28 de janeiro de 2012

Relato: Descendo a Serra do Mar de Salesópolis até a Praia de Boiçucanga pela trilha do Ribeirão de Itu

Na década de 90 li um artigo no Jornal Folha de SP que falava de um roteiro de trekking pela Serra de Juqueriquerê (próximo a Caraguatatuba), com início no alto da serra e término na Praia de Boiçucanga (São Sebastião) em um percurso de + - 7 hrs pelo Ribeirão de Itu. 
Lembro que informações detalhadas eram escassas, só citando que a estrada de acesso se iniciava ao lado de uma Delegacia em Caraguatatuba, passando ao lado de um viaduto abandonado no alto da serra e de várias cachoeiras quase no final da caminhada, mas como era artigo de jornal lá também estava o nome da agência e o telefone. 
Sem internet na época e só com o artigo de jornal não dava para arriscar, por isso deixei para lá.

Foto ao lado: na base da Cachoeira da Pedra Lisa, já quase no final da caminhada 







Fotos dessa caminhada com imagens do Google Earth mostrando a trilha: clique aqui



Uns 10 anos depois resolvi pesquisar no Google sobre essa travessia, conhecida como Salesópolis-Boiçucanga e achei vários nomes para a estrada de acesso à trilha: Estrada do Sol, Estrada do Rio Pardo, Estrada Salesópolis-Caraguá, mas o nome mais citado era Estrada da Petrobras, sendo muito usada pelo pessoal do 4x4.
Até encontrei um croqui da trilha, mas sem as informações de onde era o início dela. 
Em um fórum de 4x4 consegui alguma coisa sobre a estrada e por isso resolvi fazer todo o trajeto de moto iniciando em Caraguá e terminando em Salesópolis, para ver se era possível vir do litoral na caminhada até o início da trilha.
Na época a estrada era relativamente conservada até o alto da serra e o trajeto do litoral até o viaduto abandonado deu por volta de 17 Km, chegando na altitude de + - 500 metros, mas existia uma longa subida que levaria 1 dia inteiro (o trajeto completo de moto até Salesópolis não foi fácil, pois peguei chuva e estrada muito precária no planalto).
No antigo site Trilha e Cia encontrei o tracklog completo dessa travessia que abrindo no Google Earth dava para ver algumas informações úteis, mas não dizia nada sobre como estava a trilha - no final do relato tem o link para download dele. 
Alguns sites de agências e blogs que comentavam essa travessia só disponibilizavam informação básica. Era aquele velho monopólio de conhecimento das trilhas que eu já tinha presenciado outras inúmeras vezes e quem faz caminhadas sabe que isso é muito comum, mas tudo bem. Já esperava isso. 
Um roteiro de bike pela Estrada da Petrobras escrito pelo famoso montanhista Sérgio Beck e publicado em uma de suas revistas continha um croqui de onde a trilha se iniciava e mesmo de posse dessas informações fui deixando para lá. Sem saber como era a trilha, achava arriscado e poderia pegar um perrengue daqueles, então fui fazer trilhas mais fáceis. 
Mas em 2011, quando finalizei a Trilha do Corisco (relato aqui) depois de várias tentativas, decidi que era a hora fazer a Salesópolis-Boiçucanga e marquei para Janeiro de 2012 para coincidir com as férias da Márcia e com isso levar junto a Sophia. 
Meu planejamento era fazer essa travessia em 2 dias e no final do segundo dia já encontrar a Márcia e a Sophia hospedados na Praia de Boiçucanga para aproveitar mais alguns dias com elas. 
Dessa forma a Márcia nos levaria de carro até o alto da serra ou um ponto próximo para depois voltar até a Praia de Boiçucanga. 

