17 de maio de 2017

Relato: Travessia da Serra dos Poncianos – De São Francisco Xavier/SP até Monte Verde/MG

Em Julho de 2012 ao completar a Travessia Rebouças-Mauá, no Parque do Itatiaia finalizei 13 caminhadas na região da Serra da Mantiqueira e disse a mim mesmo que iria dar um tempo nessa serra e explorar outros ambientes, mas foi difícil manter a palavra.
Naquele mesmo ano até tentei finalizar uma travessia que ficou faltando, mas por causa da chuva, resolvi abortar quando já estava na crista da serra. Era a Travessia da Serra dos Poncianos e prometi que um dia retornaria, mas somente com previsão de tempo bom. 
A Serra dos Poncianos segue de leste a oeste e é curta, tendo uma extensão de pouco mais de 6 km, de acordo com a carta topográfica do IBGE. Ela é só uma das muitas serras que é sobreposta pela extensa Mantiqueira. 
O roteiro tradicional dessa travessia se inicia em São Francisco Xavier (Distrito de São José dos Campos), subindo a serra pela Trilha do Jorge até o topo da Pedra da Onça e lá caminhando pela crista, rumo oeste até a Pedra Partida. Em seguida passando pela Pedra Redonda e dali com a opção de finalizar em Monte Verde ou continuar pela crista, passando pelo Chapéu do Bispo e chegar até o Pico do Selado. 
São trechos que alternam trilha demarcada com vara mato e pode ser feita em 2 dias.
E por eu dispor de 3 dias, seria desperdício de tempo fazer essa travessia, finalizando em Monte Verde, por isso planejei fazer um circuito. Chegando em Monte Verde eu retornaria a São Francisco Xavier por outra trilha: a do Jorge. 



Fotos acima do topo da Pedra da Onça e da crista da Mantiqueira vista da Pedra Partida


Fotos dessa caminhada: clique aqui

Vídeo completo dessa travessia: clique aqui

Gravei vídeos em 2 lugares: Bosque dos Duendes: clique aqui e no topo da Pedra da Onça: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui




A roteiro seria esse: sair de Sampa em direção a SJ Campos. Lá embarcar no circular para São Francisco Xavier e nesse Distrito iniciar a caminhada em direção a Pedra da Onça, acampando no topo, para no dia seguinte fazer a travessia pela crista rumo oeste até a Pedra Partida, descendo em seguida até Monte Verde para acampar no inicio da Trilha do Jorge e somente no último dia seguir por ela, voltando para São Francisco Xavier e depois SJ Campos. 
A data escolhida foi a Pascoa e para essa caminhada chamei um velho parceiro de trilha: Marcelo Gibson.
E na Sexta pela manhã encontrei ele na Rodoviária do Tietê e embarcamos as 09:00 hrs em direção a S.José Campos pela Pássaro Marrom. Por ser um feriado prolongado imaginei que teria trânsito na saída da cidade, mas foi bem tranquilo e as 10h30min já estávamos desembarcando na Rodoviária de S. José.
Sem demora seguimos para o Terminal de circulares, que é anexo a Rodoviária e lá fomos checar o horário da saída do circular para São Francisco, que ia sair as 12:00 hrs. Para o retorno à Sampa no Domingo, compramos antecipadamente a passagem para o horário do final da tarde, então todo nosso planejamento tinha que dar certo.
Praça central de SF Xavier
O circular da Cidade Natureza saiu no horário e relativamente vazio e dentro dele só nos dois com mochilas cargueiras.
Depois de sair de SJ Campos, o ônibus segue pelo trecho de uma Rodovia cheia de curvas e bem perigosa, onde caí no sono e tirei um belo cochilo.
Depois de passar pela Rodoviária de Monteiro Lobato, chegamos a SF Xavier pouco depois das 13h30min. Agora era arrumar as mochilas e pé na estrada. Com o celular em modo avião, liguei o GPS dele para gravar o tracklog dessa travessia e fui tirar alguns clics na praça central do Distrito. E as 13h55min iniciamos a pernada rumo Cachoeira Pedro David e Joanópolis, mas seguimos pela estrada somente por uns 10 minutos e em uma bifurcação viramos a direita na Estrada dos Ferreiras, se orientando pelas placas de Pousada Itaky e Fazenda Monte Verde. 
Na subida da serra
A altitude aqui é de cerca de 730 metros e devemos chegar a quase 1950 metros, que é o topo da Pedra da Onça. 
Assim que iniciamos pela Estrada, ignoramos uma bifurcação à direita  e continuamos nos asfalto. Daqui em diante é só subida, que inicialmente segue por trecho íngreme, mas que não demora muito e dá uma aliviada, se tornando uma estrada de terra. 
O Sol não dá trégua e só nos preocupava a espessa neblina que tomava conta de toda a crista da serra. De repente um carro para ao nosso lado e eu já pensando que iriam oferecer carona até o inicio da trilha, ledo engano. Só queriam saber para onde estávamos indo e outras coisas mais sobre trilhas. 
Fazenda Monte Verde
E para nosso azar estavam em um Sítio a poucos metros de onde estávamos, então mesmo oferecendo carona, ela chegou tarde.
Com cerca de 1 hora de caminhada paramos para tomar água em uma pequena gruta com uma bica e voltamos a caminhar logo em seguida. É um trecho chatinho porque é só estrada de terra no aberto, mas para nosso alívio as 15h20min chegamos na Fazenda Monte Verde. Do lado esquerdo existe um grande estacionamento, onde estavam 12 veículos e na hora pensei: Pedra da Onça estará lotada. 
Aqui marca o final da estrada e depois de cruzar uma porteira de madeira iniciamos a caminhada pela Trilha do Jorge. 
Trilha do Jorge

