onde deu para conhecer muita coisa. 
Veja nesse relato: http://trilhasetrips.blogspot.com.br/2015/08/dicas-5-dias-na-cidade-do-rio-de.html

# A subida pelo costão do Pão de Açúcar atualmente está proibida, devido a alguns acidentes que ocorreram por lá.

# Na época, a região da Lapa não era muito frequentada. Hoje é um dos principais pontos turísticos da cidade.

# A trilha do Corcovado que sai do Parque Lage segue para oeste e não para leste, como eu imaginava. Estando lá é tranquilo encontrar a trilha. Fiz um pequeno croqui que está no álbum de fotos.

# É possível também subir o Morro da Urca pela mata, por trilha saindo próximo da Praia Vermelha.

# Lagoa Rodrigo de Freitas: É uma boa opção para quem gosta de caminhada ou somente andar de bike na sua ciclovia. Lá também existem alguns quiosques de comida.

# Pista Cláudio Coutinho. Se inicia na Praia Vermelha e segue pelo costão contornando o Pão de Açúcar. Para quem gosta de caminhada, vale a pena.

# Caminhar durante o dia ou à noite desde a Ponta do Leme até o Forte de Copacabana. 
É uma caminhada de quase 1 hora, mas vale a pena porque segue por todo o calçadão da Praia de Copacabana apreciando a arquitetura de alguns belos hotéis ou a praia cheia de turistas.

# A cidade possui extensas rotas de ciclovia, por isso vale a pena alugar uma bike através do sistema Bike Rio. Como a zona sul do Rio é toda plana, é uma ótima oportunidade de praticar um esporte, apreciando a linda paisagem. 
É possível alugar em uma estação e devolvê-la em outra, com uma taxa de $5 Reais, válido por 24 horas. 
Veja nesse site os detalhes para a locação:
www.mobilicidade.com.br/bikerio.asp

# Faça uma caminhada pelo tradicional bairro de Santa Teresa e almoce em um dos inúmeros bares de lá. Subindo pela rua da linha do bonde é possível encontrar alguns pequenos restaurantes.

# Ou também use o bondinho, que voltou a funcionar depois de alguns anos parado. 
A estação de embarque fica próximo dos Arcos da Lapa e ao lado do prédio da Petrobras e o ponto final é no Largo do Curvelo.

# MAC de Niterói: Outro ponto turístico que também merece ser visitado, mas para isso é preciso embarcar nas Barcas em direção a Niterói. Com projeto de Oscar Niemeyer, possui uma arquitetura diferenciada, lembrando um disco voador.

# Se quiser conhecer as praias da Barra da Tijuca, Prainha ou Grumari, é complicado porque uma viagem de ônibus será demorada. 
Até Barra da Tijuca existe uma linha que sai da estação do Metrô Siqueira Campos até o Terminal Alvorada – Linha 525. Já para Prainha e Grumari terá de pegar uma outra linha de ônibus.
A previsão é de que em 2016 o Metrô chegue à zona oeste e aí facilitaria o acesso a essas praias mais distantes, que valem a pena conhecer também.

# Existe um tipo de passeio vendido por algumas agencias que é conhecido como Favela Tour. Na minha opinião é a pior maneira de conhecer a cidade.
Fica parecendo que a pobreza, assim como nossos problemas sociais e estruturais são atrações turísticas. Fuja desse tipo de tour.

# Se você curte mirantes, então 3 deles merecem ser visitados. 
- Morro da Dona Marta, que fica um pouco abaixo do Cristo Redentor e com vista bem semelhante, mas neste não é preciso pagar nada. 
Localizado um pouco acima da Comunidade de Santa Marta, seus acessos são por Cosme Velho ou por Santa Teresa. 
É possível fazer na caminhada ou de bike, se não quiser gastar no táxi.
- Vista Chinesa: é outro ponto turístico imperdível. 
Sua construção é em estilo oriental com o intuito de homenagear os chineses. Tem uma linda vista para Lagoa Rodrigo de Freitas, algumas praias e bairros da zona sul do Rio de Janeiro. Para chegar aqui também não existe opção por transporte público, sendo obrigado a contratar um táxi, junto ao Parque Lage, que é o local mais próximo.
- Pedra da Gávea: É uma trilha pesada e somente recomendada para quem tem experiência em escalaminhadas. O grau de dificuldade é alto e no trecho final há um paredão quase vertical que leva ao topo. Para quem não tem preparo físico e experiência, recomendo que contrate um guia. 
Do topo se tem uma das mais belas vistas da cidade. Veja mais detalhes desses mirantes e como chegar até eles no site do Parque Nacional da Tijuca. Uma boa opção de chegar no Morro da Dona Marta e na Vista Chinesa é seguir de bike alugada do sistema Bike Rio. www.parquedatijuca.com.br/#visiteoparque


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