Para essa caminhada chamei o Jorge Soto (velho parceiro de trilha) que por sua vez chamou o Ricardo (um amigo dele), mas escolher a data se revelou um problema que não ia se resolver tão cedo. Seu nome: ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). 
Resumidamente era por causa das chuvas que ocorriam quase que diariamente em SP no mês de Janeiro.
E como essa travessia do Ribeirão de Itu segue por suas margens por bom trecho, meu medo era pegar uma tromba dágua no rio e com isso ficar isolado ou até algo bem mais grave acontecer, por isso tive que adiar essa trip algumas vezes e com isso a Márcia desistiu de ir comigo.
Estava decidido a fazer em um fim de semana ou dia de semana mesmo, mas comecei a ficar preocupado porque já passava da metade do mês e a previsão para o litoral sempre apontava chuvas. 
Será que teria de adiar novamente a trip? Mas uma boa notícia: no dia 20 de Janeiro o tempo iria dar uma melhorada e com isso não pensei 2x, marcando a travessia para os dias 20 e 21 (uma Sexta-feira e um Sábado) e mesmo sendo dia de semana o Jorge e o Ricardo confirmaram.
Então o roteiro era esse: sairíamos de Sampa pela manhã para estar na Rodoviária de Caraguá no máximo até as 13:00 hrs e de lá pegar um táxi que nos deixasse o mais próximo possível do alto da serra.
De lá seguiríamos pela Estrada da Petrobras até o início da trilha onde íamos acampar e no dia seguinte descer a Serra até a Praia de Boiçucanga.
As 09h30min de Sexta-feira, eu, o Jorge e o Ricardo já estávamos embarcando no Terminal Tietê em direção a Caraguá onde chegamos pouco depois das 12h30min e lá fomos nós atrás da Rodoviária procurar algum taxista que nos levasse, mas não foi fácil. 
Queriam cobrar um valor muito alto somente para nos deixar em um barzinho que fica ainda na parte baixa da serra. Dali até o alto da serra seriam quase 8 Km de subida íngreme que queríamos evitar.
Conversa vem, conversa vai, um dos taxistas (Sr. Tavares) oferece para nos levar até onde ele conseguiria chegar e por um preço honesto e justo e lá fomos nós.
O táxi seguiu pela Rio-Santos, sentido São Sebastião e chegando na 1º Delegacia de Caraguá virou à direita na Estrada da Petrobras (estrada de terra), sentido Presídio e depois de uns 7 Km chegamos no barzinho, onde viramos na bifurcação à esquerda, sentido Salesópolis.
No trajeto Sr. Tavares disse que conhecia muito bem aquela região, pois tinha trabalhado na famosa Fazenda São Sebastião (conhecida também como Fazenda dos Ingleses), que por décadas produzia frutas para exportação, principalmente laranja e banana. 
Táxi nos deixou aqui
A Fazenda era composta por cerca de 4000 funcionários no seu auge, mas que foi desativada depois da Catástrofe de 1967, que matou várias centenas de pessoas na cidade. 
Sr Tavares nos deixou a poucos minutos do alto da serra, na altitude de 330 metros, + - no Km 12,6.
Talvez ele até nos deixasse lá no alto, mas as condições da estrada estavam muito ruins e depois de se despedir do Sr. Tavares, iniciamos a caminhada pouco antes das 14:00 hrs, tendo um imenso vale a esquerda conhecido como Garganta do Rafael. 
Íamos cruzando nascentes e depois de alguns minutos de caminhada encontramos operários construindo murros de arrimo para conter deslizamentos e camionetes com o logotipo da Petrobras, estacionados ao lado.
Descampado na subida da serra
Mais uns 30 minutos de caminhada e chegamos no alto de um platô próximo da altitude de 500 metros, marcado por um enorme descampado, que servia de depósito de materiais.
Paramos para alguns clics e daqui em diante a estrada vai descendo até passar por algumas chácaras e pequenos sítios.
Nesse trecho passa por nós um ônibus que transportava funcionários da obra e por volta das 15:00 hrs encontramos alguns operários da manutenção afugentando uma pequena cobra para a margem da estrada. 
A cobra era uma Coral verdadeira e uma das mais venenosas. Só tiramos algumas fotos e seguimos serra acima.
Ponte ligando o nada a lugar nenhum
Retomando a pernada e mais alguns minutos se visualiza uma das obras mais bestiais e um belo exemplo de gasto de dinheiro público à toa: um viaduto abandonado de uns 350 metros de extensão no meio da mata que era para fazer parte da Rio-Santos. 
Liga o nada a lugar nenhum. Deve ser coisa de Maluf. rs, rs, rs, rs....
Mais alguns minutos acima e chegamos na bifurcação para Estrada da Limeira à esquerda e dali seguimos por ela até a parte alta do viaduto onde é possível subir até sua pista através de uma escada de grampos.
Alguns clics e retornamos para a estrada principal e mais uns 5 minutos cruzamos com o oleoduto que segue de São Sebastião para a Refinaria de Paulínia.
Aqui se inicia a trilha

