4 de outubro de 2016

Relato: Travessia Cachoeira Pedra Furada, Light + Trilha do Lobisomem - Biritiba Mirim/SP

Ultimamente tenho feito muitas caminhadas na região da Serra do Mar de Biritiba Mirim e por inúmeras razões: acesso fácil, trilhas pouco exploradas, diferentes opções de caminhadas e picos e cachoeiras para todos os gostos.
Depois de conhecer os Picos do Garrafão, Esplanada, ItapanhaúPedra do Sapo e as Cachoeiras da Pedra Furada e Light fui pesquisar uma trilha que ligasse um desses picos às cachoeiras e encontrei algumas boas opções. 
Mas devido ao tempo curto (apenas 1 dia) a opção escolhida foi uma trilha que liga as 2 Cachoeiras à Pedra do Sapo, passando pela Trilha do Lobisomem. Mas minha intenção não era seguir a trilha tradicional e sim procurar outra trilha que saísse próximo da casa do Seu Geraldo (famoso conhecedor de trilhas e morador dessa região). Uma parte dessa trip consegui finalizar sem maiores dificuldades, mas o trecho final tive que abortar e seguir por outro caminho, o que me fez atiçar ainda mais a curiosidade para retornar a essa região e explorar melhor outras trilhas.
A data escolhida foi um Sábado de Setembro nublado sem previsão de chuvas, iniciando a caminhada em direção à Cachoeira da Pedra Furada para depois seguir para Light e de lá para Pedra do Sapo.



Foto acima da Trilha do Lobisomem próximo da casa de Seu Geraldo




Fotos: clique aqui

Vídeo de toda essa travessia: clique aqui

Tracklog que eu fiz dessa caminhada: clique aqui




Com dois tracklogs da região: um do Vagner e outro do Rodrigo Moura, sabia que não teria problemas de navegação, pois vir para essa região sem conhecer as trilhas pode ser uma maneira fácil de se perder nas inúmeras bifurcações que existem. 
Por isso fica aí o aviso: se quiser explorar essas trilhas que venha preparado e cuidado em algumas bifurcações.

Acordando por volta das 05h30min da manhã embarquei no trem da CPTM na Estação Tatuapé em direção à Guaianases e lá troquei de trem e embarquei em outro que seguia para a Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes, chegando pouco depois das 07h30min. 
Seguindo pela Rodovia
Da Estação segui para o Terminal de ônibus municipais da cidade, que se localiza do lado direito, onde peguei o circular da linha Manoel Ferreira pouco depois das 08:00 hrs. 
O ponto final é em um bairro próximo da Rodovia Mogi Bertioga, mas meu objetivo era descer na Balança do Km 77. 
Ali eu e quase 1 dezena de mochileiros descemos do ônibus e como tinha pressa e o fator tempo era precioso para mim, nem conversei  com o pessoal, que ficou arrumando as mochilas num barzinho ao lado.
Já fui para a Rodovia e pé na estrada, pois me restavam ainda pouco mais de 3 Km até o início da trilha, no Km 80,4.
A previsão tinha acertado e o tempo nublado reinava sobre a região, mas sem chuvas. 

Início da trilha
Iniciei a caminhada por volta das 09:00 hrs e pouco mais de 30 minutos depois chegava no Refúgio do Km 80,4, onde se inicia a trilha para a Cachoeira da Pedra Furada. 
Descansei por alguns minutos aqui somente para retomar o folego e comer alguma coisa e depois pé na trilha.
Esse trecho inicial é tão demarcado que está se transformando numa avenida. Parece que o lugar já tá virando uma muvuca só, infelizmente. 
Trechos de brejos surgem ao longo dela e são transpostos sem maiores dificuldades. 
Parte de um grupo que veio no mesmo ônibus também segue pela trilha e vou conversando com um deles que diz que mais pessoas estão vindo atrás e que vão somente na Pedra Furada.
Riacho junto da trilha
São aproximadamente 3 Km até a Cachoeira com uma bifurcação à esquerda depois de uns 30 minutos e que leva à Cachoeira da Light, porém por um caminho bem mais longo.
Depois de cruzar pequenos riachos e com pouco menos de 1 hora de caminhada chego as 10h20min na principal bifurcação da trilha, junto de um riacho à esquerda. 
A trilha bifurca para a direita, junto a um tronco de madeira caído e segue para a Pedra Furada. 
Seguindo em frente, paralelamente ao riacho, a trilha leva à Cachoeira da Light.
Tomando a bifurcação da direita, a trilha segue com leve inclinação por trechos de inúmeras raízes e algumas voçorocas.
Outras bifurcações surgem à frente, mas todas elas levam à Pedra Furada, finalizando na parte alta ou na parte baixa dela. 