Do lado esquerdo a placa do Sitio Cheiro de Mato, convidando a todos para conhecer o lugar, que anunciava a venda de sucos, energéticos, repelentes, refrigerantes, cerveja. Na verdade o local funciona como Pousada/Camping e pode ser uma boa opção para quem quer somente fazer um bate volta na Pedra ou seguir até Monte Verde e voltar.
Cruzado a porteira, a trilha segue por um pasto e vai afunilando até entrar definitivamente na mata fechada com subida em ritmo suave e com o som de alguns riachos como trilha sonora.
Das últimas 2x em que passei por essa trilha, agora encontrei ela bem mais aberta e com muitas voçorocas, resultado das enxurradas. 
Subindo pela trilha, a neblina reinava e depois de um trecho com vários zig zags, chegamos a uma bica d’água e ótimo local para um descanso. 
Forte cerração
Devido a forte cerração e a densa vegetação não conseguíamos ter visual nenhum da paisagem pelo meio da mata. Voltamos a caminhar por volta das 16h30min e de gora em diante são vários riachos que cruzam a trilha e em um deles fui encher os cantis e ao devolver ao Gibson a garrafa pet de 1,5 litros cheia de água, ela caiu em uma fenda entre as pedras. Agora f...... Era impossível alcançá-la, mas por sorte o Gibson tinha uma outra garrafa vazia. Ufa....que sorte, pois ia ser complicado com pouca água, já que no topo da Pedra da Onça não tem.
Em alguns trechos da subida dá para notar o antigo calçamento de concreto e várias tubulações de água cruzando a trilha, confirmando que dezenas de anos atrás ali era uma autentica estrada que ligava os dois distritos.
Marco da divisa
E pouco antes das 17h30min, com cerca de 2 horas de trilha, chegamos na crista da serra, onde surge uma bifurcação do lado esquerdo que leva à Pedra da Onça. 
Seguindo em frente é a continuação da Trilha do Jorge que irá finalizar junto as Missões Horizontes, em Monte Verde, trecho esse pelo qual voltaríamos 2 dias depois.
Um pequeno descanso e depois seguimos na bifurcação até o topo da Pedra da Onça por trilha demarcada também. 
Junto da trilha surge um marco de concreto para nos avisar que aqui é a divisa SP/MG.
Uma pequena gruta surge de repente do lado esquerdo e é perfeita para um bivaque. 
Topo cheio de barracas