Logo passamos pela placa do Km 18 e as 15h50min, na altitude de + - 710 metros, chegamos no início da trilha, marcado por um descampado à esquerda. 
Do lado direito há uma estrada asfaltada que leva às válvulas do oleoduto e junto à trilha existe uma placa da Petrobras sinalizando: VÁLVULA DE BLOQUEIO A 400 METROS. 
Um breve descanso e pouco depois das 16:00 hrs seguimos para trilha com a dúvida de onde acampar, mas como tínhamos algumas horas antes do final do dia, resolvemos avançar trilha adentro para encontrar um local plano e com água.
O início da trilha é bem erodido e segue rumo sudoeste por uns 200 metros para depois virar a esquerda, seguindo o curso das águas de chuva.
Antiga casa tomada pelo mato
Nesse ponto em que a trilha vira, existe um pequeno descampado onde cabem algumas barracas, sendo possível encontrar água descendo uma trilha por uns 5 minutos, no rumo sudoeste.  
Seguindo a trilha principal, ela vai descendo até chegar às ruínas de um antigo casebre abandonado e tomado pelo mato (pensávamos que fosse o Sítio do Dito Cachimbo, mas não era). 
Alguns metros antes de chegar no casebre, a trilha vira novamente sentido sudoeste e seguimos avançando.
Porém surge um problema. A trilha vai contornando um morro a esquerda com encosta bastante inclinada.
Camping próximo ao início da trilha

Sem a certeza de encontrar um local plano para montar a barraca, resolvemos voltar depois de uns 20 minutos de caminhada e acampamos no descampado, próximo do antigo casebre.
E as 16h30min o Jorge e o Ricardo já procuravam algumas arvores onde pudessem montar suas redes, enquanto que eu montei minha barraca no gramado.
Depois de uma cochilada básica, resolvi fazer o meu jantar dentro da barraca que incluía batata chips, macarrão e uma sobremesa e por volta das 17h30min começou a cair uma fina garoa que se prolongou até as 20h30min. 
A chuva até deu uma refrescada e me ajudou a pegar no sono mais rapidamente e no meio da madrugada saí da barraca para ver como estava o tempo e pude notar um céu totalmente estrelado, prometendo ser um bom dia para caminhada.
Trilha relativamente demarcada
Por volta das 06h30min de Sábado eu já estava desmontando a barraca e preparando um rápido café da manhã. As 07h15min retomamos a pernada e uns 30 minutos depois cruzamos o 1º de muitos riachos que ainda viriam pela frente.
Nesse trecho inicial a trilha segue rumo oeste, às vezes tendendo para sudoeste, às vezes noroeste, mas com as marcações de facões nas arvores e uma trilha bem demarcada, avançamos sem maiores problemas. 
Pouco depois das 08h30min encontramos uma pegada que parecia ser de capivara ou anta e o Ricardo encontrou uma Cobra Jararaca que eu e o Jorge tínhamos passado batido. 


Descampado pela trilha
Depois de cruzar mais riachos, as 08h45min passamos ao lado de alguns descampados sendo que em um deles havia inúmeros pés de bananeira.
Mais alguns minutos e chegamos a outro bem maior com alguns eucaliptos e pinus, na altitude de + - 400 metros.
Mais tarde fomos descobrir se tratar do antigo Sitio do Dito Cachimbo (Sr. Benedito Alves da Silva) que possuía uma roça e uma casa no local. 
Pelo lixo encontrado pudemos perceber que algumas pessoas acampam ali e o lugar até que é bom, por ter uma parte plana e ficar ao lado de um riacho. 
Seria uma ótima opção para camping da noite passada, já que até esse local foram quase 2 hrs de caminhada.
Mas a partir daqui surgiram problemas e nesse ponto os perdidos começaram. 
Tivemos certa dificuldade para sair dali, pois não achávamos a continuação da trilha, tendo que nos separar para procurá-la.