Na base da Cachoeira da Pedra Furada
E pouco antes das 10h30min chego na parte alta, onde existe um enorme poção.
Depois de alguns clics no topo, desço por corda até o poção da base, mas nem fico por muito tempo. 
Desestimulado pela água muito fria do Rio Sertãozinho, dou meia volta e retorno para a trilha em direção a Cachoeira da Light.
Junto ao poção da parte alta sigo por uma trilha íngreme pela encosta até reencontrar novamente a trilha as 10h50min. 
Seguindo agora sozinho por trilha um pouco mais estreita e menos demarcada que a anterior, não demora muito e começo a ouvir algumas vozes logo à frente, que alcanço rapidamente. 
Era um outro grupo que segue também para Cachoeira da Light e dizem que estão indo acampar no Lago dos Andes, um pouco à frente da cachoeira. 
Cachoeira da Light
O grupo era formado pelo Maciel, Eder e o Jefferson - nessa foto - sendo que o Maciel também possui um blog de trekking – Além da Fronteira
Depois de um bom bate papo, retomamos a caminhada e as 11h30min chegamos na trifurcação, onde à direita e mais cinco minutos chegamos na barragem da represa que antecede o topo da Cachoeira.
Dessa vez não encontro a tenda de pescador que estava aqui da última vez. 
O lugar é repleto de descampados (uns 3 ou 4) e são perfeitos para várias barracas, mas só fico aqui por poucos minutos para alguns clics. 
Maciel e seus amigos ficam procurando o melhor local para cruzar o Rio Sertãozinho e seguir para os Andes. 
Trilha mata adentro
Depois de me despedir deles e desejar
-lhes boa sorte, sigo as 11h50min para o minha trilha - alguns dias depois troquei e-mails com o Maciel e me disse que tinham concluído com sucesso a trilha, me repassando algumas dicas de como chegar lá e automaticamente já entrou na minha lista de trips futuras.
Abandonando a Cachoeira e retornando para a trilha, não demora muito e logo chego na trifurcação, onde para a esquerda é a trilha de volta para a Cachoeira da Pedra Furada, à direita leva ao Rio Sertãozinho e em frente é a trilha que devo seguir. 
Com trilha semelhante a que leva à Cachoeira da Light, vou seguindo sem maiores dificuldades sentido norte sem bifurcações, com um ou outro riacho cruzando a trilha.
E as 12h15min chego em uma antiga estrada tomada pelo mato e aqui a trilha vira bruscamente para esquerda em 90º (quase sem perceber), agora seguindo rumo sudoeste. 
Cruzando riachos
É um longo trecho no plano com algumas trilhas cruzando a principal, por isso é preciso tomar cuidado. 
Se prestar atenção é possível visualizar alguns antigos marcos de concreto, como esse aqui.
E as 12h40min surge uma trilha que me confundiu. Ela cruzava a principal e estava tão demarcada quanto, mas vou seguindo o tracklog do Rodrigo Moura.
E as 13:00 hrs outra bifurcação: para a esquerda a trilha parece retornar para a Pedra Furada e aqui obrigatoriamente segui para a direita. 
Mais uns 5 minutos e cruzo outro rio, mas esse um pouco maior e com mais dificuldade. 
Para cruzá-lo teria de descer um barranco de quase 2 metros de altura e para não molhar as botas teria de ficar descalço, mas prefiro cruzá-lo por cima de um tronco de madeira que serve de pinguela, mas é preciso se equilibrar para não cair no rio. 
Trilha do Lobisomem
E mais uns 10 minutos chego na famosa Trilha do Lobisomem, que é devido ao seu morador ilustre (Seu Geraldo) que possui uma casa na mesma trilha, próximo da Rodovia Mogi-Bertioga – veja essa foto dele que cliquei ao encontrá-lo na Balança. 
Até uma placa com o nome da trilha encontrei em uma árvore, fixado pelo pessoal do Clube de Desbravadores Cades.
A Trilha do Lobisomem na verdade é uma antiga estrada desativada que serve de referencia para acesso a inúmeras atrações de caminhadas na região. 
Algumas décadas atrás era o único acesso a Biritiba Mirim para quem morava nessa região. 
Agora meu caminho é para a esquerda, sentido Rodovia para achar alguma bifurcação rumo norte que me levasse à Pedra do Sapo. 
Toca
No Google Earth é possível visualizar próximo da casa do Seu Geraldo vestígios de uma estrada ou trilha que segue por um imenso vale até a base do Sapo - veja nessa imagem - e essa era minha intenção. E não é só no Google Earth que se visualiza essa trilha. 
Ela aparece também na carta topográfica da região. Então fechada ou não, um dia essa trilha existiu. 
Seguindo na antiga estrada em meio à mata fechada e com pouca variação de altitude, em poucos minutos passo ao lado de duas gigantescas rochas que formam uma espécie de toca, perfeito para um acampamento ou bivaque, mas nem exploro o local porque ainda me resta muito caminhada. 
Nos pequenos vales do caminho surgem os brejos e para não chafurdar minha bota na lama sou obrigado a caminhar lateralmente pisando na vegetação, mas ficar com a bota seca foi impossível. Paciência.