No último trecho antes do topo somos recebidos por uma fileira de pinheiros e poucos antes das 18:00 hrs finalmente chegamos no amplo gramado da Pedra da Onça, que como eu já imaginava, estava repleto de barracas – contei 26 ao todo.
Procura daqui, procura dali e não foi fácil achar um bom local para montar nossas barracas. Depois de pedir para retirarem uma lona estendida no gramado junto ao mirante lado SP, montamos nossas barracas ali. 
Era um bom local, mas se durante a noite as rajadas de vento, comuns nessa altitude, viessem com tudo, seriamos os primeiros a sofrer. 
Tudo encoberto

Devido a forte cerração, os mirantes tanto do lado sul quanto do lado norte não permitiam ver nada.
Sem paisagem para apreciar, resolvi preparar meu jantar de linguiça frita com sopão de macarrão. Saciado, cansado e com o frio da noite nem saí da barraca para socializar com o resto da galera.
E lá pelas 20:00 hrs já estava me enfiando no saco de dormir para recuperar do cansaço e preparar o corpo para o dia seguinte que prometia trechos difíceis. Lembro que caí logo no sono, mas fui acordar por volta das 21 ou 22:00 horas pela intensa conversa bem ao lado das nossas barracas. Era parte da galera que batia papo e apreciava o visual noturno do mirante sul. 
Amanhecendo
Não incomodou, porque talvez eu faria a mesma coisa, mas não saí da barraca. 
O Gibson depois me disse que o tempo estava totalmente aberto e com uma Lua que parecia o Sol, de tão iluminada que estava. 
Uma pena que eu perdi.
Voltei a dormir e no meio da madrugada fui checar meu termômetro que coloquei do lado de fora da barraca, marcando 9ºC. 
Esperava bem menos que isso e as rajadas de vento que tinha receio, não vieram. 
No geral foi uma noite tranquila e acordei por volta das 06:00 hrs, mas ao abrir a barraca, a mesma cerração do inicio da noite. 
Depois do café da manhã fui desmontar acampamento e seguir nosso caminho. 