Afluente do Ribeirão de Itu
É preciso ter faro de trilha para não se perder e com isso todo cuidado é pouco.
Saindo do descampado no sentido noroeste, o Jorge e o Ricardo encontraram um pequeno vestígio de trilha e fomos seguindo até encontrar a trilha principal alguns metros a frente, que seguia na mesma direção e mais alguns minutos por ela desembocamos no que parece ser o Ribeirão de Itu as 09h20min.
Já no rio tivemos que seguir pela margem dele, ora à esquerda, ora à direita até chegarmos em uma piscina que se formava pelo encontro do Itu com mais outro rio.
Aqui novamente tivemos dificuldades para encontrar a continuação, já que pelo leito do rio com certeza não era mais e tivemos que nos separar. 
Trilha pela rio
Pela margem direita havia encosta íngreme e só fomos encontrar a continuação do outro lado do rio, na margem esquerda e pensa que foi fácil daqui para frente?
De jeito nenhum, pois novamente a trilha pegava um pequeno trecho de mata e depois se dirigia para o leito do rio onde a continuação se perdia, mas nada como um vara mato básico ou uma caminhada pelo leito do rio para encontrar a trilha. 
Nossa referencia era sempre seguir próximo do rio e foi assim por um longo tempo.
E pouco depois das 10:00 hrs seguíamos por trilha demarcada que se afastava cada vez mais da margem esquerda do rio.
Poços pelo caminho
Logo passamos ao lado de uma árvore com uma enorme base formada por raízes que parece ser uma figueira branca.
Por volta das 10h30min a trilha volta para as margens do rio e chegamos no primeiro grande poço com uma pequena cachoeira. 
A altitude aqui é de + - 370 metros e novamente cruzamos o rio para a margem direita, mas não dura muito e logo voltamos para margem esquerda. 
O problema é que o rio vai ficando cada vez mais caudaloso e cruzá-lo não chega a ser uma tarefa fácil por causa das pedras no leito, mas pelo menos a correnteza não é forte e a profundidade no mais raso chega até os joelhos.
Poço dos Macacos
As 11:00 hrs quando o rio começa a ficar mais encachoeirado, o Jorge diz que já reconhece o lugar e ufa.............o pior já passou.  
Paramos para alguns clics de todos reunidos e daqui em diante a trilha se torna bem demarcada e fomos seguindo pela encosta próxima do rio.
Alguns minutos a frente cruzamos novamente o rio para a direita, mas logo voltamos para a margem esquerda até chegarmos no Poço dos Macacos, pouco depois das 12:00 hrs na altitude de 320 metros.
Aqui tivemos um merecido banho no poço de água esverdeada, mas como momentos alegres sempre vêm acompanhando de noticias tristes, eis que estávamos com vários carrapatos na roupa e alguns pelo corpo. 
Cachoeira da Serpente

Nessa hora tivemos que fazer um tipo de garimpo, mas o Jorge saiu mais no prejuízo, pois escorregou nas pedras e acabou batendo a parte de trás da cabeça. 
O Ricardo tinha trazido um estojo de 1º socorros e ajudou bastante.
Depois dessa breve parada, voltamos a descer, ora pelas margens do rio, ora pelo leito pedregoso até chegar na Cachoeira da Serpente as 13h45min, sendo que o acesso à base é um pouco perigoso, pois é preciso descer uma encosta escorregadia, mas chegamos sem problemas. 
O poço é bem fundo e descendo um pouco o rio se chega ao topo da Cachoeira Samambaiaçu.
Topo de uma cachoeira
Voltamos para a trilha e chegamos na base da referida cachoeira depois de alguns minutos. 
Aqui encontramos uma enorme placa com algumas informações da cachoeira e nesse ponto as águas do Ribeirão de Itu formam um perigoso cânion que seguem afunilando rio abaixo com uma altura considerável. Caiu aqui, tchau, tchau.
Existem alguns grampos presos na rocha, dando a entender que alguns fazem rapel nesse trecho.
Junto ao cânion encontro um minúsculo sapinho e não economizo nos clics e logo voltamos para a trilha, mas resolvemos sair da principal e descer por uma picada discreta, marcada por uma encosta íngreme e escorregadia que leva até a base da Cachoeira da Pedra Lisa.
Cachoeira da Pedra Lisa
O lugar é bonito, mas por ter um pessoal tomando banho resolvemos descer um pouco mais e mergulhar pela última vez no poço de uma pequena cachoeira, com exceção do Jorge, por motivos óbvios.
E pouco depois das 15h30min de roupas secas e revigorados pelo banho seguíamos para o final da travessia, mas não sem antes cruzar por mais duas vezes o Ribeirão de Itu até chegar na Estação de captação de água da SABESP. 
Daqui em diante foram cerca de 10 minutos por uma estrada de terra até o asfalto onde passa um circular em direção à praia. 
De volta à estrada
Sabíamos que havia um ônibus da Litorânea saindo da praia em direção à São Paulo com um horário à tarde e outro durante a noite, mas poderia não haver mais passagens, por isso seguimos direto para Boraceia que era o destino do circular. 
Em Boraceia pegamos outro circular que nos deixou na entrada da Riviera de São Lourenço onde pegamos uma van que subiu a serra e nos deixou na Estação de Estudantes, em Mogi das Cruzes e de lá seguimos de trem para Sampa.