Antiga casa do Seu Geraldo
Inúmeras outras trilhas de vez em quando cruzam com a principal e fui saber depois com Seu Geraldo que foram abertas pelo pessoal da SABESP com o intuito de medir a altimetria ao longo de boa parte da antiga estrada para passar a tubulação com agua retirada do Rio Sertãozinho e que será levada para a Represa de Biritiba Ussú.
Mas como todo empresa pública, o projeto pode ficar só no papel e talvez a tubulação nem venha a ser construída. E se eu queimar a língua e construírem mesmo ela, aí é que as trilhas se tornarão verdadeiras estradas.
Algumas trilhas mais demarcadas cruzam a principal, mas logo se fecham, por isso continuo minha caminhada até chegar na antiga casa do Seu Geraldo, junto a um pequeno riacho e nesse local olhando no Google Earth nota-se um vestígio de uma antiga estrada que segue para o norte, mas não tive sucesso em achá-la, infelizmente. 
Atual casa do Seu Geraldo com visitas
Agora f....Só o Seu Geraldo para me ajudar mesmo.
Depois de alguns clics do seu antigo casebre, onde até gravei um vídeo: esse aqui, cruzo o riacho e mais alguns metros chego na atual casa dele. 
O lugar era um antigo armazém e 2 homens e 1 garoto estão junto a porta de entrada, dizendo que eram visitantes e que Seu Geraldo estava na Balança. 
E agora José? O que fazer?
Como o relógio marcava pouco antes das 14:00 hrs, terminar a caminhada nesse momento seria desperdiçar tempo, então não pensei 2x e voltei pela mesma trilha rumo leste, agora em ritmo mais acelerado, seguindo o tracklog do Vagner para ainda chegar no topo da Pedra do Sapo. 
Cruzando pontes
Depois de retornar todo o trecho que já tinha caminhado por aquela antiga estrada, agora tomo rumo descendente, para um fundo de vale, passando por pequenas tocas típicas de caçadores, mas que felizmente estavam sem uso há muito tempo. 
Do lado esquerdo o som de uma suposta cachoeira (Cachoeira da Lagarta) que se aproxima cada vez mais, porém nem vou atrás para não perder minutos preciosos que podem me fazer falta depois.
Conforme vou descendo na direção do fundo do vale, a trilha se alarga e vira quase uma estrada de terra e as 14h20min cruzo com um riacho por cima de apenas 3 toras de madeira, já que boa parte da ponte foi levada pela enxurrada. 
De agora em diante vou ganhando altitude com a paisagem se abrindo e já surgindo no lado esquerdo o Pico do Gavião, conhecido também por outro nome: Pico Peito de Moça. 
Area queimada
O tempo nublado ainda continuava e as cristas das partes mais altas estavam envoltas em neblina, o que não era uma boa noticia. Será que a chuva estava chegando? 
Uma coisa triste que me chama a atenção é uma pequena área totalmente queimada do lado direito e parece que felizmente a estrada serviu de barreira para que o fogo não se propagasse para o outro lado. 
Só achei estranho a área queimada não ser muito grande. Será que alguém ou a própria Natureza se encarregou de apagar o incêndio e não deixar uma grande área ser queimada naqueles cafundós do Judas?
Duvidas à parte, sigo meu caminho sentido norte/nordeste até chegar na bifurcação do tracklog do Vagner, mas eu tinha 2 problemas: a hora avançada (pouco depois das 15:00 hrs) e o vara mato dali em diante. 
Retornando
Até tentei seguir o tracklog por alguns minutos mata adentro, mas sem um facão para abrir caminho, tive que voltar. 
Já na antiga estrada e de cabeça mais fria fui analisar o tracklog e o percurso que ainda me restava para chegar no Sapo e cheguei a conclusão que era melhor voltar outro dia com mais tempo disponível e clima que ajudasse. 
Até poderia seguir varando mato usando o tracklog, mas chegaria no Sapo já sem visual nenhum e talvez até anoitecendo – definitivamente não era a minha intenção. 
Ou poderia seguir por mais uns 500 metros pela antiga estrada até a bifurcação à esquerda onde existe a tradicional trilha que leva ao topo do Sapo. 
Mas com dor no coração resolvi voltar para a Rodovia. Era melhor assim. E fui sem pressa nenhuma, até parando no riacho onde a ponte foi levada pela enxurrada para tomar um banho. 
Casa do Seu Geraldo
E ao passar pela casa do Seu Geraldo, os visitantes nem notaram minha passagem e as 17h30min chego na Rodovia Mogi Bertioga, depois de cruzar uma cancela, chegando na Balança uns 20 minutos depois. 
Aqui encontrei Seu Geraldo e fiquei conversando com ele por um bom tempo até a chegada do circular para a Estação de Estudantes. 
O bate papo foi bem produtivo porque obtive algumas informações e dicas de trilhas futuras na região. 
Aqui também encontrei o Tiago que estava retornando da Pedra Furada com seus amigos Diego, Zaia e Ariel – veja nessa foto - e fomos conversando no ônibus, trem e metrô, trocando várias figurinhas.
Quando cheguei na estação Tatuapé me despedi deles, marcando de algum dia fazermos trilhas juntos.