Trilha para Pedra Partida
Pelo menos uma boa notícia: conforme a hora avançava, o Sol dava as caras em meio à neblina.
E exatamente as 08h30min mergulhamos na trilha à sudoeste, iniciando nossa travessia até a Pedra Partida. 
A partir daqui estávamos nos guiando pelo tracklog do Rodrigo, que já tinha feito essa travessia alguns anos atrás, porém em sentido diferente do nosso. 
Também estava gravando o tracklog pelo GPS do meu celular, que ainda restava cerca de 70% de bateria, já que tinha desligado durante a noite.
O trecho inicial à sudoeste é bem demarcado, tendo até algumas fitas coloridas presas nos galhos e com mata que não é tão densa assim. Surgem trilhas paralelas, mas todas elas vão se juntando à principal, por isso a navegação é bem tranquila. Sempre caminhando próximo da crista, à esquerda, seguimos descendo rumo sudoeste para novamente voltar a subir, mas em aclive suave.
Rochedo
Algumas bifurcações levam a mirantes do lado esquerdo, mostrando todo o Vale do Paraíba. E a ótima noticia é que o tempo se abriu totalmente, com o Sol cobrindo toda a região e apenas um colchão de nuvens sobre SP. 
E por volta das 09h15min emergimos no inicio de um enorme rochedo inclinado.
É um extenso platô e seguimos por ele até o outro extremo e daqui já era possível ver a Pedra Partida e toda a sequencia da crista que leva ao Pico do Selado, bem ao fundo à noroeste. Do topo do rochedo a vista era panorâmica, só tendo a Pedra Partida ao norte como barreira. Depois de alguns clics do lugar, voltamos ao ponto do inicio do rochedo e as 09h30min seguimos pela trilha rumo noroeste, na direção da Pedra Partida.
Trilha pelo vale com Pedra Partida ao fundo
Seguindo o tracklog, a navegação pelo interior daquela mata é bem tranquila, já que as arvores são espaçadas e sem muita vegetação para varar mato, mas o trecho mais difícil ainda estava por vir.
Seguindo rumo noroeste, às vezes norte, vão surgindo outras trilhas, mas que não chegam a confundir, pois todas elas seguem na mesma direção da Pedra Partida, onde logo iriamos chegar na sua encosta íngreme. 
Conforme avançávamos na trilha, o aclive aumentava cada vez mais e a vegetação ia mudando, com a mata se tornando cada vez mais densa. Era quase uma caminhada em zig zags pela mata. 
Por estarmos com pouquíssima água, resolvi seguir o tracklog que levava a uma pequena nascente na encosta e aqui fui olhar o GPS e notar que estávamos a uns 100 metros do topo. 
Subindo pela encosta
Voltando a subir pela encosta que se tornava cada vez mais íngreme, o vara mato era inevitável. Não foi um trecho fácil de subir, tanto pela declividade quanto pela vegetação densa que nos obrigava a varar mato no peito mesmo. De vez em quando olhava o tracklog e íamos subindo pela encosta íngreme passando por bambuzinhos, cipós e vegetação densa ganhando altitude com grande dificuldade. E quando passamos ao lado de uma enorme rocha inclinada na encosta não pensei 2x e paramos em cima dela para um breve descanso – foi nessa foto ao lado que tirei de cima da rocha mostrando o Gibson encoberto pela vegetação e a declividade que enfrentávamos. Desse ponto a vista para o sul era aberta com o Rochedo ao fundo. 
Topo ao fundo
À sudeste a crista da Serra dos Poncianos com a Pedra da Onça e seus pinheiros no topo. 
Folego retomado e como novo gás, voltamos a varar mato pela encosta. Tínhamos uma outra opção de seguir bordejando a encosta para a direita, mas também era vara mato, então entre varar mato sem ganhar muita altitude e varar mato ganhando altitude, preferirmos a segunda opção.
E exatamente as 10h30min chegamos em outra grande rocha e dessa vez totalmente plana. Estávamos a poucos metros do topo, que poderia ser visto de onde estávamos. 
Foi uma alegria imensa, pois o pior já tinha passado e a Natureza nos brindava com um Sol de dar inveja. 
Ao lado da enorme rocha encontramos uma trilha que descia pela encosta. 
No topo
Será que existe uma trilha demarcada que evita o vara mato, subindo a encosta? Santa ingenuidade, Batman! Só falta essa né. 
Agora era tarde demais. Depois de um breve descanso voltamos a subir os últimos metros, mas dessa vez escalaminhando pela encosta rochosa do lado leste e as 10h55min chegamos no topo da Pedra Partida, onde encontramos somente 1 casal.
Pelo GPS do celular, a altitude aqui é de quase 2050 metros, permitindo uma visualização panorâmica de toda a região. Ao norte é possível ver Monte Verde lá embaixo com seu aeroporto se destacando.
Tomando um solzinho no topo, a todo momento via um helicóptero saindo do aeroporto e sobrevoando parte do Distrito em um trecho bem curto - coisa de 3 minutos de voo. Era uma decolagem a cada 5 a 10 minutos. Eu e o Gibson até pensamos: será que é muito barato o voo?
Pela trilha
Com merecido descanso, comemos algumas coisas, mas não demorou muito e o topo começou a se encher casais, por isso era hora de dar no pé.
Ficamos aqui por quase 1 hora debaixo de um Sol de rachar e de agora em diante íamos descendo pela larga trilha na direção oeste para chegar na Pedra Redonda.
Pela trilha encontramos varias pessoas subindo e uma delas me chamou a atenção: 1 pai carregando o bebe naquelas mochila-cadeirinha. Achei muito bacana e tirei essa foto. Não posso negar também que foi por causa do nome da criança: Sophia, que é o nome da minha filha.
A descida em alguns trechos é íngreme e com várias bifurcações que levam a alguns mirantes e em um deles até nos perdemos, mas refeitos do erro, voltamos para a trilha principal. 
Pedra Redonda
E as 12h30min chegamos na bifurcação que leva ao topo da Pedra Redonda e seguimos por mais um trecho de subida, passando por 2 lances de escada de madeira e com cerca de 10 minutos chegamos no topo, que estava repleta de turistas. Eram famílias com crianças, casais e é claro os mauricinhos e as patricinhas que pareciam estar em um desfile de moda. Alguns nos olhavam com desconfiança, pois éramos os únicos com mochilas cargueiras.
Mas não ficamos muito tempo aqui e logo voltamos a descer. Ao chegar na antiga estrada fui conferir como estava a trilha que desce para São Francisco Xavier, passando pela Fazenda Santa Cruz, pois já tinha feito esse percurso anos atrás, nesse relato.
Início das trilhas
A porteira de madeira ainda estava lá, delimitando a divisa e a trilha parece que continuava sendo usada, pois estava demarcada, não sendo muito diferente de quando passei por aqui a muitos anos atrás.
Seguindo agora na direção de Monte Verde, o trecho é plano e parece uma estrada mesmo. Em uma bica de água parei para encher o cantil e mais alguns minutos chegamos no Star Bar, que é uma lanchonete. 
O local possui um estacionamento e até um portal de entrada que leva aos picos. 
Algumas vans estacionadas, que provavelmente deixaram hordas de turistas querendo chegar nos picos e pessoas descansando em bancos de madeira.
Turma da Priscila