Dicas e informações úteis

# Essa travessia tem uma extensão de pouco mais de 8 Km, desde a Estrada da Petrobras até a SABESP e pode ser concluída em + - 6 hrs sem as paradas nas cachoeiras. Nós fizemos em pouco mais de 8 hrs com várias paradas e alguns perdidos.

# A partir do Sítio Dito Cachimbo (descampado com eucaliptos e pinus) a continuação da trilha não é fácil de encontrar, por isso é preciso tomar cuidado.  
# Na dúvida siga rumo noroeste, até chegar no Ribeirão do Itu e dali em diante, a trilha é quase sempre pela margem ou próxima dela. 

# Para uma travessia como essa é preciso ter senso de navegação e faro de trilha, pois em vários momentos a continuação dela se perde na margem do rio. E sozinho também não é recomendável, pois em vários trechos podem acontecer acidentes. 

# Fique atento que nos trechos onde a trilha cruza o rio, a continuação dela não é no mesmo ponto. Em vários momentos foi preciso seguir pela margem ou pelo leito do rio até encontrar a trilha mais abaixo.

# Não recomendo de jeito nenhum que se faça essa travessia com chuvas. O perigo de pegar uma tromba dágua é muito grande e eu devo ter contado mais de uma dezena de travessias do rio. 

# Os melhores pontos para acampar são: no início da trilha, junto à estrada, outro ponto onde acampamos e no descampado do antigo Sitio do Dito Cachimbo, cerca de 2 hrs trilha adentro.

# Água não é problema, pois na subida da serra existem algumas nascentes e próximo do local onde acampamos tem um ponto de água de fácil acesso.

# Cuidado com os carrapatos que são deixados na vegetação por outros animais como capivaras e antas - voltamos de lá com alguns. E também não se esqueça das Jararacas, que são presença constante nesse tipo de mata. Uma perneira é essencial.

# Por muitos anos essa travessia completa era quase destino obrigatório das agências do litoral norte e algumas de SP. Hoje está “quase” em desuso, mas encontramos marcações recentes de facões em algumas árvores.

# Sinal de celular da Vivo não encontrei em nenhum ponto dessa travessia.

# Vá preparado para encharcar a bota e molhar partes da roupa, pois são inúmeras travessias do rio.

# O pessoal do PE da Serra do Mar não mantém uma guarita com controle de saída dessa trilha, por isso um eventual resgate será demorado. 

# A maior cachoeira dessa travessia é a da Pedra Lisa que deve ter uns 40 metros. As outras são um pouco menores.

# Quem não quiser fazer essa travessia completa, tem a opção de somente visitar as cachoeiras na parte baixa e seguir até o Poço dos Macacos. Acima dessa altitude, não vai encontrar muita coisa.

# Logística:
- Se estiver de carro para fazer essa travessia, vindo de Caraguá é só chegar até o 1º Distrito Policial que fica na Rio- Santos esquina com a Estrada da Petrobrás (quase na divisa com São Sebastião). Ali é só seguir sentido Presídio e ao chegar em um barzinho depois de uns 7 Km, virar na bifurcação para esquerda. Existe uma placa no local apontando Estrada da Petrobras. A partir dali é um trecho no plano para depois iniciar a subida da serra até o topo que fica + - no Km 13,4.

