30 de julho de 2004

Relato: Retorno à Pedra do Frade - Dessa vez deu - Angra dos Reis/RJ

Esse retorno a Pedra do Frade era questão de honra. Eu tinha que voltar lá. 
Na primeira subida ao topo dessa Pedra chegamos só até a base e devido à chuvas intensas não conseguimos chegar ao topo. Foi muito frustrante. Veja nesse relato aqui
Mas dessa vez pegamos uma janela de tempo muito boa em Setembro de 2005 e acampamos no topo sem chuvas. 
Estavam eu e a Márcia (que tínhamos ido na primeira vez) e o Jorge Soto que resolveu embarcar com a gente.
Depois de ter passado por um dilúvio na base da Pedra em Julho de 2004, onde não conseguimos chegar no topo por pouco, voltaria lá e tentaria subir mesmo que estivesse chovendo horrores.
Nesse retorno, a trip não era a mesma da primeira vez. O Rogério e o Maurício não quiseram se arriscar.


Na foto ao lado todo o esplendor da Pedra do Frade visto de um mirante





Fotos com os croquis dessa trilha: clique aqui

Tracklog para GPS: clique aqui


Nossa intenção era sair na manhãzinha de uma Sexta-feira para tentar chegar ao topo da Pedra do Frade no Sábado à tarde. 
Todos os sites de meteorologia davam como 100% de possibilidades de chuvas na Sexta e Sábado e uma diminuída no Domingo. Felizmente não foi o que aconteceu.
No dia combinado, a Márcia e o Jorge passaram de carro em casa para me pegar e seguirmos em direção à Bananal. Tínhamos que sair no máximo até as 09:00 hrs pois teríamos que chegar em Bananal antes das 14h30min, a tempo ainda de pegar o circular que sobe a serra. O caminho que tomamos para se chegar em Bananal foi seguirmos pela Via Dutra até Queluz e dali passamos por Areias, São José do Barreiro e Arapeí.
Quando passamos por Queluz, seguindo para Areias, para nossa surpresa e espanto encontramos ao longo da estrada algumas placas indicando ESTRADA INTERDITADA à frente. Nesse momento passamos da tranquilidade ao desespero, pois se voltássemos e seguíssemos por uma outra cidade chamada Silveiras não teríamos tempo hábil para pegar o circular. Ficamos sem saber o que fazer e pensando que poderia haver um desvio. E para nossa sorte, havia um, que passava por uma estrada de terra em uma área de reflorestamento. Mas tínhamos que ir rápido, pois nossa pretensão era almoçar ou comer alguma coisa em Bananal e ainda procurar um lugar para deixar o carro durante os próximos dias. 
Sem maiores problemas pela estrada chegamos em Bananal pouco antes das 14:00 hrs. 
No coreto de Bananal
Lá encontramos uma garagem particular a $10,00 Reais/dia e depois fomos comer alguma coisa.
Pouco antes das 14h30min seguimos para a Praça onde ficamos aguardando o ônibus que saiu por volta das 14h45min. 
O valor da passagem era de $7,00 Reais e o ônibus é bem velho e com poucas pessoas dentro. 
Inicialmente segue por imenso vale até começar a subir a serra, quase sempre em zigue zague. Nosso destino era a bifurcação para o Bairro Brastel, já no alto da serra, onde chegamos as 16h20min. 
O lugar onde descemos do circular é conhecido como Sertão da Bocaina e fica ao lado de uma Represa no alto da Serra.
Daqui para frente tomamos a bifurcação da esquerda (o circular aqui segue para a direita), passando ao lado de uma serraria.
Aqui não tem erro: é só seguir as placas de Pousada do Rio Mimoso, Pousada Brejal e Restaurante/Pousada Chez Bruna. Algumas placas indicam 13 Km até a Pousada Rio Mimoso (é lá perto que se inicia trilha).
A estrada é relativamente plana com algumas subidas longas, mas como estávamos iniciando a caminhada tínhamos muito gás ainda. 
Pouco antes das 17:00 hrs passamos ao lado do Restaurante e Camping Chez Bruna e as 17h45min ao lado da Pousada Brejal. De vez em quando caia uma fina garoa, mas logo melhorava. Pouco depois das 18:00 hrs começou a escurecer e aí ligamos nossas lanternas e com elas seguimos pela estrada. 
De vez em quando algum sapo quase era atropelado pela gente.
Quando a estrada termina em frente a entrada da Pousada Rio Mimoso, atravessamos uma porteira de madeira do lado direito. Passamos por outra cerca mais a frente e a partir daqui a estrada estava um brejo só. Mais uns 15 minutos e chegamos na última cerca de arame e ao lado dela existe um riacho para ser cruzado. Bem a esquerda há um enorme descampado, junto ao rio. Caminhamos ainda por uns 100 mts e chegamos em um outro enorme descampado ao lado do Rio Bonito, à esquerda.
Camping próximo do Rio Bonito
Chegamos aqui por volta das 19:00 hrs e depois de atravessar o rio com água até os joelhos, fomos montar nossas barracas uns 50 mts a frente, embaixo de algumas araucárias. 
O local é gramado e bem plano; lugar perfeito para acamparmos naquela noite. Depois de banho tomado no rio, eu e a Márcia fomos preparar nosso “banquete”. A noite foi tranquila e na manhã seguinte o Sol aparecia de vez em quando. Barracas desmontadas e café da manhã tomado, seguimos em direção à Pedra do Frade pouco antes das 08:00 hrs. 
A trilha segue rumo sul, pela trilha bem demarcada e logo chega ao um riacho, onde existe um brejo. Daqui para frente a trilha segue para direita e entra na mata fechada, passando por outras inúmeros brejos nos próximos 30 minutos. Logo a trilha atravessa o Rio Goiabeira, só que bem mais raso. 
Em um dos descampados na trilha
Passando o rio surgem outros brejos e a trilha começa uma leve subida em meio a samambaias e um bambuzal. 
Surgem algumas pequenas bifurcações, mas continuando pela trilha demarcada e principal não tem erro - aqui é bom trazer um facão, pois a trilha está bem fechada. 
Após passarmos por alguns riachos chegamos ao primeiro grande descampado e se não houvesse neblina conseguiríamos ver toda a Pedra do Frade à frente. 
Depois de cruzar um riacho e atravessarmos o descampado de uma ponta a outra, entramos novamente em mata fechada para cruzar por mais brejos à frente. 
Pedra do Frade ao fundo