Sem demora pegamos a bifurcação a oeste que segue em aclive na direção do Chapéu do Bispo e do Platô. São 13h30min e a trilha é aberta e bem demarcada, seguindo em meio a mata fechada com algumas aberturas. 
Nessa subida uma garota de um grupo que cruza com a gente me reconhece. 
É a Priscila e o grupo é de 5 pessoas (2 garotas e 3 homens) vindo do Chapéu do Bispo e diz que me reconhece do relato da Cachoeira do Diabo.
Um breve bate papo e retomamos nossa subida para logo seguir no plano por um trecho curto e chegar ao Chapéu do Bispo às 13h50min. 
Esperando para subir

O lugar é uma gigantesca rocha de 15 metros de altura e propícia para rapel com vista panorâmica da crista. 
Na base um grupo de uma agencia descansava e alguns ainda desciam do topo com a ajuda de um guia e que ao nos verem com mochilas cargueiras, não pareciam ter gostado do que viram. Já tinha passado por situações semelhantes outras vezes nessa mesma região e fica a impressão que os guias de agencias não gostam de quem faz trilhas com mochilas cargueiras.
Depois de parte do grupo finalizar a descida, era a vez de eu e o Gibson subirmos até lá, só tendo um pouco de cuidado no trecho final, pois é muito íngreme. Subi ao topo para alguns clics e o Gibson preferiu não arriscar.
No Platô
Quando desci e fui pegar a mochila, notei nas costas do Gibson uma taturana verde que estava chegando ao seu pescoço. Se entrasse em contato com a pele dele, ia ser um dor muito forte. Já passei por isso e sei como é. Na hora nem pensei se era venenosa ou não, mas como eu já estava com a câmera na mão, tirei uma foto primeiro e depois removi com cuidado. Quando estava redigindo esse relato fui pesquisar sobre a taturana e descobri que ela é venenosa sim. Veja nessa foto.
E as 14h10min seguimos na direção do Platô sentido oeste, onde chegamos 7 minutos depois encontrando lugar totalmente encoberto pela neblina.
O Platô se caracteriza por ser uma enorme laje de pedra em um local totalmente aberto, somente com um gramado aqui e ali.
Pico do Selado ao fundo
Paramos para um breve descanso e o Gibson disse que para ele já estava bom chegar até ali. Se continuássemos pela trilha a oeste, chegaríamos no topo do Pico do Selado em cerca de 1 hora; talvez menos se fossemos sem as mochilas. Como eu já conhecia o Pico de outras 2 trips, também não fazia questão de continuar a caminhada até lá. 
De vez em quando o Sol dava as caras em meio a cerração que caia sobre a região e enquanto o Gibson tirava um cochilo, eu fui explorar os extremos da grande laje. 
No lado oeste grupos e mais grupos chegavam retornando do Pico do Selado e no meio deles 2 cachorros de médio porte. 
O relógio avançava e era hora de continuarmos nossa pernada, já que a intenção era comer um prato com truta no centro de Monte Verde e depois continuar a caminhada até o inicio da Trilha do Jorge, onde iriamos acampar.
Descendo pela trilha
E pouco depois das 15:00 hrs iniciamos a descida da trilha. Eu tentei de varias maneiras fazer com que os 2 cachorros nos seguissem, mas em vão.
A trilha também é bem demarcada e aberta e se localiza no extremo norte do imenso platô. Com alguns minutos de descida cruzamos com um pequeno riacho que é perfeito para encher os cantis, lembrando que esse é o único ponto de água próximo do Platô e do Chapéu do Bispo. Ao longo da trilha os 2 cachorros resolveram descer, passando por nós. Outros casais subiam e um deles me chamou muito a atenção e só me arrependo de não ter tirado uma foto. Uma das mulheres subia pela trilha com sandália de salto alto. Era de dar risada; hilário. 
Viemos lá de cima
Até um grupo que descia com a gente tirou onda da mulher - coisas que só acontecem em Monte Verde, considerada a Campos do Jordão mineira.
Depois de passar ao lado de uma caixa d’água, chegamos às 15h40min no final da trilha, junto ao Café Platô, que é uma espécie de lanchonete. Alguns carros estacionados e pessoas nas mesas do lugar. Os 2 cachorros tinham nos abandonados e talvez preferiram ficar na lanchonete. A caminhada continuava descendo, mas agora pela Av. Mantiqueira, que é de terra. Pousadas vão surgindo pela avenida e pouco depois do Cemitério já era possível ver a movimentada Av. Monte Verde lá embaixo, onde chegamos as 16h15min, com o lugar fervilhando de gente.
Avenida Monte Verde
Aqui encontramos a Priscila descansando em um banco de madeira, pois logo seu grupo iria voltar para SP naquele fim de tarde. 