- Se estiver vindo de ônibus, siga até Caraguá e lá contrate um táxi no ponto que fica atrás da Rodoviária. 
Se puder procure Sr. Tavares (foi o único que não quis explorar a gente). Nós pagamos $60,00 ($20,00/pessoa) e nos levou até onde o táxi conseguiu ir. Se a estrada estivesse boa, é provável que nos deixasse no inicio da trilha.
Celular Sr. Tavares: (12) 9766- 7110

- Em Sábados e Domingos existem algumas vans que fazem o percurso até o Presídio para levar familiares e podem ser uma alternativa mais barata até o barzinho onde está a bifurcação para a Estrada da Petrobrás. Junto do 1º DP tem um ponto de parada.

- Saindo da Praia de Boiçucanga são 3 opções: 
* A 1ª é pegar o circular que passa na Rio-Santos em direção à Rodoviária de São Sebastião e de lá para Sampa.
* A 2ª é conseguir uma passagem no ônibus que sai da praia direto para Sampa, mas só tem um horário à tarde e outro à noite.
* A 3ª opção é seguir em circular para Bertioga ou fazendo baldeação para chegar na entrada da Riviera de São Lourenço, onde passam inúmeras vans em direção a estação de trem em Mogi das Cruzes.

# Croqui dessa trilha pode ser encontrado no site do Camping Porangaba
www.porongaba.com.br/trilhacachoeira.asp

# O tracklog está disponível no site do Junior, na seção Mapas
www.trilhaecia.com.br/emapas . Esse site vive dando problemas.
Quem não encontrar no site, é possível fazer o download no Google Drive.
É só clicar nesse link aqui.

19 comentários:

  1. Boa Augusto! Bela pernada e uma região muito bacana. Parabéns e um abraço!

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    1. Fala Getúlio.

      Com as cachoeiras e poções no final, essa travessia fechou com chave de ouro.
      Valeu a pena.

      Abcs

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  2. otavioaon11 maio, 2013

    eae Augusto...
    Vc ainda tem o tracklog dessa trilha? No site do seu amigo parece estar c/ o link quebrado...

    vlw...

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    1. Ola Otavio.

      De vez em quando o trilha&cia dá alguns problemas.
      Mas vou te passar o tracklog por e-mail, ok.


      Abcs

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  3. Boa Tarde, Augusto!

    Sempre me incomodou o fato de conhecer alguns lugares bastante distantes de Sampa - como as chapadas do nosso cerrado - e não ter tido ainda uma rica experiência com a Serra do Mar - que está "debaixo do meu nariz", aqui em SP. Pra falar a verdade, visitei apenas os lados do Marsilac (Cachoeira do Capivari) e algumas trilhas de Paranapiacaba "na surdina". Sou daqueles teimosos que insistem em fazer as coisas de maneira "independente".
    Não sei a dimensão disso, mas há muito tempo noto uma pressão de governo (via Sec. Meio Ambiente) e imprensa para desencorajar ao máximo os trekkers independentes em fazer travessias pelos núcleos do PESM. Guias, horários, multas, etc, toda uma sorte de restrições são impostas e colegas meus já foram tratados de forma bastante escrota quando tentaram fazer algo por lá e foram percebidos. É claro que estar na periferia da maior cidade do Brasil é um infortúnio para a Serra do Mar, e cuidados precisam ser tomados. Mas como temos no governo um "paizão" para todas as horas (especialmente para cobrar impostos), ele também desconfia dos seus cidadãos e bota seu "cadeado" na floresta. Decerto tem muito sujeito irresponsável por aí (como nessa matéria que ocorreu exatamente num feriado de Páscoa: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,trilhas-ecologicas-da-serra-do-mar-vao-ser-fiscalizadas,535502,0.htm; http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,trilha-proibida-tem-74-resgates-em-1-ano,709990,0.htm) e que se mete na mata sem qualquer noção de localização, sobrevivência, aptidão física, psicológica, etc, mas, à medida que as pressões são exercidas a todos os bípedes pensantes do planeta (exceto os de crachá), muitos deixam de conhecer a Serra do Mar (sujeito conhece Torres del Paine, conhece a Europa, mora em Sampa mas não conhece a Serra do Mar).
    Não achei o tracklog dessa trilha no Wikiloc. Você tem o tracklog dela ainda?

    Depois de uma expedição no Espinhaço Meridional, pretendo fazer ela.
    PS: Minha primeira formação também foi na Geografia.