PS: Quem for finalizar a travessia que tinha planejado deve levar um facão e uma bússola (recomendável um GPS - pode ser aqueles de celular mesmo). Se eu tive dificuldades para encontrar o trecho inicial, imagine dali para frente. Eu recomendaria 2 dias e somente para quem tem uma boa experiencia de trilhas.
Boa sorte a quem tentar.



Atualizado: cerca de 1 mes depois dessa caminhada, retornei à região e finalizei com sucesso, seguindo por uma outra trilha. Relato: clique aqui






Dicas e informações úteis


 Os dois tracklogs que usei são esses aqui: do Wagner e do Rodrigo.

# A logística para chegar no início da trilha são as seguintes:

1) Pegar o circular no Terminal de ônibus, como eu fiz. Mas é preciso ficar atento aos horários, pois o intervalo entre um ônibus e outro chega a mais de 1 hora. Nesse site aqui é possível checar os horários de saída do circular Manoel Ferreira. Custo: $3,80 (Setembro/2016)
2) Do lado esquerdo da Estação de Estudantes existe a Rodoviária de Mogi das Cruzes com ônibus da Breda saindo para o litoral em vários horários. É só pedir para descer no Refúgio do Km 80. Custo: cerca de $20 Reais.
3) Vans clandestinas que fazem o percurso até Bertioga e cujos motoristas ficam do lado de fora da estação e só saem quando lota de passageiros. Custo: $20 Reais.
4) E a última opção é quem pode vir de carro e deixá-lo no estacionamento do Terminal de Onibus municipais ou junto ao Barzinho da Balança no Km 77. Deixar o carro junto ao inicio da trilha é pedir para ser multado ou até rebocado, pois é proibido parar na Rodovia.

# Água não é problema nessa travessia. São vários riachos que são cruzados ao longo de toda essa caminhada.

# Para GPS uso um App para telefone celular. 
O que eu uso é o GPX Viewer para navegação e o Orux Maps para gravar a trilha. 
Apesar de estarem totalmente em inglês, não tive dificuldades. Só fiz a transferência do download do tracklog para o cartão de memória e depois abri no GPX. Muito fácil. E para gravar no Orux Maps é mais fácil ainda.  

# Sinal de celular não encontrei em nenhum ponto de toda essa travessia.

7 comentários:

  1. Augusto , onde vc postou o convite para esta trilha ?? Eu não consegui encontrá-lo !!! Se for possível , quando tiver uma nova trip , mande pelo e-mail : mbarizon@yahoo.com.br .Obrigado.

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  2. Blz Milton.
    Eu coloquei a mensagem nesse link, no final dos comentários, em cima de uma outra postagem sua:
    http://trilhasetrips.blogspot.com.br/p/contato.html

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  3. Com certeza vou explorar essas trilhas meu amigo, valeu.

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  4. Geraldo, seu grande apreciador de seus relatos. Seria de muito gosto, fazer uma trilha contigo. Quando quiser, e se possível entre em contato e.santander204@gmail.com obrigado.

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  5. Grande Augusto, ficamos felizes de te encontrar lá,acompanho seu blog a um bom tempo sempre seguindo seus relatos, nossa aventura aquele dia foi um sucesso seria bom se voçê tivesse seguido conosco mas entendo que já tinha o seu destino, espero podermos marcar alguma travessia agora em 2017! grande abraço!!

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    Respostas
    1. Fala Maciel, blz?
      Bom encontrar vcs lá também.
      Que pena que não deu certo de seguir até os Andes.
      Essa será a minha próxima investida na região.
      Só que no sentido contrário.
      Já tá na minha lista desde o ano passado.
      Assim que o clima permitir e a chuva der uma trégua, penso em fazer essa caminhada.
      Qqer novidade, te dou um toque.
      A gente vai se falando.

      Gde abc

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