Ao passarmos ao lado de um pequeno stand de venda de passeios, vi o cartaz do helicóptero e fui perguntar o valor: $300 para 3 pessoas, ou seja $100/cabeça em um passeio de uns 5 minutos. Taí uma opção de passeio rápida e diferente para quem tem coragem. 
Portal das Montanhas
Agora era procurar um restaurante que tivesse truta no cardápio e quando estávamos na avenida um homem grita para gente e vem correndo na nossa direção. Na hora pensei: será que fizemos alguma coisa errada? mas não. Era apenas um cidadão querendo saber se estávamos fazendo caminhadas na serra, já que pelas mochilas cargueiras era fácil de reconhecer. Fiquei com a impressão que o cara tinha tomado algumas. 
Para a truta, escolhemos um qualquer da avenida mesmo, mas não deu para reclamar, pois o prato era bem generoso e conta ficou relativamente barata: cerca de $40/pessoa e com isso nem precisamos fazer o jantar na trilha, pois estávamos bem satisfeitos.
Com a noite se aproximando, tínhamos que seguir para o início da Trilha do Jorge e pouco antes das 18:00 hrs já estávamos passando ao lado do Banco Bradesco, seguindo pela Av. das Montanhas já no escuro. Quando passamos pelo portal, continuamos a caminhada em frente, abandonando a Av. das Montanhas e de agora seguindo pela Rua Taurus já com as lanternas ligadas. 
Só era preciso ficar atento a algumas bifurcações que confundem, mas seguindo as placas indicativas de Missões Horizontes não tem erro.
E as 18h30min chegamos nas Missões, que marca o fim da Rua Taurus. Do lado direito uma ruazinha sobe bordejando a propriedade por uns 100 metros e ao chegar em um barril azul à esquerda, é aqui o início da Trilha do Jorge, seguindo rente a divisa da propriedade das Missões e por dentro de um bosque com várias araucárias.
Ao chegarmos em outra cerca de arame com 2 grandes placas indicando que a partir dali pertence a Melhoramentos e que é Proibido a Caça, era o fim da caminhada.
O terreno é um grande descampado plano e perfeito para montarmos nossas barracas, mesmo no escuro.
Agora era hora de tomar um relaxante banho e cruzando a cerca de arame, seguimos a trilha por alguns metros até chegar em um largo rio de água bem fria. Passar 1 noite sem banho tudo bem, mas 2 noites não dava e por isso tínhamos planejado acampar ali mesmo, próximo do rio.
De volta às barracas, a temperatura ambiente não estava tão baixa quanto a noite anterior – creio que por volta de 15ºC ou um pouco mais, já que estávamos protegidos do vento. Então foi uma noite bem agradável para dormir.
Só lembro que peguei no sono sem muita demora, mas acordei com o barulho de latidos de cachorro e pessoas passando ao lado das barracas com varias lanternas, que logo se distanciaram. Parecia no máximo umas 2 pessoas e sem saber quem era, nem me arrisquei a sair da barraca para ver.
Pensei comigo: será algum mochileiro vindo pela Trilha do Jorge naquele horário? Fui olhar o relógio que marcava 20h30min e achei muito difícil alguém passar aquele horário e ainda mais porque não consegui saber que direção eles tomaram. E aí perdi o sono.
Uns 30 minutos depois as mesmas pessoas passam novamente pelas barracas e dessa vez identifiquei para onde estavam indo: vinham do rio e seguiam rente a cerca de arame, que é o limite da Melhoramentos. Com certeza não eram mochileiros, mas afinal quem eram aquelas pessoas?
Alguns minutos depois ouço latidos de cachorros e alguns tiros. Eram caçadores. Ô raça viu..... PQP. Sou totalmente contra isso, mas fazer o que? Chamar a Policia Ambiental? Não dava né. 
Fico só tentando ouvir outros tiros, mas só ouço mesmo o latido dos cachorros e depois de um bom tempo vejo as luzes das lanternas se aproximando das barracas pela terceira vez, passando ao lado das barracas. Fiquei aguardando o sono chegar e talvez esperando eles passarem novamente, mas não vieram.
Trilha do Jorge
Acordei por volta das 06:00 hrs e perguntei ao Gibson se ele notou os caçadores passando e disse que sim. Talvez por isso existam duas grandes placas alertando que é PROIBIDO CAÇAR E PESCAR, mas não respeitam.
Com as barracas desmontadas, fui comer as últimas Ana Marias e os biscoitos que ainda restavam. Agora era mochila nas costas e pé na trilha, retomando a caminhada por volta das 07h30min. Para cruzar o rio existem 2 opções: um grande tronco de madeira por sobre o rio e uma pequena pinguela um pouco mais abaixo. Depois do rio, o trecho é com subida íngreme pela mata que depois nivela e segue assim por um bom tempo, ganhando altitude suavemente.
Bosque dos Duendes