    Abs e parabéns pelo trabalho!

    Elvis Trivelin

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    1. Blz Elvis.
      Outro geógrafo. Isso é muito legal.
      É um bom sinal de que vc também gosta do mato. rs, rs, rs, rs, rs..................

      Apesar de ser contra também o controle de acesso a Núcleos do PESM, acho que ele tem um lado positivo.
      Existindo esse controle e liberar somente para guias, ele funciona como uma "peneira" para muitos que não tem experiencia em trilha de mata fechada não se aventurarem por esses caminhos. É nesse momento que os serviços de guias são úteis.
      O texto do link das pessoas que se perdem na Trilha do Rio Branquinho é um exemplo perfeito.
      Eu fiz essa travessia em 2011 e não recomendo de jeito nenhum que alguém faça sem que tenha experiencia de trilhas.
      Estávamos em um grupo que era bem experiente e mesmo assim pegamos trechos de mata fechada e bifurcações que nos fez perder um certo tempo.
      Outro exemplo: a trilha do Pico de São Sebastião, em Ilhabela. Trilha hiper difícil porque a mata é muito fechada. Já tive retorno de pessoas que tentaram fazer essa trilha e saíram de lá só com a ajuda de um mateiro que encontraram pela trilha. Fora o fato que a água é escassa e alguns tiveram problemas de saúde por causa disso.
      Mais outro exemplo: Pedra do Frade. Tive também retorno de pessoas que me disseram que a trilha estava muito fechada e tiveram que retornar e nisso se perderam. Um problemão para sair de lá.
      E um exemplo perfeito do que isso pode acarretar: Serra Fina de sul a norte pelo Rio Claro.
      Fiquei sabendo que o proprietário proibiu o acesso à trilha porque um ou alguns "irresponsáveis" tentaram fazê-la sem a autorização dele e deu problema.
      É uma travessia muito complicada, mas muito linda e que está totalmente proibida de se fazer.
      Uma pena.

      Por isso, um controle de acesso à algumas trilhas deve existir para que essas pessoas inexperientes e irresponsáveis não sejam mais um dos resgatados pelos Bombeiros e PMs.

      Qto ao tracklog, tenho ele sim, mas como não fui eu que criei, não acho correto deixá-lo hospedado em algum site. Não quero assumir a autoria dele.
      Me passe seu e-mail aqui pelo comentário ou se quiser pode enviar pelo link do CONTATO.


      Abcs

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. OPS: Meu primeiro comentário saiu com nome do meu primo e apaguei-o.

      Valeu, Augusto! Brigadão pelo retorno! É isso aí. Quando você falou do caso do proprietário da área em que está aquela trilha da Serra Fina (pelo Rio Claro) lamentei, pois não cheguei a fazê-la. Uma vez fiz a tradicional - pela Toca do Lobo - e na última fiz um bate-e-volta pelo Paiolinho. Certa vez conheci um grupo que fazia Eng. ambiental e eles estavam me falando do que leva o proprietário a tal escolha. Na maioria dos casos, a Lei impede-o de investir numa infraestrutura turística, mas o obriga a zelar pela segurança da área. Resumo: como cuidar da área só lhe renderia gastos, então ela fica parada - até que algum acidente ocorre e a Justiça o responsabiliza. Então, ele coloca uns leões de chácara lá só para evitar futuros problemas. Na equação entre promover o turismo e conservar as reservas e parques há um impasse longe de ser solucionado. Gostei da maneira como é regulamentada a visita no PNSG (Serra Geral), embora eles também tenham áreas bastante restritas, mas nada que se compare à Jureia e ao PESM. Talvez se houvesse um curso necessário, equipamentos e um cadastramento, enfim (como é exigido para saltos e mergulhos, por exemplo)... quem sabe seria mais fácil destravar esse problema?
      Novos agradecimentos e o e-mail segue abaixo. Volta e meia estou pelos sites e fóruns. Nos vemos por aí.

      e-mail: elvistrivelin@hotmail.com

      Abs

      Elvis

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    4. Blz Elvis.
      Acessar um parque na surdina não é a mesma coisa que invadir uma área particular.
      Normalmente se acontecer alguma coisa na área do parque, a culpa é de quem tá fazendo a trilha clandestinamente, além de responder um p. processo na Justiça.
      Já se invadir uma área particular, a coisa é bem mais complicada para o proprietário.
      Por isso que em muitas trilhas os donos de fazenda proibem a passagem e muita gente não aceita isso.
      Tem de ver pelo lado do proprietário. Se acontecer qqer acidente, ele também responde.