Mais uns 30 minutos de trilha e chegamos no segundo descampado com solo bastante irregular. 
Voltamos à mata fechada e daqui em diante só vamos emergir da mata, já próximo da Pedra do Frade. 
Alguns minutos depois desse segundo descampado passamos ao lado de uma enorme árvore caída com raiz do lado esquerdo, parecendo uma gruta. 
Mais a frente surgirá outra bifurcação bem demarcada à direita - é a trilha que leva ao bairro do Perequê, próximo do Rio Mambucaba, no final da travessia da Serra da Bocaina (Trilha do Ouro). 
Até lá são + - 5 hrs de trilha.
Gruta dos Alemães
Seguindo em frente pela trilha depois de uns 20 minutos chegamos à última bifurcação. Nesse ponto haverá uma árvore com a inscrição de “PF” e uma seta indicando a trilha da direita. 
A partir daqui a trilha segue por alguns sobe e desce intermináveis, onde surgirão algumas bifurcações, mas se mantendo na trilha demarcada e principal não tem erro. Finalmente chegamos na Gruta dos Alemães, do lado esquerdo. 
Aqui fizemos uma parada para reabastecimento, pois este é o ultimo ponto de água - eu e a Márcia pegamos quase 4 litros. 
Litoral de Angra dos Reis
Daqui para frente é o pior trecho, pois é uma subida bastante íngreme por quase 1 hora até chegar ao mirante. O Jorge disparou na frente e a Márcia bem atrás de mim, mas o peso maior estava comigo. Paramos em vários momentos para descansar e retomar o fôlego. 
Ao longo da subida vão aparecendo alguns abrigos naturais, mas apenas para alguma emergência. Quando chegamos na crista, encontramos o tempo todo encoberto. A neblina tomava conta de tudo, até da Pedra que estava a apenas 15 minutos dali.
Continuando pela crista logo chegamos na base da Pedra, pelo lado leste. 
Nesse ponto passamos ao lado do local onde eu, a Márcia, o Rogério e o Mauricio ficamos presos pela chuva. A canaleta que eu tinha feito em volta da minha barraca ainda estava lá, trazendo lembranças nada agradáveis. Bom, pelo menos dessa vez o tempo estava bom. Conforme íamos contornando a Pedra pela direita, íamos subindo cada vez mais. De repente a Márcia que estava na frente desce correndo, dizendo que tinha encontrado um pequeno felino embaixo de uma das tantas pedras que passamos. Mas quando fui ver o que era, na verdade era uma garrafa PET. 
Subindo a Pedra
E continuamos a caminhada, contornando a Pedra e sempre subindo até chegar a um pequeno descampado à direita, onde é o início da subida pela encosta da Pedra. 
Aqui o descampado é plano e uma boa área de camping para umas 5 barracas e daqui sai uma trilha que desce em direção ao Hotel do Frade, já em Angra dos Reis - é uma boa opção para quem quiser fazer essa travessia.
A trilha que vai subindo pela encosta é bastante íngreme e fomos subindo agarrando nas raízes e nos galhos das arvores, mas nada muito difícil. 
Existe uma escada de madeira bem velha colocada em um ponto estratégico, mas não é bom confiar. 
O melhor é ir se agarrando nas cordas que foram colocadas ali. 
Quem já subiu a Pedra do Baú pela face sul vai encontrar alguma semelhança. 
Em certos trechos a trilha chega a ficar quase 90 graus.
Depois de + - 40 minutos chegamos no topo, por volta das 15:00 hrs. 
A área para as barracas é bem pequena, no máximo umas 4 pequenas, protegidas por algumas árvores. 
Descendo um pouco mais para leste existe um outro local para mais 2 barracas.