A trilha é aberta e limpa, por isso não tem como se perder. Não encontrei bifurcações e com cerca de 1 hora de caminhada cruzamos outro rio, exatamente as 08h30min.
De vez em quando era possível ver a crista da serra por algumas aberturas na mata fechada e as 08h55min chegamos ao Bosque dos Duendes que eu considero um dos lugares mais bonitos dessa travessia. São várias arvores que ficam bem espaçadas entre si e o solo é coberto de folhagem seca, não tendo aquela vegetação rasteira. Por ser uma encosta, acampar aqui não é fácil e tem de procurar um lugar plano. 
Até fiz esse vídeo aqui do lugar.
Depois do bosque, a trilha segue por mais 10 minutos e chega na bifurcação que leva à Pedra da Onça. Deixamos nossas mochilas escondidas e subimos sem nenhum peso.
Pedra da Onça
E as 09h20min chegamos no topo, onde apenas 1 casal (Ibsen e sua namorada) tinha acampado aqui durante a noite. Sem neblina e com um Sol de rachar, o visual era aberto para todos os lados. 
Paisagem linda e gravei esse vídeo aqui.
Ficamos aqui no topo por cerca de 1 hora apreciando a vista e batendo papo com o Ibsen e as 10h15min resolvemos todos descer para São Francisco. O circular para SJ Campos só iria sair as 14:00 hrs, então tínhamos tempo de sobra .
Descendo pela trilha, ainda cruzamos com alguns grupos e só paramos em uma bica d’água para um pequeno descanso e pouco antes do meio dia já estávamos chegando ao final dela, junto a Fazenda Monte Verde. 
De volta à SF Xavier
Aqui nos despedimos do casal, que estava hospedado no Sitio Cheiro de Mato e de agora em diante era um longo trecho de descida pela estrada de terra sob um Sol de rachar coco. E para nosso azar não passou um carro sequer que pudesse oferecer carona. 
E as 13h20min chegamos na praça principal. O circular saiu no horário e procurei um bom assento junto da janela e fui cochilando quase todo o percurso até SJ Campos, onde chegamos pouco antes das 14:00 hrs.
Nas lojas da Rodoviária fui atrás de alguma agulha ou alfinete para retirar um espinho do dedo que estava incomodando demais. 
Achei o alfinete, mas para retirar o espinho deu um certo trabalho. Em seguida comemos um lanche no Subway e depois embarcamos de volta para Sampa. E para variar, como todo fim de feriado, pegamos um transito horrível e chegamos no Tietê com um pouco de atraso, mas radiantes por ter finalizado outra travessia inédita na Serra da Mantiqueira e o que é melhor, com a Natureza nos ajudando.