      Já te enviei o tracklog p/ o seu e-mail.

      Abcs

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  4. Augusto, Não tenho experiência alguma na prática com trilhas, mas por gostar muito do assunto, tenho uma base em teoria. Fiquei muito interessado em fazer essa trilha Salesóplis - Boiçucanga, e estou querendo ir com mais 3 amigos que também não tem experiência com o assunto. Quero planejar tudo certinho, me certificar que tenho os equipamentos necessários se houver imprevistos. Você acha que é possível 4 homens com nossas características fazer de cara essa trilha?

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  5. Oi Allan, blz?
    Eu considero essa travessia de mediana para difícil, já que a trilha passa por trechos onde vc tem de ficar procurando ela.
    Não é uma trilha muito frequentada.
    Na descida, passamos por alguns perdidos.
    Já se vc tem familiaridade com GPS até posso enviar o tracklog.
    Mas sinceramente, só recomendaria essa travessia para quem já tem uma certa experiência de caminhada.
    Recomendaria travessias mais tranqüilas e mais demarcadas, para ir ganhando experiência.
    E depois iniciar nessas trilhas mais complicadas.


    Abcs

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    1. Augusto, muito obrigado pela resposta. Vou levar muito em consideração a sua recomendação em iniciar uma trilha mais tranquila. Você recomendaria alguma? Uma que não seja cheio de gente seguindo um guia. Gostaria muito se você enviasse o tracklog da salesopolis-boiçucanga para e-mail allan_squillace@hotmail.com se não for um incômodo.

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  6. Qto a equipamentos, não se preocupe.
    É vo básico de qqer caminhada.
    Uma barraca leve e de qualidade, um bom saco de dormir, um isolante leve e tudo isso numa boa mochila cargueira com uns 60 litros.
    Qto a alimentação, vai de acordo com cada um.
    E ai é se preocupar com o peso da mochila, não colocando muita coisa desnecessária.

    Abcs

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  7. Allan, no litoral existem algumas travessias relativamente fáceis:
    - Ponta da Joatinga em Paraty.
    - Saco das Bananas em Ubatuba
    - Cachoeira do Elefante, próximo de Bertioga.
    - Trilha dos 7 Degraus em Paraty.
    - Trilha do Ouro em S.J. Barreiro.

    Estou enviando para o seu e-mail o tracklog.
    E se resolver fazê-la, boa sorte.

    Abcs

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  8. Sou um seguidor dos seus feitos, e apreciador de suas histórias. Nunca nos deixe de compartilhar tuas experiências, é de grande válida.
    Parabéns, e se não for inoportuno, peço tbm esse tracklog. E-mail e.santander@yahoo.com.br
    Obrigado, e novamente parabéns, grande Mestre.

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  9. Eu to de ferias agora e só volto a SP em Agosto.
    Assim que acessar meus arquivos no computador, repasso a vc no seu e-mail.
    Onde estou não tenho como acessar meus arquivos. Uma pena.

    Abcs

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  10. Fiz o upload do tracklog da trilha para o Google Drive e deixei disponível.
    O link tá no final do relato.
    E não é inoportuno não.
    Nada mais justo deixá-lo para que outras pessoas também possam usá-lo.
    E obrigado pelo Grande Mestre.

    Abcs

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  11. Ricardo Borges07 setembro, 2016

    Grande Augusto,
    O titulo do Post é "...de Salesópolis até a Praia de Boiçucanga pela trilha do Ribeirão de Itu", porém vcs sairam de Caraguatatuba.

    Obrigado pelo seus incríveis relatos
    Ricardo

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  12. Blz Ricardo.
    Nós iniciamos a caminhada no alto da serra, que já pertence a Salesópolis.
    O que a gente fez foi pegar um taxi em Caraguá para nos levar até próximo ao início da trilha, que já se localiza nessa cidade.
    Os limites de Caragua estavam bem longe de onde iniciamos a trilha, por isso coloquei Salesópolis.

    E valeu pelo elogio.

    Abcs

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