Acampados no topo

De repente começou a cair uma garoa fina, mas já estávamos bem confortáveis dentro das nossas barracas e quando escureceu o tempo abriu totalmente, mas o litoral continuava com tempo fechado. 
Depois do jantar eu e a Márcia saímos para apreciar o céu totalmente aberto e ficamos ali contando estrelas cadentes. 
A temperatura estava por volta de 10ºC. 
Depois fomos dormir e por volta da meia noite levantei novamente para ver como estava o tempo e já dava para ver o litoral todo aberto e a temperatura estava em 8ºC. Voltei novamente para a barraca e fui dormir.
Nascer do Sol
Por volta das 06:00 hrs acordamos para apreciar o nascer do Sol. 
É muito bonito vê-lo surgir por entre as nuvens. 
Tiramos várias fotos e depois fomos desmontar nossas barracas e bater em retirada, pois tínhamos que estar as 16:00 hrs no Restaurante Chez Bruna para pegar o circular de volta a Bananal.
Iniciamos a descida pouco antes das 08:00 hrs, passando rapidamente pela Gruta dos alemães e pelos descampados. 
Chegamos no início da trilha, junto ao Rio Bonito às 12h40min e ali ficamos por mais de 1 hora. 
Descendo do topo do Frade
Tomamos um banho no rio, trocamos de roupa e fizemos uma bela refeição. Pouco antes das 14:00 hrs seguimos pela estrada, passando na Pousada Brejal as 15:00 hrs. 
Ainda tentamos pedir carona para uns Land Rovers que passavam pela gente, vindo da Pousada Rio Mimoso. Contamos uns 10, mas em vão. Cheguei no Restaurante as 15h45min e depois de uns 15 minutos chegaram a Márcia e o Jorge. 
Agora era aguardar o circular, mas demos sorte. Uma Toyota encostou para ir no Restaurante, mas como ele estava fechado o motorista nos viu e ofereceu carona. Aceitamos de imediato e chegamos em Bananal por volta das 17h30min. 
Fomos buscar o carro e em seguida fazer um lanche em uma pastelaria da Praça.
Saímos da cidade quando começou a escurecer, mas em vez de seguirmos sentido Arapeí, fomos para Barra Mansa, sentido RJ. São 25 Km e lá pegamos a Via Dutra sentido SP. 
O trecho é um pouco mais longo, mas economizamos no tempo, porque pela Dutra é muito mais rápido do que ir por dentro, passando pelas cidades. Eu fui dirigindo o carro e o Jorge e a Márcia dormiram a maior parte da viagem até Sampa, onde chegamos por volta das 23h30min. 





Algumas dicas e informações úteis (Atualizado em 2015)

# O trekker Felipe Lombardi do RJ, fez essa caminhada ao topo em Agosto/2015 e criou um tracklog, saindo de Bananal. É bem mais recente que o meu.
http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=10581371

# Criei croquis detalhados dessa trilha, saindo da Pousada Brejal. Eles estão no álbum de fotos.

# O Jorge fez uma quadrinização usando as fotos e ficou como se fosse uma história em quadrinhos muito legal. Quem quiser ler a historinha, ela está no álbum de fotos.

# Existe um circular que sai do centro de Bananal e segue até o Bairro Brastel, que fica próximo da Pousada Brejal. Se os horários não mudaram eles saem de Bananal as 06h30min e 14h30min. Qualquer dúvida ligue no Departamento de Turismo da cidade: (12) 3116-2007 ou (12) 3116-1313

# Tive retorno de algumas pessoas que tentaram fazer essa trilha e retornaram porque ela está muito fechada em alguns trechos. Por isso, essa caminhada não é para qualquer um.

# Um dos trechos mais difíceis dessa travessia está junto da árvore com a inscrição de "PF". O mato está muito alto e fechou totalmente a trilha. Algumas pessoas fizeram uma marcação com papel higiênico. É um trecho pequeno onde a trilha. Se conseguir achar a continuação da trilha a partir dali já vai encontrar a trilha mais aberta.

# Hospedagem: Pousada Brejal, pertencente ao Carlinhos: clique aqui.

# Uma outra opção de hospedagem próxima a Pousada Brejal é o Restaurante/Camping Chez Bruna.
www.chezbruna.com.br

# Além da possibilidade de finalizar essa travessia no Bairro do Perequê, como nós fizemos na primeira vez ou voltar para a Pousada Brejal e lá próximo pegar o circular para o retorno à Bananal, existe uma outra opção: seria o de descer para o Hotel do Frade, pegando a trilha que sai ao sul da base da Pedra do Frade (veja no croqui), mas avisando que ao chegar no Hotel os caras vão encher o saco, já que para eles é invasão de propriedade. Se quiser arriscar, é por sua conta e risco. 

# O relato da primeira vez que fomos nesse lugar têm alguns detalhes a mais. 

# Na página do tracklog dessa caminhada, que está no wikiloc, várias pessoas comentam que a trilha está bem fechada, mas possível de ser feita. Se puderem, vejas as postagens lá. Algumas são bem úteis.

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