Dicas e informações úteis

# Tracklog criado pelo Rodrigo que usamos nessa travessia: 
https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=9783448

# Gravei também toda essa travessia no GPS do meu celular, porém todo inicio de noite o desligava e sempre mantinha ele em modo avião. Fiz isso para economizar bateria, já que não tinha um Power Bank. E deu certo. Voltei para Sampa ainda com cerca de 15% de bateria.

No meu celular, eu uso 2 app de navegação para GPS. 
- GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha – todos para Android e disponíveis na Play Store.
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz o download do arquivo pelo celular mesmo e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda. É só abrir o programa e clicar na bolinha vermelha.

# Vou listar aqui os pontos de água: 
- Na subida da Trilha do Jorge são vários pontos. O último estará a cerca de 10 minutos antes de chegar na bifurcação para a Pedra da Onça.
- Depois outro ponto de água só encontramos na encosta íngreme da Pedra Partida. É uma nascente pequena e por estar no meio da mata fechada, o acesso a ela é difícil. Coloquei no tracklog o ponto exato.
- Descendo da Pedra Redonda, existe uma bica de água pouco antes de chegar no Star Bar.
- Saindo do Platô e descendo para Monte Verde, a trilha cruza com um pequeno riacho com água de qualidade.
- Na Trilha do Jorge, saindo de Monte Verde, existem 2 rios que cruzam a trilha. Um bem no início dela e outro a cerca de 1 hora de caminhada.  

# Eu recomendaria levar para essa travessia um bom par de luvas e uma camisa ou camiseta de manga comprida, porque no trecho da encosta da Pedra Partida é muito útil. 

# Nessa foto aqui estão os horários do circular SJ Campos - SF Xavier e vice versa. A empresa é a Cidade Natureza. 

# Para quem só quiser caminhar pela Trilha do Jorge, é possível fazê-la em apenas 1 dia somente com mochila de ataque. O problema é chegar em Monte Verde a tempo de pegar o último circular para Camanducaia e de lá para São Paulo. 

# Os horários do circular de Monte Verde para Camanducaia podem ser conferidos nesse site abaixo:
www.guiamonteverde.com.br/acesso/index.html

# Em boa parte dessa travessia não encontrei sinal para celular da Vivo. Só mesmo na Pedra da Onça e na crista da serra.

# Quem quiser finalizar essa travessia em Monte Verde, o melhor local para embarcar no circular em direção a Camanducaia é seguir para o portal da entrada da cidade e cerca de 200 mts antes de chegar nele, existe um pequeno trevo onde tem um ponto de ônibus.

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